TRÊS SÓCIO-HISTÓRIAS: TRÊS LÍNGUAS

Rosa Virgínia Mattos e Silva*

Em 1985, Noam Chomsky dizia que língua é um conceito político e extrapola o âmbito lingüístico. Nada melhor para ilustrar essa assertiva que a sócio-história do galego, do português europeu e do português brasileiro. Nascido no Noroeste Peninsular, o futuro galego-portugês tem uma sócio-história, na origem, comum: mesmo substrato, o designado de proto-vasco; mesmo tipo de romanização – na Gallaecia Romana se encontraram as duas correntes de romanização, a da Bética, conservadora/culta e a da Tarraconense, inovadora/rural; quanto aos germânicos, os Suevos, vindos pelo norte da Península Ibérica, instalam seu reino na Bracara Romana, só depois absorvidos pelos visigodos; os muçulmanos chegaram a Compostela, mas se concentraram abaixo dos Montes Cantábricos e do vale do rio Douro. É no processo histórico da Reconquista que vão se definir os destinos da Galícia e de Portugal.

Como se sabe, a sociedade hispano-goda irá empenhar-se num processo expansionista, defendendo e alargando o seu território à custa não só de áreas reconquistadas mas também de expansão sobre os reinos vizinhos. Conseqüentemente, a constituição de reinos distintos implica a criação de fronteiras políticas. As fronteiras políticas transformar-se-ão em fronteiras lingüísticas. O romance do norte vai se compartimentando em dialetos diferenciados pela ação de substratos e superstratos. Galícia e Portugal, Astúrias e Leão, Castela, Navarra e Aragão e Catalunha afirmam-se como entidades poíticas distintas e, conseqüentemente, como núcleo lingüísticos diferentes – galego-português, asturo-leonês, castelhano, navarro-aragonês e catalão. Características lingüísticas diferenciadoras vão tomando forma. Defende-se que a queda do inicial e a síncope do <-l-> e <-n->, no galego português, se deve ao substrato proto-vasco; a mudança do <-pl->, <-cl->e <-fl-> iniciais do latim, em palatais, deve-se ao substrato celta, entre outros fatos. Antes de Portugal, antes do galego-português, nos inícios do século X, constituía-se um romance que veio a ser chamado pelos filólogos portugueses, na virada do século XX, de galego-português. Vejam-se, por exemplo, as Lições de Leite de Vasconcelos e de Carolina Michaëlis de Vasconcelos.

No início do século XI, Afonso VI, rei de Leão e Castela, reúne num só condado os territórios de Portucale e Coimbra e concede-os a D. Henrique, casado com D. Tereza, sua filha. O Conde D. Henriqe torna-se então senhor da região ao sul do Minho e de duas cidades no Reino de Leão, Astorga e Zamona; a D. Raimundo, casado com outra filha de Afonso VI, foi entregue à Galícia. A fronteira entre os dois condados, o Rio Minho, continua uma antiga divisão romana em conventos jurídicos, a região ao Sul do Minho, secularmente integrada na Gallaecia Romana, passa a ser designação própria, ou seja, Portucale (CARDEIRA, 2006: 39-40). Galícia e Portucale, no correr da história, terão destinos distintos sócio-históricos e, conseqüentemente, lingüísticos.

1. O galego Pode-se inferir que, nos inícios do século XI, as duas variantes românicas, em formação, não teriam diferenças lingüísticas significativas, que permitiriam designar de galego e de português, o que se falaria ao norte e ao sul do Minho. Ramon Lorenzo na Conferência intitulada, Breve história da língua galega, diz:

“Os séculos XI e XII são decisivos e neles assistimos a duas concepções distintas de territorialidade e do estabelecimento da configuração histórico-política definitiva. No século XI, depois do desaparecimento de Almançor, segue-se o florescer de Compostela e se remodela o “caminho de Santiago”… pôde-se chegar à união de todo o Ocidente e à criação de um reino de Galícia (1065-1071) primitiva, isto é, de todo o território galego atual e de toda a zona reconquistada ao sul do Minho até aquele momento. Se as circunstâncias fossem favoráveis, este reino de Galícia, que chegava ao Mondego, seguiria avançando… Contudo esta divisão não triunfou porque o primogênito não estava de acordo com ela e arrebatou aos dois irmãos [Sancho II e Garcia I] os seus respectivos reinos, reunificando todos os territórios reconquistados… Afonso VI será o único rei dos três reinos [Leão,Castela e Galícia]. (1996: 35-36; tradução minha).

Caberá assim a Afonso VI dividir o antigo território da Galícia, como já visto, no condado galego, doado a sua filha Urraca e o condado de Portugal, à sua filha Tereza, casadas, respectivamente, com os condes de Borgonha, Raimundo e Henrique.

Segundo José António Souto Cabo, a submissão social e cultural galega a um poder sediado fora da terra galega, tem o evidente paralelismo lingüístico. A Galícia passa a ser o espaço aberto para a língua da monarquia que ao longo da Idade Média despreza o galego. Segundo o Autor, entre a 2ª metade do século XIII e finais do século XV instalam-se ali elites forâneas monolingües em castelhano e a conversão mimética e crescente dos galegos a essa língua. Daí decorrem dois fatos interelacionados: i) intromissão de castelhanismos na documentação e ii) aparecimento de textos em espanhol redigidos no país, o que culminará com a extinção paulatina do idioma autóctone, nos usos isentos da Galícia, durante o segundo quarto do século XVI. Considera Souto Cabo três estamentos no avanço do castelhano na Galícia: prelado, cabido e clero. Destaca, ainda, que na Baixa Idade Média a existência de documentos híbridos, em que fundem os dois sistemas lingüísticos (cf. 2001: 157).

