A LÍNGUA BRASILEIRA

Eni P. Orlandi

A questão da língua que se fala, a necessidade de nomeá-la, é uma questão necessária e que se coloca impreterivelmente aos sujeitos de uma dada sociedade de uma dada nação. Porque a questão da língua que se fala toca os sujeitos em sua autonomia, em sua identidade, em sua autodeterminação. E assim é com a língua que falamos: falamos a língua portuguesa ou a língua brasileira?¹

Esta é uma questão que se coloca desde os princípios da colonização no Brasil, mas que adquire uma força e um sentido especiais ao longo do século XIX. Durante todo o tempo, naquele período, o imaginário da língua oscilou entre a autonomia e o legado de Portugal.

De um lado, o Visconde de Pedra Branca, Varnhagen, Paranhos da Silva e os românticos como Gonçalves Dias, José de Alencar alinhavam-se entre os que defendiam nossa autonomia propugnando por uma língua nossa, a língua brasileira. De outro, os gramáticos e eruditos consideravam que só podíamos falar uma língua, a língua portuguesa, sendo o resto apenas brasileirismos, tupinismos, escolhos ao lado da língua verdadeira. Temos assim, em termos de uma língua imaginária, uma língua padrão, apagando-se, silenciando-se o que era mais nosso e que não seguia os padrões: nossa língua brasileira. Assim nos contam B. S. Mariani e T. C. de Souza (Organon 21, Questões de Lusofonia) que, em 1823, por ocasião da Assembléia Constituinte, tínhamos pelo menos três formações discursivas: a dos que propugnavam por uma língua brasileira, a dos que se alinhavam do lado de uma língua (padrão) portuguesa e a formação discursiva jurídica, que, professando a lei, decidia pela língua legitimada, a língua portuguesa. Embora no início do século XIX muito se tenha falado da língua brasileira, como a Constituição não foi votada, mas outorgada por D. Pedro, em 1823, decidiu-se que a língua que falamos é a língua portuguesa. E os efeitos desse jogo político, que nos acompanha desde a aurora do Brasil, nos faz oscilar sempre entre uma língua outorgada, legado de Portugal, intocável, e uma língua nossa, que falamos em nosso dia-a-dia, a língua brasileira. É assim que distingo entre língua fluida (o brasileiro) e a língua imaginária (o português), cuja tensão não pára de produzir os seus efeitos.

Assim é que, em 1826, o projeto apresentado ao parlamento brasileiro pelo deputado José Clemente propõe que os diplomas dos médicos seja redigido em “linguagem brasileira”. Em 1827 temos a aprovação de lei que estabelece que os professores deveriam ensinar a gramática da língua nacional. Nem português, nem brasileiro, estrategicamente, nomeamos de língua nacional. Em 1870, procurando argumentar sobre a língua que falamos, temos a polêmica entre o romancista brasileiro José de Alencar e o português Pinheiro Chagas, um falando de nossas diferenças e autonomia, o outro, sobre o legado que recebemos de Portugal, a língua portuguesa. Essas referências podem ser encontradas em um quadro apresentado no início do livro História da semântica (2004) de Eduardo Guimarães, entre outros. Já no século XX, na década de 1930 há uma discussão na Câmara do Distrito Federal sobre o nome da língua do Brasil: língua portuguesa ou brasileira? Novamente se decide pelo indefinido: falamos a língua nacional. Sobre essa discussão pode-se consultar o livro (tese) de Luis Francisco Dias (1996), que conclui que, na perspectiva daqueles que se posicionaram contrários aos projetos de mudança do nome da língua falada no Brasil, o nome língua brasileira é percebido como algo que viria desestabilizar um eixo social que tem nos percursos da escrita, sob os auspícios da língua portuguesa, o seu suporte, a sua referência, e, na perspectiva daqueles que defendem os projetos de mudança do nome de nosso idioma, língua brasileira tem a sua referência constituída a partir de uma imagem romântica do país, imagem fundada no positivismo e no ufanismo que, ao longo da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX marcaram nossa história. Finalmente, assim como D. Pedro outorgou uma Constituição em 1823, também em 1946, a comissão encarregada pelo governo brasileiro, em atendimento ao estabelecido pela Constituição de 1946, decide que o nome da língua falada no Brasil é língua portuguesa ².

Esta questão, no entanto, não deixa de nos importunar, e há sempre alguma razão, um pretexto, ou alguém que a levanta em momentos diferentes de nossa história. Isso quer dizer que até hoje não decidimos se falamos português ou brasileiro. Embora a cultura escolar se queira, muitas vezes, esclarecedora em sua racionalidade e moderna em sua abertura, acaba sempre se curvando à legitimidade da língua portuguesa que herdamos e, segundo dizem, adaptamos às nossas conveniências, mas que permanece em sua forma dominante inalterada, intocada: a língua portuguesa. E quem não a fala, ainda que esteja no Brasil, que seja brasileiro, erra, é um mal falante, um marginal da língua.

É, pois, impressionante como a ideologia da língua pura, a verdadeira, faz manter o imaginário da língua portuguesa.

A QUESTÃO DE FATO No entanto, podemos ver isto mais de perto e tomamos como medida a língua que falamos em seu aspecto histórico, social, cultural.

Desde o princípio da colonização, instala-se um acontecimento lingüístico de grande importância no Brasil: o que constitui a língua brasileira.

Ao mesmo tempo em que aqui desembarca, a língua portuguesa, ao deslocar-se de Portugal para o país nascente – o Brasil – institui um movimento de memória, deslizamentos lingüísticos por meio dos quais uma outra língua – a brasileira – faz-se presente.

O novo espaço de comunicação resiste com sua materialidade à língua que chega com os portugueses em sua memória já falada, já dita. Desdobram-se, transmudam-se os modos de dizer. A relação palavra/coisa faz ruído, relação não coincidente entre si e nem perfeitamente ajustada. Outras formas vão estabelecer-se fazendo intervir, e ao mesmo tempo constituindo, a memória local.

Retomo aqui os movimentos da enunciação que já tive a oportunidade de expor (1998): em um primeiro momento – situação enunciativa I – a partir de sua memória, o colonizador português reconhece as coisas, os seres, os acontecimentos e os nomeia. Mas ele o faz, transportando elementos de sua memória lingüística. Há um investimento na relação palavra/coisa, a questão incidindo sobre o referente: na presença de um nome, estamos diante da mesma coisa (a do Brasil e a de Portugal)? Como estamos no Brasil, há um deslocamento (transporte) que força contornos enunciativos diferenciados. Essa diferença se torna cada vez mais uma diferença de línguas (relação palavra/palavra, e não da palavra com a coisa). Daí resulta todo um trabalho sobre a língua, de classificação, organização, definições em listas de palavras, dicionários. O português, assim transportado, acaba por estabelecer em seu próprio sítio de enunciação outra relação palavra/coisa, cuja ambivalência pode ser lida nas remissões: no Brasil, em Portugal. Tem início, então, a produção de um espaço de interpretação com deslizamentos, efeitos metafóricos que historicizam a língua. Produzem-se transferências, deslizamentos de memória, metáforas, pois estamos diante de materialidades discursivas que produzem efeitos de sentidos diferentes. Configura-se uma nova situação enunciativa – situação enunciativa II. As palavras, estas, já recobrem outra realidade.

A língua praticada nesse outro regime enunciativo realiza, deste lado do Atlântico, a relação unidade/variedade: a unidade já não refere o português do Brasil ao de Portugal, mas à unidade e às variedades existentes no Brasil. E a unidade do português do Brasil, referido a seu funcionamento historicamente determinado, é marca de sua singularidade. Há um giro no regime de universalidade da língua portuguesa que passa a ter sua própria referência no Brasil. A variação não tem como referência Portugal, mas a diversidade concreta produzida no Brasil, na convivência de povos de línguas diferentes (línguas indígenas, africanas, de imigração etc).

Nessa perspectiva, então, falamos decididamente a língua brasileira, pois é isto que atesta a materialidade lingüístico-histórica. Se, empiricamente, podemos dizer que as diferenças são algumas, de sotaque, de contornos sintáticos, de uma lista lexical, no entanto, do ponto de vista discursivo, no modo como a língua se historiciza, as diferenças são incomensuráveis: falamos diferente, produzimos diferentes discursividades.

HETEROGENEIDADE LINGÜÍSTICA J. Authier (1987) estabelece o conceito de heterogeneidade enunciativa para descrever o fato de linguagem que consiste em que todo dizer tem necessariamente em si a presença do outro. Aproveito o impulso desse conceito, embora ele ganhe em nosso uso outras determinações, para falar em heterogeneidade lingüística toda vez que, no campo dos países colonizados, temos línguas como o português, ou o espanhol, na América Latina, que funcionam em uma identidade que chamaria dupla. Estamos diante de línguas que são consideradas as mesmas – as que se falam na América Latina e na Europa – porém que se marcam por se historicizarem de maneiras totalmente distintas em suas relações com a história de formação dos países. É o caso do português do Brasil e o de Portugal. Falamos a “mesma” língua, mas falamos diferente. Consideramos, pois, a heterogeneidade lingüística no sentido de que joga em nossa língua um fundo falso em que o “mesmo” abriga, no entanto, um “outro”, um diferente histórico que o constitui ainda que na aparência do “mesmo”: o português brasileiro e o português português se recobrem como se fossem a mesma língua mas não são. Produzem discursos distintos, significam diferentemente. Discursivamente é possível se vislumbrar esse jogo, pelo qual no mesmo lugar há uma presença dupla, de pelo menos dois discursos distintos, efeitos de uma clivagem de duas histórias na relação com a língua portuguesa: a de Portugal e a do Brasil. Ao falarmos o português, nós, brasileiros, estamos sempre nesse ponto de disjunção obrigada: nossa língua significa em uma filiação de memória heterogênea. Essas línguas, o português e o brasileiro, filiam-se a discursividades distintas. O efeito de homogeneidade é o efeito produzido pela história da colonização.

Quando, mais acima, falei da disjunção obrigada referia-me a uma certa indistinção, mas também à polissemia. Há uma composição de sentidos em nossa memória lingüística que funcionam, simultaneamente, em movimentos simbólicos distintos, quando falamos a língua brasileira. Isto significa que há uma marca de distinção na materialidade histórica desses sistemas simbólicos que carrega a língua brasileira dessa composição de sentidos. Eis a duplicidade, a heterogeneidade, a polissemia no próprio exercício da língua: o português e o brasileiro não têm o mesmo sentido. São línguas materialmente diferentes.

Dados esse fatos, a história da identidade da língua nacional se alongará por meio de acontecimentos múltiplos, como acordos, fundação de academias, regulamentos escolares, constituintes e outros. É essa história que começamos a conhecer, e este artigo é apenas um pequeno passo em direção a esta forma de conhecimento que é também uma tomada de posição face ao conhecimento da língua e da constituição da língua nacional no Brasil. Considerações acerca da língua materna, do idioma pátrio, da língua nacional são outras tantas que nos levam a novas reflexões igualmente esclarecedoras a respeito da língua nacional que falamos no Brasil e do modo como a nomeamos.


Eni P. Orlandi é professora titular de análise de discurso do Departamento de Lingüística do Instituto de Estudos da Linguagem(IEL); coordenadora do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb) da Unicamp; e pesquisadora 1A do CNPq.

Leia o texto original:
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252005000200016&script=sci_arttext

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87 Respostas

  1. Continuação desse post:
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/01/ensinar-portugues-ou-estudar-o-brasileiro/#comment-407

    Especialista contesta que nossa língua é a portuguesa.

    Sabe aquela história de que falamos português? Pois bem, segundo o lingüista Nicolau Leite, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e mais conhecido pelo seu pseudônimo literário, Nic Tupan’an, aquilo não passa de nhenhenhém. Como nossa língua pode ser portuguesa se ela é formada por 30 000 vocábulos indígenas e mais de 3 000 palavras trazidas pelos escravos africanos do tronco banto?, diz. Nhenhenhém, por exemplo, é uma palavra do nheengatu-tupi, a língua falada no Brasil até o século XVIII, quando Portugal proibiu sua utilização. Nheem designa o ato de falar, nhenhenhém é falatório inútil, sem sentido. Tupan’an, que quer dizer alma de trovão, acha que nosso idioma é mesmo o brasileiro e que é absurdo tentar unificar as línguas com normatizações. O português, no fundo, foi só a casa de fundação da nossa língua, que recebeu e continua recebendo influências de todos os lados, afirma.

    Palavras do nheengatu-tupi, a língua geral que se falava no Brasil

    Catingar:
    Exalar mau cheiro. Caá é mato e ting, virgem. Caatinga é mata virgem. O verbo catingar surgiu porque as pessoas, quando entram nessas matas típicas do sertão nordestino (que já são malcheirosas), voltam suadas, cheirando mal. Não há nesses locais rios para tomar banho.

    Capinar:
    Devastar, cortar o mato. Vem da soma das palavras caá (mato) e pin (cortar). A palavra capim também tem sua origem aí e significava erva-daninha, ou mato que tem que ser cortado.

    Niterói:
    O nome dessa cidade tem sua origem da união entre inti (sem) e roi (frio) e significa lugar quente.

    Catapora:
    Tatá é fogo, pora é interno. Catapora, portanto, quer dizer fogo interno. Ou febre intensa, um dos sintomas da doença.

    brasiliano.wordpress.com/2008/04/19/lingua-do-brasil/

  2. – Destaco –

    “na perspectiva daqueles que se posicionaram contrários aos projetos de mudança do nome da língua falada no Brasil, o nome língua brasileira é percebido como algo que viria desestabilizar um eixo social que tem nos percursos da escrita, sob os auspícios da língua portuguesa, o seu suporte, a sua referência”

    Este argumento dos que se posicionaram contra a mudança do nome da língua brasileira mostra um crônico e entranhado complexo de colonizado. A metrópole é tomada como referência por ser o local civilizado e ordenado. O Brasil é descartado como referência por ser considerado desestabilizador, selvagem e caótico. Notaram?

  3. O mais deprimente é que ainda existem estes chimpanzés que repetem a mesmíssima desculpa para deixar tudo como está. Haja viralatismo. Nem Nelson Rodrigues explica.

  4. O que mais me chamou a atenção no texto é como começa a assimilação do português já nos primeiros contatos com o nativo. À medida que os portugueses não conseguem transportar sua memória lingüística para o contexto brasileiro inicia-se o processo de abrasileiramento da língua, pois o colonizador não encontra paralelos entre o que ele conhece e o que descobre nesta terra. A referência deixa de ser Portugal e passa a ser o Brasil.

  5. Schmidt, essa parte aí também me despertou o interesse, só que meu comentário de como o português ganhou contornos brasileiros ficou na outra página. Fazendo o traslado:

    em um primeiro momento […] a partir de sua memória, o colonizador português reconhece as coisas, os seres, os acontecimentos e os nomeia.[…] Como estamos no Brasil, há um deslocamento (transporte) que força contornos enunciativos diferenciados. Essa diferença se torna cada vez mais uma diferença de línguas.

  6. Viram que comentário mais chique?! Não se desesperem, vou ensinar:

    Coloquem o texto que querem destacar entre <blockquote> </blockquote>

  7. André, vou explorar mais um pouco a sua idéia de assimilação. É que lendo eu lembrei da entrevista de um antropólogo (não me pergunte qual – foi no Jô) que traçava as semelhanças e diferenças na formação da sociedade brasileira e norte-americana.

    O antropólogo explicou que nos Estados Unidos eles são multiculturalistas. Recebem os imigrantes, dão as condições necessárias para que eles vivam bem e para que a cultura estrangeira seja respeitada, mas NÃO se misturam.

    No Brasil somos assimilassionistas. É basicamente a teoria antropofágica. O Brasil come as outras culturas e se transforma em uma coisa maior e mais rica. Ao se apoderar dessas culturas, os “de fora” deixam de ser estrangeiros e se integram ao todo, à massa Brasil.

    E me inspirando nas idéias do mestre Darcy Ribeiro, ao contrário do que as pessoas possam imaginar, de que não temos uma identidade por sermos uma salada, isso não acontece porque não existe no mundo um país igual ao Brasil. Conseguimos assimilar e criar uma identidade nova e totalmente original.

    São bem legas essas diferenças.

    Uma pequena fuga do tema principal, mas é que é tão interessante este assunto.

    Aqui as pessoas não conseguem se sentir estrangeiras, porque o Brasil as absorve. Daí a nossa dificuldade em entender países multiculturalistas. Pra nós é irreal como a quarta ou quinta geração de imigrantes nascidos em um determinado país ainda se sintam estrangeiros, não pertencentes à nação.

  8. Paulo, adorei a novidade.

  9. ▲▲▲
    Na minha escola tem um monte de intercambistas. Uma vez eu e uma amiga americana fomos convidadas pra um almoço na casa de outra colega que é descendente de japoneses. Depois que a gente chegou lá e almoçamos, minha amiga americana comentou que ela tinha achado muito esquisito os “japoneses” comerem a mesma comida dos brasileiros, porque lá nos EUA chinês come comida chinesa, indiano come a comida indiana, mexicano a mexicana e assim por diante, eles não comem feito os americanos. A gente achou super estranho.

  10. Ju,
    conheci um médico dinamarquês nos states que tinha trabalhado no Brasil e ele falou que os únicos lugares em que se sentia em casa era na Dinamarca e no Brasil. 😉

    Esse negócio de assimilação faz sentido. Gostei.

  11. Perguntinha maneira do yahoo:

    Como se diz “eu te amo” em brasiliano?

    E eu respondi:

    Brasiliano: Te amo
    italiano: Ti amo
    Espanhol: Te amo
    Purt’gu’es; Amo-te (???)

    Mais:

    Brasiliano: trem
    Espanhol: tren
    Italiano: treno
    Francês: train
    Purt’gu’es: comboio (E dizem que falamos este troço)

    Brasiliano: Eu estou cantando
    Espanhol: Yo estoy cantando
    Italiano: Io sto cantando
    Purt’gu’es: Eu estou a cantar (tem alguma lógica?)

    ponto.altervista.org/pontovista/art9.html

  12. ▲▲▲
    Eu sei uma boa.

