História da Língua do Brasil

Por Ariel Castro

“Importante para a identificação do caráter original do português, no Brasil, é a verificação do tipo de sistema da língua portuguesa ensinada pelos jesuítas à população nativa. Como uma ordem religiosa intelectualizada, a Companhia de Jesus assentava seu trabalho sobre valores que considerava permanentes. Em conseqüência, tendia ele a adquirir caráter conservador, despido daquelas inovações que se lhe afiguravam passageiras e sem aqueles detalhes que, para ela, tinham sido as causas imediatas das inovações.

No campo lingüístico, o resultado só poderia ser a valorização da língua dos antepassados de gerações recentes, mas não imediatamente anteriores. Isso significa que o português, disseminado pelos jesuítas no Brasil, foi o da segunda metade do século XV. A necessidade de manutenção do caráter unificador de seu trabalho fez com que esse português da segunda metade do século XV se mantivesse, no Brasil, durante todo o período em que os jesuítas puderam aqui viver e trabalhar. Até o século XVIII, portanto.”

.
1. O português falado no Brasil é um descendente direto do português popular quinhentista e seiscentista. Suas origens devem ser buscadas no português medieval ou, mais precisamente, no português medieval da segunda fase.

2. Iniciada oficialmente a colonização em 1530, com Martim Afonso de Souza, desenvolveu-se ela, sem uma base efetiva de ocupação da terra e conseqüente absorção dos elementos nativos, até a chegada dos jesuítas. A Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, pregava a implantação do evangelho por meios de natureza basicamente intelectual e doutrinária. Caracterizavam esses meios, antes de mais nada, a persuasão no trabalho de catequese de pagões ou reabsorção de cristãos transviados.

No Brasil, ao chegarem em meados do século XVI, iniciaram os jesuítas o trabalho de catequese dos índios, no qual deixaram, desde o primeiro momento, a marca da persuasão. Esse tipo de ação foi fundamental para o desenvolvimento cultural da colônia, em geral, e de sua realidade lingüística, em particular. A estratégia básica dos jesuítas, entre os quais estavam José de Anchieta, Manuel e Luís de Grã, foi a de aprender para, depois, ensinar.

3. A língua geral, tal como foi estabelecida por Anchieta, não existia concretamente quando aqui chegaram os jesuítas. Havia um grupo lingüístico, o dos tupinambás (mais conhecido como tupi), que era realizado, com toda a certeza, sob a forma de inúmeros falares. O estabelecimento dos jesuítas em um território tão grande como o assinalado acima, levou-os à consciência dessas inúmeras variantes da língua dos tupinambás, mesmo porque mudavam, freqüentemente, os padres de lugar de trabalho. A consciência dessa variedade levou, em particular Anchieta, à conscientização da existência de uma unidade. Realizando um trabalho que, no fundo, tem caráter metódico, observou a realidade, colheu dados, agrupou-os segundo suas semelhanças, descreveu-os segundo suas semelhanças, descreveu-os segundo uma visão de estrutura lingüística baseada essencialmente na teoria gramatical que vinha dos tempos dos gregos, classificou-os e, a partir do momento da observação, estabeleceu normas correspondentes. Estas normas assumidas, em conjunto, a forma de uma gramática, a gramática da língua mais falada na costa do Brasil.

Sucedeu, então, que seu trabalho foi aceito naturalmente por todos os padres da colônia e, após ser reproduzido em várias cópias manuscritas, voltou à comunidade lingüística de todo aquele imenso território como instrumento nivelador, já que passava a ser ensinado como padrão da língua indígena tanto a padres quanto aos índios e colonos em geral. É dessa situação que tem surgimento o tupi, tal como é hoje conhecido: língua geral, unificada, da realidade brasileira dos séculos XVI, XVII e XVIII.

A expressão tupi-guarani é totalmente desprovida de apoio na realidade de então, já que foi criada artificialmente, na década de 30 do século XX, por Plínio Ayrosa para designar a cadeira que criou em São Paulo para o estudo do tupi antigo . Faltando-lhe documentos históricos da antiga língua geral – eram em número insuficiente – buscou exemplificar muitos de seus fatos com material de uma língua aparentada, porém estruturalmente diversa, ou seja, o guarani. Para esta não faltavam documentos, desde o século XVI até os dias de hoje, quando é língua oficial no Paraguai. Na verdade, portanto, jamais existiu qualquer realidade concreta “tupi-guarani”.