Citarei, ainda Souto Cabo:

“A tradicionalmente conhecida como Crónica de Santa Maria de Iria… ocupa um lugar simbólico dentro da história literária galega… fechou o percurso do primeiro período, sendo portanto o último representante de uma Galícia cultural e lingüisticamente “normal”, ou pelo menos muito próximo daquilo que na Europa medieval foi habitual a nível idiomático” (2001: 13; tradução minha).
Não se pode deixar de destacar, a importância cultural do Caminho de Santiago (nos séculos XII e XIII), como o faz Henrique Monteagudo no artigo, O Camiño, as línguas e a emerxencia do galego. Destaca o Autor, o plurilingüismo e o intercâmbio cultural que ocorreu no auge do fenômeno jacobeu (século XII e XIII) (f. 2004: 52). Segundo o Autor, nessa época,
“Introduziu-se na Hispânia, além de outras, duas novidades, uma lingüística e outra cultural. Com a primeira, referindo-nos à modificação do tipo de letra: deixa-se de utilizar caracteres que hoje conhecemos com o nome de visigóticos, para utilizar caracteres carolinos (difundidos na época de Carlos Magno… mudam os ritos religiosos… do chamado rito moçárabe… para o romano… essa mudança veio acompanhada do uso de outro tipo de letra e do manejo de usos novos manuais para os rituais recém introduzidos… A segunda inovação… viria como conseqüência da anterior, que é a inovação que agora nos parece muito natural, mas, sem dúvida, foi muito trabalhosa: a escrita dos falares romances” (2004: 57-58; tradução e adaptação minhas).

Destaca ainda Monteagudo, o que considerei de muito interesse, o surgimento de guias poliglotas e diz:

“Temos aqui um dos primeiros exemplos na Europa (se não o primeiro) de uma espécie de guia plurilingüe” (2004: 61; tradução minha).

O Caminho trouxe a Compostela e à Galícia muitas gentes, deu oportunidade para o encontro de línguas e para a introdução de novidades idiomáticas .
E a questão da língua galega hoje? Segundo o lingüista galego Francisco Fernandez Rei,

“Discutir se hoje o galego é língua diferente do português… parece-me questão bizantina de uma perspectiva estritamente lingüística; mas não o é de uma perspectiva sociolingüística nestes momentos em que se está a elaborar um galego estandartizado, depois de vários séculos de prostração e marginalização” (1991[1988]:106; tradução minha).

Quanto à normativização do galego, diz Fernandez Reis, segundo o lingüista, também galego, Anton Santamarina que

“Entre as duas posições analisadas (autonomismo vs. reintegracionismo), pessoalmente, considero mais acertada a consideração do galego moderno como uma língua autônoma em relação ao atual português padrão” (1991[1988]:108; tradução minha).

Do outro lado do mar, concordo com os dois lingüistas galegos, referidos anteriormente.

2. O português europeu Em 1143, Afonso Henriques, filho de D. Tereza e do Conde D. Henrique de Borgonha, no Tratado de Zamora, intitula-se rei de Portugal. Seu reinado é reconhecido em 1179 pelo papa Alexandre III. O território do novo reino fica traçado, tendo como limites os reinos vizinhos, tanto em direção ao norte como ao leste. Empenha-se o novo rei na Reconquista e, libertando Faro aos muçulmanos, já no reinado de Afonso III, delineiam-se as fronteiras reconhecidas como as mais antigas e estáveis da Europa. Segundo Esperança Cardeira,

“O traçado do mapa lingüístico de Portugal continental espelha até hoje, estas diferentes estratégias de repovoamento. A norte, a fronteira política imposta a uma população antiga, estável e densa, não conseguiu quebrar uma antiga unidade lingüística nem nivelar a riqueza dialectal que a estabilidade, a densidade e a antigüidade justificam. A nordeste, o Mirandês testemunha a ligação a Leão. No Centro e Sul, territórios de colonização, e mistura de populações, vindas quer de norte quer de oeste, transportando consigo uma diversidade de variedades lingüísticas, materializa-se no nivelamento dialectal e na apetência para a inovação” (2006:42).

A partir de 1415, com a tomada de ceuta, Portugal começa a expandir-se: em 1418 chega a Porto Santo e coloniza a Madeira. O objetivo maior dessa expansão foi chegar às Índias pelo cabo das Tormentas, depois cabo da Boa Esperança. Avança, assim, Portugal para o Oriente e, de permeio, “acha” ou “descobre” o que virá ser o Brasil em 1500, numa expedição capitaneada por Pedro Álvares Cabral e tão belamente relatada na Carta de Pero Vaz de Caminha.

Como se sabe, o motor principal dos descobrimentos dos portugueses era de natureza econômica, mas não apenas também foi de natureza religiosa – “difundir a fé e o império”. Para difusão da fé, contaram com a decidida e dedicada colaboração da Companhia de Jesus. Difundia-se além da fé e do império a língua portuguesa, que, nesse processo, de longa duração, enriqueceu, pelo menos, o seu acervo lexical com empréstimos tomados a línguas da África e da Ásia. Começaram a formarem-se os crioulos, que têm como basileto a língua portuguesa. Ao iniciar-se o século XVI, Portugal teria pouco mais de um milhão de habitantes, tornara-se um dos mais prestigiados estados da Europa. “E se mais mundo houvera lá chegara”, como disse o Poeta maior, na epopéia “Os Lusíadas”, em que Camões canta os feitos dos “barões assinalados”.

Vê-se, por esse esboço histórico, que a sócio-história do português europeu é muito distinta da sócio-história da língua galega.

3. O português brasileiro O que falamos no Brasil? Língua portuguesa ou língua brasileira? Costumo dizer que, enquanto a nossa Constituição legislar no sentido de que a língua do Brasil é a língua portuguesa, será a língua portuguesa e não a língua brasileira, a língua do Brasil.

Nação com território e estado definidos, no Brasil a língua oficial, de estado e majoritária é a língua portuguesa, por força da lei. Mas uma coisa é a lei, outra coisa é a realidade lingüística brasileira. O hoje designado português brasileiro difere, e muito, sobretudo nos seus usos falados, do português europeu: possui aspectos fonéticos próprios, como, por exemplo, a realização das vogais pretônicas e também as postônicas; aspectos prosódicos ou supra-segmentais que, de imediato, distinguem um brasileiro de um português; aspectos sintáticos, amplamente estudados por sociolingüistas e gerativistas, sobressaindo-se, nessa sintaxe, a colocação dos pronomes clíticos, e o sistema pronominal em geral; aspectos discursivos, ainda pouco estudados, que caracterizam modos de dizer próprios aos brasileiros e não aos portugueses. Para não falar das diferenças lexicais (MATTOS E SILVA 2004: 140-146).