    Brasiliano: ônibus
    Latim: omnibus (para todos, coletivo)
    Inglês: bus
    português: Autocarro ❓

    ÔNIBUS
    (Márcio Cotrim)

    Ônibus tem como origem o termo omnibus, que em latim significa “para todos”. No Latim, é o caso dativo de omnis, tudo, todo (daí onisciente, o que sabe tudo, onipotente, o que pode tudo, onipresente, presente em todo lugar). Como se sabe, é simplesmente o veículo que transporta muitos passageiros.

  13. E tem outra coisa que queria dizer e sempre esqueço.

    Nos livros de Eça de Queiroz que li, ele usa “suco” que nem os brasileiros e não “sumo” como os portugueses. É intrigante.

    Suco também é uma palavra que tem origem no latim – sucus

  14. Bruna, vc também me fez lembrar (nem imagino o porquê) de outra história que não tem absolutamente nada a ver com o que estamos falando, mas pra não deixar passar…

    Em uma certa ocasião, não me lembro por qual motivo, eu usei a palavra judiar e a pessoa que estava comigo era judia, ela me olhou de um jeito e falou que essa palavra denota profundo preconceito aos judeus. Nunca mais usei este verbo.

    Lembrado agora da história fui ao dicionário ver qual era o significado, e uma das acepções de judiar é: judaizar (‘adotar práticas judaicas’)

    Eu me espantei com o sentido preconceituoso e forte desta palavra. Ainda bem que a aboli.

    Completo:

    Judiar
    Datação
    sXV cf. FichIVPM

    Acepções
    ■ verbo
    intransitivo
    1 m.q. judaizar (‘adotar práticas judaicas’)
    transitivo indireto
    2 (1789)
    tratar com escárnio; zombar
    Ex.: j. com a infelicidade alheia
    transitivo indireto
    3 (1881)
    tratar mal, física ou moralmente; atormentar, maltratar
    Ex.: “tem uma alma perversa, judia dos animais” “judiava dele provocando-lhe ciúmes”

  15. Puxa, nunca correlacionei aos judeus e jamais tinha reparado no preconceito contido na palavra judiar.

    A do ônibus eu já conhecia, mas não sabia do tal “sumo” usado pelos portugueses. 😉

    Ju,
    Te avisando. Neste post transcrevi um comentário seu.
    brasiliano.wordpress.com/2008/09/29/perolas-preconceito-portugues/

  16. Sobre assimilação e antropofagia, coloco um episódio sinistro e bárbaro da história do Brasil.

    Em 16 de junho de 1556, os caetés devoraram o primeiro bispo do Brasil, dom Pedro Fernandes de Sardinha, e 90 tripulantes que naufragaram com ele na região.

    Em consequência da ação contra o bispo, os indígenas foram extintos em cinco anos de batalhas determinadas pelo governo português e apoiadas pela igreja. Historiadores definem como “guerra santa” as investidas contra os índios.

    Com o massacre, as terras dos nativos, descritos como canibais, guerreiros e fortes, passaram para as mãos dos estrangeiros.
    Dois séculos depois da morte do bispo Sardinha, 3.000 hectares foram doados à igreja pelo capitão Pedro Leite Sampaio, em nome de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira de Coruripe.

    Foi nesse momento que se formou o centro urbano de Coruripe, e fazendas de cana-de-açúcar foram instaladas. Tanto nos terrenos urbanos quanto nos sítios, aos quais a igreja ainda mantém a propriedade, seus ocupantes pagam taxas legais à diocese.

    folha.uol.com.br/fol/brasil500/report_1.htm

    Sem comentários…

  17. O grande erro do Brasil foi não ter expulsado os portugueses do mesmo jeito que os americanos botaram os ingleses pra correr. Vê se algum americano sofre da síndrome atávica de colonizado que os brasileiros padecem?

    É o cúmulo do absurdo dizer que brasileiros falam português.

    Mal conseguimos compreender o que um português diz. O vocabulário é diferente, as referências são diferentes, o falar, a cultura, o povo a natureza, as religiões, TUDO é diferente.

    É tão estúpido.
    Assim como é estúpido dizer que o Brasil foi descoberto por Cabral. Todos sabem que a América, do Alasca à Patagônia, foi descoberta por Colombo, aliás, todos os países do continente (EUA, Canadá, Argentina) dão os créditos a ele. Apenas os babacas colonizados creditam a Cabral.

    E agora esse acordo ortográfico…
    Estão debochando de nossa inteligência.

  18. Isso mesmo! É urgente a independência da Língua Brasileira!

    Só de imaginar que nosso idioma pode ser confundido com aquele atentado fonético, me dá calafrios. Português Luso, a língua mais horrorosa e detestável do planeta.

    Quanto menos português o Brasil é, mais ricos e desenvolvidos somos.

  19. A PÉROLA DE UM PORTUGUÊS QUE ACHEI:

    O Portugês tem de evoluir sim, mas nunca importado, tem de evoluir de dentro pra fora como já foi dito aqui. De importações foleiras já estão as lojas dos chineses cheias!!!

    […] Além disso seria bom mudarem o nome da “vossa” língua, assim acabavam-se as confusões, porque Português é de quem o fala correctamente, ou seja em Portugal, o resto são adaptações (Português-Brasil, etc). Voces sofrem de stress pós-traumático devido ao passado de colónia. Sentem necessidade de ser uma unidade, de ter peso na história, de ter uma língua propria, ahh pois é, como já dizimaram a população indigena que era portadora da vossa verdadeira identidade e língua, agora querem usurpar, destruir, indexar, sabotar, alterar a vosso gosto, aplicar a lei do uso capião, cuspir em cima e rir da nossa língua. Pois deixe que lhe diga eu jamais permitirei que esta vossa vingança tenha lugar, antes de tentarem dominar o mundo, têm de ter a casa arrumada, se é que me entende. As empresas que vos estão a sugar o petroleo e a madeira da amazónia mais dia menos dia virar-vos-ão as costas e o que restará é um país que se encaixava perfeitamente em áfrica, corrupto e ingovernável. Caiam na real seus favelados terceiro-mundistas, Portugal é um país europeu com 945 anos de história, nem com 200 milhões de habitantes estarão nos nossos calcanhares!!!

    fragmentosculturais.wordpress.com/2008/04/12/somos-assumidamente-contra-o-acordo-ortografico/

    Sou favelada com muito orgulho e com muito amor!
    E eu não anseio que o Brasil seja o Portugal das américas, antes o contrário.

  20. Viram a nova cidade?
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/30/gramado/

    Gramado é liiiiiiiinnnnda.

  21. Paty, eu tbm sou favelada e terceiro mundista com muito orgulho! Prefiro um Brasil a mil portugais -lugar de gente feia. Ainda bem que milhões de imigrantes povoaram este país, já pensou, além de favelados ainda por cima fôssemos feios como os portugas? Ninguém merece! Já nos basta o baita azar do Brasil ter topado com eles na história.

  22. Pois é caro Deda quando não se sabe mais, inventa-se assim uma historia bém simples.
    Deda voce diga-me como se chama o estreito bem no fundo da américa do sul que liga o atlântico sul ao pacifico,diga-me também quem pôs o nome á patagónia e porquê? assim como, á terra do fogo!!!!?, já agora procure saber o nome cientifico dos pinguins!!!!!?,aproveitando a onda, procure também saber quem baptizou o oceano pacifíco com esse nome e porquê ???.
    Já agora pelo seu “belo” comentário vejo que nunca pôs os pés no Chile, mas se algum dia lá fôr , e se fôr bem ao sul, á patagónia chilena, diga-me também que nome tém a universidade de Punta Arenas? e já agora como se intitulam orgulhosamente os habitantes do sul do Chile!!!!,Já agora aproveite e veja uma grande estátua em bronze na praça central de Punta Arenas, terá lá escrito o nome de Colombo? descubra amigo !!!!.
    Se algum dia lá fôr ao sul do Chile, viagem que lhe recomendo, visto que até nem está assim tão longe”relactivamente” de Santiago á terra patagónia chilena são maís ou menos 3000km!!!!, pergunte a um chileno culto qual o primeiro ocidental a pisar terras chilenas e a sua nacionalidade !!!!

    abraços !!!!

  23. Malu e suas observações…. 😉

    Fiz um comentário no post de Gramado, a cidade é bonita.

    Eu só não vou muito com a cara desses portais existentes em várias cidades brasileiras (o da 1ª e da 21ª foto)

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/30/gramado/

    Acho de um gosto eufemisticamente duvidoso. Mas a maioria dos brasileiros amam, vai entender…

  24. O grande erro do Brasil foi não ter expulsado os portugueses do mesmo jeito que os americanos botaram os ingleses pra correr.

    São águas passadas, mas, em todo caso, penso que seria impossível que a “guerra” americana se repetisse no Brasil pelo fato de que a colonização deles ter sido muito diferente da nossa.

    Os colonos que foram para a América tinham a intenção de ficar e construir uma nação, (tirando as particularidades do sul), eles não pensavam em voltar para europa. E assim fundaram escolas e instituições sólidas, bases de um país.

    No caso do Brasil os colonos tinham uma visão prática e objetiva: explorar ao máximo, enriquecer e voltar pra Portugal. Nunca existiu um sentimento nacional. O Brasil era visto como meio passageiro de ganhar dinheiro rapidamente e para ser explorado de forma ilimitada; tanto que nunca se preocuparam em construir escolas e instituições. Essa visão só muda quando a corte portuguesa é transferida para o Brasil.

    É aquele negócio de colônia de povoamento e exploração. Infelizmente o Brasil não teve sorte, e, como não poderia ser diferente, ainda conservamos algumas das mazelas herdadas daquela época: pobreza, violência, má distribuição de renda e uma péssima educação de base. Tanto é assim que as regiões que pouco tiveram esse tipo de exploração têm indicadores bem melhores, apesar de ainda sentirem os efeitos colaterais dos problemas do país, São Paulo que o diga. O Brasil tem avançado a passos largos rumo ao desenvolvimento, mas ainda falta um longo caminho. Espero que o dinheiro do petróleo do pré-sal seja integralmente investido na educação como estão dizendo. Será a revolução. Nós merecemos!

  25. Esse negócio de Cabral descobrir o Brasil é mais uma das estórias de nossa história. O continente era conhecido e já se tinha uma noção do tamanho de toda a América. Ele veio aqui fincar a bandeira portuguesa, não descobriu nada.

    Outra dessas estórias é a de que os portugueses expulsaram os franceses. Agora se sabe que foram os próprios franceses que se mataram na briga entre protestantes e católicos. Os portugueses apenas assistiram o “suicídio”.

  26. Pô Patrícia, os portais são mó charme.
    kkkkkkkkkkkkkkkk

    Acho que tenho gosto duvidoso. kkkkkkkkkk

  27. Mais História

    A costa atlântica, ao longo dos milênios, foi percorrida e ocupada por inumeráveis povos indígenas. Disputando os melhores nichos ecológicos, eles se alojavam, desalojavam e realojavam, incessantemente. Nos últimos séculos, porém, índios de fala tupi, bons guerreiros, se instalaram, dominadores, na imensidade da área, tanto à beira-mar, ao longo de toda a costa atlântica e pelo Amazonas acima, como subindo pelos rios principais, como o Paraguai, o Guaporé, o Tapajós, até suas nascentes.

    Configuraram, desse modo, a ilha Brasil, de que falava o velho Jaime Cortesão (1958), prefigurando, no chão da América do Sul, o que viria a ser nosso país. Não era, obviamente, uma nação, porque eles não se sabiam tantos nem tão dominadores. Eram, tão-só, uma miríade de povos tribais, falando línguas do mesmo tronco, dialetos de uma mesma língua, cada um dos quais, ao crescer, se bipartia, fazendo dois povos que começavam a se diferenciar e logo se desconheciam e se hostilizavam.

    Se a história, acaso, desse a esses povos Tupi uns séculos mais de liberdade e autonomia, é possível que alguns deles se sobrepusessem aos outros, criando chefaturas sobre territórios cada vez mais amplos e forçando os povos que neles viviam a servi-los, os uniformizando culturalmente e desencadeando, assim, um processo oposto ao de expansão por diferenciação.

    Nada disso sucedeu. O que aconteceu, e mudou total e radicalmente seu destino, foi a introdução no seu mundo de um protagonista novo, o europeu. Embora Minúsculo, o grupelho recém-chegado de além-mar era superagressivo e capaz de atuar destrutivamente de múltiplas formas. Principalmente como uma infecção mortal sobre a população preexistente, debilitando-a até a morte.

    […]

    A MATRIZ TUPI

    Sua própria condição evolutiva de povos de nível tribal fazia com que cada unidade étnica, ao crescer, se dividisse em novas entidades autônomas que, afastando-se umas das outras, iam se tornando reciprocamente mais diferenciadas e hostis.

    Mesmo em face do novo inimigo todo poderoso, vindo de além-mar, quando se estabeleceu o conflito aberto, os Tupi só conseguiram estruturar efêmeras confederações regionais que logo desapareceram. A mais importante delas, conhecida como Confederação dos Tamoios, foi ensejada pela aliança com os franceses instalados na baía de Guanabara. Reuniu, de 1563 a 1567, os Tupinambá do Rio de Janeiro e os Carijó do planalto paulista – ajudados pelos Goitacá e pelos Aimoré da Serra do Mar, que eram de língua jê – para fazerem a guerra aos portugueses e aos outros grupos indígenas que os apoiavam. Nessa guerra inverossímil da Reforma versus a Contra-Reforma, dos calvinistas contra os jesuítas, em que tanto os franceses como os portugueses combatiam com exércitos indígenas de milhares de guerreiros – 4557, segundo Léry; 12 mil nos dois lados na batalha final do Rio de Janeiro, em 1567, segundo cálculos de Carlos A. Dias ( 1981 ) -, jogava-se o destino da colonização. E eles nem sabiam por que lutavam, simplesmente eram atiçados pelos europeus, explorando sua agressividade recíproca. Os Tamoio venceram diversas batalhas, destruíram a capitania do Espírito Santo e ameaçaram seriamente a de São Paulo. Mas foram, afinal, vencidos pelas tropas indígenas aliciadas pelos jesuítas.

    Nessas guerras, como nas anteriores – por exemplo, a de Paraguaçu no Recôncavo, em 1559 – e nas que se seguiram até a consolidação da conquista portuguesa – como as campanhas de extermínio dos Potiguara do Rio Grande do Norte, em 1599, e, no século seguinte, a Guerra dos Bárbaros e as guerras na Amazônia -, os índios jamais estabeleceram uma paz estável com o invasor, exigindo dele um esforço continuado, ao longo de décadas, para dominar cada região.

    Essa resistência se explica pela própria singeleza de sua estrutura social igualitária que, não contando com um estamento superior que pudesse estabelecer uma paz válida, nem com camadas inferiores condicionadas à subordinação, lhes impossibilitava organizarem-se como um Estado, ao mesmo tempo que tornava impraticável sua dominação. Depois de cada refrega contra outros indígenas ou contra o invasor europeu, se vencedores, tomavam prisioneiros para os cerimoniais de antropofagia e partiam; se vencidos, procuravam escapar, a fim de concentrar forças para novos ataques. Quando muito dizimados e já incapazes de agredir ou de defender-se, os sobreviventes fugiam para além das fronteiras da civilização.

    Cada núcleo tupi vivia em guerra permanente contra as demais tribos alojadas em sua área de expansão e, até mesmo, contra seus vizinhos da mesma matriz cultural (Fernandes 1952). No primeiro caso, os conflitos eram causados por disputas pelos sítios mais apropriados à lavoura, à caça e à pesca. No segundo, eram movidos por uma animosidade culturalmente condicionada: uma forma de interação intertribal que se efetuava através de expedições guerreiras, visando a captura de prisioneiros para a antropofagia ritual.

    O caráter cultural e co-participado dessas cerimônias tornava quase imperativo capturar os guerreiros que seriam sacrificados dentro do próprio grupo tupi. Somente estes – por compartilhar do mesmo conjunto de valores – desempenhavam à perfeição o papel que lhes era prescrito: de guerreiro altivo, que dialogava soberbamente com seu matador e com aqueles que iriam devorá-lo. Comprova essa dinâmica o texto de Hans Staden, que três vezes foi levado a cerimônias de antropofagia e três vezes os índios se recusaram a comê-lo, porque chorava e se sujava, pedindo clemência. Não se comia um covarde.

    A antropofagia era também uma expressão do atraso relativo dos povos Tupi. Comiam seus prisioneiros de guerra porque, com a rudimentaridade de seu sistema produtivo, um cativo rendia pouco mais do que consumia, não existindo, portanto, incentivos para integrá-lo à comunidade como escravo.

    Muitos outros povos indígenas tiveram papel na formação do povo brasileiro. Alguns deles como escravos preferenciais, por sua familiaridade com a tecnologia dos paulistas antigos, como os Paresi. Outros, como inimigos irreconciliáveis, imprestáveis para escravos porque seu sistema adaptativo contrastava demais com o dos povos Tupi. É o caso, por exemplo, dos Bororo, dos Xavante, dos Kayapó, dos Kaingang e dos Tapuia em geral.

    (O Povo Brasileiro – Darcy Ribeiro)

  28. Os índios canibais comiam carne humana não para se alimentarem com ela, mas porque fazia parte de um ritual que seguiam. Existia entre alguns deles a crença de que, se comessem um pedaço da carne de algum guerreiro corajoso ou forte, durante um ritual religioso, a força ou coragem deste passava, até por vontade do morto, para os que comeram. Desta forma, não se alimentavam da carne de pessoas fracas ou covardes. Mas isso só acontecia após uma guerra, o que era muito difícil de acontecer. Esse ritual canibal era considerado também uma honra para a tribo do índio morto, pois viam que o “inimigo” os respeitavam muito a ponto de querer ser como eles. De outro modo, o canibalismo nunca acontecia. Não se guerreava para praticar o canibalismo.

    recantodasletras.uol.com.br/redacoes/478917

  29. Bom, dei uma lida no que o Luís escreveu e não captei a mensagem.

    Ju, é vero. Não cheguei a analisar esse ponto que vc bem demonstrou.

