Ensinar português ou estudar o brasileiro?

Marcos Bagno

bandeira“Por que o brasileiro deprecia tanto o seu modo de falar? Vou propor algumas explicações, que depois a gente pode discutir aqui em conjunto. Uma delas é o que chamo de “fantasma colonial”. Passados mais de 170 anos de independência política, a sociedade brasileira ainda conserva muito de sua estrutura colonial. Em outras ex-colônias européias, houve uma grande movimentação popular a favor da independência, uma revolução que implicou não somente no corte dos vínculos políticos e econômicos com a metrópole, mas também na transformação das relações sociais e econômicas que estruturavam a sociedade colonial. No Brasil, porém, nada disso aconteceu. Nossa independência foi tramada de cima para baixo, num movimento que tem caracterizado todos os grandes momentos políticos da nossa história. Basta lembrar que o mesmo homem que até então era o regente da coroa portuguesa, da metrópole colonial, foi quem proclamou a independência e se autonomeou em seguida imperador do Brasil. Esse mesmo homem, mais tarde, voltaria para Portugal para defender o trono português contra um suposto usurpador. Que independência então foi essa? O império brasileiro, do ponto de vista social, político e econômico, não era muito diferente do Brasil colonial: a economia permaneceu essencialmente agrária, o trabalho escravo continuou em vigor por mais meio século, a estrutura latifundiária não sofreu alteração, a economia e os negócios permaneceram nas mãos de uma pequena elite, não houve nenhum tipo de democratização das relações de poder e exploração. O mesmo se pode dizer da passagem do regime monárquico para o regime republicano. A proclamação da República foi pura e simplesmente um golpe militar praticado pela alta cúpula do exército, e não um movimento social a favor da democratização da sociedade. Talvez possamos ver nisso tudo algumas das explicações para as três grandes características da sociedade brasileira, praticamente inalteradas desde a época colonial: autoritarismo, oligarquismo e elitismo – politicamente autoritária, economicamente oligárquica e culturalmente elitista. A ausência da participação popular nesses momentos históricos revela o grande abismo que sempre separou a imensa maioria do povo da pequena elite dominante. Em nenhum outro lugar do mundo os ricos são tão ricos e os pobres são tão pobres: nosso país é campeão mundial de concentração de renda e de injustiça social. Sem se identificar com o povo, querendo o tempo todo manter e aumentar esse abismo, as nossas elites sempre se comportaram como uma força colonial, como um grupo alheio aos interesses do povo, e por isso mesmo sempre buscou se identificar com algo que está fora daqui, em algum paraíso exterior e superior, que mais recentemente se transferiu de uma Europa idealizada para um nebuloso “primeiro mundo”, lugar onde tudo é bom, bonito e certo. Essa pesada herança colonial, evidentemente, também tem seus efeitos sobre a língua que falamos. Para começo de conversa, essa língua tem um nome que denuncia sua exterioridade, seu não-pertencimento a este lugar chamado Brasil: a língua se chama “português”. Eu não sou português, e se essa língua tem esse nome é porque ela pertence a um outro, não pertence a mim. Ora, quem mais poderia falar bem e certo uma língua chamada “português” se não um povo também chamado “português”? Não é óbvio e evidente? Assim se cristalizou essa certeza, tão impregnada na nossa mentalidade, no nosso imaginário: brasileiro não sabe português, e nunca vai poder saber, porque somente os portugueses conhecem bem a língua, que é deles. Por mais que a gente insista e se esforce, só conseguiremos falar um arremedo de língua, um português estropiado, cheio de erros, de barbarismos e de solecismos, sobretudo por causa da influência de povos menos civilizados na nossa cultura, como os negros africanos e os índios nativos. Sim, porque não devemos esquecer que, além de autoritária, oligárquica e elitista, a sociedade brasileira é entranhadamente racista. É assim que procuro explicar essa auto-aversão lingüística dos brasileiros, inclusive dos brasileiros cultos, das camadas sociais escolarizadas e de maior poder econômico. Para a grande maioria das pessoas, só em Portugal se fala bem o português, e poucos são os brasileiros que conseguiram atingir esse ideal lingüístico, esse paraíso do bem falar: alguns poucos escritores, os autores das gramáticas e dos dicionários, os professores de língua. É fácil encontrar provas do que estou dizendo. Basta abrir os jornais, ouvir o rádio ou ver a televisão. A mídia costuma ser um bom espelho do senso comum. Aqui vão alguns poucos exemplos:

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Revista Época, 14/6/1999: “O uso do gerúndio empobrece o texto. Lembre que não existe gerúndio no português falado em Portugal”.Jornal do Brasil, coluna Língua Viva: “Sempre me perguntam onde se fala o melhor português. Só pode ser em Portugal”.Programa de TV, Nossa Língua Portuguesa: “O que acontece é que a língua portuguesa “oficial”, isto é, o português de Portugal, não aceita o pronome no início da frase.” Folha de S. Paulo, 4/1/2000, Marilene Felinto: “Basta pensar que a língua brasileira é outra. Uma pequena mostra de erros de redação coletados na imprensa revela que o português aqui transformou-se num vernáculo sem lógica nem regras”.O Dia, 28/2/1999, Arnaldo Niskier: “A língua portuguesa propriamente dita é bastante difícil”.

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Não é preciso nem enfatizar o quanto essa ideologia é prejudicial ao ensino no Brasil. O que existe, então, na nossa cultura, é uma divisão bastante nítida. De um lado, temos uma norma-padrão, um ideal de língua que se baseia ainda no uso feito pelos chamados grandes escritores, e que tenta espelhar a língua falada e escrita em Portugal, apesar de todos os grandes movimentos literários, desde o romantismo de José de Alencar até o modernismo de Mário de Andrade, que tentaram incorporar à literatura as opções lingüísticas características do brasileiro. Do outro lado, temos todo o grande conjunto das variedades lingüísticas do português brasileiro, que não são padrões ideais, mas realizações concretas, e que, em seus grandes traços comuns, constituem o nosso vernáculo, a nossa língua materna. Como poderíamos começar a desconstruir essa ideologia lingüística reacionária? Como democratizar o nosso ambiente lingüístico?A brecha que encontrei para nós começarmos a subverter esse estado de coisas foi o adjetivo “culto”. As gramáticas normativas, a pedagogia tradicionalista e os atuais representantes do conservadorismo gramatical que se apoderaram da mídia usam muito o adjetivo “culto” para se referir ao padrão lingüístico ideal que eles dizem ser o único admissível, a única forma legítima de “português”. Vamos ver alguns exemplos do uso do adjetivo “culto”. Os filólogos Celso Cunha e Lindley Cintra, ao apresentarem sua Nova gramática do português contemporâneo, de 1985, assim escreveram: “Trata-se de uma tentativa de descrição do português atual na sua forma culta, isto é, da língua como a têm utilizado os escritores portugueses, brasileiros e africanos do Romantismo para cá”. Esses autores, na linha dos estudos gramaticais tradicionais, desde o século III antes de Cristo, continuam associando língua culta com linguagem literária. A gramática deles, portanto, só deveria, teoricamente, ser consultada por quem quisesse escrever um texto literário. No entanto, as regras que ela descreve e prescreve supostamente valem para todas as demais formas de uso da língua. O que se pode verificar, porém, é que os autores de gramáticas normativas terão cada vez mais dificuldades para colher nas obras literárias os exemplos para o suposto “uso correto” da língua. Os escritores há mais de um século vêm se rebelando contra essa instrumentalização de seu trabalho estético, e na produção literária moderna e contemporânea é muito fácil encontrar, para cada exemplo de uso tradicional, muitas opções lingüísticas que nenhuma gramática consideraria “recomendável” ou “certa”. […] Para começar a desmontar todos esses equívocos, seria interessante introduzir na prática pedagógica, nos cursos de Letras e, se possível, no senso comum, o conceito de falante culto que vem sendo empregado pela pesquisa lingüística brasileira há mais de trinta anos. Nessa linha de trabalho científico, chama-se de falante culto aquele indivíduo nascido e criado em ambiente urbano e que possui nível de escolaridade superior completa. […] Se passarmos a empregar esse conceito de falante culto, talvez possamos propor que o padrão lingüístico a ser usado como referência geral seja baseado nos usos feitos pelos brasileiros cultos, e não mais na escrita literária. […] E é aí que podemos começar a subverter os conceitos de português certo e errado que vigoram na nossa cultura. Como? Investigando a língua realmente falada e escrita pelos brasileiros cultos. O que essa investigação revelará é que existe uma distância enorme entre a norma-padrão tradicional e a língua realmente empregada pelos falantes cultos do português do Brasil. […] Por que não empreender então uma reforma da norma-padrão, admitindo nela os usos já plenamente consagrados na língua falada pelos brasileiros, inclusive pelos que podem ser classificados de cultos? Por que continuaremos a renegar nossa própria língua materna? Não seria mais justo e democrático permitir que todos nós falássemos e escrevêssemos “o filme que eu gosto”, “eu não conheço ele”, “ninguém viu eu entrar”, “aluga-se salas”, “cheguei em Brasília”, já que é assim que falam diariamente os brasileiros, letrados ou iletrados, de norte a sul do país, em todas as camadas sociais? Por que tentar vestir a nossa língua com uma camisa-de-força modelada e costurada mais de cem anos atrás, no outro lado do Atlântico? Não seria a hora de afugentar para sempre o fantasma colonial?Existe então, inegavelmente, uma distância enorme entre a língua realmente falada (e até mesmo escrita) pelos brasileiros cultos e aquele padrão ideal de língua que até hoje aparece nos compêndios gramaticais, nos livros didáticos e nos investimentos gramaticais da mídia e da multimídia, padrão que é cobrado nos vestibulares, nos concursos públicos e assim por diante. Ora, o que existe, então, é uma verdadeira esquizofrenia lingüística. E essa esquizofrenia vem sendo detectado há muito tempo pelos estudiosos da língua do Brasil. Já em 1921, por exemplo, o historiador e filólogo João Ribeiro escrevia:

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A nossa gramática não pode ser inteiramente a mesma dos portugueses. As diferenciações regionais reclamam estilo e método diversos. A verdade é que, corrigindo-nos, estamos de fato a mutilar idéias e sentimentos que nos são pessoais. Já não é a língua que apuramos, é o nosso espírito que sujeitamos a servilismo inexplicável. Falar diferentemente não é falar errado. A fisionomia dos filhos não é a aberração teratológica da fisionomia paterna. Na linguagem como na natureza, não há igualdades absolutas; não há, pois, expressões diferentes que não correspondam também a idéias ou a sentimentos diferentes. Trocar um vocábulo, uma inflexão nossa por outra de Coimbra é alterar o valor de ambos a preço de uniformidades artificiosas e enganadoras. (1921: 8-9)

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Outro grande nome da pesquisa lingüística brasileira, Mário Marroquim, autor de A língua do Nordeste, afirmava em 1931:
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Já algumas formas sintáticas dialetais firmaram-se de tal forma na linguagem de todas as classes, que estão entrando na literatura. São erros, olhados à luz das regras gramaticais. Estão certas, porém, dentro da realidade lingüística. Representam a forma e o encadeamento necessário e lógico das palavras para exprimir idéias. E as idéias têm uma força de expansão interior impossível de ser contida por diques gramaticais, quando estes impedem a sua marcha normal para a clareza e para a sua justa expressão. É uma violência inútil ajeitar-se uma idéia a um molde inadequado que a comprime, que a machuca, que a deforma, somente porque esse molde assentava bem a essa idéia há 100 anos passados.É martírio para a mocidade que aprende e humilhação para o mestre inteligente que ensina, esse bilingüismo dentro de um só idioma – essa unidade exterior, de superfície, de duas línguas que se repelem, a língua que falamos e a língua que escrevemos. […] Nós, no Brasil, presos à gramática “portuguesa”, somos vítimas de uma desintegração dolorosa de nós mesmos. […] A língua brasileira, já ninguém discute isso, diverge da portuguesa; é esta, entretanto, que a escola continua a ensinar ao brasileiro. (1931: 169-171)

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Passados setenta anos desde a publicação dessas palavras sensatas, é quase espantoso que ainda se divulgue com tanto alarde na imprensa e nos demais meios de comunicação uma ideologia lingüística conservadora e retrógrada, que deprecia os usos lingüísticos caracteristicamente brasileiros como se fossem verdadeiros aleijões gramaticais.Na mesma linha de argumentação de Marroquim, o lingüista Mario Perini, em Sofrendo a gramática (1997: 31-38), fala da distância entre o “português” (a norma-padrão, escrita) e o “vernáculo” (a língua falada pelos brasileiros):

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O português e o vernáculo são, é claro, línguas muito parecidas. Mas não são em absoluto idênticas. Ninguém nunca tentou fazer uma avaliação abrangente de suas diferenças; mas eu suspeito que são tão diferentes quanto o português e o espanhol, ou quanto o dinamarquês e o norueguês. Isto é, poderiam ser consideradas línguas distintas, se ambas fossem línguas de civilização e oficialmente reconhecidas.Mas sendo as coisas como são, tendemos a pesnar que o vernáculo é simplesmente uma forma errada de falar português. Só que, para que o vernáculo fosse “errado”, teria de existir também uma forma “certa” de falar; mas no Brasil não se fala, nem se pode falar português. […]Agora, uma observação: o vernáculo é a língua materna de mais de cento e cinqüenta milhões de pessoas, que o utilizam constantemente e não conhecem outra língua. Mas não se escreve a não ser em ocasiões particulares, não aparece na grande imprensa e não tem grande tradição literária; além disso, não é reconhecido como língua oficial. […] Continuamos a escrever em português e a considerar o vernáculo uma maneira errada de falar. Pessoalmente, não tenho grandes objeções quanto a se escrever português; mas acho importante que se entenda que ele é (pelo menos no Brasil) apenas uma língua escrita. Nossa língua materna não é o português, é o vernáculo brasileiro – isso não é um slogan, nem uma posição política; é o simples reconhecimento de um fato.