5. Por ocasião de sua chegada ao Brasil, os jesuítas eram, em Portugal, os detentores do monopólio do ensino. Isso significa que sua chegada foi uma conseqüência natural de seu poder na época.

A atitude básica dos jesuítas foi a de aprender, primeiro, a realidade nativa, para, em seguida, apresentar os valores europeus e cristãos. Uma das conseqüências dessa política foi o bilingüismo que, durante três séculos, seria uma característica da realidade brasileira. De modo geral, preocupavam-se com os meninos índios e não com os adultos, nesse trabalho de ensino do português. É sabido que, na infância, a capacidade de expressão automática em duas línguas é muitas vezes mais desenvolvida que na fase adulta. Os colégios dos jesuítas foram feitos para os indiozinhos de cada região, e, neles, ensinava-se a ler, escrever e contar. Saindo de suas aulas, os pequenos voltavam para casa e continuavam a exprimir-se na língua de seus pais. Com o passar dos anos, a situação se cristalizava e, em conseqüência, já adultos, serviam os antigos estudantes de eficiente meio de atração em relação a outras populações indígenas ainda não atingidas culturalmente pelos portugueses. Esses milhares de intérpretes, formados a partir de 1550, foram usados, paulatinamente, pelos primeiros sertanistas, ou seja, aqueles que, nas entradas ou bandeiras, procuraram realizar a posse efetiva do território brasileiro. Um processo como esse não podia levar a nenhum falar de emergência, no Brasil, e, muito menos, à sua cristalização sob a forma de falares crioulos. Falavam-se o português e a língua geral, nada mais.

O português ensinado aos índios pelos jesuítas adquiriu, desde logo, caráter estável porque, percebendo que os adultos, atraídos para o ensino da língua, logo voltavam para suas tribos, esquecendo, em muitos casos, o aprendido, passaram a dedicar-se aos meninos indígenas. Essa atitude revela o desejo de realizar um trabalho contínuo de catequese, cujos instrumentos não podiam ser diversificados, ao longo dos anos, não somente por causa dos objetivos unificadores da mesma, mas também porque a disciplina de trabalho dos jesuítas era rígida. A conseqüência de tudo só poderia ser a disseminação, por parte dos padres e, naturalmente, de seus alunos, de um mesmo tipo de português durante muito tempo. Para tal resultado contribuía, fortemente, a prática de concentrarem seus esforços nos alunos mais inteligentes, para logo os utilizarem como professores de seu povo e intérpretes da doutrina e da política dos padres da Companhia.

Não era realmente importante a diversidade de origem dos colonos portugueses que ao Brasil chegavam, pois não somente eram muito inferiores, numericamente, à população dos índios e de seus descendentes caboclos, como também tendiam a ficar estabelecidos em suas propriedades do litoral. Quando surgiu a economia da criação do gado, foram os colonos lentamente penetrando no interior, acompanhados, porém, da instável população de índios semi-escravizados e dos mestiços. Esse conjunto de fatos caracteriza uma situação em que se destaca a difusão de uma língua realizada não pelos portugueses, mas por seus descendentes imediatos e pelos caboclos, os quais a tinham desenvolvido dentro de um contexto de forte bilingüismo. sob essa perspectiva, tornam-se inúteis as tentativas de ligar o português, no Brasil, a esta ou àquela região da metrópole lusitana, como a Galícia, a Beira, os Açores, etc. Importante para a identificação do caráter original do português, no Brasil, é a verificação do tipo de sistema da língua portuguesa ensinada pelos jesuítas à população nativa. Como uma ordem religiosa intelectualizada, a Companhia de Jesus assentava seu trabalho sobre valores que considerava permanentes. Em conseqüência, tendia ele a adquirir caráter conservador, despido daquelas inovações que se lhe afiguravam passageiras e sem aqueles detalhes que, para ela, tinham sido as causas imediatas das inovações.

No campo lingüístico, o resultado só poderia ser a valorização da língua dos antepassados de gerações recentes, mas não imediatamente anteriores. Isso significa que o português, disseminado pelos jesuítas no Brasil, foi o da segunda metade do século XV. A necessidade de manutenção do caráter unificador de seu trabalho fez com que esse português da segunda metade do século XV se mantivesse, no Brasil, durante todo o período em que os jesuítas puderam aqui viver e trabalhar. Até o século XVIII, portanto.