    E Paulo, atacar com o gênio Darcy Ribeiro e sua obra prima “O Povo Brasileiro”, é covardia. Com certeza este Livro é um dos melhores que li, fonte inesgotável de conhecimento, é o raio-x dos Brasileiros.

  30. E o que pouca gente sabe, o Brasil já era Brasil antes dos portugueses.

    índios de fala tupi, bons guerreiros, se instalaram, dominadores, na imensidade da área, tanto à beira-mar, ao longo de toda a costa atlântica e pelo Amazonas acima, como subindo pelos rios principais, como o Paraguai, o Guaporé, o Tapajós, até suas nascentes.

    Configuraram, desse modo, a ilha Brasil, de que falava o velho Jaime Cortesão (1958), prefigurando, no chão da América do Sul, o que viria a ser nosso país.

    “O Povo Brasileiro – Darcy Ribeiro”

  31. Á Deda desculpe, é que eu escrevi o texto em português e como você fala e escreve em brasileiro não captou nem entendeu nada desculpa táá!!!! é que apesar da minha namorada ser brasileira eu não domino muito bém a sua lingua,mas pelos vistos há aqui uma pessoa que domina o português , a Maria Luiza , ela uma vez corrigiu as minhas cedilhas extras na palavra “você” , pergunte a ela para ver se lhe traduz texto !!! ok!!!

    abraçosss!!!!!

  32. Provavelmente.

    A língua Brasileira é mais forte do que uma gramática que a mutila. A insensatez de manter uma equivalência postiça e fingida deste idioma ao português parece ter deixado de surtir efeitos. Destarte não mais nos entendemos. Capisce?

  33. Capisco, Deda! É isso aí!

    E “VOCÊ” é uma palavra 100% brasileira.

    A única coisa que sei do tuguês é que eu não falo esta língua. Mais, até pega mal pra gente ter um parente tão feio.

  34. Com essa agora é que você me partiu todooooo, “você” uma palavra brasileira ???????????????hahahahahahahahaha!!!!!! já agora deve vir do tupi não, hahhahhahhahhah!!!!! melhor você começar a tomar anti-psicóticos, porque a sua realidade anda bastante distorcida do mundo real !!!!! hahhahhahhah!!!!

  35. Eu mereço…

    (Revista Escola)

    Você, um pronome BEM BRASILEIRO

    Em muitas regiões do Brasil o você praticamente substituiu o tu. Apesar disso, quem procurar não vai encontrá-lo entre os pronomes pessoais. A explicação está em nossa história. Você é um pronome de tratamento derivado de vossa mercê. Era essa a maneira que o escravo deveria usar para dirigir-se respeitosamente e com certa distância ao senhor.

    O uso cotidiano dessa expressão provocou sua simplificação: vossemecê > vosmecê/vassuncê > você. Provocou ainda, depois da abolição, a perda da noção de formalidade e de distância social entre falante e ouvinte.

    Eduardo Lopes é professor do curso Anglo Vestibulares e pós-graduando em Lingüística na Universidade de São Paulo

    revistaescola.abril.com.br/edicoes/0143/aberto/mt_247018.shtml

    “VOCÊ” é uma palavra 100% brasileira. Surgiu aqui e portanto é nossa.

  36. Isso não é nenhum pronome brasileiro,é um pronome da lingua portuguesa, isso só demonstra a sua total e completa ignorância com respeito á lingua portuguesa, fique você a saber que as palavras vossa mercê são português bém antigo ,ainda ouço alguns idosos a falar assim, aqui toda as pessoas usam o você para tratamento formal , eu não trato uma pessoa mais velha, ou que não conheça por tu entende!!!! eu trato-a por você,portanto não me venha para aqui com tangas dizer que a palavra “voce” é lingua brasileira, aliás se você fosse mais culta na lingua portuguesa entendia perfeitamente que não fala brasileiro nenhum ,aliás como atestam maior parte dos “post” que vocês aqui colocam, que demonstram bém que o idioma brasileiro em certos aspectos é no fundo português arcaico , dou-lhe um exemplo vindo até de si …. quando perguntou como se diz “eu te amo em brasiliano?” . Sabe a resposta ??? Isso não é brasiliano,não é brasileiro,não é brasileirês , não é Maria Luizês , não é estupidez nenhuma dessas, o “te amo “,não é nada mais do que português arcaico ,se você ler os “posts” aqui colocados verá que os portugueses antes do sec 18 colocavam os pronomes tal qual os brasileiros , portanto você não pode reivindicar uma coisa como sendo original, coisa essa que já aqui se usou e inclusive até foi esquecida e se alterou.
    Depois tém outra ,não sei de onde você é , mas você parece que está convencida que todos os brasileiros falam igual a sí !!!! hahhahhahhah, qual brasiliano voce vaí eleger para lingua do brasil ? o carioquês, ou será o são paulês? ou será o curitibano ???? hahhahhahhah!!!! enfim !!!!!

  37. Luís, acho que você desvirtuou um pouquinho o que dissemos. Eu, pelo menos, quando cito os arcaísmos é para mostrar que muitos dos nossos “erros”, abominados pela gramática normativa, foram falados sempre assim. São séculos de heranças e história lingüística; não são deturpações feitas por brasileiros por sermos todos analfabetos, como dizem. Dessa forma, em desacordo ao que inferi em seu comentário, a Língua Brasileira não se torna mais original ou mais portuguesa por ser mais arcaica, pelo contrário, ao fazermos a comparação com os outros lusófonos, fica evidente o quão distantes estamos do idioma de vocês, nossa língua é muito diferente, segue outro padrão. Eu já acreditei que fosse possível uma conciliação entre o Vernáculo Brasileiro e o Português, mas perdi as esperanças. As duas línguas estão sempre em atrito e em posições opostas.

    A Ju fez um esqueminha muito bom:

    Português arcaico/clássico= (deu origem) Português moderno

    Português arcaico/clássico= (deu origem) Brasileiro

    Assim como:

    Latim==> (deu origem) Italiano
    Latim==> (deu origem) Francês

    Nenhum é mais latim, são línguas diferentes.

  38. Boa, Paty!

    Que mané português arcaico. Se trata puramente da Língua BRASILEIRA. E só. Os brasileiros pronunciam e escrevem de um jeito completamente diferente, só nosso e de mais ninguém. Ou seja, falamos outra língua. Se fossem arcaísmos a gramática nos aceitaria, e como isso definitivamente não acontece, fica claro que não fazemos parte, estamos fora desse clube. Sem falar que o tuguês é ininteligível. Como podemos falar uma língua que a gente nem entende?

    Sobre o padrão do brasileiro, continuaria do mesmo jeito que é hoje, SEM padrão. Nunca tivemos isso, não vai ser agora que vamos adotar um. A norma padrão seguirá as regras consagradas pela história e pelos falantes cultos brasileiros.

    Está tudo explicado aqui:
    brasiliano.wordpress.com/2008/09/01/ensinar-portugues-ou-estudar-o-brasileiro/

    Eu não vou ficar perdendo meu tempo com obviedades. Tuguês e o Brasiliano não têm NADA a ver.

  39. Não sei em que país você vive então,eu já estive cinco vezes no Brasil em três estados diferentes,e nunca , mesmo nunca,tive dificuldades em me fazer entender, ou seja, em ser entendido,também que me lembre sempre entendi toda a gente a falar ,até entendi coisas que não queria entender mesmoo !!!!! hahhahhah!!! comprei jornais li-os sem o minimo problema ,então se o Brasil não fala português,será que eu tirei um curso de brasileiro sem saber?que me lembre não!!!! hahhahhahah,ou então também pode ser, fui enganado na escola primária, ensinaram-me brasileiro e venderam-me a coisa como sendo português !!!! só pode !!!!!! é isso , fui enganado , eu então falo brasileiro !!!!!hahhahhahhah!!!!!

  40. Má q q isso, viu! Daqui a pouco o cara se convence que o Brasileiro é idêntico ao tuguês… As diferenças devem ser alucinações dos brasileiros e a imensa dificuldade em decodificar aquela língua estranha é coisa de nossas cabeças (E ainda quer nos convencer que falamos aquele idioma pavoroso. 😯 MEDO!)

    Mudando de assunto…

    Dia 9 começa a Oktoberfest de Blumenau. Será que é por isso que as fotos da cidade estão em primeiro nos Artigos Populares?
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/06/11/blumenau-santa-catarina/

    É lindinha. Preciso conhecer o sul…
    Os nossos comentários não aparecem mais lá. Devem ser os que foram perdidos na mudança do blog.

  41. Paulo, obrigadinha por corrigir meu comentário anterior.

  42. E cadê o povo?

  43. Pelo que o Luís disse, tiro as seguintes conclusões:

    – O português e o Brasileiro na escrita, pelos motivos já conhecidos, são basicamente o mesmo. Citando o Deda: a língua brasileira está submetida à uma gramática que a “mutila” (não gosto de sentido pejorativo desta palavra)

    – Não me surpreende que o Luís tenha entendido os brasileiros, porque, ao que me consta, os portugueses nos entendem.

    – O Luís diz que não teve dificuldades em “se fazer entender e ser entendido”. Como não conheço o sotaque dele, não posso fazer nenhuma dedução assertiva. Mas pelo que sei do falar português concluo: O Luís tem ou “usou” uma articulação bem clara no que tange a pronúncia (hahaha deu pra entender?) o que talvez tenha tirada a naturalidade do português, pois clareza não é uma características lusa.
    OU ele fala à brasileira.
    § Pensando no típico sotaque português: Se ele falasse como corriqueiramente “conversa” em Portugal, eu não teria tanta certeza no sucesso do entendimento. (haaha deu para entender? Hoje estou difícil.)

  44. Malu,
    Realmente, os comentários de Blumenau sumiram. Este mês em Santa Catarina tem uma porção de festas.

    Oktoberfest
    Blumenau – 9 a 26 de Outubro de 2008
    oktoberfestblumenau.com.br
    Segunda maior festa popular do Brasil depois do carnaval. Muito chope gelado embalado por animadas bandas alemãs. Recebe milhares de turistas de todo o Brasil e do exterior. A maior festa típica do país. O centro da cidade é colorido pelos desfiles de carros alegóricos floridos. Grupos de música nacionais e internacionais aquecem as noites da Festa.

    Fenarreco
    Brusque – 9 a 19 de Outubro de 2008
    pmbrusque.com.br
    Maior festival gastronômico das festas de outubro em Santa Catarina. A Festa foi criada em 1986 para divulgar um prato típico alemão – o ente mit rotkohl – ou marreco com repolho roxo. Além do marreco, muito chope, música e dança embalam os visitantes até altas horas da madrugada.

    Schützenfest
    Jaraguá do Sul – 8 a 12 de Outubro de 2008
    schutzenfest.com.br
    Resgata a tradição dos atiradores cuja origem remonta à idade média na Alemanha. Competições esportivas do tiro-rei e tiro-rainha, desfiles alegóricos e grandes bailes animados por bandas típicas. Muita comida, chope e cachaça garantem a alegria dos participantes.

    Marejada
    Itajaí – 9 a 19 de Outubro de 2008
    marejada.itajai.sc.gov.br
    Também chamada de Festa Portuguesa e do Pescado, tem na gastronomia, à base de frutos do mar e bacalhau, sua principal atração. Também oferece shows típicos portugueses, feira de produtos artesanais e apresentação de folclore açoriano. É a maior festa portuguesa do Brasil. Mais de 600 atrações atraem milhares de turistas todos os anos para a cidade.

    Tirolerfest
    Treze Tílias – 10 a 19 de Outubro de 2008
    trezetilias.com.br
    A tradição dos imigrantes austríacos é retratada na música, gastronomia, nas esculturas em madeira e arquitetura da cidade. Não há quem não se encante com Treze Tílias. A cidade tem cerca de cinco mil habitantes. Durante a Tirolerfest são servidos pratos típicos, como o goulach( molho de carne), o scheiterhaufen(torta de maçã), e o spätzel(mini nhoque com queijo). Todos os anos grupos vindos da Áustria se juntam aos grupos locais para animarem mais ainda a festa.

    Kegelfest
    Rio do Sul – 10 a 14 de Setembro de 2008
    kegelfest.com.br/
    Festa Nacional do Bolão com uma competição germânica semelhante à bocha dos italianos. Gastronomia alemã, concurso de tomadores de chope-no-pino, bailes diários animados por valsas, polcas e marchinhas.

    Oktoberfest de Itapiranga
    Itapiranga – 11 e 26 de outubro de 2008 (Linha Becker) / 17,18 e 19 de outubro de 2008 ( Cidade de Itapiranga)
    itapiranga.sc.gov.br
    Primeira Oktoberfest no estado. Realizada no extremo oeste catarinense, quase divisa com a Argentina. Atualmente, milhares de pessoas vêm todos os anos a Itapiranga, mantendo viva a tradição. Muita alegria e chope gelado é o que não faltam nessa festa.

    Oberlandfest
    Rio Negrinho – 18 e 19 de Outubro de 2008
    oberlandfest.com.br
    A diversão fica por conta do concurso de Tiro ao Alvo, chope em dúzia, concurso de Serrador e outras atrações típicas de uma genuína festa alemã. Durante a Oberlandfest, a população de Rio Negrinho mostra todo seu amor aos costumes dos seus antepassados.

    Fenaostra
    Florianópolis – 7 a 12 de Outubro de 2008
    pmf.sc.gov.br/fenaostra
    Trazendo novidades na programação e boas notícias para os apreciadores desta iguaria do mar em todo o Brasil, a 10ª Fenaostra pretende conquistar novos mercados para a maricultura catarinense, que responde por 95% da produção de moluscos no país. Durante cinco dias, o público vai poder conferir os concursos, seminário e exposições, degustar os sabores da gastronomia local, além de se divertir com mais de 50 atrações culturais, incluindo três shows nacionais.

    Musikfest
    São Bento do Sul – 17 a 19 de Outubro de 2008
    saobentodosul.sc.gov.br
    As diversas etnias da cidade (alemã, italiana, austríaca, polonesa e tcheca) garantem um festival de pratos típicos, grupos folclóricos, desfiles alegóricos, animados bailes e espetáculos culturais. A festa também chama atenção pelo curioso concurso de ‘tomadores de chope na bola’.

    Festa do Imigrante
    Timbó -9 a 12 de Outubro de 2008
    timbo.sc.gov.br
    Comida típica da Alemanha e Itália, chope, vinho colonial, desfiles alegóricos e grupos folclóricos são as principais atrações.

    Fonte:
    belasantacatarina.com.br/festas.asp
    skyscrapercity.com/showthread.php?t=721860

  45. Aqui no Espírito Santo tem:

    BLUMENFEST
    Domingos Martins – Praça Arthur Gerhardt Sede 17/10/08 à 19/10/08
    Festa em homenagem a primavera, destacando o cultivo de orquídeas, bromélias e outras plantas nativas, além de apresentações culturais e eleição da rainha da Blumenfest

    A cidade:
    brasiliano.wordpress.com/2008/06/19/domingos-martins-espirito-santo/

    😉

  46. Vejam essa:

    Libaneses querem patentear esfiha e quibe

    O presidente da Associação das Indústrias do Líbano afirmou que pretende iniciar uma batalha jurídica para impedir que companhias internacionais comercializem pratos com nomes tradicionais da cozinha libanesa como quibe, esfiha e falafel.

    “Empresas brasileiras vendem quibes e esfihas nos Estados Unidos sem mencionar que são produtos libaneses”, afirmou Fadi Abboud à BBC Brasil.

    “Na Grã-Bretanha, por exemplo, são vendidos diariamente meio milhão de produtos chamados ‘molho grego’, que nada mais são do que o nosso humus.”

    “Queremos provar que esses pratos são reconhecidamente libaneses, e essas empresas estão infringindo leis de direitos de origem ao usar estes nomes”, acrescentou Abboud.

    “Se quiserem comercializar esses produtos, que o façam usando outros nomes, não os originais”, afirmou o presidente da associação libanesa. “Isso vem nos causando um prejuízo de dezenas de milhares de dólares.”

    bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/10/081007_libano_x_israel_comida_rc.shtml

    Imagina se a moda pega e a Itália resolve patentear a pizza e a macarronada. O Japão o sushi. A Alemanha o strudell. E por aí vai…

    A coisa vai ficar feia pro Brasil. O Líbano podia dar um desconto pro nós porque esfilha e quibe já são pratos incorporados à nossa culinária; sem contar que cerca de 6 milhões de libaneses e seus descendentes vivem no Brasil, quase o dobro da população do Líbano.

  47. Um versinho pra descontrair:

    “Deus deu a palavra ao homem
    e ao diabo, a ortografia.
    Por isso eles se comem
    nessa ortoantropofagia.”

    Manuel Bandeira

  48. Devem ser boas estas festas das “colônias” de SC….
    … e do ES tbm. (não deixaria de fazer uma média com a Patrícia)

  49. 😛

  50. Abrindo um parêntese. Quero apoiar uma de minhas afirmações e responder uma insinuação feita do Luís ao Deda.

    MINHA AFIRMAÇÃO
    “Esse negócio de Cabral descobrir o Brasil é mais uma das estórias de nossa história. O continente era conhecido e já se tinha uma noção do tamanho de toda a América. Ele veio aqui fincar a bandeira portuguesa, não descobriu nada.”