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É essa distância entre o que a tradição gramatical e o ensino conservador chamam de “português” – um conjunto de regras voltadas essencialmente para determinados usos escritos da língua – e a língua que os brasileiros realmente falam (e escrevem em situações em que não está sob o olhar policialesco da tradição e da escola), é essa esquizofrenia lingüística, esse dilema que temos de enfrentar diariamente — é tudo isso que constitui o tipo especial de diglossia que temos no Brasil. […] Também Mary Kato, autora de importantes trabalhos sobre as questões da escrita na escola, enfatiza que
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a língua dos textos escolares, para as camadas que vêm de pais iletrados, pode parecer tão estranha quato a de um texto do século XVIII para o lingüista iniciando-se em estudos diacrônicos. O Brasil apresenta assim um caso extremo de “diglossia” entre a fala do aluno que entra para a escola e o padrão de escrita que ele deve adquirir. (1993: 20)

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Convém ressaltar, porém, que essa diglossia não existe apenas entre a fala do aluno originário de uma classe social desprestigiada e a língua da escola: também existe uma enorme distância, como se viu aqui, entre a língua falada pelos brasileiros cultos e o “português” que a escola tenta ensinar.Outro nome importante da Lingüística brasileira, Rosa Virgínia Mattos e Silva, depois de fazer uma avaliação das discrepâncias entre as regras prescritas pela norma-padrão e os usos reais verificados na língua falada pelos brasileiros cultos, faz a seguinte reivindicação:
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Que venham a convergir, no possível, o que se fala com o que se lê! (1995: 88 )

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No que diz respeito à educação, essa situação diglóssica pode ser resumida na seguinte pergunta, que na verdade é um dilema: “Ensinar o português ou estudar o brasileiro?” Qual dessas duas atividades deve ser o foco da nossa atenção como professores de língua?Acredito que somente a pesquisa nos ajudará nessa tentativa de dar vez e voz à língua falada no Brasil. Para isso, é necessário que cada vez mais se introduza, na aula de língua, as atividades de pesquisa. É praticamente inevitável que tenhamos de continuar a “ensinar português”, isto é, a transmitir os pacotes gramaticais prontos que a tradição exige e a sociedade em geral cobra. Mas, ao mesmo tempo, podemos fazer nossa pequena guerrilha, nossa subversãozinha. Vamos estudar o brasileiro. […] O professor de português não pode mais ser apenas um repetidor da doutrina gramatical normativa, que ele mesmo (tantas pesquisas mostram) não domina integralmente. Ele deve se converter num pesquisador e orientador de pesquisas a serem empreendidas por ele junto com seus alunos.Tenho a esperança de que um conhecimento maior e melhor da língua falada no Brasil possa trazer à tona uma verdade, já anunciada em 1921 por João Ribeiro e em 1931 por Mário Marroquim: a língua do Brasil e a língua de Portugal são duas línguas diferentes. Conhecer o português do Brasil e sua dinâmica gramatical é, antes de tudo, reconhecer que a língua falada no Brasil é estruturalmente diferente da língua falada em Portugal. São duas línguas distintas, sobretudo se compreendermos língua como um feixe de variedades lingüísticas que compartilham mais semelhanças do que apresentam diferenças. Em todos os níveis, a começar do fonético, a língua de Portugal e a língua do Brasil já apresentam mais diferenças entre si do que semelhanças. É o apego à sinonímia equivocada entre língua e escrita mais monitorada que ainda permite a muitos afirmar que no Brasil e em Portugal se fala a mesma língua. É a insistência em ensinar uma norma-padrão mais próxima dos usos escritos mais formais dos portugueses que permite alegar a existência, em ambos os lados do Atlântico e passados 500 anos do transplante, de “uma” mesma língua. […] A aparente semelhança do repertório lexical é uma ilusão que embota, muitas vezes, a visão dos fenômenos estruturais mais profundos e íntimos de cada uma das duas línguas. As análises pragmáticas têm demonstrado que muitas vezes uma mesma construção sintática têm interpretações totalmente diversas e responde a intenções comunicativas absolutamente distintas quando enunciada por um brasileiro e por um português. Admitir a diferença entre as línguas é admitir, como normalmente se admite, a diferença entre as culturas. Ninguém jamais ousaria dizer que a cultura brasileira e a cultura portuguesa são a “mesma”. […] –, será imperioso abandonar a noção da “mesma língua”, reconhecendo a familiaridade, mas nunca a identidade lingüística entre Brasil e Portugal. […] Como é que povos tão diferentes, com história e geografia tão distintas, com composição genética tão díspar, movendo-se em ambientes absolutamente diversos, sujeitos a sistemas políticos e econômicos diferentes, dentro de estruturas sociais nada parecidas, poderiam falar uma mesma língua, se todos esses fatores influenciam nas exigências comunicativas e nas necessidades expressivas de cada pessoa?Para concluir, é preciso reconhecer que vigora na sociedade brasileira uma ideologia lingüística entranhadamente conservadora e retrógrada que, dissecada, revela a existência de um forte preconceito lingüístico, abastecido pela perpetuação de uma série de mitos irracionais sobre a língua falada no Brasil, preconceito que, assumido pelo próprio falante, desperta o sentimento da auto-aversão lingüística. A ideologia lingüística que vigora no Brasil é ainda mais perversa porque nem mesmo as classes dominantes acreditam “falar bem o português”. A auto-estima lingüística dos brasileiros é, portanto, muitíssimo baixa, e isso em praticamente todas as classes sociais. O ideal de “língua certa” fica transferido para o outro lado do Atlântico – “só em Portugal se fala bem o português” – ou é atribuído a um nebuloso conjunto muito restrito de falantes (grandes escritores, professores de português, gramáticos e dicionaristas). Fruto dessa ideologia lingüística é a inegável situação de polarização diglóssica que vigora no senso comum e, mais perniciosamente ainda, na escola brasileira. De um lado, temos a norma-padrão, associada, como ficou claro, à escrita mais monitorada, ocupando o pólo positivo dessa diglossia. Do outro, apresenta-se o português brasileiro, que reúne as características gramaticais compartilhadas pelos falantes brasileiros, inclusive os sociolingüisticamente classificáveis de urbanos e cultos. Essas regras gramaticais, no entanto, por não pertencerem à norma-padrão conservadora, são consideradas “erradas” e rejeitadas por aqueles que as empregam diariamente e fartamente em seu uso da língua. O português brasileiro ocupa o pólo negativo da diglossia, sobretudo por ser associado à língua falada, tradicionalmente acusada de ser “caótica”, “desconexa”, “incoerente” etc.A diglossia estabelece, para quem se dedica a refletir sobre o assunto, um dilema muito agudo:

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ou se tenta forçar todos os falantes a substituir sua língua materna por uma norma-padrão artificial e distante de sua gramática intuitiva, para que eles possam se assimilar ao tipo de sociedade (aristocrática, oligárquica, colonizada e excludente) que é a brasileira;ou se tenta incentivar a normativização e padronização do português brasileiro, transformando ele numa nova norma-padrão, num novo padrão-língua que sirva de quadro de referência para as concepções de língua “certa” no senso comum.

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[…] Proponho como agenda para a luta contra a discriminação lingüística: […]

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A desconstrução do preconceito lingüístico por meio dos argumentos científicos capazes de desmontar cada um de seus mitos; denúncia do preconceito lingüístico nos meios de comunicação de massa; engajamento dos lingüistas e professores na luta pública contra o preconceito; reconhecimento da norma-padrão como ideal imaginário, preso a visões de mundo antigas e há muito ultrapassadas; associação dessa norma-padrão com o passado colonial; contraposição da norma-padrão a variedades reais de língua falada e escrita, documentadas em material autêntico;admissão dentro da norma-padrão (isto é, na escrita mais monitorada) das regras sintáticas já consagradas no uso urbano culto, para começar a solapar a concepção da norma-padrão como entidade monolítica;maior conhecimento das variedades, a começar das urbanas cultas para mostrar a distância entre a língua culta real e a norma-padrão supostamente “culta” das gramáticas normativas e dos comandos paragramaticais;reconhecimento do português do Brasil como língua diferente do português europeu; desmistificação da propaganda lusófona de que o “português” é uma das línguas mais faladas no mundo e ênfase no fato de que o português do Brasil é que é uma das línguas mais faladas do mundo: 160 milhões de brasileiros num território maior que o da União Européia contra menos de 10 milhões de portugueses; enfatizar que nas ex-colônias africanas e asiáticas o português é mera língua oficial, não sendo portanto língua materna daquelas populações;abandono da noção da suposta necessidade de um padrão-língua para regular os usos; reconhecimento de igual validade a todos os usos possíveis da língua; reconhecimento da sinonímia norma-padrão = escrita +monitorada para empreender a desconstrução dessa sinoníma com o reconhecimento da heterogeneidade constitutiva da escrita como modo de enunciação e não mais como simples código para produção de enunciados; valorização das variedades não-padrão menos prestigiadas com demonstração científica de seu funcionamento lingüístico perfeitamente regulado;incentivo ao estudo da língua falada em sala de aula;incentivo à prática da pesquisa lingüística pelos professores dos níveis fundamental e médio e, se possível, pelos alunos orientados por eles.

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Por mais utópico que possa à primeira vista parecer, esse programa não é irrealizável. Sua viabilidade já vem sendo demonstrada na prática e na militância de muitas pessoas envolvidas na luta pela democratização efetiva do ensino de língua no Brasil, da língua do Brasil, do Brasil.

Ensinar português ou estudar o brasileiro? (com adaptações)
Marcos Bagno. marcosbagno.com.br/

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89 Respostas

  1. Comentário de Bruna Keller

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/08/22/brevissimo-enfoque-do-portugues-do-brasil/#comment-270

    permitam-me arriscar uma opinião sobre a língua brasileira.

    Lendo um pedaço desse artigo artigo:
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    “É preciso notar, igualmente, que no século XVI, segundo depoimentos insuspeitos de gramáticos da época, tinha a língua portuguesa um ritmo muito mais lento que a do século XVIII em diante. Ritmo lento significa sílaba tônica menos forte, sílabas átonas mais nítidas e maior emprego da duração. Em conseqüência, havia melhor distribuição do acento de intensidade pelas sílabas. Como resultado secundário dessa situação, deve-se assinalar a tendência à valorização da abertura das vogais e das sílabas. Dentro desse contexto, o ritmo da língua portuguesa de então é capaz de explicar traços da língua popular como a queda do /r/, que fecha sílabas finais, ou do /s/ e do /l/, na mesma situação. É ilusório querer imaginar uma língua portuguesa, nos séculos XVI e XVII, com aparência de língua culta, no sentido de língua menos distanciada do código escrito.”

    brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/historia-da-lingua-do-brasil/
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    E agora o desse post:
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    “O tupi (ou tupinambá) era uma língua do tipo aglutinante e juntava numa só palavra os elementos indicativos das relações semânticas; a pronúncia de seus componentes era clara e cada item do seu léxico teria de ser, de modo inconteste, uma de suas características principais. O fato é que, ao pronunciar com nitidez as sílabas, o índio (ou o caboclo) escudava-se em sua língua materna, cujas palavras eram, via de regra, independentes e oxítonas em sua maioria. Outra faceta importante é a valorização das vogais abertas, o que configura nitidez de pronúncia.”
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    Então é possível que a influência indígena tenha preservado algumas facetas do português arcaico no Brasil: o falar claro e lento, o /S/ paulista etc

    Mais o que mais me chamou a atenção é que:
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    “A partir de 1530, começamos a ter o português medieval propriamente dito e desse português saíram muitas das futuras características do português do Brasil.”
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    como a língua indígena influenciou mais a fala e o léxico (vocabulário); os africanos influenciaram mais o léxico (vocabulário); é por isso que nossa sintaxe é tão antiga, além dos jesuítas ensinarem o português clássico nas escolas, os imigrantes portugueses que vieram pra cá tbm tinham tinham um português bastante arcaico:
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    “Os colonos falavam um português arcaizante, talvez pelo fato de serem pessoas de poucas letras ou nenhuma. Em Portugal, a língua de então, no contexto rural, mostrava uma origem setentrional, não sendo estranho que muitos dos fatos lingüísticos articulatórios apontados como deturpações espontâneas por parte dos escravos não fossem apenas formas populares de origem lusitana.”
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    “Importante para a identificação do caráter original do português, no Brasil, é a verificação do tipo de sistema da língua portuguesa ensinada pelos jesuítas à população nativa. Como uma ordem religiosa intelectualizada, a Companhia de Jesus assentava seu trabalho sobre valores que considerava permanentes. Em conseqüência, tendia ele a adquirir caráter conservador, despido daquelas inovações que se lhe afiguravam passageiras e sem aqueles detalhes que, para ela, tinham sido as causas imediatas das inovações.

    No campo lingüístico, o resultado só poderia ser a valorização da língua dos antepassados de gerações recentes, mas não imediatamente anteriores. Isso significa que o português, disseminado pelos jesuítas no Brasil, foi o da segunda metade do século XV. A necessidade de manutenção do caráter unificador de seu trabalho fez com que esse português da segunda metade do século XV se mantivesse, no Brasil, durante todo o período em que os jesuítas puderam aqui viver e trabalhar. Até o século XVIII, portanto.”
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    O mais legal:
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    “O procedimento ou uso lingüístico dos jesuítas resultou num forte bilingüismo: falava-se o português e a língua geral, nada mais. E tal fato perdurou desde a metade do século XVI até o século XVII, melhor dizendo, todo o período em que os jesuítas puderam aqui viver e trabalhar.”
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    Aconteceu tanta coisa no Brasil, recebemos várias influências e acabou que continuamos falando um idioma mais parecido com o português medieval. Foram muitas coincidências lingüísticas. Andamos em círculo…

  2. Certa vez vi uma entrevista com dois lingüistas que opinavam que, sem a menor dúvida, o português e o brasileiro são duas línguas diferentes e que uma gramática da língua brasileira é bem-vinda, no entanto a questão é política, pois não seria uma grande vantagem pro Brasil ter um idioma que apenas os brasileiros falam.

    Pelo que me lembro, foi isso que eles disseram, vou procurar e se achar posto aqui o texto.

  3. Qual o quê?! Mas que bela vantagem: 10 milhões de portugueses, 8 de angolanos, 0,6% da população de Moçambique, mais alguns países menores… Grande vantagem….

    Mas até que ponto estes enormes e importantíssimos países valem a tragédia do bilingüismo no Brasil onde, por uma conveniência burra ou pela síndrome de vira-lata, somos coagidos a estudar uma gramática completamente desconectada da verdadeira língua do Brasil? Será que estes países valem todo o sofrimento provocado pelo preconceito lingüístico e pela baixa auto-estima dos brasileiros gerada pela impossível missão de aprender um idioma escrito que não tem e nunca teve qualquer similaridade com nossa língua materna? É correto sacrificar e subestimar a história de um povo, a cultura, um idioma, por alguns gringos? Pelo amor de deus!