Por que razão a língua portuguesa, que chegou ao Brasil em 1500, distanciou-se tanto da língua matriz? Certamente são fatores de natureza sócio-histórica que permitem interpretar esse distanciamento, tais como: o multilingüismo característico do território brasileiro e a demografia histórica; a mobilidade populacional, sobretudo a dos africanos e afro-descendentes e a escolarização ou sua ausência ao longo da história do Brasil. Examinemos, de maneira sintética, cada um desses fatores:

Quanto ao multilingüismo e à demografia históricas os especialistas demonstram que persistem cerca de 180 línguas indígenas, extintas 85% nos 500 anos de nossa história, concentradas hoje, na sua maioria, na Amazônia e no Brasil norte-central, mas também dispersas por vários pontos de nosso território. Hoje perfazem os indígenas 0,2% da população brasileira, estimada no Censo de 2000 em 165.544.443 habitantes. Além das línguas indígenas, somem-se a africanas chegadas com o tráfico negreiro, iniciado, oficialmente, em 1549 e, oficialmente, encerrado em 1835. Somem-se ainda as línguas dos emigrantes europeus e asiáticos, sobretudo, a partir da 2ª metade do século XIX. Até à primeira metade do século XIX, a etnia branca – portugueses e lusodescendentes – perfez, entre 1538 e 1850, apenas 30% da população. Nos outros 70% estão, sobretudo, os africanos e afro-descendentes, já que os indígenas morreram ou por extermínio internacional ou por epidemias (MATTOS E SILVA 2004: 148-151).

Quanto à mobilidade populacional, sobretudo a dos africanos e afro-descendentes, pode-se interpretar, com base na historiadora Katia Mattoso, no seu livro Ser escravo no Brasil de 1979 e no brasilianista Robert Conrad, Os últimos anos de escravatura no Brasil: 1870-1888, de 1972, que os escravos eram obrigados a migrar: das lavouras de cana de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro (séculos XVI e XVII) para a mineração de ouro e de diamantes nas Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás (séculos XVII para o XVIII); atraída depois para o litoral, onde ocorre novo impulso açucareiro no Rio de Janeiro e depois São Paulo (século XIX), concentrando-se na área cafeeira do Vale do Paraíba e abrangendo áreas de São Paulo e de Minas Gerais. Também foram os escravos para o cultivo do fumo e do algodão, no Maranhão, para a colheita de especiarias em áreas amazônicas e para imensas regiões pastoris do Brasil, nos interiores nordestinos, desde o século XVI e no XIX para as charqueadas do Rio Grande do Sul. Diante desses fatos históricos, pode-se interpretar que os africanos e afro-descendentes escravizados difundiram pelo território brasileiro a língua portuguesa, na sua heterogeneidade brasileira. Heterogeneidade que é mais de natureza diastrática ou social que diatópica ou social (cf. MATTOS E SILVA 2004: 100-103).

A esses fatores sintetizados, some-se a escolarização ou sua ausência, ao longo da história brasileira, que, sumariamente, pode ser assim delineada: ao fim do século XVIII, haveria 0.5% de letrados no Brasil; no primeiro censo oficial de 1872, na população de 6 a 15 anos, de 16% freqüentavam a escola; havia, então, menos de 12 mil, dos 4.600.000 habitantes, em colégio de nível secundário, chegando a 8.000 indivíduos com educação superior, realizada, é caro, fora do Brasil, sobretudo em Portugal. Entre 1890 e 1920 há um relativo salto na escolarização: na 2ª década do século XX haveria 25% de escolarizados. A situação atual mostra que menos de 20% da população brasileira atingem o 2º grau de escolaridade (MATTOS E SILVA 2004: 130-131).

Tais fatores favorecem à interpretação de que o português usado no Brasil é não só plural, mas também polarizado – normas vernáculas e normas cultas – conforme o sociolingüista Dante Lucchesi, distanciando-se por esses fatos, pelo menos, do português europeu.

4. Palavras finais Do romance que se constituiu, há séculos, no ocidente da Península Ibérica, nasceram duas línguas: o galego e o português. A primeira tem o seu território integrado no território espanhol; a outra, de um pequeno território, expandiu-se pelo mundo, nesse mundo, inclui-se o Brasil. Do Brasil, com um imenso território, estado/nação independente desde 1822 não se pode ainda dizer que falamos/escrevemos a língua brasileira, o que poderá ocorrer no futuro. Com suas especificidades, essas três línguas e suas próprias sócio-histórias são inter-compreensíveis, desde que haja empenho dos que as falam e as ouvem. Parece-me!
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*Instituto de Letras/UFBA/CNPq (Salvador, 27.04.06)

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34 Respostas

  1. Destaco estes dados espantosos:

    ao fim do século XVIII, haveria 0.5% de letrados no Brasil; no primeiro censo oficial de 1872, na população de 6 a 15 anos, de 16% freqüentavam a escola; havia, então, menos de 12 mil, dos 4.600.000 habitantes, em colégio de nível secundário, chegando a 8.000 indivíduos com educação superior, realizada, é caro, fora do Brasil, sobretudo em Portugal. Entre 1890 e 1920 há um relativo salto na escolarização: na 2ª década do século XX haveria 25% de escolarizados.

  2. Isso me lembrou uma pergunta que fiz no “yahoo”, como sempre (podem rir)

    Parte de minha pergunta:

    “Por que a América Espanhola se dividiu?”

    Se os países permanecessem unidos eles seriam uma potência e bem mais ricos que o Brasil. Digo isso porque a colonização espanhola, apesar de vergonhosa, foi visionária: investiu em escolas, indústrias, mineração, tanto que as universidades mais antigas das américas estão no Mexico, Peru etc. Além disso, as colônias que ficavam independentes eram ricas e desenvolvidas: Argentina, México, Chile, etc, em comparação ao Brasil, que era um dos mais pobres e atrasados das Américas: não tinha escolas, as cidades eram uns buracos, não existiam indústrias. Enquanto os comandantes dos navios se recusavam a parar nos portos do Brasil com medo de pegar doenças, todos admiravam Buenos Aires, a Paris do sul (quase todos os países de colonização espanhola têm cidades planejadas). Os países hispânicos sempre tiveram indicadores sociais melhores que os nossos e apesar do Brasil ter avançado horrores no IDH, ainda estamos atrás, isso dá uma dimensão do quão pobre e atrasado o Brasil era.