    A COMPROVAÇÃO
    “(Cabral já sabia do Brasil)

    Transcorrido um século dessas explorações costeiras, os navegantes portugueses ousam se aventurar em descobertas de outras correntes marítimas […] Essas correntes trariam para as terras da América uma primeira frota de dez naus e três caravelas redondas, sob o comando do almirante Pedro Álvares Cabral, no século XVI. Este almirante, também cavaleiro da Ordem de Cristo, recebeu de Vasco da Gama um conjunto de documentos em que se registravam informações sobre as viagens de Vasco às Índias. (BUENO, 1998). Tal informação também se faz presente no seguinte registro:

    (…) quando Cabral partiu para a Índia, não só por cálculo e estudo, como por uma viagem anterior de que guardara sigilo, os portugueses sabiam da existência de terras a oeste. Por estudos vindos a lume recentemente, está averiguado que Pedro Álvares Cabral, desviando-se do roteiro de sua viagem, sabia muito bem o que queria, porque o grande navegador que foi um dos maiores nomes da epopéia marítima de Portugal, não ignorava a existência das vastas regiões por ele descobertas e de que imediatamente tomou posse, em nome do seu rei. Seu avô Fernão Álvares Cabral foi guarda-mor do Infante D. Henrique, fundador da Escola de Sagres. (LELLO UNIVERSAL, s/d)

    Segundo informações da história oficial, Cabral e sua frota zarpam em direção às Índias orientais; contudo, para Bueno (1998), em um dado momento e lugar, previamente estabelecido nos documentos de Vasco da Gama, a esquadra muda o curso da viagem, que duraria quarenta e quatro dias.

    cipedya.com/web/FileDownload.aspx?IDFile=158591

    A INSINUAÇÃO DO LUÍS AO DEDA:
    Deda voce diga-me como se chama o estreito bem no fundo da américa do sul que liga o atlântico sul ao pacifico,diga-me também quem pôs o nome á patagónia e porquê? assim como, á terra do fogo!!!!?, já agora procure saber o nome cientifico dos pinguins!!!!!?

    MINHA COMPLEMENTAÇÃO

    Por outro lado, o reino espanhol convivia com a presença constante dos portugueses no Ocidente e se esforçava por dividir o comércio das especiarias com o Estado vizinho, não poupando tempo ou ocasião para assegurar o controle de rotas no Pacífico e reivindicar direitos sobre aquelas do Atlântico. Valia-se, para tanto, de argumentos fundamentados na viagem de circunavegação do globo: um feito de Fernão de Magalhães (1519-21), realizado sob a bandeira de Espanha. Assim, a Espanha exigia dos portugueses o dever de respeitarem esse feito histórico, bem como os limites traçados pelas bulas papais. É nesse contexto de disputas que se firma o tratado de Toledo entre D. João II, rei de Portugal, e D. Fernando de Aragão e Isabelde Castela, reis de Espanha, assinado em 1480, por meio do qual se atribuía aPortugal direito sobre as terras situadas ao sul das ilhas Canárias.

    cipedya.com/web/FileDownload.aspx?IDFile=158591

  51. Continuo com as velhas práticas de desviar do tema principal para falar de história. Não perco este vício.

  52. Abrindo mais um “parêntese” para esse nosso caráter assimilacionista, abordo agora uma característica muito forte do povo Português , um dos povos que mais colaboraram na formação de nossa matriz social e cultural.

    O POVO PORTUGUÊS

    Do livro “Raízes do Brasil” do mestre Sérgio Buarque de Holanda em que ele fala sobre os portugueses.

    “Cumpre acrescentar outra face bem típica de sua extraordinária plasticidade social: a ausência completa, ou praticamente completa, entre eles, de qualquer orgulho da raça. Ao menos do orgulho obstinado e inimigo de compromissos, que caracteriza os povos do Norte. Essa modalidade de seu caráter, que os aproxima das outras nações de estirpe latina e, mais do que delas, dos muçulmanos da África, explica-se muito pelo fato de serem os portugueses, em parte, e já ao tempo do descobrimento do Brasil, um povo de mestiços.( —Ainda em nossos dias, um antropólogo distingue-os racialmente dos seus próprios vizinhos e irmãos, os espanhóis, por ostentarem um contingente maior de maior de sangue negro.—) A isso atribui o fato de os indígenas da África Oriental os considerarem quase como seus iguais e de os respeitarem muito menos de que aos outros civilizados. Assim, afirma, para. designar os diferentes povos da Europa, os suaíles discriminam sempre: europeus e portugueses” (Holanda, 53)

    – MESTIÇAGEM

    A Mestiçagem étnica – Os portugueses, já no tempo do descobrimento do Brasil eram um povo de mestiços. O Brasil não foi palco de nenhuma grande novidade. A mistura de gente de cor tinha iniciado-se largamente na própria metrópole, já antes de 1500, graças ao trabalho de negros trazidos das possessões ultramarinas.

    – NEGROS EM PORTUGAL

    A carta de Clenardo a Latônio, revela-nos como aumentava o número dos escravos em Portugal. Todo serviço era feito por negros e mouros cativos, que não se distinguiam de bestas de carga, senão na figura. “Estou em crer — nota ele — que em Lisboa os escravos e escravas são mais que os portugueses” (p. 23).

    A PRESENÇA MOURA (saindo da citação do livro Raízes do Brasil)

    “Os árabes ocuparam, durante 800 anos, a Península Ibérica, na Espanha e em Portugal. Criaram profundas raízes nos povos espanhóis e portugueses que, posteriormente, nos colonizaram. Colonizaram o Brasil e o resto da América do Sul. Por meio desses filtros de colonização, muitos hábitos chegaram a nós. Essa influência ficou mais claramente marcada no século XIX, a partir da imigração.”

    Citação de “martelli” em um fórum que está na lateral direita do blog:

    “Acho fascinante a história de Portugal e Espanha que ficaram por 800 anos sob o domínio muçulmano. É engraçado como não estudamos isso, porque não foram 1 ou 2 séculos, foram 800 anos, quase um milênio. E a reconquista só aconteceu poucos séculos antes de se descobrir o Brasil. “
    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=847912&page=16

  53. Outros estudos sobre a formação étnica portuguesa:

    “A influência também está marcada no DNA: um
    em cada três portugueses e espanhóis descende de judeus”
    http://veja.abril.com.br/241208/p_080.shtml

    “Portugal era de longe o país mais afro-asiático da Europa. A pigmentação da população aproximava-se mais de África do que da Europa.”
    http://imigrantes.no.sapo.pt/page2Africanos.html

  54. Caros amigos, defensores do brasiliano. Eu, como portuga, vivendo no Brasil, dou-vos toda a razão. Façam força e chamem à vossa língua “brasiliano”, pois ela é um ramo variante da língua portuguesa que já se encontra afastada da original, assim como o actual português já se encontra distante do latim ou da língua galaico-portuguesa da Idade Média.
    Então, tal como na Galiza (Galícia) se fala galego e em Portugal se fala português, apesar de terem uma origem comum, é lógico que se diga que no Brasil se fala brasiliano.
    Não adianta fazermos observações sobre se em PT se utilizam palavras e expressões sem lógica ou não, em relação a outras línguas, pois certamente em cada país existem formas de falar que não fazem sentido para aqueles que são de fora, mas têm razão de existir para quem as fala.

    O actual Acordo Ortográfico não unifica coisa nenhuma, pelo contrário até afasta e confunde ainda mais com certos vocábulos. Este AO foi criado apenas com a intenção comercial de algumas empresas conseguirem mais vendas noutros mercados, mas nunca tendo em vista qualquer benefício para os falantes das diversas variantes da língua à qual teimam em chamar portuguesa.

    O dramaturgo irlandês George Bernard Shaw disse um dia: “A Inglaterra e a América são dois países separados por uma língua comum.”
    Bernard Shaw nem imaginava que a diferença entre o português e o brasiliano era bem maior do que entre o inglês e o “americano”.

    Insistir em continuar a chamar “português” à língua falada no Brasil é apenas teimosia de conservadores retrógrados brasileiros, de imperialistas sonhadores portugueses, e de negociantes neo-liberais globais, mas que não abonam relativamente à realidade da forma como se fala e escreve dum e doutro lado do Atlântico.

    Português e brasiliano: duas línguas semelhantes com uma origem comum!

  55. Como podemos falar uma língua que a gente nem entende?

    Tuguês e o Brasiliano não têm NADA a ver.

    E ainda quer nos convencer que falamos aquele idioma pavoroso.

    Comentário às observações acima:

    Se a Maria Luiza não consegue entender a língua que se fala em Portugal talvez seja um caso de problemas neurológicos, ou seja, dificuldade de funcionamento cerebral. Mas com os avanços da medicina, provavelmente, esse problema terá resolução. E, talvez seja suficiente apenas um pouco mais de exercício mental, e de aplicação nos estudos e na vontade de saber mais do que o pouco que demonstra conhecer culturalmente.
    Não quero tornar o meu comentário numa ofensa, é apenas uma constatação das observações feitas; e respondidas, por mim, em tom idêntico.
    Geralmente não gostamos de ser maltratados mesmo quando maltratamos os outros!

    Brasiliano até que pode ser considerada uma língua, é verdade, mas dizer “tuguês” é falta de cultura sobre a origem do brasiliano, que se formou a partir da língua falada não em Tugal, mas sim em Portugal.
    Quanto ao “nada a ver” é ideologia do mesmo saco, pois até consegue ser mal educada com os portugueses pelas afirmações que faz. Afinal até parece conseguir entender o tal “tuguês” e fazer mesmo comentários indelicados!

    Quanto ao idioma pavoroso falado em “Tugal” “tauveiz” não deva “sê” mais “horrívéu” do que as “expressão” e as “palavra” que os “brasileiro” usa no seu curioso jeitinho de não “consegui” “conjugá” “negocim” nenhum quando “vim” “prá” “apresentá” as suas “idéia”!

    Não adianta portugas e brasucas enveredarem por ofensas mútuas devido às divergências da língua que obviamente já não é mais comum…

    Os portugueses não podem querer mandar na forma de falar no BR (mas a verdadeira batalha trava-se, em território brasileiro, entre os defensores do brasiliano e os conservadores, da chamada norma culta, que não querem aceitar a derrota de que o facilitismo venceu).
    E os brasileiros também não devem impor os seus erros aos portugas simplesmente por serem muitos milhões a incorrer em vários erros linguísticos!

    Quantidade não significa propriamente qualidade.

  56. João Tuga, agradecemos a sua participação aqui e ficamos felizes em saber que você concorda com o que está escrito no blog.

    Alguns comentárois:

    Se não me engano, quem falou isso sobre a língua inglesa nos EUA e no UK foi Mark Twain, e não Shaw. Sempre vi atribuída a ele esta frase.

    “Quanto ao idioma pavoroso falado em “Tugal” “tauveiz” não deva “sê” mais “horrívéu” do que as “expressão” e as “palavra” que os “brasileiro” usa no seu curioso jeitinho de não “consegui” “conjugá” “negocim” nenhum quando “vim” “prá” “apresentá” as suas “idéia”!”

    Sugiro que, quando imitar um brasileiro, identifique a região de onde vem a imitação. E quando fizer isso, faça com alguma competência. Nunca vi ninguém falar “negocim” nem pronunciar “horrívéu” dessa forma e nem “vim” nesse contexto. Assim como nunca vi ninguém falar “a jant’bam’sh” (traduzindo: a gente vamos) como vocês aí falam (sendo que o correto, em qualquer variante, seria “a gente foi”) ou então o pavoroso “mais pequeno”, que nem um analfabeto aqui fala e que aí é falado por doutores.

    Como vê, nem vocês impõem erros a nós, e nem nós impomos erros a vocês. Tire isso da sua cabeça, a não ser que o seu único objetivo aqui seja criar caso a partir de percepções inventadas do nada ou causar mais uma briga. Espero que não seja o caso.

    “E os brasileiros também não devem impor os seus erros aos portugas simplesmente por serem muitos milhões a incorrer em vários erros linguísticos!”

    Ninguém impõe nada a ninguém e o Brasil não impõe nada a Portugal. Vocês são um Estado soberano, elegem seus representantes e fazem o que bem entenderem. Não temos como impor nada a vocês, muito menos erros linguisticos. NINGUÉM defendeu isso aqui. Está apenas na sua cabeça. Será algum complexo seu e de muitos portugueses achar que estamos minimamente interessados em impor alguma coisa a Portugal? Espero sinceramente que não.

    Cumprimentos a todos

  57. Amigo Ernesto, obrigado pelo seu comentário.
    Não pretendo fomentar guerras, mas sim chamar a atenção. Não se ofenda com o que eu digo pois também eu me esforço por não encarar como ofensa a forma como os brasileiros ridicularizam os portugas, quer em piadas entre amigos, quer na Tv com pseudo-imitações do povo lusitano.

    Sabe que os portugas raramente fazem piadas com os brasileiros, ao invés do que fazem os brasileiros com os portugas? É verdade! Os portugas gostam dos brasileiros, já o contrário parece ser mais difícil, pois sente-se uma animosidade que soa a revolta contra os ex-colonizadores. Mas isso são águas passadas. Agora vivemos no presente e o povo brasileiro é independente dos portugueses.

    Já houve brasileiros contando-me piadas sobre portugas, aqui no BR, onde vivo. Tive que respeitar a falta de respeito, fazer o quê? Não briguei!

    Começo por dizer que Mark Twain até pode ter proferido essa expressão. Em Portugal, no tempo em que ainda nem net existia, li essa frase como sendo da autoria de Shaw, como poderá pesquisar facilmente na net. Mas a autoria é indiferente para o objectivo do que se quer exemplificar aqui, ou seja, as divergências entre as formas de falar e escrever nos nossos dois países.

    Concordo com a ideia dos promotores da definição duma língua brasileira falada em território brasileiro, mas não concordo com tudo o que é escrito neste fórum, como é lógico, assim, as divergências levam ao esclarecimento, não concorda? Confesso: detesto brigas!

    Ernesto eu não pretendo imitar os brasileiros, tenho orgulho no meu modo de falar, mesmo vivendo no BR. Vamos então por partes:

    1- Sobre “negocim” não inventei a palavra, apenas a ouvi quando cheguei ao BR, como exemplo pode dar uma olhadela em:
    http://www.webcheats.com.br/forum/mu-servidores-piratas/307410-ajudem-num-negocim-basico.html

    2- Ninguém pode negar que, aqui no BR, o L no final de sílaba tem som de U (horrivéu), em PT tem som de ÉLE (horrivele), vejamos outro exemplo: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20100106225249AALxE73

    3- “Vim” parece ser um modo curioso e facilitista de usar várias pessoas do verbo Vir numa só forma, como nos exemplos:

    http://www.armandinhoebanda.com.br/profiles/blogs/pspan-stylefontfamily-arial

    4- Um erro comum dos portugas é usarem “a gente” (singular) e os verbos no plural como “vamos” mas garanto que a pronúncia não é como os brasileiros pensam ser, por dificuldade de imitação do sotaque peculiar dos portugas. O Certo é: a gente vai (presente), e a gente foi (passado). Sabemos que em qualquer povo há gente que fala e escreve errado. Sempre assim foi. É lamentável, mas não é pavoroso! Acho eu…

    5- Ernesto, “mais pequeno” não é pavoroso porque a palavra “menor” usa-se como comparativo de tamanhos. Se pesquisar na gramáticas dos doutores e analfabetos poderá perceber que dizer “mais pequeno” não é errado, consultemos o exemplo dado:
    http://books.google.com.br/books?id=K_1cSYN7X18C&pg=PA281&lpg=PA281&dq=certo+mais+pequeno+menor+gramatica&source=bl&ots=ZhmLa2SLg7&sig=w_LL4f2tDf_5Wsg1VaNC-Vlkf4I&hl=pt-BR&ei=qJ9ETdHxL8jAgQebzIXtAQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBcQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false

    6- É do conhecimento de qualquer brasileiro que a sonoridade das sílabas terminadas em “ês” ou “ez” e “ás” ou “az” se assemelha a “eis” e ais”, (tau_veiz) vejamos mais dois exemplos: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070625135703AADL5V0
    http://www.imagensporfavor.com/buscar/18/mensagens+para+mandar+por+recado+no+orkut%5Bleio+apago+e+tauvez+re.htm

    7- Todos os brasileiros sabem que é comum não “pronunciá” o R final, abrindo a vogal, assim temos a sonoridade de “sê” em vez de “ser”… etc. com mais um exemplo:
    http://letras.terra.com.br/jack-jhonny/1733391/?domain_redirect=_es

    8- Todos os brasileiros conhecem a forma comum de se falar aqui pelo que não será novidade que é normal ouvir alguém dizer “os brasileiro”, “os europeu” etc. como até dá para ver no seguinte exemplo: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20100503223840AAqfpAD

    Os exemplos que dei acima, foram retirados da net, nem preciso de justificar em que estado ou região são falados. São escritos por brasileiros. Cada um fala do jeito que entender. Aliás, brasiliano nem é português, como se diz por aqui! Embora tenha sido essa a origem.

    Ernesto, poderá ser levado a pensar, ingenuamente (não me leve a mal pelo termo), que ninguém impõe nada a ninguém, mas soberania política num mundo neo-liberal global não é coisa que não existe, e os interesses financeiros e comerciais falam mais alto do que qualquer Governo soberano. Não duvide que há interesses editoriais brasileiros no mercado europeu e nos africanos onde se fala português. Nos mercados de PT e África poderá encontrar muitos livros redigidos em brasiliano. Poderá ouvir músicas e ver programas em brasiliano. Aqui no BR, onde nós os dois vivemos, diga-me se consegue comprar nas lojas; livros e música, ou ver na Tv e no cinema, programas em português não brasiliano, com facilidade? Sabe bem como isso é difícil. Parece que a Europa começa em Espanha, pois raramente se apresentam notícias sobre PT. Se for a PT verá como são bastantes as notícias sobre o BR.
    Lamento, não é o que eu desejo mas é a realidade, o mundo dos negócios fala mais alto. E a força das empresas editoriais brasileiras é mais forte do que as portuguesas, sabe porquê? Porque o mercado portuga e africano é pequeno comparado com o brasileiro, logo as editoras são pequenas e nada podem fazer contra as grandes! As portuguesas têm dificuldade para entrar no mercado brasileiro, mas o inverso é mais fácil, pois os portugas aceitam com mais facilidade os produtos brasileiros do que o mercado brasileiro aceita os produtos portugueses.