    Não vejo a China, ou a Rússia, ou o Japão perdendo o sono preocupados porque ninguèm, além deles, falam seus idiomas. Complexo de inferioridade tem limite!

    Alguém acha que 99% das pessoas que aprendem o brasileiro estão minimamente interessados nas incríveis facilidades e oportunidades que encontrarão em Angola, Portugal ou Timor-Leste? Ah, francamente!

  4. Perfeito o comentário! Claro, objetivo. Nada a acrescentar.

    Tal esforço não vale o preço altíssimo qe estamos pagando.

  5. E na hipótese hipotética 😉 se todos os lusófonos aceitassem uma grande reforma gramatical, flexibilizando as normas para albergar a “forma” brasileira, admitindo nossas características (que hoje são consideradas erros) à regra. Daí todos ficariam felizes. Os países do outro lado do Atlântico ensinariam a forma deles e no Brasil a nossa. Assim ninguém consideraria errado o jeito do outro falar.

    Seria algo factível?

    A resposta do Deda acima e este trecho do comentário do Luís me fizeram pensar nessa solução.

    eu pessoalmente não reconheço que o Brasil fale uma lingua estranjeira , pelo simples facto de eu entender, e de me fazer entender no Brasil. Agora sim é mais que óbvio que o Brasil tém o própio idioma completamente destinto , díspar e consolidado do idioma de Portugal .

    brasiliano.wordpress.com/2008/08/22/brevissimo-enfoque-do-portugues-do-brasil/#comment-301

  6. Olá amigos,gostaria de fazer hoje só uma simples questão ao Deda e ao André,mas quem quiser opinar também gostaria de ouvir hahaha!!!.
    Porque razão será que os norte-americanos dizem que falam inglês e não americano?, tratando-se de idiomas também destintos.Porque razão os argentinos falam castelhano e não argentino? pois também são idiomas destintos, porque razão os chilenos falam castelhano e não chileno ? e por aí fora , porque será ???
    É uma coisa que não dá para entender, afinal inventar uma lingua é fácil demaís ,os polticos tem poder para isso , basta mudar a constituição e pronto está feito por exemplo “a partir do dia x a lingua do chile é chileno e não castelhano ,tão fácil….
    então porque não o fazem ??? eu tenho a minha opinião, gostava de saber a vossa …

    abraços para todos …

  7. Pelo que sei da língua inglesa e de sua gramática, ela é muito antiga e tradicional, não aconteceram profundas mudanças ao longo de sua “existência”. E por ter uma normatização quase que simplória em relação à complexidade e sofisticação das gramáticas latinas, não causa muitas divergências. Acho o inglês americano e britânico bastante próximos, sem comparação ao nível de discordância do português e do brasileiro. A respeito do espanhol, não sei a que pé anda as diferenças deles, mas não deve ser muita, visto que programas mexicanos, colombianos, dentre outros, são transmitidos pra toda a américa latina sem maiores dificuldades. O que não ocorre no Brasil e em Portugal. Cada caso é um caso. Os holandeses, por outro lado, adotaram a denominação holandês em relação à língua materna – a alemã.

    Se a gramática do português seguisse a mesma linha do inglês, se mantendo fiel à tradição, a gente não teria muitos problemas, porque a língua brasileira é muito conservadora. O fato é que Portugal mudou totalmente o idioma, da fonètica à sintaxe, criando formas absolutamente inexistentes neste lado de cá. Nosso martírio começa quando adotaram a gramática portuguesa, feita aos moldes do português de Portugal como padrão, o que nos força a usar construções estrangeiras e sem sentido e que, ao mesmo tempo, coloca como errado o que seria correto e natural na língua brasileiro. (A Patrícia e a Ju já comentaram milhões de vezes sobre isso) É a esquizofrenia lingüística, como escreve Bagno no artigo. (e como disse muito bem a Bruna)

    Assim como falou, é fácil mudar a língua, mas, primeiro, precisa haver o convencimento da população, principal vítima desse engano gramatical, de que, ao contrário do que nos coagiram e condicionaram a pensar, a língua brasileira é um vernáculo independente e correto e não uma versão adulterada de uma língua que se diz modelo, mas que, na realidade, não guarda qualquer similaridade evolutiva ou histórica com o Idioma Brasileiro. O que acha que fazemos aqui? O Blog trabalha para esclarecer a população sobre nossa língua. A maioria dos lingüistas estudam para comprovar o que está mais que provado: a Língua do Brasil é o Brasileiro. Vc leu o artigo do post? Devia ler.

    Na boa Luís, as vezes sou cáustico com as palavras, mas não encare como uma provocação. Estou sento puramente realista. Ponha-se em nosso lugar.

  8. Patrícia, vai por mim, só esse acordinho ortográfico gerou uma imensa controvérsia. Vc acha mesmo que eles nos dariam esse gostinho, arriscando da norma brasileira se consolidar como padrão? Vc acha mesmo que eles abririam mão de ser os “guardiões da língua”? Até parece…

  9. Ando meio sem tempo de participar das discussões mas quero fazer uma pequena intervenção pra embolar mais o debate.

    Penso que à medida que se vem conhecendo a história do português no Brasil, a língua brasileira tem ficado mais forte; há poucas décadas, de modo geral, ninguém contestava que o padrão de Portugal era o correto e ponto final, claro que houve várias tentativas anteriores visando o reconhecimento do nosso idioma, mas faltava mais conhecimento e estudos técnicos pra embasar estas teses.

    Fazendo uma pequeníssima retrospectiva histórica:

    Nos cem anos que se seguiram à independência do Brasil, o país era, grosso modo, uma filial mal copiada de Portugal. Não tínhamos uma identidade definida. O marco de um novo Brasil é a semana de Arte moderna em 1922, quando os modernistas abraçam a brasilidade. Aí sim começamos a ser Brasil. Na época o país iniciava a sua modernização e industrialização, apesar do café ser o rei. A população brasileira, em um país repleto de imigrantes de todas as partes, ganhava corpo. Logo depois, Gilberto Freyre, em Casa Grande & Senzala, levanta a moral do país ao afirmar que nossa maior riqueza e força estava na miscigenação, em um momento em que nossa ponto de referência, a Europa, mergulhava em teorias eugênicas racistas. Com Getúlio até JK, há um reforço na industrialização, com doses homeopáticas de democracia, e a população se torna majoritariamente urbana. O país se moderniza mais. Logo após somos engolidos pela neurose da guerra fria e do medo dos comunistas, com o apoio dos EUA a Ditadura Militar se instala no Brasil e depois, em efeito dominó, por toda a América LaTina. (Nosso continente foi uma das maiores vítimas dessa Guerra) E isso vai até 1985. Portanto, temos 23 anos de Democracia. Ela vem imperfeita, mas está de pé.

    Fiz este resuminho para dizer que só agora estamos tendo tempo de pensar verdadeiramente o país, sem ideologias ou pressões. Nossa identidade está definida, o momento político e econômico é estável com viés positivo. Estamos agora reparando o que sempre esteve errado: nossa dívida social, educacional e, porque não, lingüíistica.

  10. Esse povo do contra não tem outro repertório não? É sempre o mesmo papo: “Então, por que não existe o argentinês, o venezuanês, o mexicanês… ?”
    Será que não dá pra mudar o disco? Se o espanhol não se dividiu, problema deles. O assunto aqui é outro, é sobre a língua brasileira.

  11. Mais notícias boas:

    PIB cresce 6,1% no segundo trimestre
    economia.uol.com.br/ultnot/2008/09/10/ult4294u1648.jhtm

  12. Vcs viram a nova cidade? Ninguém comentou…
    É lindinha, adoro cidades históricas.
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/08/tiradentes-minas-gerais/

    (\_(\
    (=’ :’)
    (,(”)(”)

  13. Deda,
    Mas flexibilizar não seria melhor que uma cisão? Talvez seja pouco factível, mas é uma hipótese a pensar.

    Luís,
    Sobre a pergunta que fez, vc diz que tem sua opinião, e qual seria? Fiquei curiosa.

    Malu,
    A cidade é lindinha mesmo.

  14. A proposta da Patrícia é uma fórmula para agradar gregos e troianos, porém não creio que seja executável.

    O fato é que tal flexibilização daria ao idioma brasileiro status de língua independente. Uma pessoa que estudasse a norma de Portugal teria que se adaptar à do Brasil e vice-versa, assim como ocorre com a ortografia. Isto acarretaria uma dificuldade a mais e uma grande confusão. Então uma pessoa que tem interesse no Brasil preferirá aprender a norma brasileira à outra versão.

    Respondendo ao Luís Riveiro

    Estou de acordo com as respostas que foram dadas. Além de aumentar o conhecimento sobre nosso idioma, se faz necessário esclarecer a população, desmistificando as verdades tidas como absolutas, os dogmas e os estigmas que cercam o falar brasileiro.

    será imperioso abandonar a noção da “mesma língua”, reconhecendo a familiaridade, mas nunca a identidade lingüística entre Brasil e Portugal.
    Marcos Bagno, artigo

  15. Boas noites amigos, Deda pelo que eu vi da tua resposta voce nunca pôs um pézinho na europa!!!! hahhah!!!! aí jesussss o que voce aí em cima afirmou,(Os holandeses, por outro lado, adotaram a denominação holandês em relação à língua materna – a alemã).Se um holandês lê uma barbaridade destas voçe é um homem morto hahhahhah, claro que estou a ironizar e a hipérbolizar bastante , mas Deda , se algum dia fôr á Holanda aviso-o que nunca afirme tal coisa, quem o avisa seu amigo é… hahahhah, passo a explicar , realmente o holandês e o povo holandês nada , mas mesmo nada, têm a ver com o alemão , a lingua então muito menos,e fica a saber,a palavra Alemanha , alemão, tudo que diga respeito á Alemanha na Holanda é sempre muito mal vindo. Não se esqueça que na europa á 60 anos atrás a Alemanha arrasou toda a europa central e há muita gente viva dessa altura que não esqueçe o que os alemães por lá semearam , portanto só por aqui voçe pode sentir o amor que os holandeses nutrem por alemães.Como povo eles realmente nada têm a ver com os alemães,para mim os holandeses são bém melhores como pessoas muito maís civilizados e simpáticos em relação aos quadrados teutónicos .A lingua holandesa e o povo holandês , têm descendência directa do povo “franco” , os francos são os papás culturaís dos holandeses sendo o holandês de hoje uma versão muito modernizada do frâncico.
    Os francos foram um povo que se estabeleceu na região dos paises baixos, hoje Belgica e Holanda,por volta do sec 4 dc até ao sec 9 dc, deixando um importante legado cultural na região, sendo este povo realmente os papás dos holandeses de hoje, portanto bém diferentes dos teutónicos.
    Para ter noção da diferença entre as duas linguas, o alemão e o holandês atenta só nesta pequena tradução, por exemplo,” hoje está sol”, holandês- “vandaag is zon”, alemão “heute ist sonne”, tém mesmo tudo a ver não tém !!!! hahhahhah.
    Desculpem amigos mas hoje apeteceu-me ser holandês e não podia deixar passar este mal entendido do Deda,adoro a Holanda como país e como povo, pois para mim, dos paises que eu conheço, e já são uns quantos fazem bém jús a uma máxima que eu adoro”máxima liberdade máxima responsabilidade”.
    Aconselho uma visita a quem a puder realizar,deixo um aviso,eles detestam mesmo alemães, nunca mas mesmo nunca cair no erro de os comparar com os teutónicos.
    Aconselho uma visita ao museu da Heineken em amesterdão,só se paga a entrada, as bebidas lá dentro são grátis, imaginem o estado em que um português acaba a visita hahhahhahhah!!!!!

    abraços para todos!!!!

  16. Não jus,(erro) mas sim juz .

  17. Já que estou numa de holandês ,acabei de ver agora na net ,que o museu da heineken se encontra encerrado para obras ,mas vai reabrir em out.2008 , portanto no próximo mês,um bom motivo para alguém visitar o país das tulipas.Por falar em tulipas,quem foi que introduziu as tulipas na holanda? assim como o comércio de diamantes?uma heineken fresquinha para quem adivinhar!!!!!!! hahhahha!!!! os portugueses pois está claroooo hahhahhah!!!!

    abraços !!!!

  18. Talvez tenha me enganado, mas isso não invalida meu raciocínio.

    A saber:

    Se considera que a língua neerlandesa se originou ao redor do ano 700 dC, a partir de vários dialetos alemães falados na região neerlandesa, a maioria de origem francico.

    A língua holandesa é uma língua Germanic ocidental que pertença à família Germanic da língua. Considera-se também uma língua Germanic baixa, devida na parte a suas similaridades aos dialects alemães do norte. Relaciona-se ao alemão gramaticalmente. Embora as línguas alemãs e holandesas diferem na pronunciação, são faladas praticamente permutavelmente na região. Os cidadãos holandeses e alemães podem frequentemente ler cada um – outras línguas também, com o pouco a nenhuma dificuldade.

    O Dutch é atestado como língua com o “rachou-acima” que ocorreu entre as línguas tribais Germanic.

    foreign-languages-school.com/portuguese.php?u=Dutch-Language.html
    holandes.info/ptdutch/history.asp
    internetpolyglot.com/portuguese/free-online-lessons-dutch-portuguese

    Pra fazer um “diagnóstico” mais preciso, só me aprofundando no assunto. Mas o tempo é curto e o interesse é pouco. Talvez tenha me precipitado ao citar o holandês. Quem sabe?

    Não sabia das tulipas, curioso. É um povo que tem muito jeito pra plantas, tanto que o maior polo produtor de flores do Brasil e da América Latina fica em uma colônia holandesa – a cidade de Holambra (corruptela de HOLANda+BRAsil)

    pt.wikipedia.org/wiki/Holambra
    flickr.com/search/?q=holambra
    skyscrapercity.com/showthread.php?t=347815

  19. Luís, posso te fazer uma pergunta indiscreta? Você tem quantos anos?

  20. hahahah

    Deda,
    Pirralho detected

    ????

    hahahahaha
    .
    .

    Eu sempre achei que Holambra fosse tipo uma marca, porque sempre que compro flores vem escrito holambra. Depois, vendo o globo rural, que descobri que era uma cidade =/

    Lindas fotos do terceiro link que colocou sobre Holambra. Dá até vontade de conhecer.