6. A observação das características dos falares brasileiros tem levado os estudioso, em inúmeras oportunidades, a atribuir as diferenças entre os mesmos à força da influência dos diversos grupos que tiveram contato com os portugueses.

Todas essas idéias têm sua base, umas com maior e outras com menor intensidade, não chegando, porém, à essência do fato de que o português do Brasil é fonética, morfológica, sintática e lexicamente diverso do português de Portugal […]

Na busca de caracterização do português do Brasil, é necessário, preliminarmente, levar sempre em conta as condições históricas de implantação e desenvolvimento do idioma lusitano em nosso território, para que se possa estabelecer com precisão sua individualidade.

Duas fases caracterizam, na realidade, a história do português no Brasil: o período que vai da chegada dos jesuítas, em 1549, até sua expulsão, em 1750, e o período que vem da chegada de Dom João VI, em 1808, até os dias de hoje. Entre os dois houve uma fase intermediária, a segunda metade do século XVIII, que criou as condições para a fixação das características básicas da primeira fase e implantação de algumas da segunda, menos importante e essencialmente política. Numa tentativa de síntese, pode-se dizer, preliminarmente, que a primeira fase delineou as características do português do Brasil de modo a poder ele ser fixado pela política do idioma da segunda.

Esse tipo de afirmação não pode servir de biombo para esconder a complexidade do português do Brasil, sujeito, na primeira fase, a diferentes e numerosos fatores de ordem social interna, em nível mais baixo, e, na segunda fase, a numerosos fatores de natureza social externa, de cima para baixo.

O português do Brasil, já no século XVI, começou a patentear fatores que, em maior ou menor grau, devem ser considerados como parâmetros para sua caracterização: a relação jesuíta-índio, a relação colono português-negro, a relação colono português-índio e a relação negro-índio.

7. As relações entre os jesuítas e os negros eram distantes e, por isso mesmo, incapazes de acarretar eventuais conseqüências lingüísticas.

O contexto político foi o principal condicionador das relações distantes entre jesuítas e negros, embora já fosse tradição entre as religiões admitir a escravidão dos africanos. Na verdade, os jesuítas, ardorosos defensores dos índios, chegaram até a propor a substituição da escravidão destes pela daqueles, tendo em vista, talvez, que « tocar no tráfico africano seria tocar nas rendas do rei, pois o monopólio do tráfico estava em mãos do soberano português…» .

Ao chegarem ao Brasil, portanto, os negros se situavam em um contexto inteiramente desfavorável. Depois de longas viagens, em que deitados acorrentados, o tempo todo, em tábuas de sessenta centímetros ou menos de largura, tinham sua resistência física e moral consideravelmente reduzida, a necessidade de adaptação à nova situação era, para eles, quase obrigatória. Essa disponibilidade ao jugo tenderia a se estender, na maior parte da população negra, a todas as esferas, mesmo à lingüística. Na verdade, são isolados os casos de certa manutenção de uma herança lingüística africana na população negra do Brasil.

Com os jesuítas, não aprenderam os negros a religião cristã. Com os seus senhores, aprenderam-na, adaptando-a à sua própria herança religiosa.
Em conseqüência, pôde ser preservada, na essência, a cultura religiosa negra. A do índio, não, porque, diretamente ligado aos jesuítas, em um contexto de relativa liberdade, podia ser dirigido para a religião cristã pela simples persuasão.

Tendo o negro de aceitar a escravidão, até mesmo por ser, no Brasil, um estrangeiro, na visão indígena, tal como o português, precisava aprender logo a língua de seu senhor. Este, voltado exclusivamente para o seu objetivo de obter rendimentos rápidos em sua atividade colonizadora, começava por distinguir seu escravo africano de duas maneiras: como negro ladino e como negro boçal. Negro ladino era o que, de uma maneira ou de outra, sabia se exprimir na língua de seu senhor, tendo, portanto, capacidade de obedecer com eficiência às ordens. Negro boçal era o que não sabia falar português. Para aquele, tolerância; para este, maus tratos. em conseqüência, aprender logo a língua, da melhor maneira possível, era necessidade imperiosa por parte do escravo africano. Ainda como resultado dessa situação, pôde ele falar um português muito mais adaptado ao sistema da língua do seu senhor do que o podia ou o queria fazer o indígena.