    Se escolhi o BR para viver foi de livre vontade, mas não sou cego à realidade que se vive em ambos os países. Se coloquei a segunda postagem foi como resposta à falta de educação da Maria Luiza e não para provocar brigas. E como vê, o Ernesto respondeu às minhas provocações, e da discussão nasce a luz. Podemos não concordar com muita coisa, mas não precisamos de ser ofensivos. Viu como não gostou da forma como eu expus a realidade do modo brasiliano de falar!? Contudo eu nada inventei, apenas escuto in loco, e leio.

    Então porque os portugas hão de gostar de ser “maltratados” por falarem dum jeito que os brasileiros não entendem!?

    E sabe porque os brasileiros não entendem os portugas? Porque no BR todos os programas são dobrados (ou dublados), o que infelizmente limita o acesso a outras formas de expressão. Sabe porque os portugas entendem o brasiliano? Porque em PT os programas estrangeiros são legendados, o que permite que se ouçam outros sotaques de português (incluindo mais de 30 anos de brasiliano da Tv Globo), além de ouvirmos como se expressam os outros povos nas suas próprias línguas.

    Ernesto, vivi em PT e conheço o mercado, sei como por lá se compram produtos brasileiros.
    Conheço o mercado brasileiro, e vejo como a cultura portuguesa tem dificuldade em penetrar aqui. As leis de mercado não são honestas nem justas, infelizmente!

    E os povos perderão sempre se entrarem em brigas pela supremacia em vez de aproveitarem o que cada um tem de bom.

    Um bem haja a todos os que queiram contribuir para a paz e o bom entendimento sem menosprezar os outros! Aceitemos, pois, e respeitemos as diferenças e esqueçamos o Acordo Ortográfico que não veio unir coisa alguma, excepto o interesse duma minoria que não é o povo.

  58. Brasiliano: Te amo
    italiano: Ti amo
    Espanhol: Te amo
    Purt’gu’es; Amo-te (???)

    Mais:
    Brasiliano: trem
    Espanhol: tren
    Italiano: treno
    Francês: train
    Purt’gu’es: comboio (E dizem que falamos este troço)

    Brasiliano: Eu estou cantando
    Espanhol: Yo estoy cantando
    Italiano: Io sto cantando
    Purt’gu’es: Eu estou a cantar (tem alguma lógica?)

    Maria Luiza

    À Maria Luiza, e a todos os leitores que queiram saber um pouco mais sobre as origens do brasiliano, eu poderei dar uma ajudinha…

    Um pouco de cultura não faz mal a ninguém.
    A origem da língua portuguesa não é apenas o latim.
    Já se falavam línguas nórdicas e germãnicas (de povos do norte e centro da Europa, celtas, normandos, godos, visigodos, lusitanos e outros) na Península Ibérica muito antes de chegarem os Romanos para imporem a sua língua.
    É por isso que as línguas latinas são diferentes umas das outras, têm componentes diferentes na sua formação.
    Como tal não me parece que alguém ache estranho em inglês dizer-se: I love you; e em alemão: Ich liebe dich (literalmente: eu amo “te”), ou será pavoroso?

    Qual a definição de comboio? É um conjunto de veículos que circulam em fila, com objectivos militares ou civis. Então, comboio é um conjunto de vagões (onde se transportam apenas mercadorias e animais) e de carruagens (para transporte de passageiros), ligados entre si e puxados por uma ou várias locomotivas. Existem também comboios formados por carros de transporte, por navios, e finalmente por vagões e carruagens. Em alemão diz-se “zug” e não vem daí mal ao mundo!

    Se dizer “eu estou a cantar” não tem lógica, poderei acrescentar que na região sul de PT se diz “estou cantando” e lá falam português de Portugal. Em francês diz-se: “Je chante”, e em alemão: “Ich singe” e não estão a usar a forma verbal no gerúndio, pois não é obrigatório!

    Já agora, em Portugal e em brasiliano o certo será escrever-se: “português”. Purt’gu’es não existe, nem mesmo em brasiliano.

    Terei oportunidade de fazer outros esclarecimentos
    e trazer outros temas para debate.
    Se alguém tiver alguma dúvida terei toda a disponibilidade para tentar elucidar
    (apesar das postagens a que faço referência já terem sido feitas há bastante tempo). Quem passar por aqui e ler, sempre pode debater: contrapor ou concordar.
    A troca de opiniões é sempre útil, o escárnio acerca de costumes de outros povos já será considerado falta de educação.

    Um bem haja a todos os que estiverem dispostos a aprender e a partilhar o conhecimento para a construção dum mundo melhor.
    E por favor recusem-se a seguir as regras do Acordo Ortográfico, em defesa dos vossos ideais.

  59. Eu sei uma boa.

    Brasiliano: ônibus
    Latim: omnibus (para todos, coletivo)
    Inglês: bus
    português: Autocarro

    ÔNIBUS
    (Márcio Cotrim)
    Ônibus tem como origem o termo omnibus, que em latim significa “para todos”. No Latim, é o caso dativo de omnis, tudo, todo (daí onisciente, o que sabe tudo, onipotente, o que pode tudo, onipresente, presente em todo lugar). Como se sabe, é simplesmente o veículo que transporta muitos passageiros.

    Bruna Keller

    Olá Bruna,
    aqui deixo mais uma achega para o conhecimento geral.

    Em espanhol (ou melhor dizendo em castelhano) diz-se: “autobús”, em francês é “autobus” (perderam o “omni” latino e ganharam um “auto”. Em alemão e em inglês diz-se ‘bus” (perderam o “omni” e não ganharam nada; e em brasiliano perdeu-se o M). Não será estranho que nas outras línguas também seja diferente de como se escrevia em latim? Não é, pois cada língua tem as suas origens e as suas variantes e a sua evolução que em nada as obriga a seguir a raiz latina, ou outra qualquer porque as línguas actuais são vivas, ao contrário do latim que já é uma língua morta.

    Em latim escreve-se “omnipotens” quando se quer referir ao que tem a qualidade da omnipotência. Em brasiliano escreve-se “onipotente” com um M extraviado. Em português escreve-se “omnipotente”! Será pavoroso uns seguirem a etimologia da palavra e outros não?

    Em latim “humiditas” significa “humidade” em português, assim como “humidité” em francês, “humedad” em espanhol ou “humidity” em inglês. Em brasiliano “umidade” perdeu o H. Será pavoroso?

    Em português escreve-se “amnistia”, em castelhano “amnistía” e em francês “amnistie”. Em brasiliano “anistia” perdeu-se também o M. Mas não é pavoroso, ou será?

    Cada povo tem as suas particularidades, e cada língua tem as suas características, mas isso não torna as línguas pavorosas de forma alguma.

    A todos um bem haja e votos renovados de que se recusem a escrever segundo as novas normas do AO.

  60. O grande erro do Brasil foi não ter expulsado os portugueses do mesmo jeito que os americanos botaram os ingleses pra correr. Vê se algum americano sofre da síndrome atávica de colonizado que os brasileiros padecem?
    É o cúmulo do absurdo dizer que brasileiros falam português.
    Mal conseguimos compreender o que um português diz. O vocabulário é diferente, as referências são diferentes, o falar, a cultura, o povo a natureza, as religiões, TUDO é diferente.
    É tão estúpido.
    Assim como é estúpido dizer que o Brasil foi descoberto por Cabral. Todos sabem que a América, do Alasca à Patagônia, foi descoberta por Colombo, aliás, todos os países do continente (EUA, Canadá, Argentina) dão os créditos a ele. Apenas os babacas colonizados creditam a Cabral.
    E agora esse acordo ortográfico…
    Estão debochando de nossa inteligência.

    Deda

    Olá Deda,
    se permite avanço aqui com mais umas ideias que podem despertar outras pessoas e elucidar quem escreveu as afirmações acima.

    Os americanos não são melhores nem mais felizes que os brasileiros por terem conquistado a independência aos ingleses mais cedo que os brasileiros.
    Por ter sido a América do Norte colonizada por ingleses e irlandeses, até são os norte-americanos mais racistas que os brasileiros que têm basicamente origem portuguesa (as origens relativas outros povos aconteceram mais tarde com diferentes levas de imigração para a América do Sul, nomeadamente para o BR).
    Os norte-americanos pelo contrário sofrem de outra doença: a síndrome de superioridade, que os leva a não terem consideração pelos outros povos a quem consideram inferiores.

    Cúmulo, cúmulo, não será dizer-se que os brasileiros falam português! Muito honestamente, até são brasileiros aqueles que se opões à designação de que no BR se fala brasiliano, optando por afirmar que se continua a falar português. Nesse aspecto os portugueses não têm qualquer influência, pelo que qualquer tipo de revolta se deverá manifestar contra quem impede essa alteração no ao nome da língua brasielira e não contra os portugas.

    Porque será que os brasileiros não conseguem entender os portugas, e os portugas conseguem entender os brasileiros? Já alguém pensou nisso? Será o desenvolvimento dalguma capacidade extra por parte dos portugas? Ou será alguma incapacidade de certos brasileiros entenderem os outros povos por se fecharem demasiado e se centrarem unicamente em si mesmos?

    Terão os brasileiros facilidade em falar inglês? Porquê?
    E porque será que os portugas falam razoavelmente inglês e outras línguas? Por certo não serão diferenças cerebrais! Poderá ser, sim, alguma falta de motivação do povo brasileiro para entender o que vem de fora. Mas isso é um problema cultural alheio aos portugas que adoram o que é estrangeiro.

    Também concordo, e é muito provável que não seja correcto dizer-se que o BR foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. Os portugas já conheciam o continente americano (de norte a sul) antes de Cabral ter fingido descobrir o BR, e antes de Colon ter “descoberto” a América.

    Aliás, sobre Colon (ou Colombo) será interessante salientar para quem não conhece o assunto que o famoso, e suposto, navegador genovês não nasceu na actual Itália, mas sim em Portugal, na localidade de Cuba, Alentejo. Isso mesmo!
    E Colon não veio para a América do Sul! Apenas tocou a ilha de Trinidad perto da Venezuela, na sua 3ª viagem.
    Também não conheceu o Canadá nem os actuais EUA. Limitou-se às Caraíbas (Caribe) e à América Central em 4 viagens.

    Quem tiver alguma curiosidade poderá consultar as seguintes informações nos links abaixo, pois este tema não tem a ver com a língua brasiliana…

    http://cuba.no.sapo.pt/paginas/cuba-informa/cristovao-colom.htm

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Mascarenhas_Barreto

    http://www.wook.pt/ficha/cristovao-colombo-agente-secreto-de-el-rei-d-joao-i-i/a/id/39630

    http://culturasindigenas09.blogspot.com/2009/03/viagens-maritmas.html

    Quanto ao AO (Acordo Ortográfico) também concordo que estão debochando da nossa inteligência! Não é possível que uma pessoa minimamente conhecedora da língua possa acreditar que este AO foi criado para unificar a língua portuguesa! E não foram os portugas que o inventaram, pois desde a infeliz ideia da sua criação em 1990, pode ler-se: que o Governo português “determina que o Acordo Ortográfico é aplicável ao sistema educativo no ano de 2011/2012 e a patir de 1 de Janeiro de 2012…” sendo que no BR houve muito mais pressa em pôr em prática a sua aplicação, “logo” em 2009, enquanto em PT não foi dada ênfase senão a partir de 2010 e onde alguns órgãos de comunicação e jornalistas independentes se recusam a respeitar o AO neste ano de 2011.

    Mas a quem é que interessa este AO? Interessa em grande parte ao BR, pois poderá explorar, entre outros, o mercado europeu, e colocar institutos e professores (e produtos como livros) brasileiros para o ensino do brasiliano, porque antes do AO na União Europeia apenas vigorava como versão oficial da língua portuguesa a variante de PT. É pois, uma forma do BR espetar uma lança em África e outra na Europa.

    Este AO embora seja chamado de unificador da língua portuguesa não é correcto, nem usa de honestidade para com os falantes da língua portuguesa.
    Primeiro, não unifica porque permite variantes gráficas para a mesma palavra, exemplos: Amazónia/Amazônia; facto/fato; súbdito/súdito; etc. etc. etc.
    Segundo, não unifica porque palavras que antes do AO se escreviam da mesma forma em PT e no BR, passam a ter grafias diferentes, como nos exemplos: infecção passa a infeção em PT e continua infecção no BR; recepção passa a receção em PT e permanece recepção no BR; espectador passa a espetador em PT e continuará espectador no BR, e muitas outras.
    Terceiro, deixar de se usar o trema é outro erro pois facilitava a pronúncia de certas palavras. A forma “pára” do verbo parar é outro erro deixar de ter acento, pois em PT “pára” e “para” têm pronúncias distintas.
    Quarto, tanto no BR como em PT a colocação dos pronomes antes ou depois do verbo continuará diferente.
    Quinto, a sintaxe e a semântica também não serão unificadas dum e doutro lado do atlântico.
    Sexto, até a palavra “bilião” tem formas distintas de escrever bilião em PT e bilhão no BR, assim como em cada país representam valores bem diferentes (1.000.000.000.000 em PT e 1.000.000.000 no BR).

    Então, a quem é que serve esta pele de lobo?
    Não é aos portugas com certeza.

    Por isso se estamos habituados a escrever de certa forma, então, como protesto continuemos a escrever do mesmo jeito, com tremas, acentos, consoante mudas, etc, e atiremos às urtigas as novas regras (des)unificadoras deste AO que apenas interessa aos lobbies poderosos da comunicação!

    Um bem haja a todos os amantes do conhecimento.

  61. Uma correcção ao post anterior, a pergunta exacta deveria ser: “Então, a quem é que serve esta pele de cordeiro?” e não “pele de lobo” como escrevi por lapso!
    A pele de cordeiro serve ao verdadeiro Lobo, isso sim!

  62. De João Tuga : “Não duvide que há interesses editoriais brasileiros no mercado europeu e nos africanos onde se fala português. ”

    Vou repetir:

    E que interesses seriam esses?
    O cobiçadíssimo mercado português de 3 milhões de leitores??? Ou seria o vasto mercado africano como Moçambique onde apenas 6% da população fala português? Se na África houver 2 milhões de leitores é muito.

    E o Brasil com nossos parcos + de 50 milhões de leitores estamos muito interessados no atraente mercado lusófono. Os executivos das editoras brasileiras não devem nem ter dormido à noite preocupadíssimos em aprovar este acordo.

    Além de sermos obrigados a aceitar que falamos a mesma língua (que são totalmente díspares), e sermos obrigados a estudar em uma gramática estrangeira (que não respeita a língua brasileira) ainda temos que ouvir essas besteiras?

    -Notícia do G1-

    ==>Brasileiro lê mais livros por ano

    A pesquisa ouviu pessoas a partir dos cinco anos de idade e mostra que, além desses 50 milhões de apaixonados, o número de leitores vem crescendo: 55% da população entrevistada afirmou ter lido ao menos um livro nos últimos três meses.
    http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL582237-5604,00.html

    É impressionante a pequenez dessa gente, pelo que me consta esta “reforma” foi feita de comum acordo e não imposta pelo Brasil. Por mim eles podem comer a língua cultural deles, pois prefiro mil vezes o idioma Brasileira, “inculto e belo” – [pornográfico, incorreto e mercantil, como eles dizem]do que nosso idioma ser colocado no mesmo barco do português(língua com uma sonoridade horrível e ininteligível para o brasileiro).

    O idioma do Brasil é o Brasiliano!

    Fiz pesquisas!!!

    Analfabetos:

    Brasil– 12% (país em desenvolvimento c/ uma pop. imensa)
    Portugal– 9% (país dito desenvolvido c/ uma pop minúscula)

    Leitores: (empate)

    Brasil– + de 50 milhões (apaixonados) [27% da pop]
    http://idiomabrasileiro.blogspot.com/2008/06/revista-brasileiro-l-mais-livros-por.html
    Portugal– 3 milhões [27% da pop]
    http://www.publico.pt/Cultura/as-boas-noticias-sao-que-ja-somos-mais-de-tres-milhoes-a-ler_1291898
    http://livrosavoltadomundo.blogs.sapo.pt/55236.html

    Emigrantes:

    Brasil– menos de 4 milhões [2% da pop]
    Portugal– 4 milhões [40% da pop]

  63. Por favor, algum brasileiro em sã consciência consegue entender isso?
    (Português)

    .
    .

    Agora compare esta língua aí de cima com essa
    (Brasiliano)

    Alguém ainda tem coragem de dizer que se tratam do mesmo idioma? Falo brasiliano, sim!

  64. Respondendo o habitante da tugalância acima:

    E porque será que os portugas falam razoavelmente inglês e outras línguas?”

    Fonte???????

    “Terão os brasileiros facilidade em falar inglês? Porquê?”

    Não sei se brasileiros tem facilidade, nunca li qualquer estudo que fale sobre isso.

    Acho o sotaque ingles (americano) dos paulistas muito bom, deve ser porque eles pronunciam o R da mesma forma. Todos os paulistas que conheço tem um sotaque impecável.

  65. Do Tuga: “Os portugueses não podem querer mandar na forma de falar no BR (mas a verdadeira batalha trava-se, em território brasileiro, entre os defensores do brasiliano e os conservadores, da chamada norma culta, que não querem aceitar a derrota de que o facilitismo venceu)”

    Resposta:Querido, a verdadeira norma culta é aquela que os falantes cultos no Brasil utilizam, ou seja, o Brasiliano! E não é uma vitória do facilitismo, é a vitória da tradição. Fora a deturpação do dito português de Portugal!