  21. Boas tardes amigos. História muito resumida das linguas europeias para evitar confusões.
    Todas as linguas europeias tém uma origem comum assim como todos os povos europeus , essa origem é o indo-europeu,o indo-europeu dividiu-se basicamente em três grandes grupos de linguas. As linguas eslavas,ex checo,russo,ucraniano,polaco,sérvio etc,as linguas germanicas ex dinamarquês,sueco,alemão, holandês,noroeguês etc,e linguas latinas ex castelhano, romeno, françês,português ,o catalão(lingua falada na região autonoma da catalunha, Espanha,capital da catalunha, barcelona) etc.
    Como se pode ver o holandês descende da lingua germânica, ou seja na forma germânica gramatical ,assim como a lingua alemã descende do germânico , como o dinamarquês etc.Para me fazer entender melhor, o português e o francês ambos descendem da forma latina gramatical , o português não descende da lingua francesa.
    Quanto á afirmação de que um holandês e um alemão se entendem ela é falsa, ou melhor é só meia verdade , passo a explicar,os holandeses como povo aberto que são conseguem, e fazem algum esforço para comunicar com os estrangeiros, e entendem alguma coisa do alemão, já os alemães não os entendem , nem os holandeses nem ninguém são muito quadrados.
    Deda tenho 36 anos , devo ser um pouco maís velho que voçes !!!! tenho essa impressão.

    abraços !!!!

  22. Boa complementação.

    É o que basicamente ocorreu com o Português moderno e o Brasileiro. 😈
    Ambos descendem do português quatrocentista / quinhentista.

    Provocação detected, como diria a M.Luiza. Li na página anterior que não é um grande partidário de nossa causa. Sobre a idade, foi por pura curiosidade, tenho 28.

    Mas voltando ao assunto an-anteriror, fazendo coro com a Patrícia – está faltando sua opinião na rodada…

  23. MLuiza,

    Além de Holambra, são de colonização holandesa as cidades de Carambeí no PR (sede da Batavo) , Não-Me-Toque no RS, dentre outras aqui expostas:
    pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_neerlandesa_no_Brasil

    São várias, não sabia que existiam tantas.

    Valeu! Bom FDS pra todos!
    Estou tão zen hoje…

  24. Jogando mais lenha na fogueira do conhecimento. Achei um texto muito legal que fala sobre a evolução do português de Portugal.

    Na segunda metade do século 18, no período em que Portugal era governado pelo marquês de Pombal e seus cofres enriquecidos por grandes quantidades de ouro embarcadas no Brasil, ocorreu uma sensível mudança na prosódia, ou seja, na maneira como as palavras são pronunciadas, no português falado na Europa. Ainda não se sabe como e por que isso aconteceu. Mas o fato de se seguirem no tempo sugere uma relação de causa e efeito entre as mudanças prosódicas do século 18 e as sintáticas do século 19.

    “Trabalhamos com a hipótese de que o português brasileiro seja muito próximo do português clássico em termos rítmicos”, explica a professora Galves, referindo-se como português clássico ao falado nos séculos 16 a 18. “Assim, os padrões prosódicos dos dois serão contrastados, como se fosse uma comparação entre o português clássico e o português europeu moderno”, acrescenta.

    Comendo sílabas

    Sabemos que ocorreu a grande mudança prosódica do fim do século 18 principalmente por meio dos comentários sobre apresentações teatrais e representações de sotaques que saíam nos jornais da época. Gonçalves Viana, um foneticista português do século 19, por exemplo, queixava-se de que os atores da época pronunciavam apenas sete ou oito sílabas das dez dos decassílabos de Camões. Eles simplesmente “comiam” as sílabas que vinham antes da tônica, as pré-tônicas.

    Isso ocorre até hoje. Em Portugal, muitas vezes, as vogais pré-tônicas desaparecem por completo na fala. No Brasil, porém, elas são mantidas. “Esse é o aspecto mais saliente da mudança fonológica”, diz a professora Galves. “Nós o interpretamos como uma mudança rítmica, ou seja, uma mudança na maneira como as sílabas átonas se reagrupam com as sílabas tônicas”, prossegue.

    Qual é a relação entre a pronúncia das vogais pré-tônicas e a sintaxe dos pronomes clíticos e por que a redução das primeiras afeta a colocação dos segundos? Isso é uma das grandes questões do projeto. Do ponto de vista do lingüista norte-americano Noam Chomsky, a gramática muda na aquisição quando, por por algum motivo, uma geração de crianças fixa um ou mais parâmetros de maneira diferente dos pais. Galves explica que muitos lingüistas hoje defendem que, na aquisição de sua língua materna, as crianças usam “pistas” prosódicas indicativas das estruturas subjacentes aos enunciados. Se a prosódia dos adultos muda, as “pistas” também mudarão, levando, eventualmente, as crianças a uma gramática diferente.

    Entretanto, é difícil saber por que a prosódia mudou e, em decorrência, a gramática. Nos Sermões , por exemplo, o padre Antônio Vieira usa basicamente a ênclise na colocação dos pronomes. Outros autores da época e mesmo Vieira, em suas cartas, davam preferência à próclise. A lingüista portuguesa Ana Maria Martins, da Universidade de Lisboa, participante do projeto, considera Vieira, por isso, um pioneiro do português moderno. Para a professora Galves, não é bem assim. Vieira, em vez de olhar para o futuro, estaria voltando ao passado.

    Ele seria, assim, um purista, talvez como maneira de se contrapor ao uso do castelhano, que ganhou terreno enquanto Portugal esteve sob o domínio da Espanha, de 1580 a 1640. [Na origem da fase documentada da língua portuguesa, no século 12, o normal eraPedro viu-me . No século 15, houve uma mudança ePedro me viu tornou-se a preferida. No decorrer do século 19, porém, houve na Europa outra troca e a ênclise tornou-se a única opção.]

    “Na segunda metade do século 18, uma razão do mesmo tipo pode ter levado à adoção de uma maneira de falar que reforçou a tendência, já existente na língua portuguesa, a reduzir as vogais átonas”, diz a pesquisadora da Unicamp. “Mas essa discussão é extralingüística e não há nenhuma evidência que possa indicar o porquê da mudança prosódica”, acrescenta.

    revistapesquisa.fapesp.br/?art=694&bd=1&pg=1&lg=
    Enviei pro editor.

    Então a ênclise era uma contrução encontrada nos primórdios do português, mas que já praticamente não existia na língua do séc XV (quatrocentista-quinhentista) trazido para o Brasil. Por purismo e para contrapor ao espanhol, Vieira a usava. Depois, no séc 18, com uma mudança na fonética portuguesa, a ênclise ressuscita e é falada até hoje em Portugal. Lembrando que a forma enclítica nunca encontrou terreno no Brasil e é, portanto, “antinatural”. A não ser pela gramática que nos obriga a usar esta construção estrangeira.

  25. E pra completar, deixo alguns textos do séc XV em diante. Percebi que nos Sermões o Pe. Antônio Vieira usa muito a ênclise, mas não é tão generalizado (Deve ser o tal purismo); mas, em suas cartas, acho que a próclise predomina. Vejam: (procurei os textos originais)

    Sermões
    books.google.com.br/books?id=T_YRAAAAYAAJ&pg=PA268&dq=sermões+antonio+vieira+texto+original&lr=&as_brr=3#PPA21,M1

    Cartas do Pe. Antônio Vieira
    books.google.com.br/books?id=4qkDAAAAYAAJ&pg=RA2-PA93&dq=sermões+antonio+vieira&lr=&as_brr=3#PRA2-PA98,M1

    Outros autores – (Parece confirmada a tese proclítica, mas a ênclise aparece algumas vezes)

    Antologia – José de Anchieta
    (me parece um texto atualizado, não sei)
    books.google.com.br/books?id=dStg9JGV33AC&pg=PA29&dq=jose+de+anchieta+original&lr=&as_brr=3&client=firefox-a&sig=ACfU3U28O6-xhnq2CPFhlwfXAffhCSLf1A#PPA24,M1

    Carta de Pero Vaz de Caminha -original
    pt.wikisource.org/wiki/Carta_a_El_Rei_D._Manuel_(ortografia_original)

    Os Lusíadas – Camões
    books.google.com.br/books?id=pL7wTCELm0IC&pg=PA16&dq=lusiadas+texto+original&as_brr=3&client=firefox-a#PPA236,M1

    Depois vou pesquisar uns textos de Portugal do séc 18 e 19 pra comparar. É muito interessante essa mudança que ocorreu na prosódia portuguesa..

  26. Sei que o português de Portugal não é de grande interesse pra nós, mas penso que é legal saber sobre ele. Conhecimento nunca é demais.

  27. “ocorreu uma sensível mudança na prosódia, ou seja, na maneira como as palavras são pronunciadas, no português falado na Europa. Ainda não se sabe como e por que isso aconteceu. Mas o fato de se seguirem no tempo sugere uma relação de causa e efeito entre as mudanças prosódicas do século 18 e as sintáticas do século 19.

    “Trabalhamos com a hipótese de que o português brasileiro seja muito próximo do português clássico em termos rítmicos”, explica a professora Galves, referindo-se como português clássico ao falado nos séculos 16 a 18. “Assim, os padrões prosódicos dos dois serão contrastados, como se fosse uma comparação entre o português clássico e o português europeu moderno”, acrescenta.

    Comendo sílabas

    Sabemos que ocorreu a grande mudança prosódica do fim do século 18 principalmente por meio dos comentários sobre apresentações teatrais e representações de sotaques que saíam nos jornais da época. Gonçalves Viana, um foneticista português do século 19, por exemplo, queixava-se de que os atores da época pronunciavam apenas sete ou oito sílabas das dez dos decassílabos de Camões. Eles simplesmente “comiam” as sílabas que vinham antes da tônica, as pré-tônicas.

    Isso ocorre até hoje. Em Portugal, muitas vezes, as vogais pré-tônicas desaparecem por completo na fala. No Brasil, porém, elas são mantidas. “Esse é o aspecto mais saliente da mudança fonológica”, diz a professora Galves. “Nós o interpretamos como uma mudança rítmica, ou seja, uma mudança na maneira como as sílabas átonas se reagrupam com as sílabas tônicas”, prossegue.”
    .
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    .

    Eu não me importo em aprender mais sobre o português de Portugal, Ju. Pode continuar por mim.

    Acho que portugal devia ter mantido a “prosódia” (gostei desta palavra) clássica. É muito mais bonita. 🙄

    E ainda bem que nós pegamos a fase “quatrocentista”, já pensou se a gente tivesse pegado a do século 12? Com o Brasil à base de formol. A coisa poderia ter sido bem pior.

  28. Bruna,
    Não entendo sua aversão ao antigo-conservador. Seus comentários ficam até engraçados.

    Lembre-se:

    “Na verdade, nós, brasileiros, mantivemos os sons que viraram arcaísmos empoeirados para os portugueses.

    Só que, ao mesmo tempo, acrescentamos à língua mãe nossas próprias inovações. Demos a ela um ritmo roubado dos índios, introduzimos subversões à gramática herdadas dos escravos negros e temperamos com os sotaques de milhões de imigrantes europeus e asiáticos. Deu algo esquisito: um arcaísmo moderno. O português brasileiro levou meio milênio se desenvolvendo longe de Portugal até ficar nitidamente diferente.

    brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/

  29. E, como sabemos, o português moderno de Portugal tbm se desenvolveu muito, ficando bem diferente da “língua-mãe”.

  30. E aproveitando a brecha que a Ju abriu, vou colocar um texto que encontrei em minhas garimpadas pela net. Fala sobre o sotaque português, só que é uma crítica de um português da maneira de falar de Lisboa. Para os brasileiros é bem esquisito, pois ele descreve como, pra nós, TODOS os portugueses falam.

    Leiam:

    Crónica do Falar Lisboetês
    Vital Moreira

    De súbito, o homem do quiosque de Lisboa a quem eu pedira os meus jornais habituais interpelou-me:

    – O senhor é do Norte, não é?

    Respondi-lhe que não, que nasci na Bairrada e que resido há quase 40anos em Coimbra. Fitou-me perplexo. Logo compreendi que do ponto devista de Lisboa tudo o que fique para cima de Caneças pertence ao Norte, uma vaga região que desce desde a Galiza até às portas da capital. Foi a minha vez de indagar porque é que me considerava oriundo do Norte. Respondeu de pronto que era pela forma como eu falava,querendo com isso significar obviamente que eu não falava a língua tal como se fala na capital, que para ele, presumivelmente, não poderia deixar de ser a forma autorizada de falar português.

    Foi a primeira vez que tal me aconteceu. Julgava eu que falava um português padrão, normalmente identificado com a forma como se fala”grosso modo” entre Coimbra e Lisboa e cuja versão erudita foi sendo irradiada desde o século XVI pela Universidade de Coimbra, durante muitos séculos a única universidade portuguesa. Afinal via-me agora reduzido à patológica condição de falante de um dialecto do Norte, um desvio algo assim como a fala madeirense ou a açoriana.

    Na verdade – logo me recordei -, não é preciso ser especialista para verificar as evidentes particularidades do falar alfacinha dominante.Por exemplo, “piscina” diz-se “pichina”, “disciplina” diz-se”dichiplina”. E a mesma anomalia de pronúncia se verifica geralmente em todos os grupos “sce” ou “sci”: “crecher” em vez de “crescer”,”seichentos” em vez de “seiscentos”, e assim por diante.

    O mesmo sucede quando uma palavra terminada em “s” é seguida de outra começada por “si” ou “se”. Por exemplo, a expressão “os sintomas” saialgo parecido com “uchintomas”, “dois sistemas” como “doichistemas”.Ainda na mesma linha a própria pronúncia “de Lisboa” soa tipicamente a”L’jboa”.

    Outra divergência notória tem a ver com a pronúncia dos conjuntos”-elho” ou” -enho”, que soam cada vez mais como “-ânho” ou “-âlho”,como ocorre por exemplo em “coelho”, “joelho”, “velho”, frequentemente ditos como “coâlho”, “joâlho” e “vâlho”.

    Uma outra tendência cada vez mais vulgar é a de comer os sons,sobretudo a sílaba final, que fica reduzida a uma consoante aspirada.Por exemplo: “pov'” ou “continent'”, em vez de “povo” e de”continente”. Mas essa fonofagia não se limita às sílabas finais. Se seatentar na pronúncia da palavra “Portugal”, ela soa muitas vezes comoalgo parecido com “P’rt’gâl”.