    A resposta que recebi:

    “Eu ouvi dizer que a Coroa Espanhola partia suas colônias e fazia concessões, por um período, à famílias, desbravadores etc, para explorarem aquele território, era bem descentralizado, diferente, por exemplo, da Inglaterra, que era centralizada e praticamente todas as suas colônias permaneceram unidas. (A Espanha tbm não entende muito de união, no país é cheio de movimento separatista)

    Cara, é impressionante a revolução do Brasil, isso aqui era o inferno, acho que as coisas começaram a mudar em 1902, quando Rodrigues Alves botou abaixo e reconstruiu o Rio de Janeiro, depois veia a industrialização, Getúlio, JK, a ditadura até a redemocratização em 89. É impressionante como um país que quase até a metade do século XX era agrário, tinha índices altíssimos de analfabetismo, mortalidade infantil, doenças, pobreza conseguiu e está conseguindo dar a volta por cima, sem esquecer, é claro, a agricultura e o campo onde ameaçamos (atualmente) tirar o posto dos EUA de potência agropecuária mundial.

    Em relação ao nosso IDH ainda ser pior que o da Argentina, que teve uma crise devastadora e ainda conserva ótimos indicadores, é pela herança áurea e pelo compromisso com a educação, mas isso não tira as conquistas do Brasil e o país só tende a melhorar.
    (Dizem que muito de nossa rivalidade com a Argentina nasceu de quando eles eram desenvolvidos, pois eles eram arrogantes e racistas em relação aos brasileiros)”

  3. E porque eu adoro história, vou colocar algumas informações:

    Em 1900- [17,4 milhões de habitantes]
    PIB Brasil- 9 bilhões de reais ou
    [6,4 bi dólares]

    vermelho.org.br/diario/2003/1012/editorial_1012.asp?NOME=Editorial&COD=2525
    veja.abril.com.br/especiais/seculo20/time03.swf

    Em 2007– [183 milhões de habitantes]
    PIB- 2,6 trilhões de reais ou
    [1,5 trilhões de dólares (câmbio de 2007)]

    jornalcidade.uol.com.br/paginas.php?id=23140
    piratininga.wordpress.com/2008/03/12/o-pib-do-brasil-de-2007/

    Usei o PIB nominal. Sei que o mais correto e consistente seria usar o PPC (o do Brasil está por volta de 2 tri)

    A lista de 2006/2007
    Lista – PIB (Paridade do Poder de Compra)

  4. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

    Em 2006 –

    analfabetos absolutos – 9,6% da pop.

    portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=9063

    analfabetos funcionais – cerca de 18% da população, (ou seja, pessoas com menos de quatro anos de estudo, e pessoas com mais de 15 anos que ainda não foram alfabetizadas.)

    agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/08/14/materia.2006-08-14.1703537049/view

  5. Segundo a FGV:

    Classe Média (“C”)- 52% da pop

    g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL712537-9356,00.html

    Segundo o IPEA:

    Pobres (Classe “D” e “E”)- 23% da pop

    bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/08/080805_rendaipea_cg.shtml

  6. Mais:

    O brasil investe em Ciência & Tecnologia 1,4% do PIB.

    Em comparação com outros países, o investimento brasileiro em pesquisa e desenvolvimento deixa a desejar. A começar pelo Japão, há anos líder mundial, com investimentos de 3,3% do PIB. Ou a Coréia do Sul, outro caso bem-sucedido, cujos gastos somaram quase 3% do PIB. EUA, Alemanha e Cingapura também aparecem bem colocados no ranking internacional, com investimentos oscilando entre 2% e 3% do PIB.

    China, Reino Unido, Austrália e Canadá aparecem em seguida, com gasto entre 1,5% e 2% do produto interno. Em um patamar próximo ao brasileiro, encontram-se países como França, Itália, Espanha e Rússia, cujo investimento varia de 1% a 1,5% do PIB. Os números ajudam a entender o desempenho ruim do Brasil em número de patentes concedidas.

    cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=1594

    Brasil é 15º em produção científica
    Ranking liderado pelos EUA coloca o país à frente de Suécia e Israel

    O País encontra-se na 15ª colocação no ranking liderado pelos Estados Unidos seguido da China, superando países como Suíça, Suécia e Israel e aproximando-se da Holanda (2,55%) e da Rússia (2,66%).

    :[ Estamos atrás de todos os bRIC

  7. Toda essa “revolução” tem muito a dizer sobre nosso idioma. Li em um texto do Ataliba de Castilho que falava que, a rápida urbanização do Brasil, colocou em contado a língua brasileira rural (mais arcaica) com o brasileiro urbano (inovador). Se os falares urbanos se impuserem, neutralizará os falares rurais arcaizantes, o que vai acelerar o afastamento do falar brasileiro do português.

    Um trechinho:
    “Tem-se hipotetizado que o conservadorismo do PB tem seus baluartes fincados nos falares rurais. Se isso for verdadeiro, a rápida urbanização do Brasil contemporâneo poderá cortar o passo a essa tendência, desatando o vetor do inovadorismo.”

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/07/21/o-idioma-brasileiro-e-uma-continuacao-do-portugues-arcaico/

    Se a globalização é uma mentira como parece ser, então acredito nesta cisão.

    Mas são os arcaísmos que ainda unem o português ao brasileiro?

  8. O Brasil precisava investir pelo menos 2,5% do PIB em C&T. Estão especulando que o dinheiro das novas reservas de petróleo serão aplicadas em educação. Quero ver!

  9. Ô Patrícia, eu penso que o português, mesmo tendo sofrido profundas alterações, manteve uma base arcaica que o aproxima do Brasileiro, que é bastante conservador. Se seguirmos a linha de que o falar urbano inova, a tendência é do brasileiro deixar de lado muitos arcaísmos que preservamos e nos afastar mais do português. Pra cessar este afastamento, só se o português andar pra trás e se arcaizar, aproximando do brasileiro (É louco, mas considero o português uma língua crioula*) Pedir para o brasileiro forçar uma evolução e uma modernização idêntica ao português é ridículo. É o que a gramática tenta fazer superficialmente, ditando regras vazias, mas, por isto mesmo, não surte efeito algum.