    “chama-se de falante culto aquele indivíduo nascido e criado em ambiente urbano e que possui nível de escolaridade superior completa. […] Se passarmos a empregar esse conceito de falante culto, talvez possamos propor que o padrão lingüístico a ser usado como referência geral seja baseado nos usos feitos pelos brasileiros cultos, e não mais na escrita literária. “

    Eu vou ter que repetir aqui uma resposta MARA da JU (uma das pessoas mais inteligentes que debatiam aqui)

    Os brasileiros pouco modificaram o português clássico, bem diferente de Portugal que alterou toda a língua.

    No século XVI, os lusos não engoliam vogais nem chiavam nas consoantes – essas modas surgiram no século XVII. Cabral teria berrado um “a” bem pronunciado e dito “vista” com o “s” sibilante igual ao dos paulistas de hoje. Na verdade, nós, brasileiros, mantivemos os sons que viraram arcaísmos empoeirados para os portugueses.(https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/)
    ————-
    “Acontece que o português europeu, ao contrário do brasileiro, passara nos séculos anteriores (particularmente no século XVIII) por um processo de mudança fonológica, com inúmeras conseqüências para a sintaxe.

    Uma dessas mudanças se refere ao fato de que a fala portuguesa passou a privilegiar a ênclise, isto é, seus pronomes átonos começaram a se cliticizar da direita para a esquerda, e o português do Brasil teve que se ajustar a um padrão que não era absolutamente o seu. Em outras palavras, nós brasileiros, que não tínhamos sido protagonistas desse processo (uma vez que quem mudou foram eles, não nós!) passamos a ter que obedecer à norma de não começar frase com pronome.” (https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/20/lingua-brasileira/)
    ——————————
    “É preciso notar, igualmente, que no século XVI, segundo depoimentos insuspeitos de gramáticos da época, tinha a língua portuguesa um ritmo muito mais lento que a do século XVIII em diante. Ritmo lento significa sílaba tônica menos forte, sílabas átonas mais nítidas e maior emprego da duração. Em conseqüência, havia melhor distribuição do acento de intensidade pelas sílabas. Como resultado secundário dessa situação, deve-se assinalar a tendência à valorização da abertura das vogais e das sílabas.” (https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/historia-da-lingua-do-brasil/)

    Ou seja, de centenar o português não tem nada. Outras curiosidades conservadas no idioma Brasileiro do Latim ao português clássico:


    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/07/me-passa-o-sal-certo-ou-errado/

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/vou-no-medico-certo-ou-errado/

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/a-origem-dos-sons-tch-e-dch-no-brasil/

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/14/eu-vi-ele-certo-ou-errado/

    Um problema na língua brasileira hoje é que usamos a gramática (estrangeira) “portuguesa” que considera incorreto nosso léxico, morfologia, fonética e mais todos os nossos modernismos e heranças. Isso é lógico, a evolução do Brasileiro foi diferente e a modificação sofrida pelo português no sec 18 não aconteceu no Brasil. Sofremos de um grave bilingüismo, falamos brasileiro mas somos obrigados a escrever em português. Essa situação está ficando insustentável e uma vasta gama de lingüistas querem a separação imediata do brasileiro e sua normatização.

    Veja:

    ==> https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/01/ensinar-portugues-ou-estudar-o-brasileiro/

    A lei da evolução, de Darwin, estabelece que duas populações de uma espécie, se isoladas geograficamente, separam-se em duas espécies. A regra vale para a Lingüística. “Está em gestação uma nova língua: o brasileiro”, afirma Ataliba de Castilho.

    Há quem seja ainda mais assertivo. “Não tenho dúvida de que falamos brasileiro, e não português”, diz Kanavillil Rajagopalan, especialista em Política Lingüística da Unicamp. “Digo mais: as diferenças entre o português e o brasileiro são maiores do que as existentes entre o hindi, um idioma indiano, e o hurdu, falado no Paquistão, duas línguas aceitas como distintas.” Kanavillil nasceu na Índia e domina os dois idiomas.

    ==> https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/

    Vc pode perceber que não queremos e não falamos português, são idiomas totalmente diferentes.

    Mais da JU:

    A língua brasileira, apesar de ser moderna é ao mesmo tempo conservadora:

    O português falado no Brasil é um descendente direto do português popular quinhentista e seiscentista. Suas origens devem ser buscadas no português medieval ou, mais precisamente, no português medieval da segunda fase.

    “Importante para a identificação do caráter original do português, no Brasil, é a verificação do tipo de sistema da língua portuguesa ensinada pelos jesuítas à população nativa. Como uma ordem religiosa intelectualizada, a Companhia de Jesus assentava seu trabalho sobre valores que considerava permanentes. Em conseqüência, tendia ele a adquirir caráter conservador, despido daquelas inovações que se lhe afiguravam passageiras e sem aqueles detalhes que, para ela, tinham sido as causas imediatas das inovações.

    No campo lingüístico, o resultado só poderia ser a valorização da língua dos antepassados de gerações recentes, mas não imediatamente anteriores. Isso significa que o português, disseminado pelos jesuítas no Brasil, foi o da segunda metade do século XV. A necessidade de manutenção do caráter unificador de seu trabalho fez com que esse português da segunda metade do século XV se mantivesse, no Brasil, durante todo o período em que os jesuítas puderam aqui viver e trabalhar. Até o século XVIII, portanto.” (https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/historia-da-lingua-do-brasil/)

    De Eduardo Torres:

    Aquela categoria “Certo ou Errado?” é excepcional. Muitas coisas que pensava ser vícios de linguagem dos brasileiros são na verdade heranças do latim ou do português antigo. É desolador o que a gramática portuguesa provocou na história da língua brasileira, fazendo a gente acreditar que falamos assim porque somos burros.

    Ex:
    Vou “no” médico

    ===> Mas é só ler os autores modernos e encarar a realidade: pode se ir em… Não é uma invenção recente, coloquial, mas a herança do latim.

    “No português brasileiro também ocorre ir em, sobretudo na fala, o que pode ser até sobrevivência da língua-mãe (latim in urbem ire)”. Em seguida, Luft dá estes exemplos: “Vou em casa”, “Foi no centro (no médico, no cinema etc.)” (Celso Luft)

    O uso popular brasileiro consagrou a construção “ir em” (ir no cinema, ir no banheiro, ir no dentista, etc), enquanto o “correto” seria ir ao cinema, etc. Veja-se agora a origem das duas preposições: “em” (do latim in: no interior, dentro), “a” (do latim ad: junto a, ao lado, próximo). Então seria mais lógico, com base nessa origem, dizer que “vou no cinema”, pois irei “no” interior dele e não junto a ele. Da mesma forma, é preferível “ir no banheiro” a “ir ao banheiro”
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/vou-no-medico-certo-ou-errado/

    “Me passa o sal?”

    ===> Um fenômeno sintático que teve modificações importantes na história do português entre a época medieval e a atualidade é a posição na frase dos pronomes pessoais átonos (me, te, lhe, o, a, nos, vos, lhes, os, as), também chamados pronomes clíticos ou apenas clíticos. Estes pronomes são hoje pós-verbais (ou enclíticos) em português europeu e galego, ao contrário do que se passa nas outras línguas românicas, em que são pré-verbais (ou proclíticos).

    – É fato sabido que a colocação dos pronomes átonos no Brasil difere apreciavelmente da atual colocação portuguesa e encontra similar na língua medieval e clássica.

    Em Portugal, esses pronomes se tornaram extremamente átonos, em virtude do relaxamento e ensurdecimento de sua vogal. Já no Brasil, embora os chamemos átonos, são eles, em verdade, semitônicos. E essa maior nitidez de pronúncia, aliada a particularidades de entoações e a outros fatores (de ordem lógica, psicológica, estética, histórica, etc.), possibilita-lhes uma grande mobilidade de posição na frase, que contrasta com a colocação mais rígida que têm no português europeu.

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/07/me-passa-o-sal-certo-ou-errado/

  66. “ocorreu uma sensível mudança na prosódia, ou seja, na maneira como as palavras são pronunciadas, no português falado na Europa. Ainda não se sabe como e por que isso aconteceu. Mas o fato de se seguirem no tempo sugere uma relação de causa e efeito entre as mudanças prosódicas do século 18 e as sintáticas do século 19.

    “Trabalhamos com a hipótese de que o português brasileiro seja muito próximo do português clássico em termos rítmicos”, explica a professora Galves, referindo-se como português clássico ao falado nos séculos 16 a 18. “Assim, os padrões prosódicos dos dois serão contrastados, como se fosse uma comparação entre o português clássico e o português europeu moderno”, acrescenta.

    Comendo sílabas

    Sabemos que ocorreu a grande mudança prosódica do fim do século 18 principalmente por meio dos comentários sobre apresentações teatrais e representações de sotaques que saíam nos jornais da época. Gonçalves Viana, um foneticista português do século 19, por exemplo, queixava-se de que os atores da época pronunciavam apenas sete ou oito sílabas das dez dos decassílabos de Camões. Eles simplesmente “comiam” as sílabas que vinham antes da tônica, as pré-tônicas.

    Isso ocorre até hoje. Em Portugal, muitas vezes, as vogais pré-tônicas desaparecem por completo na fala. No Brasil, porém, elas são mantidas. “Esse é o aspecto mais saliente da mudança fonológica”, diz a professora Galves. “Nós o interpretamos como uma mudança rítmica, ou seja, uma mudança na maneira como as sílabas átonas se reagrupam com as sílabas tônicas”, prossegue.””

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/01/ensinar-portugues-ou-estudar-o-brasileiro/#comment-333

  67. Do tuga: Um pouco de cultura não faz mal a ninguém.
    A origem da língua portuguesa não é apenas o latim.
    Já se falavam línguas nórdicas e germãnicas (de povos do norte e centro da Europa, celtas, normandos, godos, visigodos, lusitanos e outros) na Península Ibérica muito antes de chegarem os Romanos para imporem a sua língua.

    Resposta: Vc esqueceu do povo mais importante!!!!

    A PRESENÇA MOURA
    (https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/22/a-lingua-brasileira-2/#comment-796)

    “Os árabes ocuparam, durante 800 anos, a Península Ibérica, na Espanha e em Portugal. Criaram profundas raízes nos povos espanhóis e portugueses que, posteriormente, nos colonizaram. Colonizaram o Brasil e o resto da América do Sul. Por meio desses filtros de colonização, muitos hábitos chegaram a nós. Essa influência ficou mais claramente marcada no século XIX, a partir da imigração.”

    Citação de “martelli” em um fórum que está na lateral direita do blog:

    “Acho fascinante a história de Portugal e Espanha que ficaram por 800 anos sob o domínio muçulmano. É engraçado como não estudamos isso, porque não foram 1 ou 2 séculos, foram 800 anos, quase um milênio. E a reconquista só aconteceu poucos séculos antes de se descobrir o Brasil. “
    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=847912&page=16

  68. Maria Luiza,

    fico grato pelos seus comentários, pois gosto de conversar e aprender mais do que o pouco que ainda sei.
    Quanto ao “cobiçadíssimo” mercado português, sabe que eu comecei por ler muitos livros e revistas brasileiras em PT? Sabe que se realizam muitos espectáculos musicais brasileiros na Europa e no pequeno mercado português? Sabe que existem muitos europeus querendo aprender português e na Europa o BR precisa de estar em pé de igualdade através da falsa unidade da língua para colocar os professores brasileiros. É que PT como integrante da UE tinha preferência na sua variante da língua. Além de existirem muitos portugas espalhados pelos diversos estados-membros da UE (que possui 500 milhões de habitantes falando várias línguas). Se os mercados contassem pelo pequeno número de consumidores, então grandes empresas não investiriam em pequenos países. e os mercados estão em expansão. É uma questão interessante para analisar: poderá pesquisar o que motiva uma empresa com um mercado vasto no BR a procurar clientes portugas e africanos.

    Como eu disse já, se a designação aqui no BR é denominada língua portuguesa, é porque alguns brasileiros assim entendem que seja. Eu como portuga a residir no BR sou a favor de se alterar a designação para brasiliano. Como vê nós dois estamos de acordo.

    Infelizmente a reforma do AO foi elaborada e assinada de comum acordo por uma quantidade de imbecis de 8 países! Concorda comigo? Criaram uma comunidade chamada CPLP que eu ainda não percebi para que serve e entenderam que haveriam de chatear todo o mundo com alterações idiotas na língua, que como também já afirmei não unificam coisa nenhuma. Concorda comigo?

    Quanto aos vídeos que apresenta nos links, estou de acordo consigo. Detesto Madredeus porque apesar de ser portuga tenho dificuldade em entender o que a Teresa Salgueiro canta, mas isso é irrelevante para a língua portuguesa como um todo em território PT. Também tenho dificuldade em entender certas variantes do português, mesmo falado em PT! Concordo consigo, mas juro que também tenho dificuldade em entender certos regionalismos brasilianos. Acho que isso acontece com toda a gente quando não está habituada a um determinado sotaque. E em PT, apesar de ser um país pequeno existem muitos regionalismos. Existe até um regionalismo que ganhou força de lei e se estabeleceu como língua mirandesa em PT, sendo actualmente ensinada nas escolas de Miranda do Douro

    Sabe que desde pequeno que em PT eu me habituei a ouvir música brasileira, na época era mais MPB, e novelas da Globo já lá vão mais de 30 anos. O hábito faz com deixemos de achar os costumes do outros como sendo estranhos. Revistas e livros em brasiliano comecei a lê-los pouco depois de saber ler. Habituei-me ao brasiliano e isso torna-se normal.

    Deixe que lhe faça uma correcção: o habitante a que se dirige não habita na Tugalândia (terra existente apenas no imaginário de sonhadores e desconhecedores da realidade) e muitos menos vivo em Portugal ou noutra foma qualquer estranha que queira chamar ao país onde nasceu o seu brasiliano; vivo na brasilândia (ou prefere que eu lhe chame Brasil!?) tal como a Maria Luiza (já agora, o seu nome de Maria Luiza não é de origem espanhola, ou será?)

    Sobre falar inglês, aqui no BR, não precisamos ler sobre algum estudo, basta ouvir na Globo como toda a gente se refere ao Big Bróder, ou ao comercial do garoto que diz que o inglês não o assusta pois aprende na “iskiu” (se souber inglês perceberá que nem os jornalistas nem os apresentadores deveriam brasilinizar a língua inglesa por forma a não confundir o povo); “brother” tem sonoridade de “brâder” e Skill não tem um “i” no início nem termina em U, mas com sonoridade de “éLe”. A isto, e muito mais, eu posso assistir na TV que vejo aqui no BR, além de outras expressões. Peço-lhe que não se aborreça comigo. Falamos de realidades e não estou a tentar minimizar os brasileiros. Escolhi este país para viver, mas continuo a gostar do país onde nasci.
    Se mencionei a dificuldade para se falar inglês, por aqui, foi para exemplificar como até relativamente a uma língua falada internacionalmente, os brasileiros têm dificuldade na sua pronúncia, resultado de não se ouvirem os filmes na língua original. Como tal, também não se habituaram a ouvir a variante do português de PT!

    É verdade que o português de PT felizmente não é mais o mesmo da época medieval! Ainda bem que em PT a língua não é secular nem milenar! Assim como na Itália também já não se fala latim. As línguas actuais estão vivas e evoluem, criando-se e importando novas palavras e pronúncias. Em PT fizeram-se algumas reformas ortográficas das quais os brasileiros se abstiveram de aceitar, criando assim um maior distanciamento. Eu não considero incorrecto o léxico brasileiro, como não considero errado qualquer léxico africano que incorporou novas palavras à língua.
    Como já mencionei em posts anteriores também o português se afastou das suas línguas de base! É normal, é a evolução.

    Estou plenamente de acordo com Darwin e compreendo que os afastamentos conduzem a evoluções separadas das espécies e das línguas. E reafirmo não estou aqui a criticar a evolução das variantes da nossa língua, mas sim a contestar a forma como a Maria Luiza fez algumas afirmações.

    Não me esqueci da infuência moura. Mas o latim, na Península Ibérica foi influenciar as línguas locais; e as línguas muçulmanas chegaram depois dos Romanos.
    Não conheço a foma árabe de construir frases, apenas conheço as palavras que foram incorporadas ao nosso vocabulário. Por isso quando mencionei os povos germânicos e do norte da Europa foi para justificar o nosso tipo de construção de frases que não tem que estar forçosamente vinculada ao latim.
    Como os mouros estiveram na Península antes da chegada dos portugas ao BR então a influência deles na nossa língua é comum.
    E sabe o que lhe digo mais? Ainda bem que os povos mouros invadiram a Península e levaram muitos conhecimentos científicos, pois se dependêssemos apenas dos povos de religião cristã ainda estaríamos na Idade Média! E foram os povos cristãos que Reconquistaram a Península que expulsaram esse conhecimento e instalaram a Idade das Trevas por mil anos.

    Pode contar comigo para lhe responder a todas as perguntas que me colocar e para estar ao seu lado dizendo que aqui no BR se fala brasiliano e eu como portuga não faço força para dizermos que nós dois falamos do mesmo jeito. Mas pode contar comigo para brigar consigo cada vez que se lembrar de ofender os portugas e a origem da sua língua: o brasiliano.

    Se eu continuo escrevendo aqui como se estivesse em PT é apenas porque não concordo com o AO e também porque percebo que os brasileiros me entendem mesmo que eu escreva ou fale do mesmo jeito que o fazia em PT, antes de vir para o BR.

    Receba um abraço fraterno
    e um bem haja a todos,
    e em especial àqueles que se recusarem a aceitar o AO!
    João

  69. João Tuga: Sabe que existem muitos europeus querendo aprender português e na Europa o BR precisa de estar em pé de igualdade através da falsa unidade da língua para colocar os professores brasileiros.

    Resposta: Por curiosidade, por que muitos europeus estão querendo aprender português? (Fiquei muitíssimo curiosa agora, por favor peço que me esclareça.)