    O que é mais grave é que esta forma de falar lisboeta não se limita às classes populares, antes é compartilhada crescentemente por gente letrada e pela generalidade do mundo da comunicação audiovisual,estando por isso a expandir-se, sob a poderosa influência da rádio e da televisão.

    Penso que não se trata de um desenvolvimento linguístico digno de aplauso. Este falar português, cada vez mais cheio de “chês” e de”jês”, é francamente desagradável ao ouvido, afasta cada vez mais a pronúncia em relação à grafia das palavras e torna o português europeu uma língua de sonoridade exótica, cada vez mais incompreensível já não somente para os espanhóis (apesar da facilidade com que nós os entendemos a eles), mas inclusive para os brasileiros, cujo português mantém a pronúncia bem aberta das vogais e uma rigorosa separação de todas as sílabas das palavras.

    A propósito do português do Brasil, vou contar uma pequena história que se passou comigo. Na minha primeira visita a esse país, fui uma vez convidado para um programa de televisão em Florianópolis (Santa Catarina). Logo me avisaram que precisava de falar devagar e tentar não comer os sons, sob pena de não ser compreendido pelo público brasileiro, que tem enormes dificuldades em compreender a língua comum,tal como falada correntemente em Portugal. Devo ter-me saído airosamente do desafio, porque, no final, já em “off”, o entrevistador comentou: “O senhor fala muito bem português.” (Queria ele dizer que eutinha falado um português inteligível para o ouvido brasileiro.) Não me ocorreu melhor do que retorquir:

    – Sabe, fomos nós que o inventámos…

    Por vezes conto esta estória aos meus alunos de mestrado brasileiros,quando se me queixam de que nos primeiros tempos da sua estada em Portugal têm grandes dificuldades em perceber os portugueses,justamente pelo modo como o português é falado entre nós, especialmenteno “dialecto” lisboetês corrente nas estações de televisão.

    Quando deixei o meu solícito dono do quiosque lisboeta do início desta crónica, pensei dizer-lhe em jeito de despedida, parafraseando aquele episódio brasileiro:

    – Sabe, a língua portuguesa caminhou de norte para sul…

    Logo desisti, porém. Achei que ele tomaria a observação como uma piadade mau gosto. Mas confesso que não me agrada nada a ideia de que, porforça da força homogeneizadora da televisão, cada vez mais portugueses sejam “colonizados” pela maneira de falar lisboeta. E mais preocupado ainda fico quando penso que nessa altura provavelmente teremos de falarem inglês para nos entendermos com os espanhóis e – ai de nós! – talvez com os próprios brasileiros…

    17/01/2000 – Sobre o Autor: Jurista e político português.
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    A parte em negrito reproduz aquele velho pensamento português de que a língua é deles e de que eles falam a versão pura e correta. (sem altereções)

    Não é estranho o texto?
    Aí aparece um ponto de interrogação em nossa cabeça: Ué, mas todos eles não falam assim?

  31. Será que em alguma região eles usam o /s/ normal, sem chiar como os cariocas? O Luís falou que em alguns lugares se usa o gerúndio, talvez eles tbm tenham preservado o /s/ antigo (normal -paulista)

  32. Que bom que se interessaram. Acredito que quanto mais sabemos sobre as línguas dos lusofalantes, mais conhecemos a nossa. Inclusive as diferenças ficam patentes e nossa resistência ao outro diminui. Procurei também artigos que falassem sobre a língua de Angola, Moçambique, Cabo Verde etc, mas é tão difícil encontrar estes estudos. Até sobre a língua de Portugal o material é escasso.

  33. Patrícia.

    Não chamaria de aversão, é uma palavra muito forte. É mais uma pontinha de decepção. Ficaria mais contente se nossa língua fosse totalmente original e criada só por nós. Como a história não foi essa, continuo adorando nossa língua mas, simultaneamente, desapontada. Acho que é porque sempre acreditei qu3e tínhamos a versão moderna. Sei que ela também é moderna mas….. também é muito conservadora….
    Eu não sei explicar muito bem o que acontece. Mas entendo a necessidade do reconhecimento de nosso idioma.

    Eu gostei à beça deste pedaço do texto do Bagno-

    ” De um lado, temos a norma-padrão, associada, como ficou claro, à escrita mais monitorada, ocupando o pólo positivo dessa diglossia. Do outro, apresenta-se o português brasileiro, que reúne as características gramaticais compartilhadas pelos falantes brasileiros, inclusive os sociolingüisticamente classificáveis de urbanos e cultos. Essas regras gramaticais, no entanto, por não pertencerem à norma-padrão conservadora, são consideradas “erradas” e rejeitadas por aqueles que as empregam diariamente e fartamente em seu uso da língua. O português brasileiro ocupa o pólo negativo da diglossia, sobretudo por ser associado à língua falada, tradicionalmente acusada de ser “caótica”, “desconexa”, “incoerente” etc.”

  34. Boa noite amigos,que belo texto que esse meu conterrâneo escreveu!!!!
    Urge neste blog realmente acabar com o mito de
    “OS PORTUGUESES FALAM TODOS DE IGUAL MODO”.Pois é, isso não passa de um mito completamente irreal.
    Modo de pensar do brasileiro,Portugal pais pequeno não tém sotaques tudo fala igual, ainda por cima o pouco que aparece aqui na televisão(de lisboa) fala tudo igual .Pois é, só que Portugal tém montes de sotaques ,passo a descrever de norte para sul.
    Sotaque nortenho,sotaque do grande porto, conhecido como o “falar tripeiro” bém caracteristico,sotaque beirão do interior norte e centro,a zona centro litoral portuguesa que vai da cidade de aveiro ,coimbra até leiria , posso dizer que fala um português digamos que neutro,sem sotaque, após aparece o tal lisboetês, zona da grande lisboa , seguindo para sul apanhamos com o sotaque alentejano muito caracteristico falam lento lentinho usam e abusam do gerúndio também, e no fim do pais ,o sotaque algarvio.
    Deixei para o fim o sotaque dos dois arqueipélagos de ilhas portuguesas açores e madeira , sendo estes bastante diferentes de qualquer sotaque continental, bem diferenciados portanto, na madeira eles também gostam de empregar o gerúndio para lá da conta hahhahhah!!!!.
    Caso estranho , muito estranho é o sotaque dos açores.Os açores são constituidos por 9 belas ilhas que ficam a meio caminho entre os USA e o continente europeu. Eu pessoalmente conheço 5, aliás vou lá no próximo mês.A coisa mais estranha é o sotaque que os habitantes de certas ilhas possuem, aquilo parece françês , sendo mesmo de dificil compreenssão por parte de qualquer continental , exemplo ilha de S.Miguel.Já por exemplo na ilha do Faial onde fica o famoso bar “peter s sport café” bar conhecido por todos velejadores mundiais pelo seu famoso gin tónico,os habitantes de lá não tém sotaque, falam todos um português “neutro” é caso para dizer , e esta hein….????.
    Deixo aqui no fim um link do youtube em que aparecem uns humoristas portugueses de nome “gato fedorento” onde eles brincam com os nossos sotaques, brasileiro incluido ,ninguem ficou de fora hahhahhahhah!!!!!.
    Abraços .

  35. Luís,
    Bacana este detalhamento que fez dos sotaques lusos, não fazia idéia que existiam tantos.
    Tem alguma teoria que explique como surgiu esta diversidade?
    Ah! E faltou dizer qual é o seu. Vc é de Lisboa?

    Minhas apostas para o Brasil (Pelo método do achômetro):
    Os sotaques brasileiros estão assentados em três bases principais (dependendo da região, uma pesa mais que a outra): no português antigo, na fortíssima presença dos falares indígenas e na importante influência das línguas africanas. Os imigrantes trouxeram um tempero a mais, e é uma das explicações para as diferenciação regional.

    No Rio, o chiado começa com a chegada da corte portuguesa. (que já falava o português moderno)
    Em São Paulo, capital, o falar italianado é marcante (só pra ter uma idéia, em meados de 1900, haviam 2 italianos pra cada “paulista”)
    Na cidade de Florianópolis a presença açoriana é muito forte. O sotaque deles é muito engraçado.
    No nordeste, generalizando, dizem que é lá que se fala o “português” mais preservado e a abertura intensa das vogais seria uma herança africana.
    Os gaúchos têm uma certa influência guarani e espanhola.
    E por aí vai…

  36. Olhem que 10. Lá do Yahoo.

    A PERGUNTA IDIOTA

    Porque o brasileiro fala “vou”?
    Vinícius
    Muito bem! Estou fazendo essa pergunta pra levantar uma questão referente à nossa língua. O Português possui uma conjugação verbal perfeita e linda. Uma vez um garoto chegou pra mim e disse:
    “Eu farei meu trabalho na segunda feira”. E isso foi uma das coisas mais bonitas que já ouvi porque até então não me lembrava de ter ouvido outra pessoa falar assim, como eu.
    O problema é que muitas pessoas têm deixado a Língua Portuguesa se perder com a invasão de palavras estrangeiras, principalmente do Inglês. Enquanto em vários países de Língua Espanhola são criados termos equivalentes como o “video JUEGO” para o “video GAME”, nós simplesmente aceitamos quietos essa imposição cultural. Se você perguntar a um garoto se ele gosta de “vídeo jogo” ele te perguntará o que isso significa.
    Quanto ao uso do “vai”, colocado na pergunta, eu sei que alguns verbos têm certa dificuldade de se flexionar corretamente ao tempo futuro, como querer. É estranho dizer “quererei” ou “quererá”. Isso acontece porque a palavra já possui muitas letras R. Porém é uma das coisas mais bonitas pronunciar a nossa língua de forma mais clara, sem deixá-la se perder.
    Então, o que vocês acham disso tudo? Porque nós temos a mania de usar “vou” ao invés de simplesmente conjugar o verbo principal?
    .
    .
    A RESPOSTA MA-RA

    Alyson Vilela

    A língua não está se perdendo: está se transformando. Qualquer língua no mundo se transforma com o tempo. Com relação ao futuro, você se engana em dois pontos:
    1) Os portugueses também usam o verbo ir como auxiliar para o futuro.
    2) Isso não é invasão estrangeira. É um uso que existe desde o latim. A prova disso é você ver que isso é usado em quase todas as línguas neo-latinas. Exemplo: “eu vou falar com ele”

    Francês: Je vais parler avec lui
    Italiano: Vado a parlare con lui
    Espanhol: Voy a hablar con él.
    Romeno: Voi vorbi c.u el (e essa é a única forma de futuro em romeno).
    Dentre outros.

    O fato de o futuro ser um tempo composto em muitas línguas do mundo se deve à dificuldade (até filosófica) de se expressar o futuro. Antes de ser “falarei” era “falar hei” (que gerou hei de falar). O tempo passou a ser simples, e voltou a ser composto no uso popular (vou falar). Por outro lado, o passado (que é mais fácil de se expresso, pois é conhecido), pouco varia.
    Então não há nada de negativo no movimento da língua… é ele que a mantém viva, pois é graças a ele que a língua não pára de atender às necessidades da sociedade que a usa.

    Fonte(s):
    Sou cientista da linguagem

    br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=AmKgcdW.XvUrO0LJtNDnO8DI6gt.;_ylv=3?qid=20080914103409AAsXgNp&show=7#profile-info-1612ab582f9872eccee70b7c94e6a08daa

  37. Eu senti no texto do português Vital Moreira um certo preconceito lingüístico, e até uma dose de despeito e rancor pelo falar lisboetês (alfacinha???)

    Penso que se ouvisse uma conversa entre portugueses com sotaques distintos, teria dificuldades em separá-los. As diferenças me parecem bem sutis. Provavelmente isso tbm aconteceria com portugueses no Brasil.

    Malu, parece que virou mania de pseudos-intelectuais ser contra a evolução da língua e contra os empréstimos estrangeiros. Os idiomas não são uma coisa fixa. O que seríamos sem as múltiplas palavras que recebemos do grego, árabe, francês etc? Se a língua dependesse dessas posições puristas sectárias, hoje falaríamos latim.

  38. E vejam mais essa do yahoo:

    A PERGUNTA

    O portugues no Brasil, è errado o so diferente?

    Boa tarde.
    Gostaria de saber porque todas as pessoas do Portugal que encontro nas chat internacional, me falam que aprendi o portugues errado (o portugues do Brasil). Eu morei um ano no Brasil e assim aprendi a lingua desse pais e eu ja sabia que era diferente do portugues do Brasil mas eu considerava so diferente, nao errado.
    Me falam que è cheio de terceira pessoa e por isso errado.

    O portugues do Brasil pode ser considerado quase como outra lingua o è um portugues errado?

    Se cometi erros na gramatica, peço desculpa.

    MINHA RESPOSTA

    A língua do Brasil é o Brasileiro. Aqui não se fala português.

    Seu Brasileiro é ótimo.

    Espere só quando ouvir um português, aquela língua horrorosa é ininteligível.

    br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=AkUMINyiCuIQpRcmzaQzDtLI6gt.;_ylv=3?qid=20080915122359AALTBqG&show=7#profile-info-FAmxW7Xaaa

    😀

  39. Mais uma 10:

    Você é segunda pessoa.

    O prof. Pasquale explica:

    “você” é a pessoa a quem se fala e, portanto, da segunda pessoa.

    Para que não fique nenhuma dúvida: na estrutura do discurso, “você” é da segunda pessoa, é o interlocutor; por outro lado, “você”, como os demais pronomes de tratamento (senhor, vossa senhoria etc.), pede o verbo conjugado na terceira pessoa, e não na segunda pessoa.

    É bom lembrar a origem da palavra “você”:

    Vossa Mercê > Vossemecê > Vosmecê > você

    De início o pronome de respeito “Vossa Mercê” era um pronome de formalidade, mas acabou se tornando, no Brasil, pronome de intimidade, que se usa entre iguais.

    br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=AkUMINyiCuIQpRcmzaQzDtLI6gt.;_ylv=3?qid=20080916102247AAkdo0y&show=7#profile-info-8dc3d21bdc24038c1af85d64f39919d4aa

  40. hahahahahhahahah

    Ê Maria… !!!
    Você não é fácil….

  41. Gostaria de saber porque todas as pessoas do Portugal que encontro nas chat internacional, me falam que aprendi o portugues errado (o portugues do Brasil).

    Percebo que tem se tornado comum esta ardente defesa dos portugueses à SUA língua, o que é até compreensível, já que, segundo os próprios, “eles” “inventaram” o português, são a origem e, por isso mesmo, detêm a versão pura, castiça e verdadeira do idioma. Só tem um senão nesta história que não é natural e muito preocupante, é que esta obstinada defesa vêm casada com ataques implacáveis e um ódio ferrenho ao vernáculo brasileiro, vernáculo que, segundo eles, é uma versão desfigurada, incorreta e vulgar do português de Portugal.