    [*crioulo: “o crioulo pode “descrioulizar-se”, identificando-se progressivamente com a língua que lhe deu origem.”]

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/07/15/o-idioma-brasileiro-deriva-de-um-crioulo/

    É aí?

  10. Eu falo do Português MODERNO.

  11. Ju, esses dados que vc coloca são bem interessantes. A gente reclama, até por que tem que reclamar mesmo, mas o país mudou e tá mudando bastante, e que bom que é pra melhor.

    Lessa, essa história aí é conversa do molusco, né não? Imagina! Seria a maior aplicação mundial em educação e… convenhamos… a Lula?

  12. Hoje estamos cheios de notícias boas:

    PIB vai crescer 150% e Brasil terá 5º maior mercado em 2030, diz estudo

    Hoje, o Brasil é o oitavo maior mercado consumidor do mundo. Até 2030, o país passará países como França, Reino Unido e Alemanha. Com isso, será superado apenas por quatro outras nações: EUA, China, Índia e Japão. A expansão do consumo nacional será puxada pelo envelhecimento da população brasileira, cuja maior parte está hoje na faixa etária abaixo dos 25 anos. Em 2030, será predominante a população entre 30 e 55 anos, que tem consumo de maior valor agregado, como imóveis, automóveis, seguros, entre outros. Além disso, segundo a pesquisa, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai crescer cerca de 4% ao ano nas próximas décadas. Com isso, o mercado consumidor maior o Brasil irá se tornar ainda mais atrativo para os investimentos estrangeiros, segundo explicou o professor da FGV Fernando Garcia, um dos responsáveis pelo estudo.

    Reservas internacionais sobem para US$ 205,461 bilhões

    Trabalho formal bate recorde nos sete primeiros meses do ano

    O número de empregos com carteira assinada nos sete primeiros meses de 2008 no país atingiu 1,56 milhão

    Brasil tem três bancos entre os 15 maiores das Américas

    Comércio eletrônico cresce 45% no 1º semestre, aponta consultoria

  13. Olá!

    Gente, mas a língua brasileira tbm é moderna. É mais arcaica mas também é inovadora. Desculpem se entendi errado, mas a impressão que vocês me passam é de que o brasileiro seria apenas arcaico. Nós recebemos diversas influências que também modificaram nosso idioma. Eu já entendi que o português está intensamente alterado, bem mais que o brasileiro – Queria saber exatamente onde estão os NOSSOS modernismos.

    No fantástico texto do Pagotto, ele explica algumas coisas:

    “Assim, enquanto o português de Portugal sofria processos de mudança que lhe dariam as feições atuais, o português do Brasil, pelo isolamento das populações transplantadas, teria mantido aqui as características de antes da mudança.”

    “Por exemplo, a queda das vogais pré-tônicas é uma inovação do português de Portugal que se teria implementado a partir do século XVIII – na verdade uma grande alteração no padrão rítmico da língua – que não teria afetado o português do Brasil. O mesmo se poderia dizer da palatalização de /s/ em final de sílaba, muito comum em cidades litorâneas brasileiras, mas pouco produtiva no interior.”

    “Desse retrato emerge tanto um português que está irremediavelmente separado do português de Portugal, quanto um português com alto grau de variação, em grande parte provocada pelo contato entre dialetos populares fruto de contatos entre o português e outras línguas, durante a formação do Brasil. Como o país está concentrado nos centros urbanos, o mais provável é que essas formas em variação sejam o veículo da expressão dos mais diversos grupos urbanos, ao mesmo tempo em que se assentam as características regionais, em função de processos de identidade sempre em curso.

    Em resumo, o Brasil é palco de uma emocionante epopéia lingüística, da qual não temos uma consciência muito clara, porque é o tempo em que vivemos, e o tempo em que vivemos nunca é o tempo em que nos entendemos.”

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/08/01/variedades-do-portugues-no-mundo-e-no-brasil/

    Ah, queria dizer que eu adoro os comentários de vocês todos. =)

  14. Valeu, Bruna! Só não me leve muito a sério, porque minhas opiniões não têm nada de científico. São apenas opiniões.

    Em relação à pergunta, vou ter que pesquisar. Se alguém souber e puder responder, fico feliz.

    E que o idioma brasileiro é arcaico e tbm moderno, isso é certo:

    “Na verdade, nós, brasileiros, mantivemos os sons que viraram arcaísmos empoeirados para os portugueses.

    Só que, ao mesmo tempo, acrescentamos à língua mãe nossas próprias inovações. Demos a ela um ritmo roubado dos índios, introduzimos subversões à gramática herdadas dos escravos negros e temperamos com os sotaques de milhões de imigrantes europeus e asiáticos. Deu algo esquisito: um arcaísmo moderno. O português brasileiro levou meio milênio se desenvolvendo longe de Portugal até ficar nitidamente diferente.”

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/

  15. Encontrei algumas coisas:

    “Em segundo lugar, contribuiu para acentuar a diferença o isolamento da colônia em relação à metrópole. Assim, as novidades e modismos lingüísticos que surgiam em Lisboa ficavam desconhecidos aqui. Por isso, a língua se transformava mais rapidamente lá e tornava-se mais conservadora na periferia. Até hoje, usamos formas, como o gerúndio (estou trabalhando), consideradas arcaicas em Portugal. Outra causa, importantíssima, foi a influência indígena e, em menor intensidade, a africana. A língua portuguesa, ao chegar na nova terra, entrou em contato, logo de início, com línguas do tronco tupi, especialmente o tupinambá, tupiniquim e o guarani (não existe uma “língua tupi”, que é um tronco, conjunto de línguas aparentadas). Essas línguas acabaram dominadas pelo português, mas exerceram grande influência sobre ele na sonoridade e no vocabulário. Por outro lado, as línguas africanas que chegaram, faladas pelo enorme contingente de escravos ao longo de três séculos, também exerceram sua influência, particularmente no vocabulário.”