    Sobre a dificuldade dos brasileiros na pronúncia de idiomas estrangeiros, não me convenceu. O Sr se baseia em achismos. Daqui a pouco vai me dizer que um português pronuncia melhor alemão do que um habitante de Pomerode ou Blumenau. Ou que fala melhor italiano do que um habitante do Antônio Prado ou Vale Vêneto. Ou melhor ucraniano que um habitante de Prudentópolis. Melhor japonês que um nissei. Melhor russo que um morador da Colônia Santa Cruz etc (Concluindo o que disse, por sermos brasileiros temos uma pronúncia ruim em qualquer idioma, e os portugueses, por um mistério da natureza, não apresentam qualquer sotaque? hahahha Nunca ouvi tamanha besteira)

  70. Olá Maria Luiza,

    vou tentar satisfazer a sua curiosidade, e relembrar-lhe que os meus comentários não são tentativas de fomentar qualquer ideia de superioridade dos portugueses em relação a outros povos e muito menos de menosprezar o povo brasileiro, pois entre os portugueses além de existirem pessoas muito inteligentes e cultas, outras há que nada devem à inteligência. Mas isso acontece com todos os povos.

    Se o povo português fosse bastante inteligente, por exemplo, não teria eleito nem reeleito o actual Governo (português), essas escolhas só demonstram a falta de capacidade de raciocínio do povo.

    No entanto essa incapacidade de discernimento político não é suficiente para podermos considerar os portugueses como povo estúpido, inculto, de língua ininteligível e detentor de outros adjectivos injustos, geralmente atribuídos a eles por quem habita deste lado do Atlântico, onde a Maria Luiza e eu vivemos.

    A população europeia, como bem sabe, é composta por povos de diversas nações (e estas são superiores ao número de estados-membros, pois dentro do mesmo estado, ou país, podem coexistir várias nações. Alguns exemplos são a Espanha, o Reino Unido e até a pequena Bélgica). A diversidade linguística é uma verdadeira torre de Babel.

    A UE (União Europeia) promove o multilinguísmo como forma de não beneficiar nenhum dos estados-membros em relação aos outros, e como tal incentiva o estudo de diversas línguas.
    http://europa.eu/rapid/pressReleasesAction.do?reference=IP/08/1754&format=HTML&aged=1&language=PT&guiLanguage=en

    É, pois, comum os estudantes aprenderem vários idiomas por opção e não por obrigação. Existem até intercâmbios de jovens que passam a estudar fora do seu país como forma de conviverem com outras culturas e línguas.
    http://europa.eu/youth/volunteering_-_exchanges/youth_exchanges/index_eu_pt.html

    Os portugueses migraram para diversos países europeus onde criaram laços familiares e tiveram filhos e netos que pretendem continuar a aprender a língua portuguesa.
    http://www.bomdia.lu/index.php?option=com_content&view=article&id=9595:Luxemburgo%20vai%20ter%20l%C3%ADngua%20portuguesa%20no%20pr%C3%A9-escolar%20como%20op%C3%A7%C3%A3o&catid=1&Itemid=121

    As actuais relações comerciais a nível global fomentam, na Europa, o estudo de outras línguas além do inglês. A língua portuguesa (devido à população brasielira, claro) é a 3ª língua europeia com mais falantes no mundo, e a 6ª a nível global. É evidente que todas as línguas europeias com bastantes falantes devem essa realidade ao contributo das suas antigas colónias: 1ª inglês, 2ª espanhol, 3ª português…
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_l%C3%ADnguas_por_total_de_falantes

    http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_portuguesa

    Os europeus sabem que se quiserem conquistar certos mercados fora da Europa deverão conhecer as línguas nacionais desses países, pois terão mais êxito se falarem a língua local e conhecerem os costumes do que se tiverem a petulância de querer impor a língua inglesa como meio de comunicação. A imposição do uso da língua inglesa não é promissor para países da América do Sul (que é o caso que nos interessa aqui agora). Assim os investidores tratam de aprender português e espanhol para lidarem com os mercados da América Latina. Além do mais, as rivalidades lingüísticas na Europa são tantas que um alemão prefere aprender português para se estabelecer comercialmente no Brasil do que ter que usar a língua do país que derrotou a Alemanha nas guerras: o inglês.

    Acredite que o mercado brasileiro é apetitoso a nível global, também por isso (e não só) aprender português é importante para os agentes de negócios na Europa e no mundo.
    http://politicaexternabr.wordpress.com/2010/09/28/para-analistas-brasil-em-alta-passa-por-renascimento-na-europa-em-crise/

    Se em relação a este ponto tiver mais alguma dúvida ou não estiver de acordo, esteja á vontade para pedir explicações ou para contestar.

    Passemos ao ponto seguinte, e não querendo parecer pretensioso, já que não convenci a Maria Luiza, deixo aqui só mais alguns exemplos de pronúncias inglesas no BR: Eltom Jom (escuto assim na rádio e TV o nome de Elton John) ou Jom Lénom (para John Lennon; Darvim para Darwin; vibracau e caucenter para vibra call (pronuncia correcta como vibracóle) e para call center (pronúncia correcta como cólecenter), só para dar alguns exemplos de que me lembrei. Mas isso é normal na voz da população, nem imagina os disparates que são ditos pelo povo português que não é superior aosoutros! Mas já não será normal se for dito por jornalistas, radialistas ou governantes nos meios de comunicação para a população inteira! Assim ninguém vai aprender a falar correcto, concorda?

    Não estou a menosprezar o povo brasileiro nem as suas capacidades, estou apenas a constatar uma realidade, aquela que ouço e vejo por aqui, e sempre que conseguimos reconhecer os nossos erros estaremos prontos para melhorar o que estiver mal, concorda?

    O importante é melhorar e tentar fazer sempre cada vez melhor em vez de atirarmos azedume à cara uns dos outros por não gostarmos daquilo que ouvimos.

    Que as críticas sirvam para incentivar as melhorias e não apenas para nos vangloriarmos e considerarmos superiores a quem quer que seja.

    Se eu quisesse brincar até diria que os portugas são os melhores do mundo, isso faria bem ao meu ego! Mas a realidade é que os portugas não são melhores que os outros. Tenho pena!

    Mas, até fazem algumas coisas melhor que outros, mas também fazem muitas bem piores que os outros.
    Poderá considerar um disparate (besteira) tem direito à sua opinião, mas há sempre uma primeira vez para ouvirmos alguma coisa, nem que seja uma observação que consideramos sem nexo, inicialmente.

    Tentarei explicar-lhe que não há mistério, mas apenas uma singularidade. Não se aborreça, porque o que acontece no BR acontece também em países vizinhos de PT como a ESpanha e a FRança, para não referir os restantes (poderia novamente parecer pretensioso da minha parte) onde aí também têm dificuldade para os outros idiomas por hábitos de assistirem filmes apenas na língua nacional e de ouvirem pouca música estrangeira na rádio. Se um dia visitar a Península Ibérica poderá verificar como os espanhóis dizem não entender os turistas e os portugueses, bem ao lado deles, entendem os espanhóis e outros mais. Se quisermos brincar poderemos dizer que pode ser porque os portugueses possuem um dom misterioso!!! eheheh

    Em PT não existe o hábito de se ouvir filmes em certas línguas como o japonês, o ucraniano, o polaco, o russo nem em muitas outras! Mas, o hábito de fazer alguma coisa também não torna as pessoas mais inteligentes, torna-as apenas mais aptas naquilo que fazem.
    Para não importunar mais deixo aqui uma nota sobre o Presidente da Comissão Europeia, de todos os que já ocuparam o cargo é aquele que mais línguas utiliza para se dirigir aos eurodeputados e às populações europeias.
    http://www.ionline.pt/conteudo/4859-durao-barroso-apela-ao-voto-num-video-gravado-em-seis-linguas

    http://ec.europa.eu/commission_2010-2014/president/news/speeches-statements/2011/02/20110201_speeches_1_pt.htm

    Um bem haja a todos os que tiverem disposição para ler estes comentários,
    pois não é este tipo de polémicas que contribui de forma relevante para os esclarecimentos sobre a língua portuguesa, mostrando mais o lado nacionalista do que universalista das pessoas.

    Um bem haja à Maria Luiza que apesar de dizer que não entende a língua portuguesa até consegue conversar comigo neste idioma, e em especial um bem haja para todos aqueles que ainda se recusam a considerar o Acordo Ortográfico como uma melhoria para a língua portuguesa.

    Um bem haja até mesmo para quem não está de acordo com o que por aqui se escreve.

  71. Sei. Então quer dizer que os portugueses se aproveitam do interesse que existe pelo Brasil para ensinar o “seu português” na Europa, mesmo sabendo que os brasileiros pouco entendem essa língua (Já que só falamos português oficialmente, pois na prática falamos brasiliano).

    Do Tuga: o BR precisa de estar em pé de igualdade através da falsa unidade da língua para colocar os professores brasileiros. É que PT como integrante da UE tinha preferência na sua variante da língua.

    Resposta Entendo, é como se o Brasil por um ato bem mesquinho, diga-se de passagem, fizesse um acordo com toda a América (do Alasca à Patagônia) que só o Português-Brasiliano dado por Brasileiros pudesse ensinado nas Américas. Ah sei! Entendo Portugal! Aliás, esse acordo que existe na Europa é a cara dos portugueses!

  72. Encontrei agora este fórum quando pesquisava assuntos distintos do tema aqui abordado, fiz algumas leituras, achei curioso e decidi-me a deixar aqui algumas palavras.
    Começo por dizer que daquilo que foi aqui dito mais recentemente ainda não percebi bem a posição do João Tuga. Primeiro diz-nos que é português e vive no Brasil. Não entendo porque se refere sempre aos portugueses como “portugas” não usando de tratamento igual para com os brasileiros (o que seria normal, se usasse o mesmo critério, então, deveria usar a expressão “brasucas”)!
    Depois, não entendo porque se ofende com as observações dos brasileiros sobre os portugueses, pois se tomar atenção verá a forma como os portugueses se manifestam contra os brasileiros, inclusive neste espaço, até parece que em Portugal somos os donos da língua!
    Eu também sou português e já me deixei de ser ufano e pretenso dono da língua portuguesa por, apenas, ter nascido em Portugal. É como os ingleses que deram nome à sua língua e hoje percebem que a variante americana tem mais força no mundo que a variante europeia. Noto que nós, os portugueses, ainda estamos agarrados à antiga ideia imperialista de senhores que viajaram à volta do mundo noutras épocas, e como não somos donos de nada, e possuímos apenas uma importância relativa no mundo, então queremos prender-nos a uma tábua de salvação que é a língua portuguesa que se fala de diferentes formas ao redor do mundo e impormo-nos como fiéis depositários e guardiães (ou seremos guardiões?) do português!
    Não sou da opinião que é apenas em Portugal que se fala português, pois atualmente, Brasil e Portugal estão no mesmo nível, nenhum dos países é dono da língua. E não é verdade que os brasileiros foram os únicos a deturpar o português, Portugal também fez as suas alterações, e o Prof. Malaca Casteleiro explica muito bem essa situação, inclusivamente numa postagem já colocada neste espaço. Nem o Brasil tem prevalência sobre a língua pela sua quantidade de falantes, nem Portugal é soberano por ser o território que deu nome à língua.
    Não acredito que seja com argumentos insípidos, ou descontextualizados, ou ainda com ofensas que ambos os povos, brasileiro e português, se entenderão em matéria linguística. É necessária a união das mentalidades discordantes e a compreensão de que nos diversos pontos do planeta onde se fala português a evolução da língua seguirá caminhos independentes, apesar da globalização. Assim no futuro as discrepâncias ainda serão maiores, tanto na ortografia como na oralidade.
    Ficarmos contra o novo Acordo Ortográfico é apenas um revivalismo, um sonho idílico e ideias preconcebidas de que alguém está a tentar impor alguma coisa a outrem! Também não vejo necessidade de se chamar “brasiliano” à expressão dada à variante da língua falada no Brasil, pois os australianos também ainda não mudaram a designação da sua variante da língua inglesa para “australish”.
    João não entendi porque usou o pseudônimo de “Tuga” e afirma ser a favor de se renomear a língua no Brasil para “brasiliano”! Será que estas suas ideias são para evitar que os brasileiros se tornem donos daquilo que considera ser a sua (e a minha) língua? É mesmo português? Por aquilo que escreve, quase tudo, parece indicar nesse sentido! Mas fiquei curioso.
    Será que o João quer tornar os brasileiros “independentes” da língua portuguesa, para os portugueses poderem ser considerados os senhores da lusofonia?

    Faz falta uma uniformização na língua para que esta se possa considerar como possuindo uma verdadeira unidade e ter mais força nas instituições internacionais. Não se trata apenas de eliminar consoantes mudas nem tremas ou hífens, pois permanecerão sintaxes diferentes num e noutro país e o uso de vocábulos distintos, alguns com significados diferentes em ambos os países. O tema é mais complexo do que à primeira vista possa parecer. Seria necessária a criação de um verdadeiro Gabinete, comum aos oito países, composto por estudiosos da língua e independentes das estratégias e vontades de cada Governo para poderem elaborar uma verdadeira e suave harmonização da língua portuguesa.
    João, não o aconselho a entrar em batalhas para convencer quem quer que seja de que, nós portugueses, possuímos uma estranha capacidade de assimilar com facilidade o jeito de falar outras línguas. Comparo isso aos ucranianos e russos que vivem entre nós que, apesar de possuírem o alfabeto cirílico, assimilam a nossa língua com facilidade e até apreendem o nosso sotaque de forma extraordinária. Um brasileiro, no Brasil, não acreditará nisso, até porque não é capaz, sequer, de imitar o sotaque português, enquanto – como o João deve saber, se alguma vez viveu em Portugal – que os portugueses conseguem imitar os sotaques brasileiros quase com perfeição. E não se ofenda, se aí no Brasil lhe disserem que não nos entendem! Nem todas as pessoas têm a capacidade de aprender línguas estrangeiras com facilidade. Não se esqueça que inclusivamente os brasileiros têm alguma dificuldade em pronunciar o som aspirado do “h” em inglês, atribuindo-lhe uma sonoridade semelhante ao nosso duplo “rr”.
    Agradeço a este fórum a oportunidade que me concede de poder expressar livremente as minhas opiniões.
    V.L.

  73. Caro leitor, não sendo o excerto do texto que se segue um comentário às preocupações sobre a língua portuguesa, creio que poderá dar uma ajuda ao modo como tantas vezes nós portugueses olhamos os brasileiros e vice-versa. E assim tentarmos entender-nos sem aumentarmos rivalidades, mas sim unindo esforços para a compreensão e evolução conjunta.

    “Como expectadores da vida alheia, julgamos diariamente os gestos e atitudes do nosso próximo. Quem diz que nunca julga, não é honesto consigo mesmo. Quando fazemos um comentário, qualquer que seja, estamos julgando. Cada vez que exprimimos uma opinião pessoal sobre alguma coisa, fato ou alguém, estabelecemos um julgamento, justo ou injusto. E quando somos nós o centro da plateia, pedimos clemência, tolerância, imploramos interiormente para que se coloquem no nosso lugar e tentem entender nossas ações ou reações.

    Colocar-se no lugar do outro para entendê-lo, seria entrar no seu coração e alma, sentir suas emoções, vestir sua pele. Impossível. Cada um de nós é único e mesmo aquelas pessoas que mais amamos não nos transferem suas dores tal e qual. Sentimos sim, quando sofrem, mas por nós, porque nossa própria alma se entristece.

    Deveríamos, todos, possuir um espelho da alma, para que pudéssemos nos olhar interiormente antes de julgarmos outras pessoas. Sentiríamos, provavelmente, vergonha dos nossos pensamentos. Por que nosso próximo é tão exposto às imperfeições, falhas, más ou boas decisões, quanto nós. Se houvesse uma câmera capaz de revelar aos outros nossos pensamentos diários, iríamos estar sempre fugindo dela. Por quê? Porque ante a possibilidade de que seja revelado nosso eu, seríamos muito mais honestos conosco. Isso nos tornaria, talvez, mais tolerantes e mais humildes.
    […]”
    Letícia Thompson

    Depois das palavras da Letícia deixo aqui mais alguam informação.
    Só quando alguém quer inventar problemas é que criamos uma briga.

    Para quem não souber, direi que a União Europeia é um projecto de criação dum “país” que com leis e regulamentos diferentes terá semelhanças com a Federação Brasileira ou com a Federação dos Estados Unidos. Então, em relação ao ensino da língua portuguesa seria como pensar se seria possível nalgum dos estados brasileiros algum Governador lembrar-se de implantar as regras gramaticais do português europeu! Na totalidade dos estados brasileiros, o ensino, e muito bem, é o da variante do português do Brasil.

    A União Europeia não é apenas uma união económica e mercantil, engloba também projectos sociais e culturais, além doutros. Não faria sentido que o ensino da variante europeia da língua portuguesa não tivesse primazia, mas isso não impede o ensino da variante brasileira. Há que identificar as distinções e quem estiver interessado em aprender deverá saber a versão pela qual optar. Não se trata de aproveitamento relativamente ao maior país de língua portuguesa, até porque qualquer empresário sul-americano que queira investir em PT não aprende a variante europeia, mas sim a brasileira, e os portugas entendê-los-ão. É normal os Governos defenderem o que é seu, mesmo que nós não concordemos com muitas das suas decisões. Não devemos é inventar problemas onde eles não existem e criar um fosso ainda maior entre as comunidades lusa e brasileira!

    Um bem haja a todos, quer concordem ou não com o AO.
    Abraço

  74. (Comentando o q os tugalesees disseram acima)
    Percebo que esse negócio de que os habitantes da Tugalândia falam qualquer língua como um nativo, sem qualquer sotaque, é lenda urbana em Portugal e o pior é que os tugaleses acreditam piamente nisso. Engraçado que todo mundo tem sotaque: noruegueses, russos, franceses, americanos… menos os portugueses. hahahah (O mais curioso é que não apresentam FONTES que comprovem esse extraordinário dom). Quanto aos portugueses conseguirem se passar por brasileiros: DU-VI-DO!!!! Todo português ao falar brasiliano tem sotaque.