    Pra mim esta postura revela o quão conservadora e antiquada é a sociedade portuguesa e isso se reflete na língua. Esta não aceitação de formas diferentes, esta grande dificuldade em admitir mudanças, é uma das facetas de um país terrivelmente intolerante e conservador.

    Consigo até ver em algumas dessas defesas características de extremistas-fundamentalistas. Como alguns portugueses se julgam os detentores do verdadeiro idioma, não toleram ou aceitam versões diferentes. Pra eles só existe uma língua correta, a deles, as outras são dialetos chulos e errados.

    Por que em vez de atacar o vernáculo brasileiro não admitem logo que são idiomas diferentes? Poupariam massa cinzenta e sofreriam menos.

  42. Deda,
    Que teoria diferente. Nunca tinha pensado por este lado. Pelo que leio em diversas páginas da internet e fazendo uma análise crítica e honesta, até que faz sentido este perfil que traçou.

    Quando vc diz que o conservadorismo português se reflete na língua, eu fiquei pensando. É provável que o preconceito que os portugueses nutrem pelos brasileiros seja estendido à língua, por isso os ataques.

    O Luís diz que não é bem assim, mas pra mim ele é excessão.

  43. E vou concordar com o final do Deda destacando um trecho do artigo:

    “a língua do Brasil e a língua de Portugal são duas línguas diferentes. Conhecer o português do Brasil e sua dinâmica gramatical é, antes de tudo, reconhecer que a língua falada no Brasil é estruturalmente diferente da língua falada em Portugal. São duas línguas distintas, sobretudo se compreendermos língua como um feixe de variedades lingüísticas que compartilham mais semelhanças do que apresentam diferenças. Em todos os níveis, a começar do fonético, a língua de Portugal e a língua do Brasil já apresentam mais diferenças entre si do que semelhanças.”

  44. Repito:

    “Em todos os níveis, a começar do fonético, a língua de Portugal e a língua do Brasil já apresentam mais diferenças entre si do que semelhanças.”

    É gastar energia a toa tentando comparar o brasileiro com o português.

  45. Me apresentando:
    Faz algum tempo que acompanho o blog e queria dizer que gosto muito dos assuntos aqui abordados. É gratificante saber que não estamos sozinhos na luta pela afirmação do Idioma Brasileiro. Não sou um participante ativo, porém estou sempre ligado.

    Abçs.

  46. Opa, gente nova no pedaço!
    Seja bem-vindo, Eduardo!

  47. Eu achei o máximo as propostas contra a discriminação lingüística:

    A desconstrução do preconceito lingüístico por meio dos argumentos científicos capazes de desmontar cada um de seus mitos; denúncia do preconceito lingüístico nos meios de comunicação de massa; engajamento dos lingüistas e professores na luta pública contra o preconceito; reconhecimento da norma-padrão como ideal imaginário, preso a visões de mundo antigas e há muito ultrapassadas; associação dessa norma-padrão com o passado colonial; contraposição da norma-padrão a variedades reais de língua falada e escrita, documentadas em material autêntico;admissão dentro da norma-padrão (isto é, na escrita mais monitorada) das regras sintáticas já consagradas no uso urbano culto, para começar a solapar a concepção da norma-padrão como entidade monolítica;maior conhecimento das variedades, a começar das urbanas cultas para mostrar a distância entre a língua culta real e a norma-padrão supostamente “culta” das gramáticas normativas e dos comandos paragramaticais;reconhecimento do português do Brasil como língua diferente do português europeu; desmistificação da propaganda de que o “português” é uma das línguas mais faladas no mundo e ênfase no fato de que o português do Brasil é que é uma das línguas mais faladas do mundo: 190 milhões de brasileiros […]; enfatizar que nas ex-colônias africanas e asiáticas o português é mera língua oficial, não sendo portanto língua materna daquelas populações;abandono da noção da suposta necessidade de um padrão-língua para regular os usos; reconhecimento de igual validade a todos os usos possíveis da língua; […].

  48. Mudando um pouco de assunto 😉

    Gente, estou assustada com as reservas internacionais da China. Eles Têm 1,8 trilhões de dólares. E nós felizes com os 207 bilhões do Brasil. As reservas chinesas são praticamente o nosso pib.

    A notícia:
    estadao.com.br/economia/not_eco244795,0.htm

  49. Obrigado pelas boas vindas.

    Aquela categoria “Certo ou Errado?” é excepcional. Muitas coisas que pensava ser vícios de linguagem dos brasileiros são na verdade heranças do latim ou do português antigo. É desolador o que a gramática portuguesa provocou na história da língua brasileira, fazendo a gente acreditar que falamos assim porque somos burros.

    Ex:
    Vou “no” médico

    ===> Mas é só ler os autores modernos e encarar a realidade: pode se ir em… Não é uma invenção recente, coloquial, mas a herança do latim.

    “No português brasileiro também ocorre ir em, sobretudo na fala, o que pode ser até sobrevivência da língua-mãe (latim in urbem ire)”. Em seguida, Luft dá estes exemplos: “Vou em casa”, “Foi no centro (no médico, no cinema etc.)” (Celso Luft)

    O uso popular brasileiro consagrou a construção “ir em” (ir no cinema, ir no banheiro, ir no dentista, etc), enquanto o “correto” seria ir ao cinema, etc. Veja-se agora a origem das duas preposições: “em” (do latim in: no interior, dentro), “a” (do latim ad: junto a, ao lado, próximo). Então seria mais lógico, com base nessa origem, dizer que “vou no cinema”, pois irei “no” interior dele e não junto a ele. Da mesma forma, é preferível “ir no banheiro” a “ir ao banheiro”
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/vou-no-medico-certo-ou-errado/

    “Me passa o sal?”

    ===> Um fenômeno sintático que teve modificações importantes na história do português entre a época medieval e a atualidade é a posição na frase dos pronomes pessoais átonos (me, te, lhe, o, a, nos, vos, lhes, os, as), também chamados pronomes clíticos ou apenas clíticos. Estes pronomes são hoje pós-verbais (ou enclíticos) em português europeu e galego, ao contrário do que se passa nas outras línguas românicas, em que são pré-verbais (ou proclíticos).

    – É fato sabido que a colocação dos pronomes átonos no Brasil difere apreciavelmente da atual colocação portuguesa e encontra similar na língua medieval e clássica.

    Em Portugal, esses pronomes se tornaram extremamente átonos, em virtude do relaxamento e ensurdecimento de sua vogal. Já no Brasil, embora os chamemos átonos, são eles, em verdade, semitônicos. E essa maior nitidez de pronúncia, aliada a particularidades de entoações e a outros fatores (de ordem lógica, psicológica, estética, histórica, etc.), possibilita-lhes uma grande mobilidade de posição na frase, que contrasta com a colocação mais rígida que têm no português europeu.

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/07/me-passa-o-sal-certo-ou-errado/

    😦

  50. Eduardo.
    Aproveitei o seu comentário e fiz esta pergunta lá no yahoo:

    Por que a estúpida gramática portuguesa considera errado “Vou ‘no’ banco” se esta forma é herança do latim?

    ===> Mas é só ler os autores modernos e encarar a realidade: pode se ir em… Não é uma invenção recente, coloquial, mas é herança do latim.

    “No idioma brasileiro também ocorre ir em, sobretudo na fala, o que pode ser até sobrevivência da língua-mãe (latim in urbem ire)”. Em seguida, Luft dá estes exemplos: “Vou em casa”, “Foi no centro (no médico, no cinema etc.)” (Celso Luft)

    O uso popular brasileiro consagrou a construção “ir em” (ir no cinema, ir no banheiro, ir no dentista, etc), enquanto o “correto” seria ir ao cinema, etc. Veja-se agora a origem das duas preposições: “em” (do latim in: no interior, dentro), “a” (do latim ad: junto a, ao lado, próximo). Então seria mais lógico, com base nessa origem, dizer que “vou no cinema”, pois irei “no” interior dele e não junto a ele. Da mesma forma, é preferível “ir no banheiro” a “ir ao banheiro”

    ——

    Até quando vamos permitir que essa gramática do horrível idioma português assassine a LÍNGUA BRASILEIRA?
    FORA PORTUGUÊS!!!

    .
    .
    Agora é só esperar as respostas. Quem sabe uma alma inteligente e caridosa esclareça este mistério.

  51. O italiano também segue o padrão brasileiro e do latim.

  52. E por falar em nossa língua tupiniquim, encontrei um pequeno glossário com algumas palavras indígenas que enriqueceram Pindorama. Tem desde: (a etimologia é do Houaiss)

    -Pipoca – tupi *pi’poka ‘grão de milho que se abre em floco branco, ao calor do fogo’; ver pipoc- e -poca; f.hist. 1929 pipóca

    -Jacaré – tupi yaka’re ‘nome comum a vários répteis crocodilianos’; a denominação indígena é de valor totêmico; segundo Teodoro Sampaio, o voc. tupi significa lit. ‘aquele que é torto ou sinuoso’

    – Capim – tupi ka’pii, este de ka’a ‘mato, erva, planta em geral, mata’ + pii ‘fino, delgado’; ver caa-; f.hist. 1618 capim, a1667 capinasú

    – Mandioca

    – Samambaia – tupi çama-mbai ‘trançado de cordas’, alusão à trama confusa dessas plantas sociais, invasoras, segundo Teodoro Sampaio; Nasc. registra um tupi ham a’mbae ‘o que se torce em espiral’, porque as folhas da planta são enroladas na ponta e se desenrolam à medida que crescem; f.hist. 1730 sabambaya, a1809 sambambaias, 1871 samambaias

    etc

    numaboa.com/glossarios/indigenas

  53. Taba (Do tupi tawa) — Aldeia dos índios.

  54. Tenho um carinho todo especial pelas línguas indígenas.

    Sei que “Y” é água. Ex Ipiranga “Y”= água, piranga=vermelho que dá – “rio, riacho, vermelho, pardo, barrento”

    Ita é pedra.

    E mais este:

    IRACEMA – Esse é o nome da personagem do escritor José de Alencar no romance com esse título. Há quem diga que é anagrama de América, mas decorre das palavras indígenas eira, mel, e cema, saída, para significar “saída, vinda do mel” e, por isso, o escritor a chamou de “a virgem dos lábios de mel”.

    Lindo…

  55. E termino com a Língua do Brasil:

    Especialista contesta que nossa língua é a portuguesa.

    Sabe aquela história de que falamos português? Pois bem, segundo o lingüista Nicolau Leite, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e mais conhecido pelo seu pseudônimo literário, Nic Tupan’an, aquilo não passa de nhenhenhém. Como nossa língua pode ser portuguesa se ela é formada por 30 000 vocábulos indígenas e mais de 3 000 palavras trazidas pelos escravos africanos do tronco banto (veja quadro abaixo)?, diz. Nhenhenhém, por exemplo, é uma palavra do nheengatu-tupi, a língua falada no Brasil até o século XVIII, quando Portugal proibiu sua utilização. Nheem designa o ato de falar, nhenhenhém é falatório inútil, sem sentido. Tupan’an, que quer dizer alma de trovão, acha que nosso idioma é mesmo o brasileiro e que é absurdo tentar unificar as línguas com normatizações. O português, no fundo, foi só a casa de fundação da nossa língua, que recebeu e continua recebendo influências de todos os lados, afirma.

    Palavras do nheengatu-tupi, a língua geral que se falava no Brasil

    Catingar:
    Exalar mau cheiro. Caá é mato e ting, virgem. Caatinga é mata virgem. O verbo catingar surgiu porque as pessoas, quando entram nessas matas típicas do sertão nordestino (que já são malcheirosas), voltam suadas, cheirando mal. Não há nesses locais rios para tomar banho.

    Capinar:
    Devastar, cortar o mato. Vem da soma das palavras caá (mato) e pin (cortar). A palavra capim também tem sua origem aí e significava erva-daninha, ou mato que tem que ser cortado.

    Niterói:
    O nome dessa cidade tem sua origem da união entre inti (sem) e roi (frio) e significa lugar quente.

    Catapora:
    Tatá é fogo, pora é interno. Catapora, portanto, quer dizer fogo interno. Ou febre intensa, um dos sintomas da doença.

    brasiliano.wordpress.com/2008/04/19/lingua-do-brasil/

  56. Pati, vc viu que neste post que colocou, há um comentário do próprio prof. Nicolau? O blog é famoso. Muito legal.

  57. Que bárbaro, Ju. Não tinha visto.

    Conheço pouco sobre o nheengatu-tupi, mas analisando várias palavras: Jaçanã, ipanema, maracanã, capim etc; observo uma forte nasalização.

    A língua brasileira é exageradamente nasal. Será que podemos considerar a hipótese de uma possível herança indígena?

    Apesar do português ter também estes sons, nem se compara à intensidade que as nasais adquirem na pronúncia do Brasileiro.

  58. Tenho pra mim que as vogais abertas e nasais juntamente com o gerúndio, é que dão toda a musicalidade e malemolência de nossa língua.

  59. E por falar em malemolência. Ouçam que som:
    br.youtube.com/watch?v=o-CGhosoaHY

    E essa voz:
    http://br.youtube.com/watch?v=JvkEf7qpMGo
    Alguém sabe se Vinícius fez esta música para a cidade do Rio de Janeiro? Já ouvi esta história mas nunca soube se era real.

  60. nossa língua é formada por 30 000 vocábulos indígenas e mais de 3 000 palavras trazidas pelos escravos africanos do tronco banto

    Pensava que a quantidade de palavras indígenas e africanas eram mais ou menos a mesma. A diferença numérica é bastante grande. Mas deve ser isso mesmo, porque quem deu os nomes aos lugares e seres Americanos foram os índios.

    Juliana,
    não sei se essa música foi feita pro Rio, mas cai como uma luva pra cidade.

  61. Em minha opinião essa musicalidade que a Juliana comenta é relativa, depende do sotaque.

    Por exemplo, os nordestinos que conheço, principalmente do Maranhão e Piauí, falam a mil por hora. Os mineiros comem diversas sílabas. Em Florianópolis comem algumas letras.

    Tenho preferência pelo sotaque paulistano típico. Também gosto do carioca mas sem o “S” chiado, não suporto. E o sotaque de Recife também entra para a minha lista de preferidos.

    É uma questão de gosto pessoal. Não é minha intenção criar discórdia e disputas para saber qual sotaque é mais bonito que outro, ou algo do gênero.

  62. GENTÊÊÊ!!!

    O escritor que ontem ganhou o maior prêmio literário do Brasil tbm defende a língua brasileira: Cristovão Tezza!

    ÊÊÊÊÊÊ

    O artigo dele:
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/11/lingua-brasileira-2/

  63. Parabéns ao Tezza! 😀

    De carona no comentário do Deda, pego outro texto que explica como o português ganhou contornos brasileiros:

    em um primeiro momento […] a partir de sua memória, o colonizador português reconhece as coisas, os seres, os acontecimentos e os nomeia.[…] Como estamos no Brasil, há um deslocamento (transporte) que força contornos enunciativos diferenciados. Essa diferença se torna cada vez mais uma diferença de línguas.

    Vamos continuar lá?
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/22/a-lingua-brasileira-2/

    Como de praxe, coloco o comentário da Patrícia para abrir o post..

  64. RESPOSTA À PATRÍCIA:

    => [PERGUNTA] “Conheço pouco sobre o nheengatu-tupi, mas analisando várias palavras: Jaçanã, ipanema, maracanã, capim etc; observo uma forte nasalização.

    A língua brasileira é exageradamente nasal. Será que podemos considerar a hipótese de uma possível herança indígena?

    Apesar do português ter também estes sons, nem se compara à intensidade que as nasais adquirem na pronúncia do Brasileiro.”

    => [RESPOSTA] Achei um texto bárbaro que fala exatamente sobre isso. É um estudo de Eunice M. Mórra. Lá vai:

    “A nasalização é mais forte em nossa pronúncia e muito mais fraca no português: cama, santo, irmão, manhã são pronunciadas pelos brasileiros câma, sâ -nto, ir-mã, mã-nhã; ao contrário o português especialmente aqueles do norte: cáma, sá-nto, ir-má, má-nhã. Esta forte nasalização deve ser atribuída a uma influência do tupi e do guarani.”

    “A nasalização do tupi e do guarani reforça a do português, de modo a assegurar a distinção entre o idioma português brasileiro e o de Portugal. O guarani golpeia o final das palavras: pirapó-pirapora, tinin-tininga, acan-acanga, etc.”

    cipedya.com/web/FileDownload.aspx?IDFile=158591

  65. Mais

    Pode-se considerar que o tupi-guarani é o substrato lingüístico do português do Brasil, visto haver interferido no aportuguesamento do idioma brasileiro, quanto à fonética e ao vocabulário. No âmbito do vocabulário acrescenta-se o africano que se tornaria mais significativo dentro do ciclo da mineração. Sua ação trans formadora mesclou-se na língua do conquistador em toda a sua demonstração, especialmente na fonética e no vocabulário. Câmara Jr. (2002) acredita que esta ação de caráter fonético é responsabilidade do brasileiro: um idioma musical, claro e, por isso, fácil de ser distinguido do falado da metrópole. […] apresentam-se duas acentuadas características: a diferenciação está na fala, onde no Brasil é compassada; pronunciam-se todas as vogais, dando às consoantes portuguesas p, t, b, d, n um valor mais fraco, mais doce. No português falado no Brasil não há os semitons que poderia obscurecê-la. Estas diferenças permitiram a Eça de Queirós afirmar que os brasileiros falam o português com açúcar. Por esta razão a pronúncia do brasileiro é mais fácil de ser assimilada.

    Todas estas diferenças não são devidas exclusivamente ao substrato indígena, mas sim ao português transplantado do início século XVI para o Brasil, que se comparado àquele arcaico e provençal do século XVI, evoluiu muito. Porém, aqui se conservou aquele vocabulário repleto de arcaísmos. Portanto, a mescla do português trazido a esta terra, somado ao tupi e ao guarani tornou-a diferente da metrópole e essa diferença é possível de ser verificada na literatura que, devido às mesclas recebidas inclusive das línguas nativas de outros povos como quichua, o caribe, enriqueceu o nosso falar, por isso, a nossa literatura é tão rica se comparada à literatura de Portugal. Os brasileiros, quando falam, orquestram uma linda sinfonia; já em Portugal não há esse efeito. Por conseguinte, apesar de ser a mesma língua, as influências são outras: o nosso falar é bem distinto e, principalmente nos dias atuais, a linguagem é praticamente outra. (BASSETO, 2000).

  66. Obrigada, Ju! Já nem me lembrava dessa minha pergunta em aberto. Estava no caminho certo.

    Queria completar as afirmações do Basseto, no final, em negrito, de sua última postagem:

    “Os brasileiros, quando falam, orquestram uma linda sinfonia; já em Portugal não há esse efeito. Por conseguinte, apesar de ser a mesma língua, as influências são outras: o nosso falar é bem distinto e, principalmente nos dias atuais, a linguagem é praticamente outra. (BASSETO, 2000).”

    Diria assim:

    “apesar de ser ‘ARTIFICIALMENTE’ a mesma língua, as influências são outras: o nosso falar é bem distinto e, principalmente nos dias atuais, a linguagem é praticamente outra.

  67. mm… love it..

  68. Para mim nada do que está escrito faz muito sentido. Todo o texto está escrito na “variedade-padrão” do português. Não existem esses “abismos enormes” que estão falando entre a língua portuguesa de Portugal e a língua portuguesa do Brasil, apenas diferenças pontuais, como é o caso da colocação pronominal e do uso do gerúndio.

  69. Que saudades de nossas conversas! Tivemos altos papos por aqui. 🙂

    Pedro Melcop, discordo de sua opinião. A língua que se fala no Brasil não guarda semelhanças com a língua falada em Portugal. Como a norma escrita é, digamos, uma forma de se retratar e transcrever normas da língua que é falada por um povo, é no mínimo constrangedor esta imposição para que sigamos regras que não retratam o nosso idioma. Acho até que os jornais, os autores modernos e os sites de notícias brasileiros, de uma forma bem criativa e para horror dos puristas gramaticais, fazem um belo trabalho ao escreverem na língua culta brasileira.

    obs: Fico com o conceito de língua culta do texto acima:

    “chama-se de falante culto aquele indivíduo nascido e criado em ambiente urbano e que possui nível de escolaridade superior completa. […] Se passarmos a empregar esse conceito de falante culto, talvez possamos propor que o padrão lingüístico a ser usado como referência geral seja baseado nos usos feitos pelos brasileiros cultos, e não mais na escrita literária. “

  70. Recomendo que leia estes dois artigos:

    Língua Brasileira
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/20/lingua-brasileira/

    VARIEDADES DO PORTUGUÊS NO MUNDO E NO BRASIL
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/08/01/variedades-do-portugues-no-mundo-e-no-brasil/

  71. Também recomendo este artigo: Falamos a Língua de Cabral? https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/

  72. Li os artigos e não concordo com eles. “A língua que se fala no Brasil não guarda semelhanças com a língua falada em Portugal”, isso é um pouco forçado, não? Por favor me envie um texto em português brasileiro culto que tenha as tais diferenças todas. Qualquer português entende um texto em português brasileiro, e qualquer brasileiro entende um texto em português europeu. Justamente os jornais e os sites de notícias brasileiros propagam a versão padrão do português! Repetindo, por favor me envie um texto em português brasileiro culto que tenha todas as diferenças com o português de Portugal, que não “guarde semelhança com a língua falada em Portugal”.

  73. Tanta conversa sobre o crioulo brasileiro e sempre sem nunca sair do português. Talvez os brasileiros assumirem a sua identidade portuguesa lhes cure o trauma.
    Cumpts.

  74. Seu Bic Laranja, por favor nos esclareça que identidade é essa?

    Pra começo de conversa: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=847912

    Patético! O cara parou no tempo.

  75. Para fim de conversa leia o nome que tem, não descurando o arcaísmo da grafia.
    Feliz ano novo. 🙂

  76. hahahahha só falta o cara querer dizer q meu nome é português.

    Maria: vem do hebraico, significa senhora soberana. (De uma língua semítica: “senhora, excelsa, sublime”.)

    Luís (Luiza): francês derivado do germânico: “guerreiro célebre”. Variante: Luiz. Feminino: Luisa, Luiza

    Ou seja, nomes com orígens estrangeiras diversas que chegaram ao Brasil e foram abrasileiradas. Sem mais!

  77. Confesso que não entendo a atitude portuguesa. Quando dizemos que falamos português e um acordo ortográfico é criado para igualar as duas grafias (o que é uma maneira de realçar a tal “identidade portuguesa” de que falou o autor do post acima), nossos amigos lusos dizem que não, que não querem adotar o acordo e que falamos brasileiro.

    Por outro lado, quando dizemos que falamos brasileiro (ou seja, concordamos com eles), eles vêm ladrar nos nossos calcanhares que não, que não é assim, que o que falamos é português e fim de conversa.

    Aliás, fui lá ver o blog deste senhor Bic Laranja e digo que, ressalvado algum (ou muito) antibrasileirismo, não é um mau blog. Só acho interessante esta obsessão com o Brasil por parte dos senhores. Por acaso, até acompanhei a infeliz discussão envolvendo a professora Janaína Spolidoro, que teve de se defender de toda sorte de agressões por ter tido a gentileza de emprestar um texto seu para um trabalho escolar feito em Portugal. Além do simples fato de serem agressões, a crítica foi malfeita. Neste caso, não deve ser feita à professora, mas sim a quem não adaptou o texto à realidade portuguesa, não acham? Parece um tanto óbvio que sim.

    Também é curioso que, depois dos comentários feitos aqui neste blog, o tal Bic Laranja começou a vomitar vários posts antibrasileiros e insultar gratuitamente a todos nós, brasileiros. Ou seja, não gosta da nossa variante mas vem ladrar aqui, numa página que está DEFENDENDO EXATAMENTE o que este senhor aparenta desejar, ou seja, separar as duas variantes DE FORMA A UMA NÃO CONTAMINAR MAIS A OUTRA! Assim o portuguÊs de Portugal e o do Brasil seguirão, cada um, o seu caminho, até a definitiva separação.

    Aqui ninguém tem trauma, sr. Bic Laranja. Pelo que parece, o único com traumas e complexos aqui é o senhor. E isso se estende a todos os portugueses com a mesma opinião e essa estranha obsessão demencial pelo Brasil – um país, que aliás, não é inimigo de Portugal.

    P.S: Na discussão em causa, um dos argumentos levantados por parte dos contendores foi que aqui no Brasil os portugueses têm fama de padeiros, burros, chamados Manuel e Maria, mulheres de bigode, etc, etc. Acho que isso já explica toda a reação deles: COMPLEXO DE INFERIORIDADE.

  78. A propósito do tema do crioulismo:

    “Tarallo (1986) argumenta que a hipótese crioula não deveria “permanecer em nossa agenda”, pois o PB em seu processo de mudança não se aproxima do PE. Se tivéssemos tido um crioulo no Brasil, a europeização do país ocorrida no sec. XIX teria desencadeado um processo de descrioulização, e hoje estaríamos falando como os portugueses – o que vem acontecendo em algumas ex-colônias africanas”

    A saber: Fernando Tarallo é um sociolinguista renomado, estudioso do fenômeno da variação entre o PE e o PB.

    Algumas pessoas que comentam aqui deveriam se informar antes de escrever asneiras, seja em seu próprio blog, seja em blogs alheios. Evitariam assim passar por ignorantes……….

    Enfim, parabéns à Maria Luiza e aos demais administradores deste blog! É uma excelente contribuição ao estudo da nossa cultura!!!!

  79. Obrigada, Ernesto. A ignorância (pra não dizer outra coisa) desse português aí de cima é abismal! O cara nem sabe o que é crioulo e quer discutir sobre língua. hahahah é pra rir

    Sobre o texto que fala do crioulo, tem esse link aqui:

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/07/15/o-idioma-brasileiro-deriva-de-um-crioulo/

    “o crioulo pode “descrioulizar-se”, identificando-se progressivamente com a língua européia que lhe deu origem.”

    “Tarallo argumenta que a hipótese crioula não deveria “permanecer em nossa agenda”, pois o PB em seu processo de mudança não se aproxima do PE. Se tivéssemos tido um crioulo no Brasil, a europeização do país ocorrida no sec. XIX teria desencadeado um processo de descrioulização, e hoje estaríamos falando como os portugueses ” (Deus me livre de falar com uma batata na boca!!!!)

  80. Eu vou ter que repetir aqui uma resposta MARA da JU (uma das pessoas mais inteligentes que debatiam aqui)

    Os brasileiros pouco modificaram o português clássico, bem diferente de Portugal que alterou toda a língua.

    No século XVI, os lusos não engoliam vogais nem chiavam nas consoantes – essas modas surgiram no século XVII. Cabral teria berrado um “a” bem pronunciado e dito “vista” com o “s” sibilante igual ao dos paulistas de hoje. Na verdade, nós, brasileiros, mantivemos os sons que viraram arcaísmos empoeirados para os portugueses.(https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/)
    ————-
    “Acontece que o português europeu, ao contrário do brasileiro, passara nos séculos anteriores (particularmente no século XVIII) por um processo de mudança fonológica, com inúmeras conseqüências para a sintaxe.

    Uma dessas mudanças se refere ao fato de que a fala portuguesa passou a privilegiar a ênclise, isto é, seus pronomes átonos começaram a se cliticizar da direita para a esquerda, e o português do Brasil teve que se ajustar a um padrão que não era absolutamente o seu. Em outras palavras, nós brasileiros, que não tínhamos sido protagonistas desse processo (uma vez que quem mudou foram eles, não nós!) passamos a ter que obedecer à norma de não começar frase com pronome.” (https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/20/lingua-brasileira/)
    ——————————
    “É preciso notar, igualmente, que no século XVI, segundo depoimentos insuspeitos de gramáticos da época, tinha a língua portuguesa um ritmo muito mais lento que a do século XVIII em diante. Ritmo lento significa sílaba tônica menos forte, sílabas átonas mais nítidas e maior emprego da duração. Em conseqüência, havia melhor distribuição do acento de intensidade pelas sílabas. Como resultado secundário dessa situação, deve-se assinalar a tendência à valorização da abertura das vogais e das sílabas.” (https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/historia-da-lingua-do-brasil/)

    Ou seja, de centenar o português não tem nada. Outras curiosidades conservadas no idioma Brasileiro do Latim ao português clássico:


    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/07/me-passa-o-sal-certo-ou-errado/

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/vou-no-medico-certo-ou-errado/

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/a-origem-dos-sons-tch-e-dch-no-brasil/

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/14/eu-vi-ele-certo-ou-errado/

    Um problema na língua brasileira hoje é que usamos a gramática (estrangeira) “portuguesa” que considera incorreto nosso léxico, morfologia, fonética e mais todos os nossos modernismos e heranças. Isso é lógico, a evolução do Brasileiro foi diferente e a modificação sofrida pelo português no sec 18 não aconteceu no Brasil. Sofremos de um grave bilingüismo, falamos brasileiro mas somos obrigados a escrever em português. Essa situação está ficando insustentável e uma vasta gama de lingüistas querem a separação imediata do brasileiro e sua normatização.