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/06/24/quais-as-causas-da-diferenciacao-do-idioma-brasileiro-do-portugues-de-portugal/

    “É preciso notar, igualmente, que no século XVI, segundo depoimentos insuspeitos de gramáticos da época, tinha a língua portuguesa um ritmo muito mais lento que a do século XVIII em diante. […]Embora não se deva afastar a possibilidade de se ter conservado, de alguma forma, entre os brancos colonizadores, a pronúncia mais lenta dos dois primeiros séculos (atestada por vários gramáticos da época), a causa mais importante da interrupção da marcha do acento de intensidade no português do Brasil deve ser buscada na conjugação do idioma lusitano com a estrutura das línguas originais ou instrumentais da população indígena. […]a pronúncia clara dos componentes de cada ítem de seu léxico teria de ser, como de fato era, uma de suas características principais. Não se trata, pois, de procurar na língua do índio um acento de duração como responsável pela articulação mais clara do português da Bahia. O hábito de pronunciar com nitidez as sílabas surgiu do fato de, em cada palavra da língua materna do índio ou do caboclo, serem elas freqüentemente palavras independentes e oxítonas, em sua maioria […]

    Outra conseqüência importante dessa situação é a valorização das vogais abertas ou semi-abertas, naturalmente, configuram nitidez de pronúncia.[…]

    10. A língua dos negros, no caso brasileiro, foi veículo de alterações circunstanciais ou superficiais. Não é difícil entender isso. Uma parte dos negros que chegavam ao Brasil era já conhecedora operacional do português. A literatura colonial, de ficção e de não ficção, é pródiga na referência a negros ladinos e boçais. Os primeiros eram os que já se exprimiam de alguma forma em português antes de chegarem ao Brasil ou que, logo ao chegarem, eram capazes de se entender numa língua de emergência. Os boçais só se exprimiam em sua língua. Na Bahia, era o nagô ou o ioruba. Isso é importante porque muitos que chegavam traziam, eles mesmos, um instrumento lingüístico de emergência, um pidgin, que não chegou a se tornar um falar crioulizante pois, em nosso entender, teve vida curta por causa do tipo de interação social que seus usuários foram levados a ter com os portugueses.(…) A influência africana no português do Brasil teria, assim, caráter restrito, exercendo-se, em face do relacionamento senhor/escravo, exclusivamente no campo lexical.

    A influência do índio seria mais ampla, caracterizando-se por uma caminhada forte da língua geral em direção ao português estabilizado, internamente, dos colonos e uma caminhada pequena deste em relação à língua geral. […]tendência do português estabilizado do colono era no sentido de realizar os enunciados de maneira mais descansada, isto é, com menor distinção entre sílabas tônicas e átonas. A tendência da língua geral era a de articular com nitidez os sintagmas normais de sua realidade estrutural, como língua de caráter aglutinante que era. Isso levava à formação de termos ou enunciados mais simples, em que os componentes se distinguiam mais se comparados aos componentes dos enunciados dos colonos.”

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/05/08/historia-da-lingua-do-brasil/

    “Mas, se há semelhanças entre a língua do Brasil de hoje e o português arcaico, há também muito mais diferenças. Boa parte delas é devida ao tráfico de escravos, que trouxe ao Brasil um número imenso de negros, que não falavam português. “Já no século XVI, a maioria da população da Bahia era africana”, diz Rosa Virgínia Matos e Silva, lingüista da Universidade Federal da Bahia. “Toda essa gente aprendeu a língua de ouvido, sem escola”, conta. Na ausência de educação formal, a mistura de idiomas torna-se comum e traços de um impregnam o outro. “Assim, os negros deixaram marcas definitivas”, ressalta ela.

    Também no século XVI, começaram a surgir diferenças regionais no português do Brasil. Num pólo estavam as áreas costeiras, onde os índios foram dizimados e os escravos africanos abundavam. No outro, o interior, onde havia sociedades indígenas. À mistura dessas influências vieram se somar as imigrações, que foram gerando diferentes sotaques. “Com certeza, o Brasil hoje comporta diversos dialetos, desde os regionais até os sociais, já que os ricos não falam como os pobres (veja o mapa ao lado)”, afirma Gilvan Müller de Oliveira, da Universidade Federal de Santa Catarina.”

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/04/21/falamos-a-lingua-de-cabral/

    “Depois de quatro séculos de contato direto e permanente de falantes africanos com a língua portuguesa no Brasil, esse processo de interação lingüística, apoiada por fatores favoráveis de ordem sócio-histórica e cultural, foi provavelmente facilitado pela proximidade relativa da estrutura lingüística do português europeu antigo e regional com as línguas negro-africanas que o mestiçaram. Entre essas semelhanças, o sistema de sete vogais orais (a, e, ê, i, o ê, u) e a estrutura silábica ideal (CV.CV) (consoante vogal.consoante vogal), onde se observa a conservação do centro vocálico de cada sílaba e não há sílabas terminadas em consoante. Essa semelhança estrutural provavelmente precipitou o desenvolvimento interno da língua portuguesa e possibilitou a continuidade da pronúncia vocalizada do português antigo na modalidade brasileira (onde as vogais átonas também são pronunciadas), afastando-a, portanto, do português de Portugal, de pronúncia muito consonantal, o que dificulta o seu entendimento por parte do ouvinte brasileiro, fazendo-lhe parecer tratar-se de outra língua que não a portuguesa (a pronúncia brasileira *pi.neu, *a.di.vo.ga.do, *su.bi.ma.ri.no em lugar de pneu, a(d).v(o).ga.do, su(b).m(a).ri.no))”

    http:\\brasiliano.wordpress.com/2008/07/09/influencia-das-linguas-africanas-no-idioma-portugues-brasileiro/

  16. Sobre as notícias que a Malu postou, eu não li a pesquisa, mas achei que a FGV foi bem conservadora. O PIB de 2007 que eles usaram está bem abaixo do estipulado pelo IBGE, a não ser se eles tiverem adotado um câmbio com o real super desvalorizado.

    Mas, realmente, as notícias são positivas.

  17. Paulo, muito interessante esse trecho que colocou:

    O contato direto e permanente de falantes africanos com a língua portuguesa no Brasil, (…) foi provavelmente facilitado pela proximidade relativa da estrutura lingüística do português europeu antigo e regional com as línguas negro-africanas que o mestiçaram. Entre essas semelhanças, o sistema de sete vogais oraisa estrutura silábica ideal (CV.CV) (consoante vogal.consoante vogal), onde se observa a conservação do centro vocálico de cada sílaba e não há sílabas terminadas em consoante. Essa semelhança estrutural […] possibilitou a continuidade da pronúncia vocalizada do português antigo na modalidade brasileira (onde as vogais átonas também são pronunciadas), afastando-a, portanto, do português de Portugal, de pronúncia muito consonantal, o que dificulta o seu entendimento por parte do ouvinte brasileiro, fazendo-lhe parecer tratar-se de outra língua que não a portuguesa (a pronúncia brasileira *pi.neu, *a.di.vo.ga.do, *su.bi.ma.ri.no em lugar de pneu, a(d).v(o).ga.do, su(b).m(a).ri.no))”

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/07/09/influencia-das-linguas-africanas-no-idioma-portugues-brasileiro/

  18. E para concluir:

    “Ora os portugueses tendem a considerar-se “donos da língua” e garantes da sua versão “correcta” […] acham que devemos defender a língua dos “brasileirismos” que a abastardam. Por outras palavras, acham que os 10 milhões de portugueses estão no centro da dinâmica da língua portuguesa, e não os mais de 100 milhões brasileiros.”

    ciberduvidas.sapo.pt/diversidades.php?rid=975

  19. Encontrei um texto curioso no blog de um português chamado Rui Tavares. Vamos a ele:

    Em defesa de “gostoso”

    No último Câmara Clara (canal 2:, sextas, 22h30), o crítico e professor Abel Barros Baptista contou uma história sobre um taxista (português) que se tinha queixado a um escritor (brasileiro) da contaminação de brasileirismos no português europeu. A palavra que levantava problemas era “gostoso” que também já em tempos a Bomba Inteligente colocara na sua lista de palavras a abater. A implicação é a de que “gostoso” não pertence à língua de Camões.

    Chegou pois o momento de resolver o assunto em duas penadas:

    1)

    Já que nesta gostosa vaidade
    Tanto enlevas a leve fantasia,
    Já que à bruta crueza e feridade
    Puseste nome esforço e valentia…

    2)

    Mil vezes perguntava e mil ouvia
    As gostosas batalhas que ali via.

    Os Lusíadas, caríssimos. Respectivamente, estrofe 99 do canto IV e 43 do VIII. Nas Rimas e no teatro do glorioso zarolho também não faltarão exemplos. Fica então claro que aquilo que muitos decretam que seja “a língua de Camões” não tem nada a ver com a língua do Camões propriamente dito.

    Resta acrescentar que “gostoso” não tem nada de brasileirismo (e se tivesse?). No Norte de Portugal é palavra perfeitamente comum, e sempre foi. Arriscaria a hipótese, aliás, de que foram os nortenhos a implantá-la com tanto sucesso no Brasil.

    O problema é que, para muita gente, tudo o que por acaso ou contigência deixou de se usar no dialecto lisboeta deixou de ter direito a ser “português de Portugal”. O exemplo mais claro é o do gerúndio, que supostamente os portugueses não utilizariam. E depois fazem um esgar de estranheza quando ouvem os brasileiros (ou os portugueses que não imitam os lisboetas) falar português que até pode ser do mais castiço. Camoniano. E gostoso.

    Posted by rui tavares on junho 5, 2006

    http://ruitavares.weblog.com.pt/2006/06/em_defesa_de_gostoso

  20. Outra curiosidade, em um site português.

    aborígene/aborígine

    Além de aborígEne já vi também grafado aborígIne… Até num dicionário… Em que ficamos?

    Por José Luís Ferreira – Lisboa / Portugal em 18-11-2006

    As palavras aborígene e aborígine são variantes e têm ambas origem na palavra latina aborigines, que designava os primeiros habitantes do Lácio (Itália) e, por extensão, de qualquer região. A primeira forma, aborígene, que se afasta da forma latina através de uma dissimilação (fenómeno que torna diferentes dois ou mais segmentos iguais ou semelhantes), tem sido, em geral, a forma consagrada pela lexicografia portuguesa, não havendo muitas vezes sequer registo da variante aborígine. A segunda forma, aborígine, mais próxima da forma latina, tem sido considerada preferencial pela lexicografia brasileira. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, que tem uma edição brasileira e outra portuguesa, é disso o melhor exemplo, fazendo a remissão de aborígine para aborígene na edição portuguesa e vice-versa na edição brasileira.
    Pelos motivos acima apontados, será aconselhável utilizar aborígene na norma europeia do português, uma vez que é a forma consagrada pela lexicografia portuguesa e pelo uso.

    Por Helena Figueira em 28-11-2006

  21. E + um trecho do comentário do Paulo (acima):

    “o português, mesmo tendo sofrido profundas alterações, manteve uma base arcaica que o aproxima do Brasileiro, que é bastante conservador. […]
    Pra cessar este afastamento, só se o português andar pra trás e se arcaizar, aproximando do brasileiro.”

    😉

  22. Gente, estou fazendo uma pesquisa sobre brasileirísmos e é cada coisa que leio, ex (de um português):

    Luís Manuel Sousa
    Amigos,
    Entrei no vosso “site” e algo que logo me desgostou foi tratarem-nos por “vocês”. Não acham que seria muito mais cordial e de bom gosto o tratamento por “vós”? Aliás como nos ensinam os nossos Evangelistas. Em parte alguma da Biblia vem escrito o vocábulo “vocês”. A Gramática da Língua Portuguesa, e no capítulo que aos verbos diz respeito, diz que os sujeitos são: eu, tu, ele (ela), nós, vós, eles (elas). Porque havemos de nós de prostituir a nossa língua? Porque não deixamos os “brasileirismos” para o Brasil?

  23. A única língua desrespeitada é a Brasileira. Como pudemos deixar que esta gramática portuguesa cretina a normatizasse? E ainda dizem que o português é o idioma brasileiro.

    FORA LUSISMOS!!!!

  24. A resposta pro Paulo de um português: (hehe)

    por Gonçalo Pereira
    Editor Executivo do Jornal 24 Horas

    “O acordo ortográfico é uma aberração. Quando muito, servirá para nos pôr a falar pior o português e aproximar a nossa escrita à dos brasileiros (o que também é medonho). Se querem fazer um acordo ortográfico, ao menos façam-no com o inglês. Assim como assim, já o integrámos mais na nossa língua do que os brasileirismos. Palavras como carjacking, software, bluetooth, downsizing, ou franchising estão muito mais presentes no nosso vocabulário quotidiano do que brasileirices como cafona, ônibus, parabenizar ou outras aberrações indescritíveis. E ainda bem. Ora, se a ideia é fazer com que a língua portuguesa evolua dentro do seu curso natural, vamos fazer um acordo ortográfico com os ingleses, já que o temos assimilado muito mais do que aquela espécie de mau idioma que nos impingem nas novelas.”

    (fonte: jornal GLOBAL Notícias, Ano 1, nº 150, Edição Lisboa, de 18 de Abril de 2008, pág. 2)

    Coloquei lá nas denúncias tbm.

  25. Paty, é como diz o ditado:
    “Quem ama o feio, bonito lhe parece”

  26. Uma vez li num blog de uma brasileira que trabalha em Portugal, que lá eles consideram que no Brasil se fala Brasileiro e não português. Se nós pleiteássemos uma profunda reforma em nossa língua e a independência dela, provavelmente contaríamos com todo apoio lusitano. Até eles já perceberam que não falamos português.

    E a pessoa contava ainda que a vida no começo foi muito difícil, pois ela não entendia uma palavra que os portugueses falavam.

    Acho que essa reforma não acontece apenas porque o Brasil tem receio de que isso pode causar um imenso mal-estar entre os dois países. Países que já não são próximos mas têm uma história. E tem aquela besteira que os portugueses falavam no passado de que o Brasil tem Complexo de Édipo, quer a todo custo matar o pai hahahaha. Nenhum português deve pensar nisso hoje em dia, acho que numa conversa franca e aberta, eles apoiariam nossa língua brasileira.

  27. Bom dia,

    Essa história do Complexo de Édipo brasileiro é nova pra mim.

    Mas lendo o que a Patrícia postou, faz sentido o que o Deda disse.

  28. Leiam que notícia legal saiu hoje:

    Brasil não é tão violento quanto se pensa, diz ‘Economist’

    BBC

    O Brasil já não é mais tão violento como se pensava, afirma um artigo publicado na edição semanal da revista britânica The Economist.

    “Algo inesperado está acontecendo”, diz a revista. “O número de homicídios no país está caindo e parte das melhorias se deve à queda abrupta dos índices registrados em São Paulo, o estado mais populoso do Brasil”.

    oglobo.globo.com/pais/mat/2008/08/22/brasil_nao_tao_violento_quanto_se_pensa_diz_economist_-547886410.asp

    São Paulo é MARA! E não é porque sou paulista 😀

  29. Paulo.
    Muito obrigada pela resposta. Entendi melhor agora.

  30. Acho um bocado estupido virmo em pleno sec.XXI falar em nacionalismos contra portugal ,eu adoro o brasil ,o portugues que se fala no brasil ,tudo… e temos de saber ser tolerantes e não exagerar .
    Não estou aqui para defender portugal mas não nos podemos queixar com as suas politicas .Eles foram o povo que mais sorte tivemos em relacionar ,olhamos para os espanhois na america e analizamos bem as brutalidades que fizeram aos maias aos incas e muitos outros da maior violencia,cobardia e brutalidade ,que destruiram tudo e todos das suas colonias ,os engleses com a mania que são mais que os outros não pouparam meios para atingir os fins na america do norte ,na india,etc…
    Os portugueses não são nehuns santos mas atendendo á epoca consideram-se bastante moderados.Trouseram o conhecimento ,a organização ,os edificios ,uma lingua ,a religião e trasformaram o brasil num imenso pais graças a um brilhante rei á frente do tempo.Mais tarde um proprio rei portugues defendeu a independencia do brsil lutando contra tudo e todos e depois de o conseguir democratizou o pais como nenhum outro até á data .
    E por fim cria uma comunidade que volta a estar á frente no tempo com uma presidencia rotativa pelos paises da comunidade ,não fasendo como os ingleses em que os reizinhos do pais mandam e representam totalmente a comunidade.
    Para terminar gostaria de dizer que acho uma vergonha andarem a falar que um pais é mais ou menos digno de ser respeitado porque neste momento esta em crescimento economico alto.Isto virou nazismo?Todos temos defeitos e qualidades ,umas vezes estives-mos melhor nuns aspetos outras vezes é ao contrario .TODOS SOMOS DIFRENTES ,RESPEITO.
    VIVA O BRASIL!

  31. “Trouseram o conhecimento ,a organização ,os edificios ,uma lingua ,a religião e trasformaram o brasil num imenso pais graças a um brilhante rei á frente do tempo.”

    O portuga aí de cima viajou legal na maionese.
    Querido, Portugal só trouxe atraso, exploração, escravidão, desordem, bandidos e religião pro Brasil. Ou seja, só fez m*!

    E vir falar da colonização espanhola?! Tipo: “O sujo falando do mal lavado”.

    Criticar a violência, covardia e brutalidade espanhola? Qual a diferença entre um e outro? Que eu saiba , em um território que contava com 10 MILHÕES DE ÍNDIOS, restam apenas 600 MIL no Brasil.

    E será que o habitante da tugalÂndia já ouviu falar em Argentina, Uruguai, Chile? Vê se o urbanismo espanhol se compara ao caos do urbanístico português. E o IDH deles com as das antigas colônias portuguesas?!(Vejam: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=664188 ) Preciso citar a Inglaterra com suas colônias: a Austrália, EUA, Canadá etc? Ô Portuga, vai chupar parafuso pra ver se vira prego, vai!

    Ah, e se devemos alguma coisa, agradecemos sim aos imigrantes que chegaram aqui e a todos os brasileiros natos que lutam por esse país.
    Cito: http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Neeleman
    http://economia.ig.com.br/empresas/comercioservicos/conheca+os+brasileiros+que+compraram+o+burger+king/n1237768252822.html

    E dá pra ver o nível do Portuga pela forma como ele assassina a própria língua. Eu mesma que tenho o Brasiliano como língua materna, escrevo melhor português (idioma estrangeiro) que esse daí.

  32. Hello. splendid job. I did not anticipate this. This is a great story. Thanks!

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