    Quanto ao sotaque dos brasileiros falando inglês, fico com a opinião do jornalista do NYT – Seth Kugel
    https://brasiliano.wordpress.com/2009/01/12/o-sotaque-do-brasileiro-falando-ingles-e-o-mais-bonito/

  75. Uma entrevista interessante de Saramago (Legendada, claro!)

  76. Interessante a discussão e o rumo que ela tomou. Só quero fazer alguns comentários que acho importantes.

    Primeiro, sobre aprender português e suas variantes: é mais do que óbvio que a quase totalidade daqueles que querem aprender português no mundo o desejam pela variante brasileira. Acho completamente estéril tentar discutir isso.

    Sobre os filmes legendados ou dublados: realmente, na TV aberta brasileira a maioria dos filmes é sim dublada, mas não nos canais de TV a cabo. Alias, o publico do cinema, por exemplo, claramente prefere assistir a filmes legendados para ouvir a voz original do ator. Mas quanto a TV aberta eu concordo que é assim.

    Estamos falando aqui de duas coisas, da capacidade dos portugueses em falar outros idiomas e da capacidade dos portugueses em imitar os brasileiros de qualquer região.

    A primeira delas eu realmente acho que é um mito. Já vi entrevistas do Cristiano Ronaldo (pra mim, o melhor jogador do mundo, ao lado do Messi) em inglÊs e espanhol no youtube e a pronúncia que ele tem dos dois idiomas é a de qualquer estrangeiro de língua latina, ou seja, pronuncia mal as palavras. E isso que ele vive em países onde são falados estes idiomas há algum tempo.

    Alias, quando estive em Portugal li uma matéria sobre os imigrantes portugueses na Suiça e dizia que os portugueses que lá vivem, em sua maioria, não aprendem o idioma alemão porque não conseguem de jeito nenhum e vivem em comunidades fechadas falando apenas português ou, no maximo, um pouco de inglês com os nativos que falam também inglês. Isso para mim desmonta (ou pelo menos torna discutivel) a idéia que o João Tuga e o Vitor apresentaram.

    A segunda – capacidade dos portugueses em imitar os brasileiros – eu acho que é verdade, sim! Já conversei com vários portugueses pessoalmente em outros países e fiquei surpreso em ver como jovens da minha idade sabiam sobre o Brasil e a nossa cultura e como eles conheciam os nossos sotaques (já vi portuguÊs imitar um sotaque gaúcho tradicional com perfeição). A explicação, porém, é muito simples e me foi dada por eles: Portugal tem há muitas décadas uma grande influência cultural brasileira (novelas, música, algum cinema, canais brasileiros na tv, etc, etc) o que desde cedo acostuma os portugueses a terem contato com o nosso sotaque e a nossa (s) variante(s) da língua.
    Por outro lado, tem razão quem diz que os brasileiros, em geral, fazem péssimas imitações dos portugueses. E por qual razão? Pela mesma. Porque aqui a produção cultural portuguesa é praticamente desconhecida, sendo bem menos (muito, mas muito menos) conhecida e apreciada do que a dos nossos países vizinhos, como a Argentina, e do que a dos outros países europeus como a Inglaterra, França, Itália, etc, etc.

    Acredito mesmo (por já ter visitado Portugal)que os portugueses são mais expostos sim a culturas estrangeiras do que nós e são sim expostos – muitíssimo mais, nem dá para comparar – à nossa cultura do que nós somos expostos à deles.Isso talvez tenha algo a ver. Somos um pouco como os americanos nisso, somos um pouco fechados neste aspecto e damos mais valor apenas à cultura de países culturalmente mais relevantes como a Inglaterra, França, Alemanha e Italia que eu citei anteriormente.

  77. Caros Amigos, Ernesto, Maria Luiza e todos os brasileiros,
    começo por dizer que não levem tão a peito tudo aquilo que aqui se afirma. Tenhamos em consideração que mesmo sendo verdadeira a minha observação sobre a tendência dos portugas falarem outros idiomas, temos que perceber que todas as regra têm excepção.

    Quando cheguei ao BR ouvi dizer o seguinte: “Deus é brasileiro!” também acredito que seja, mas Deus é também de todo o mundo… E não fiquei ofendido por ouvir a expressão, apenas considerei que muita gente tem o hábito de dizer (e pensar) isso. Não adiantaria tentar contrapor que Deus também deve ser portuga. Mas essa observação levou-me a reflectir sobre o motivo das pessoas fazerem tal afirmação. As conclusões a que cheguei não se coadunam com o objectivo deste espaço apenas sobre a língua. Adiante…

    Afirmar que os portugueses são melhores que os brasileiros seria estupidez sem fundamento. Os meus pais, que são portugueses, não falam uma única palavra noutros idiomas! Até 1974, em PT a informação estrangeira era raríssima, devido à ditadura. Só os estudantes e pessoas com formação universitária tinham conhecimentos de línguas estrangeiras. A rádio passava na sua maioria músicas portuguesas e a TV quando surgiu também não passava programas estrangeiros. Só depois de 1974, a TV aberta (a única existente na época) começou a passar filmes e documentários em diversos idiomas, legendados em português. Isso criou uma abertura nas camadas mais jovens, facilitou a audição de outros idiomas, juntamente com as músicas estrangeiras na rádio que também deram essa oportunidade.

    O que eu disse não foi com intuito ofensivo, mas parece que para algumas pessoas terá sido um ofensa de lesa-majestade! Peço perdão. Lamento que até os apresentadores de televisão brinquem com a realidade dos brasileiros não serem normalmente falantes habituais de de outras línguas, nem mesmo da universal língua inglesa. Veja-se a quantidade de comerciais que incentivam o estudo da língua inglesa. Quem quiser fazer deste tema um cavalo de batalha poderá ficar perdido na busca de factos para comprovar que muitos portugueses nem sabem falar a sua própria língua quanto mais falar uma língua estrangeira. Quem quiser perceber a minha crítica aos meios de comunicação e à forma como se educa o povo terá uma oportunidade de querer melhorar o que está mal, em vez de tentar defender-se de observações tristes, mas reais. Aqui no BR quando vou ao cinema tenho a possibilidade de escutar outros idiomas, e ainda bem, na TV de sinal aberto isso não acontece, e infelizmente a maioria do povo é aquilo que vê e ouve, pois a situação económica não lhe permite luxos.

    Repito que as minhas postagens não têm a intenção de apresentar os portugueses como um povo superior, pelo contrário, apenas mostrar que apesar de muitas coisas erradas em PT, pelo menos no aspecto educativo, até mesmo em escolas públicas onde eu estudei, há oportunidade de se aprender várias línguas.
    No meu 6º ano de escolaridade, em PT, foi-me dada a opção de escolher como segunda língua inglês ou francês. No 8º ano tive oportunidade de escolher também alemão ou latim, como referi tudo isto aconteceu em escolas públicas da responsabilidade do Estado e não em escolas privadas. O que eu gostaria era que o BR evoluísse em vez de festejar situações em que estudantes do sistema público de educação conseguem entrar na Faculdade (isto que acabei de relatar assisti num Telejornal estadual).
    Hoje, infelizmente, é possível encontrar em PT demasiados estudantes universitários que não sabem sequer escrever português correctamente, mesmo que até saibam falar inglês. Mas isso é uma questão para as preocupações do Governo português.

    Caros amigos, não adianta tapar o sol com a peneira e fingir que está tudo bem “no reino da Dinamarca” (neste caso, fingir que está tudo certo no BR) isso é o que os governantes querem, que o povo se iluda e ache que está tudo bem e que o brasileiro é o melhor do mundo, dá-lhes oportunidade de se auto-governarem em vez de gerirem o país com condições dignas para a população. Meus amigos aproveitem e exijam dos Governos aquilo a que o povo tem direito, entre outros: direito a uma boa educação.

    Um bem haja para todos

  78. Ernesto, se você ler com cuidado o que eu disse verá que eu concordo com algumas coisas que vc disse. E não levei nada a peito, nem falei de superioridade nem nada. Posso garantir que aqui nos temos mto claro que o nosso país não é perfeito e que temos defeitos sim a sanar.

    Foi dito aqui que os portugueses imitam e conhecem bem o nosso (s) sotaque (s) e eu concordei dando exemplos. E eu tb afirmei que vcs estão expostos ao convivio com outras culturas muito mais do que nós.

    Leia calmamente o que eu escrevi e verá que nosso discurso não foi tão distinto assim.

  79. A propósito, ainda sobre a falta de sotaque dos portugueses e a facilidade com que aprendem outros idiomas:

    Acho que isso encerra a discussão.

  80. Caro Ernesto,

    realmente li com atenção o seu post e agradeço os seus comentários. Afirmo: não fiz uma crítica ao que escreveu recentemente, apenas quis frisar aos brasileiros que eventualmente possam ler os meus posts que não entendam as minhas afirmações como uma forma de minimizar o povo brasileiro nem de tentar superiorizar os portugueses. Se eu não gostasse dos brasileiros não teria vindo viver para o Brasil, vim voluntariamente e não por obrigação. Ernesto, apenas referi o seu nome porque anteriormente já tinha chamado a minha atenção para o que eu havia escrito.
    Se todos os portugueses falassem maravilhosamente outras línguas, então, o portuga seria um povo fenomenal. Mas isso não é assim!

    Adorei o vídeo sobre o pior Primeiro Ministro que Portugal já teve, e o mais mentiroso. Consegue governar mal, ludibriar o povo e comprar os seus diplomas universitários, de engenheiro civil e de inglês técnico. Quem não sabe estudar paga falsificações para exibi-las publicamente. Quem mente assim, está mais preocupado em obter vantagens pessoais sobre os outros do que em melhorar o seu carácter, os seus conhecimentos do que beneficiar a situação do país!

    http://dicionario.sensagent.com/caso+socrates+independente/pt-pt/

    No entanto, as postagens neste fórum deveriam relacionar-se mais com as divergências entre as diferentes formas de falarmos a nossa língua e sobre a necessidade ou não de se implementar o brasiliano no Brasil do que propriamente nos debruçarmos sobre pormenores irrelevantes de quem fala melhor ou pior outros idiomas além do português e do brasiliano.

    Deveríamos debater aqui qual o motivo dos brasileiros não entenderem os portugueses na sua forma de falar, e como ultrapassar esse obstáculo. O contrário não acontece tanto, mas também existem portugas que não entendem alguns brasileiros!

    Deveríamos tentar perceber como melhorar aquilo que cada um tem de pior, e para isso servem as críticas. É quando colocamos o dedo na ferida que vemos a necessidade de cuidar daquilo que está doente.

    Se as críticas forem tomadas como ofensa pessoal ou nacional (como povo ofendido) então a reacção natural é procurar a forma de contra-atacar, é buscar uma brecha no inimigo e dizer: “vcs também fazem (ou dizem) isto de forma errada ou pior do que nós”. Mas quem disse que o povo português é perfeito? Quem afirmou que os políticos portugueses são mais honestos ou preocupados com a população do que os políticos brasileiros? Eu nunca afirmaria tais mentiras…

    Tenho por hábito criticar o que está mal. Em PT também criticava o que estava errado. Criticava o Governo e o Ensino que está a piorar relativamente ao que já foi no passado. Actualmente os alunos portugueses passam de ano lectivo, mesmo que não saibam nada, apenas para não prejudicar as estatísticas governamentais! Por tudo isso deixei aquele país. Mas gostaria que os brasileiros aproveitassem melhor as suas grandes potencialidades, em vez de procurarem desculpas para aquilo que, no BR, se faz (ou fez) de errado!

    Querer melhorar e aperfeiçoar não é errado. O que está mal é desejar permanecer no erro e defendê-lo com unhas e dentes. Se eu vivo no BR gostaria que este país evoluísse em vez de regredir…

    Acredito na necessidade de intercâmbio cultural para trocas de conhecimentos. A partir do momento em que conhecemos o outro mais pormenorizadamente passamos a ser mais condescendentes e menos agressivos de forma gratuita. E conhecer o outro não é errado! Perceber porque cada um fala do jeito que fala ajuda a compreender o nosso jeito de falar e torna-nos mais ricos culturalmente.

    Perdoem-me os brasileiros, mas aqui no BR continuarei a criticar aquilo que eu vir que está errado, assim como o fazia quando vivia em PT. Gostaria que PT evoluísse, assim como desejo o mesmo para o BR. Sinto-me tão brasileiro como me sinto português.

    Um bem haja a todos

  81. “Perdoem-me os brasileiros, mas aqui no BR continuarei a criticar aquilo que eu vir que está errado, assim como o fazia quando vivia em PT.”

    Esteja à vontade para fazê-lo, João Tuga. Como eu disse antes, concordo com muito do que você disse.

  82. “A designação de “português europeu” evita a tautologia do “português português”, tautologia essa que cobriria de ridículo os intelectuais nacionalistas brasileiros. ”

    Bom, então supomos que os tais “intelectuais nacionalistas brasileiros” são na verdade ingleses ou americanos de nascimento, porque as expressões “European Portuguese” e “Brazilian Portuguese” são de uso corrente nos EUA e na Inglaterra. Da mesma maneira que usam “British English” e “American English” para diferenciar as variantes do seu idioma.

    Provavelmente não usam a expressão português americano para não confundir com o uso corrente da palavra “americano” que é, em todo o mundo, sinônimo de cidadão dos EUA.

    Estas expressões não são de uso comum no Brasil. A expressão mais usada (seja por intelectuais “nacionalistas” ou não) é Português de Portugal, a fim de para diferenciar do nosso, o do Brasil. Só isso já é suficiente para invalidar tudo o que foi dito neste texto.

  83. O comentário acima parte implicitamente de um pressuposto errado: o de que foram os americanos e os ingleses que cunharam o termo “português europeu”. Quando ainda Portugal era governado por Salazar, esse termo não existia — nem em Portugal, nem nos países anglo-saxónicos; existia o “português de Portugal” e o “português do Brasil” (que são coisas diferentes de “português europeu” e “português brasileiro”).

    E mesmo que fosse o mundo inteiro a adoptar, por moto próprio, o termo “português europeu”, este termos não deixaria, por esse facto, de estar errado. Não é legítimo nem lógico que se adopte um erro em nome de uma suposta aprovação geral. “Português europeu” não faz sentido, assim como não faz sentido dizer “inglês europeu” : adoptou-se o termo English UK (inglês do Reino Unido), o que está correcto.

    O termo “português europeu” foi cunhado pela política, tanto do lado de Portugal (esquerda internacionalista) como do lado do Brasil (nacionalismo chauvinista brasileiro). O problema do nacionalismo brasileiro em relação à língua surge quando, no princípio da década de 60 do século passado, os políticos brasileiros se deram finalmente conta de que a língua portuguesa estava muito para além de Portugal e do Brasil : Angola, Moçambique, e os outros novos países como Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, e mesmo Timor, etc., acordaram os políticos brasileiros para o problema da língua: aquilo que era já considerado “exclusivamente brasileiro”, deixou de o ser.

    O meu texto apresenta factos concretos e provas objectivas do uso errado do termo “português europeu”.

    Porém, a minha experiência com brasileiros revelou que não vale absolutamente a pena apresentar quaisquer factos ou provas objectivas, desde que vindos de um português; e isto acontece, talvez, por culpa dos portugueses, que se mostraram demasiado benignos e cooperantes com o Brasil neste Acordo Ortográfico e noutras áreas culturais.

    O ego do brasileiro está de tal modo inchado que a realidade concreta já deixou de contar: o brasileiro inventa a sua própria realidade a partir da soma das subjectividades de uma suposta intelectualidade, e depois pretende impôr ao povo português essa realidade decorrente de uma interpretação delirante. Essa imposição brasileira não tem em conta Portugal propriamente dito, mas visa o mundo extra-Brasil que Portugal construiu (as ex-colónias de África). A expressão “português europeu” é apenas um pequeno detalhe dessa estratégia brasileira de desconstrução da História.

  84. Sou um Pessoa simples, nao sou educado e como o pessoal que acima falou, tantos os portugueses como os brasileiros.sou portugues nacido em Angola, criado em Portugal, com mae angolana e pai portugues. moro em Londres na Inglaterra e minha mulher e brasileira de curitiba. Pra meu espanto afinal segundo a vossa teoria, este tempo todo tenho me comunicado em 3 linguas, afinal minha mae fala angolano e eu falo com ela, meu pai fala portugues e eu entendo ele tambem e surpresa surpresa, minha mulher que aprendi aqui neste site ela afinal fala brasiliano e eu nao sabia, sempre entendi ela e ela a mim. desde o inicio tava ouvindo uma pessoa a falar uma lingua estrangeira e eu entendia tudo. Devo ser um genio.E outra coisa ela tambem afinal de falar o maravilhoso brasiliano, mesmo assim ela entende a 100 por cento a minha lingua portuguesa.Minha familia e so Genios.kkkkkkkkk rsrsrsrs lol

  85. O seu texto é um monte de asneiras e a prova da sua ignorância.

  86. De O.Braga: “Porém, a minha experiência com brasileiros revelou que não vale absolutamente a pena apresentar quaisquer factos ou provas objectivas, desde que vindos de um português; e isto acontece, talvez, por culpa dos portugueses, que se mostraram demasiado benignos e cooperantes com o Brasil neste Acordo Ortográfico e noutras áreas culturais.”

    Ohhhhh… os tugaleses são tão bonzinhos, né? Ainda bem que a história e a realidade provam a mentira dessa afirmação!

    Ex: Brasil fez mais concessões do que Portugal no novo Acordo Ortográfico

    http://www1.ionline.pt/conteudo/116805-brasil-fez-mais-concessoes-do-que-portugal-no-novo-acordo-ortografico

    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1828650&page=-1

    Precisa dizer mais alguma coisa?

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