    Veja:

    ==> https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/01/ensinar-portugues-ou-estudar-o-brasileiro/

    A lei da evolução, de Darwin, estabelece que duas populações de uma espécie, se isoladas geograficamente, separam-se em duas espécies. A regra vale para a Lingüística. “Está em gestação uma nova língua: o brasileiro”, afirma Ataliba de Castilho.

    Há quem seja ainda mais assertivo. “Não tenho dúvida de que falamos brasileiro, e não português”, diz Kanavillil Rajagopalan, especialista em Política Lingüística da Unicamp. “Digo mais: as diferenças entre o português e o brasileiro são maiores do que as existentes entre o hindi, um idioma indiano, e o hurdu, falado no Paquistão, duas línguas aceitas como distintas.” Kanavillil nasceu na Índia e domina os dois idiomas.

    ==> https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/

    Vc pode perceber que não queremos e não falamos português, são idiomas totalmente diferentes.

  81. Mais da JU:

    A língua brasileira, apesar de ser moderna é ao mesmo tempo conservadora:

    O português falado no Brasil é um descendente direto do português popular quinhentista e seiscentista. Suas origens devem ser buscadas no português medieval ou, mais precisamente, no português medieval da segunda fase.

    “Importante para a identificação do caráter original do português, no Brasil, é a verificação do tipo de sistema da língua portuguesa ensinada pelos jesuítas à população nativa. Como uma ordem religiosa intelectualizada, a Companhia de Jesus assentava seu trabalho sobre valores que considerava permanentes. Em conseqüência, tendia ele a adquirir caráter conservador, despido daquelas inovações que se lhe afiguravam passageiras e sem aqueles detalhes que, para ela, tinham sido as causas imediatas das inovações.

    No campo lingüístico, o resultado só poderia ser a valorização da língua dos antepassados de gerações recentes, mas não imediatamente anteriores. Isso significa que o português, disseminado pelos jesuítas no Brasil, foi o da segunda metade do século XV. A necessidade de manutenção do caráter unificador de seu trabalho fez com que esse português da segunda metade do século XV se mantivesse, no Brasil, durante todo o período em que os jesuítas puderam aqui viver e trabalhar. Até o século XVIII, portanto.” (https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/historia-da-lingua-do-brasil/)

  82. Ou seja, a única língua crioula é o Português de Portugal!!!! hahahhahah

    Então Portuga, depois de tudo que foi dito acima, engole essa:

    “o crioulo pode “descrioulizar-se”, identificando-se progressivamente com a língua que lhe deu origem.”

    hahahahahah

  83. Grande Prof. Olavo de Carvalho, ainda há brasileiros que sabem do que falam !

  84. LÍNGUA

    Há muitas línguas
    A língua do Pê
    Do Saci-Pererê
    Do Senado
    Do favelado
    Do letrado
    Do letrista
    Do lingüista

    Há línguas extintas
    Há muitas línguas
    A língua das tintas
    Da pintura
    Da Magistratura
    Da prisão
    Da mansão
    Da nobreza
    Da fraqueza
    Da regência
    Da descrença

    Há uma língua Azul
    Há muitas línguas
    A língua de Raul
    De queixas
    De Seixas
    De Camarões
    De Camões

    Há língua de “palmo”,
    De “trapo”
    De “badalo”
    De Saramago!!!

    Há línguas no museu
    Há língua de Abreu
    De formação
    De Catalão
    De Libra
    De fibra
    De Louis Braille!

    Há línguas no baile
    Há muitas línguas
    A língua indiferente do indiferente
    A língua oposta do oposto
    A língua nacional do irracional

    A língua do jornal
    Do sinal
    Do santo
    Do Esperanto
    Do Romeno
    Do tormento
    Do Chico Bento!

    A língua de Castro
    A língua do astro
    Do roqueiro
    Do grafiteiro
    Do “jeitinho brasileiro”!

    Há línguas no mundo inteiro!
    A galega
    A francesa
    A espanhola…

    Há língua portuguesa!
    Filha do Latim
    Falada por Jobim
    Em Portugal,
    Angola,
    Guiné-Bissau… Cresceu;
    E a tribo Guarani também aprendeu!

    Língua da Ilha da Madeira…
    Do Brasil!
    À brasileira!
    Do nordestino
    Do velho
    Do jovem
    Do menino
    Do mineiro…

    Português brasileiro
    Também é Português verdadeiro!

    Há línguas e línguas
    Há muitas línguas
    A língua Viperina
    A Neolatina
    A analfabética
    A poética
    A Materna
    A “eterna”…

    A língua da “guerra”,
    A língua Viva,
    E viva todas as línguas da Terra!
    A verbal
    A musical
    A gestual
    A obscena
    A da cena…

    A língua da Lei
    Da Canção
    Da Boa Razão
    Do Destino
    Dos Meios
    De Afonso Arinos…!

    Há língua nas leis do mundo inteiro!

    Com a língua se acha o respeito
    O direito
    A dignidade
    A amizade
    A razão
    A compreensão…
    O caminho da inclusão!

    Língua pra falar
    Pra amar
    Pra participar
    Pra ler
    Pra escrever…
    Pra sonhar!

    Com a língua se viaja
    Pela imagem
    Pela coragem…
    Pelos mares!

    Com a língua se descobre novos lugares
    Outras terras
    Outras Serras
    Outros saberes!

    Assim a quis
    Machado de Assis
    Com a língua Machado criava
    Os dias quentes de verão
    Os jardins da primavera
    E o beijo dos beija-flores!
    E recriava o romance dos amores!

    E no jardim da infância
    Um pouco de lembrança
    Das cores,
    Das flores…

    Há muitas línguas
    A língua que forma
    Que informa
    Que inclui
    Que exclui…

    Línguas que se destroem
    Línguas que se constroem
    Línguas no trem…

    Língua é poder
    É força
    E domina quem a tem!

    Há muitas línguas
    Há homens sem língua
    Há homens de língua
    Há, porém, homens sem vozes
    Porque lhes roubam a língua!

    Mata-se o Homem, mata-se a língua
    Mata-se a língua, mata-se o homem
    E mata-se todo o mundo!

    Muda-se o Homem, muda-se a língua;
    Muda-se o tempo, mudam-se as línguas,
    Muda-se a língua, muda-se todo o mundo!

    Há muitas línguas
    Há sempre novidades,
    Diferentes em toda e qualquer cidade;
    E do mau uso da língua
    Ficam-se as marcas na sociedade
    E do Casimiriano as saudades!

    A língua define origem
    Traça os destinos
    Ilumina na escuridão
    Quebra as correntes da escravidão
    Expande a mente
    Torna seres mais conscientes!

    Porém, com a sobrevivência na mente
    O aprendizado no chão
    E a incerteza na frente
    Sem lei nem grei:
    É a língua que encontrarei!

    No entanto, resta-me a esperança
    De um estalar de latidos da consciência
    E ainda na minh’ existência
    Poder ver
    Um belo saber
    Um belo viver
    E toda criança ser bem sucedida quando crescer!

    (Georgeana Alves)

  85. Certo, pessoas. Eu sei que o tópico já é meio antigo, mas eu vou deixar aqui a minha opinião.
    Se for para dividir o português do Brasil e o de Portugal, então teríamos de dividir de outro jeito. Pois o caipira, sim aquele lá da roça, não fala igual ao carioca, muito menos igual ao nordestino e por vai.
    Então teriamos de fazer uma língua caipira, outra carioca.. Eu acho que essa questão de “idioma brasileiro” é uma coisa “sem noção”, porque mesmo no Brasil há diversas formas de se falar. O que falta mesmo é termos mais contato com o português falado lá em Portugal.
    Então, é isso ai!
    PS: o meu “sotaque” é o caipira, sim aquele lá da roça que puxa o r mais do que não-sei-o-quê.

  86. O brasileiro detesta Portugal devido ao que lhe é ensinado na escola. Os livros, com forte viés esquerdista, tratam o português como o colonizador, como o mau, como o ladrão. Todas as características negativas do brasileiro são atribuídas à herança portuguesa, enquanto que o negro e o índio são valentes, gentis, honrados, ou seja, tudo o que de bom tem no brasileiro é atribuído aos negros e aos indígenas. Para além de isso ser racista e mentiroso, contribui para o claro xenofobismo que o brasileiro tem em relação ao português. O brasileiro tem, sim, um complexo de inferioridade, e tenta disfarçar isso tentando parecer superior, de uma maneira tão artificial e despropositada que me dá até vergonha.

    Disso deriva essa vontade estúpida de querer transformar nosso querido português brasileiro num “brasileiro”. Aliás, vão fazer de tudo para diminuir cada vez mais a importância do português, nesse “brasileiro”, dizendo que a influência negra e indígena são predominantes, exagerando-as (tenho certeza de que isso já é feito em algum grau).

    O brasileiro é recalcado. Devia observar Portugal mais de perto, aprender um pouco com nossos irmãos, como eles vêm aprendendo conosco. Temos muito a ganhar com esse intercâmbio, mas o brasileiro em geral prefere se fechar em seu próprio ódio, em sua própria miséria, em sua própria ignorância.

  87. O texto dessa Joana (é o mesmo fake lusitano que ataca em outras páginas brasileiras sobre o nosso idioma, já foi desmascarado) acaba de ganhar o troféu Delirante. Ou podia, se estivéssemos na URSS, ganhar o Prêmio Lênin.

    Apesar de a autora (ou o autor) não gostar da esquerda, ela (ou ele) representa como ninguém a lição do adágio leninista: “acuse-os do que você é”.

    Portugueses são o povo mais recalcado e complexado do planeta e o papelão que fazem em sites, foruns e videos do youtube brasileiros é a prova disso. É deprimente e contrasta com o fato de que o Brasil caga para eles. E infelizmente, isso nunca mudará. Quanto mais o brasileiro cagar para Portugal, mais o portuga sentirá raiva do brasileiro e buscará mecanismos psicológicos compensatórios como este que a “Joana” empregou.

    Triste, mas verdadeiro.

  88. “Xenofobismo”

    Essa Joana, além dos delírios e inversões apontamos pelo comentarista acima, não sabe sequer o idioma que diz defender.

    Gorila analfabeta.

    O brasileiro não pode estar mais cagando para Portugal do que está e ainda temos de aturar esses delírios complexados de fakes lusitanos como ela em praticamente todos os nossos sites. Tentando inverter uma situação que é explicitamente o contrário do que ela descreveu: o portuga é que tem um recalque desgraçado com o Brasil e conosco.

    E não adianta deixar claro que eles não nos interessam. Que são insignificantes e ponto final, não tem nada além disso, Portugal é apenas insignificante e ponto. Exceto, claro, quando resolve nos atacar, aí eles acabam se tornando um incômodo, mesmo que momentâneo.

    Lembro de quando o Brasil excluiu Portugal do programa Ciências sem Fronteiras, porque as universidades deles não valiam merda nenhuma, os alunos brasileiros que iam para lá não aprendiam nada (ao contrário dos que iam pra Alemanha, França, etc) e não valia a pena enviar alunos brasileiros para lá com dinheiro público, pois não agregavam valor algum quando voltavam. O que os reitores de universidades portuguesas fizeram? Vieram ao nosso Ministério da Educação implorar pateticamente para que o Brasil voltasse a colocar Portugal no CsF, pois as miseráveis universidades deles dependiam das remessas do programa. Sim,isso mesmo. Estávamos bancando os portugas, como os alemães os bancam na economia.

    O Brasil, claro, negou. O que eles fizeram? Passaram a aceitar o ENEM como maneira de ingressar nas universidades deles, a fim de os nossos alunos entrarem lá e sustentarem aquelas universidades, sobretudo os cursos de mestrado, que são muitissimo mais fáceis de entrar que os cursos daqui.

    Uma atitude vergonhosamente subserviente e desesperada, mesmo quando deixamos claríssimo que essa gente não nos importa merda nenhuma. Que não damos a mínima pra eles. Que eles não nos interessam para nada. Só falta o Brasil desenhar isso, para esses ignorantes entenderem.

    Isso ilustra bem o processo: o Brasil não dá a minima pra eles, e quando não liga, eles vêm atrás de nós correndo desesperadamente implorando a nossa atenção. É patético!

    Portugal só é importante para o Brasil como material de piadas e para comprarmos as empresas falidas daquele país pobretão e sem futuro. O ruim disso é que mais cedo ou mais tarde irão se tornar uma província ultramarina do Brasil, se continuarmos a comprá-los. Mas isso é para o futuro.

    O foda é que NO PRESENTE, sempre que deixamos claro que eles não valem nada para nós, eles CONTINUAM A CORRER ATRÁS DOS NOSSOS CALCANHARES.

    No idioma vai acontecer a mesma coisa. Se o Brasil mudar o nome da língua que fala,os portugas virão correndo atrás de nós implorando desesperadamente para que não mudemos, pois se o fizermos, o português será apenas o idioma do país mais pobre da Europa (Portugal) e de meia dúzia de países africanos famélicos.

    Em suma: Irá acontecer a mesma coisa que aconteceu com o Ciência sem Fronteiras.

    Acho que o ideal para Portugal é ser anexado pela Espanha, assim em poucos anos eles todos estarão falando castelhano e irão nos deixar em paz.

  89. Bem, a favor do nosso jeito de falar o português tomo como exemplo uma guia de turismo, Porto-riquenha, na Virgínia/Estados Unidos, que ao saber que havia brasileiros no ônibus declarou que não haveria problemas, pois ela nos entenderia de forma bem aceitável, haja a vista o nosso modo de falar e pronunciar as palavras. Disse-nos da dificuldade de entender o português falado pelos donos da língua – os portugueses – a ponto de não entender quase nada do falam devido á pronúncia carregada, engolidora das vogais.

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