Em outras regiões do Brasil, particularmente de São Paulo para o sul, o relacionamento entre portugueses e índios teve como resultado o surgimento de desbravadores, os paulistas, que se destacavam por sua dureza no tratamento com os nativos. Como não havia, praticamente, a opção da escravidão negra, tiveram os colonos portugueses e seus descendentes de lutar continuamente para escravizar o índio. Disso surgiu uma atividade econômica que consistia no aprisionamento de índios para venda como escravos. Os bandeirantes foram o produto mais destacado da escravização dos índios e, devido às circunstâncias em que viviam, precisavam aprender sua língua para melhor alcançarem seus objetivos. Faziam isso dentro de um contexto de contato lingüístico, não de interação, o que configura uma diferença fundamental entre a situação do idioma português na Bahia e nordeste e as condições de sua existência em São Paulo.

As relações lingüísticas entre colonos portugueses e negros faziam-se segunda uma pressão dos primeiros sobre os segundos. Não tinham os portugueses nenhuma atitude deliberada no sentido de compreender o sistema lingüístico dos escravos. Simplesmente, na maneira de os tratar, criavam uma expectativa de aprendizado, por parte de seus escravos, do idioma português. Em conseqüência, não chegava a existir, em termos duradouros, um falar de emergência, do tipo pidgin, por parte dos escravos. Os primeiros, naturalmente, depois de sua chegada, permaneciam, por longos anos, a falar um português deturpado devido ao fato de chegarem já adultos ao Brasil. Isso, porém, não tinha significado dentro da problemática do contato lingüístico porque se limitava ao caráter individual do relacionamento. Ao lado de seu próprio esforço no sentido de falar e entender a língua do senhor, havia a situação especifica dos que nasciam na senzala ou que chegavam ao Brasil muito jovens, com todas as condições de falarem o mesmo português do senhor.

As simplificações que freqüentemente são apontadas como resultantes da interferência dos idiomas negros no português falado, devem ser assinaladas às possibilidades mesmas desse português. A isso se deve acrescentar o fato de que, no conjunto, não era empregado pelos colonos e seus descendentes nenhuma variedade culta do português lusitano.

A influência do negro, como não poderia deixar de ser, se fazia no plano do relacionamento de culturas. Em conseqüência, somente o léxico pode ser considerado como um campo receptor de contribuições lingüísticas de origem africana.

O português falado pelos colonos era de sabor arcaizante, devido ao fato de que, em geral, eram eles pessoas de poucas letras ou nenhuma. Como a língua portuguesa de então, em Portugal, no contexto rural, denunciava uma origem setentrional, não é de se admirar que muitos dos fatos articulatórios apontados como deturpações espontâneas por parte dos escravos, nada mais seriam do que formas populares de origem rural lusitana.

É preciso notar, igualmente, que no século XVI, segundo depoimentos insuspeitos de gramáticos da época, tinha a língua portuguesa um ritmo muito mais lento que a do século XVIII em diante. Ritmo lento significa sílaba tônica menos forte, sílabas átonas mais nítidas e maior emprego da duração. Em conseqüência, havia melhor distribuição do acento de intensidade pelas sílabas. Como resultado secundário dessa situação, deve-se assinalar a tendência à valorização da abertura das vogais e das sílabas. Dentro desse contexto, o ritmo da língua portuguesa de então é capaz de explicar traços da língua popular como a queda do /r/, que fecha sílabas finais, ou do /s/ e do /l/, na mesma situação. É ilusório querer imaginar uma língua portuguesa, nos séculos XVI e XVII, com aparência de língua culta, no sentido de língua menos distanciada do código escrito.

10. A língua dos negros, no caso brasileiro, foi veículo de alterações circunstanciais ou superficiais. Não é difícil entender isso. Uma parte dos negros que chegavam ao Brasil era já conhecedora operacional do português. A literatura colonial, de ficção e de não ficção, é pródiga na referência a negros ladinos e boçais. Os primeiros eram os que já se exprimiam de alguma forma em português antes de chegarem ao Brasil ou que, logo ao chegarem, eram capazes de se entender numa língua de emergência. Os boçais só se exprimiam em sua língua. Na Bahia, era o nagô ou o ioruba. Isso é importante porque muitos que chegavam traziam, eles mesmos, um instrumento lingüístico de emergência, um pidgin, que não chegou a se tornar um falar crioulizante pois, em nosso entender, teve vida curta por causa do tipo de interação social que seus usuários foram levados a ter com os portugueses.[…]

O português do Brasil deve ser avaliado dentro de uma perspectiva cultural e lingüística, ao mesmo tempo. Sob a perspectiva cultural, deve ser considerado como um dos produtos do contexto social que se foi delineado nos séculos XVI e XVII, atingiu o máximo de definição no século XVIII e caminhou para uma estratificação nos séculos XIX e XX.[…]

A influência africana no português do Brasil teria, assim, caráter restrito, exercendo-se, em face do relacionamento senhor/escravo, exclusivamente no campo lexical.

A influência do índio seria mais ampla, caracterizando-se por uma caminhada forte da língua geral em direção ao português estabilizado, internamente, dos colonos e uma caminhada pequena deste em relação à língua geral. Esta dupla caminhada configuraria uma convergência entre tendências, do lado dos portugueses, e de hábitos articulatórios negativos, do lado dos índios. O resultado seria precipitação de algumas daquelas, quando intensificadas por estes. Das tendências precipitadas, as mais fortes se situaram no plano prosódico. A tendência do português estabilizado do colono era no sentido de realizar os enunciados de maneira mais descansada, isto é, com menor distinção entre sílabas tônicas e átonas. A tendência da língua geral era a de articular com nitidez os sintagmas normais de sua realidade estrutural, como língua de caráter aglutinante que era. Isso levava à formação de termos ou enunciados mais simples, em que os componentes se distinguiam mais se comparados aos componentes dos enunciados dos colonos. Dentro do contexto de mobilidade social, assinalado atrás, entende-se o de povoamento. Em conseqüência, a prosódia da população correspondente estendeu-se por toda a região. Os fatos do plano segmental, ou seja, a articulação de fonemas e alofones, não tem valor como causas da individualização do português da região, mas apenas como conseqüências da mesma.

No contexto de contato social, mantido, durante o período colonial, na região ao sul de Minas Gerais, a relação branco/índio foi a que se realizou. Como não se estabilizou nos moldes da situação econômica do norte, manteve sempre a característica de primeiro contato, o que configurou, no falar caipira – que é o da região ao sul de Minas Gerais, até o Paraná – um plano prosódico não muito diferente, mas um plano segmental que se ressente da não estabilização de certos hábitos articulatórios. Em conseqüência, o falar caipira reflete muito mais o traço inicial da imitação, na caminhada da língua geral em direção ao português, sem a contrapartida de uma pequena caminhada deste em relação a ela, não havendo, assim, a convergência que se realizou no norte.

No século XVIII, a região do Estado de Minas Gerais foi desbravada. Convergiam para ela as populações dos dois contextos sociais, a do norte e a do sul. O resultado foi um falar de transição, que, hoje, se apresenta estabilizado como tal.

Na região do Rio de Janeiro, até o século XVIII caracterizada pela influência no contexto social do sul, ocorreu o fato novo e inesperado do povoamento maciço por parte de portugueses que, em inícios do século XIX, falavam uma língua prosodicamente diversa da dos antigos colonos que vieram ao Brasil. Surgiu, em conseqüência, um falar fluminense, do qual o carioca é expressão típica. Nestes 150 anos, estendeu-se o falar fluminense até o Espírito Santo.

Na região sul, o falar caipira entrou em processo de divisão devido ao forte movimento imigratório iniciado no século XIX. Permaneceu, de um lado, o antigo falar caipira e espalhou-se pelos núcleos urbanos e respectivas regiões de influência uma variedade dele, surgida naturalmente mas definida pela lenta incorporação de hábitos articulatórios de estrangeiros, principalmente italianos. No extremo sul, o contato fronteiriço com os países de língua espanhola alterou ainda mais o falar caipira modificado, ou, como é mais conhecido, o falar paulista, que, paralelamente, se estendera aos Estados do centro-oeste do Brasil, Goiás e Mato Grosso.

[Texto resumido e adaptado]
Leia o texto completo:
http://www.geocities.com/Athens/Crete/7424/fundisto.html

Anúncios

2 Respostas

  1. esta resposta e otima

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: