A realidade sociolingüística do país e a formação do português brasileiro

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O português falado no Brasil se distingue, em muitos aspectos, do português europeu. A caracterização da realidade sociolingüística do país e da formação histórica do português brasileiro é um dos grandes desafios atuais da lingüística brasileira. Este é também o principal objetivo do Projeto Vertentes do Português Rural do Estado da Bahia , coordenado pelo Professor Dante Lucchesi do Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

O professor conta que o Projeto Vertentes, como é chamado, estuda os modos de falar de comunidades rurais do interior da Bahia em busca de uma espécie de arqueologia da língua, onde se possa compreender as conseqüências do contato da língua portuguesa com as línguas indígenas e africanas, que marcam a formação do português no Brasil.


Nesta entrevista à FOLHA DIRIGIDA, o professor Dante Lucchesi, doutor em Lingüística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e autor do livro Sistema, Mudança e Linguagem, fala ainda sobre as contradições no ensino da língua, o preconceito linguístico e a importância do respeito à diversidade lingüística brasileira.


Folha Dirigida – Um dos objetivos do projeto Vertentes é estudar o português em seu contexto social. Qual é a importância dessa abordagem contextualizada da língua?

Dante Lucchesi – O MEC, através dos parâmetros curriculares nacionais e nos seus documentos mais recentes, tem mostrado uma grande sensibilidade para o estudo da língua portuguesa mais ligado à realidade lingüística do país. Isso contribui muito porque o indivíduo tem que desenvolver sua capacidade expressiva mantendo, em grande parte, a sua gramática de origem. Nós usamos o termo “gramática” como o sistema mental de produção de linguagem, aquele que permite que nós transformemos as nossas idéias em frases. O que acontece hoje, no Brasil, é que o ensino da língua portuguesa vive dois grandes problemas. Por um lado, nós mantemos um padrão normativo descolado da nossa realidade lingüística. No século XIX, quando da independência do Brasil, a nossa elite desenvolvia uma atitude no plano da política e da cultura fortemente nacionalista. Curiosamente, em relação à língua, ela manteve uma postura autoritária. Um reflexo disso foi o que aconteceu, por exemplo, com José de Alencar, o grande escritor brasileiro do século XIX, que era elogiado pela sua temática nacionalista e indigenista, mas era criticado porque escrevia com brasileirismos. Há uma dimensão política interessante nesse processo, porque ele reflete um projeto elitista da classe dominante no Brasil. Então aquele discurso nacionalista na verdade se neutralizava quando essas elites brasileiras buscavam no padrão europeu e nos modelos culturais europeus a sua identidade para se separar da grande massa da população brasileira. A língua foi um instrumento poderoso nisso, porque, ao adotar um modelo do português europeu, se negava toda a realidade lingüística do português no Brasil. Um exemplo claro disso é a colocação dos pronomes átonos. Aqui, as pessoas dizem “ele me disse a verdade”, diferente do que se diz em Portugal, que normalmente é “ele disse-me a verdade”. Essa colocação do pronome depois do verbo (ênclise) foi consolidada em Portugal na virada do século XVII para o século XVIII, em decorrência de uma série de mudanças fonéticas que aconteceram no português europeu e não aconteceram no português brasileiro. Essas mudanças fonéticas são as que dão a característica maior da pronúncia portuguesa atual. Eles enfraqueceram muito as vogais átonas, o que fez com que os pronomes átonos se fixassem como sufixos ao verbo, e isso determinou essa colocação natural enclítica, ou seja, do pronome átono depois do verbo. No Brasil, aconteceu exatamente o contrário: nós reforçamos a nossa pronúncia das vogais átonas. E o que aconteceu aqui? As nossas gramáticas passaram a reproduzir o modelo português completamente estranho à nossa realidade. E aí é um absurdo. Se você pegar uma gramática pedagógica, lá está escrito assim, em relação à colocação dos pronomes átonos: “A colocação normal do pronome no português é a ênclise”. Mas o que eles querem dizer com normal? Não é nada de normal, para nós é anormal. A colocação normal do pronome átono no Brasil é a próclise. E aí, o que é mais absurdo, eles apresentam uma série de regras onde o aluno deve colocar a próclise. É uma coisa absolutamente inútil, porque o estudante já usa normalmente a próclise. Se a escola tivesse que ensinar alguma coisa, seria alguns contextos onde se deveria utilizar a ênclise, por uma questão de tradição, do tipo “não iniciar um período com pronome átono” ou “não colocar o pronome átono antes do verbo após uma pausa”. Esse é o primeiro problema do ensino da língua portuguesa no Brasil: é feito em cima de um modelo anacrônico e muitas vezes estranho à nossa história e à nossa tradição cultural.

FD – E o segundo problema?

Dante Lucchesi – Em segundo lugar, nós temos também um sistema de análise sintática que tem muitas vantagens, mas que também é muito, digamos, antigo e pouco renovado, e que tem algumas contradições. Por exemplo, se diz que o verbo transitivo é aquele que precisa de complemento. Ao mesmo tempo, nós temos um verbo como “ir”, que efetivamente precisa de complemento. Ninguém pode dizer “Maria vai”. Maria vai a algum lugar. Então esse verbo pediria um complemento, mas a nossa gramática tradicional classifica esses verbos de movimento como “ir, “chegar”, “voltar”, como verbos intransitivos, ou seja, verbos que não precisam de complemento. Por quê? Porque o complemento desses verbos indicam um lugar, e tradicionalmente, as palavras que indicam lugar na língua são os advérbios, que são chamados termos acessórios, que não são considerados complementos verbais. Então, a gramática optou por dizer que esses verbos são intransitivos. E isso é complicado para ensinar ao estudante. Até porque o ensino não é bem planejado. Isso vai criando uma idéia de que a gramática é uma coisa chata, a gramática é uma coisa ilógica, e a análise gramatical se funda apenas na autoridade. Essa visão é a que acaba passando para a grande maioria da população, sobretudo por causa da mídia, que tem valorizado muito mais os gramáticos tradicionais, pessoas que pregam o preconceito, que dão uma visão errada, de achar que falar e escrever bem é saber uma série de regrinhas que só aquele gramático sabe. Mais uma vez nos fundamos no mito da autoridade sem ter uma prática eficaz de ensino da língua portuguesa.

FD – O senhor falou do papel da mídia na padronização da língua. Qual deve ser o papel dos meios de comunicação? Resguardar a norma culta ou valorizar os usos mais próximos da fala?

Dante Lucchesi – Por um lado os meios de comunicação já interferem muito na fala das pessoas. O nosso projeto de pesquisa tem demonstrado isso e nós vemos, por exemplo, em comunidades rurais isoladas, que os jovens falam de uma maneira mais próxima à norma culta do que os mais velhos, porque eles vêm mais televisão, vão mais à escola, se movimentam mais. A televisão é um poderoso instrumento de nivelamento linguístico, o que é, num certo sentido, até positivo. Agora, o que deveria ser mudado nos meios de comunicação é essa visão do preconceito linguístico, que é difundida nesse programas e nas colunas de jornais que eu chamo de “colunas de auto-ajuda gramatical”. Ou seja, esses gramáticos passam uma visão antiquada, preconceituosa e, muitas vezes, ilógica do que é a língua, seu funcionamento e sua estrutura. Um exemplo claro é o verbo assistir, que se diz “na norma culta não se deve dizer eu assisti o jogo , e sim eu assisti ao jogo “. Ora, se eu digo para você uma frase do tipo “O jogo foi assistido por 80 mil espectadores”, essa frase é natural no português. Isso é uma prova cabal de que o verbo assistir já é, em português, há muito tempo, um verbo transitivo direto, porque só os verbos transitivos diretos aceitam frases na voz passiva, como essa que eu disse agora. Mas esses gramáticos, esses grandes nomes da mídia, ficam difundindo essas regras absolutamente inúteis, ao invés de trabalhar, o que a escola também deveria fazer, além de dar uma visão mais lógica sobre a estrutura da língua, com uma análise que é interessante para o crescimento intelectual do aluno. Os próprios professores de português acabam ficando envergonhados de ensinar o português como se fosse uma coisa inútil, o que é errado, porque nós aprendemos no ensino médio fórmulas químicas, equações matemáticas, que ninguém usa no dia-a-dia. Mas isso é importante para a nossa formação intelectual, para uma formação humanista do indivíduo. Então ensinar gramática faz parte disso, e a gramática é até muito mais útil do que certas equações matemáticas e fórmulas químicas para a vida das pessoas. Mas porque nós temos um modelo ainda mal estruturado, e o ensino é mal feito, aí as pessoas têm vergonha de ensinar gramática. Então são três coisas: não difundir uma visão preconceituosa; reestruturar a análise gramatical na sua versão pedagógica para que ela seja mais lógica e um exercício de raciocínio e, finalmente, exercitar muito o uso linguístico em contextos reais. Ou seja, um ensino relacionado com o uso concreto da língua.

FD – O Projeto Vertentes estuda a língua portuguesa em comunidades rurais isoladas, formadas por afrodescendentes. Que tipo de informação se pretende adquirir com esse tipo de experiência?

Dante Lucchesi – Como eu falei, no centro da nossa hipótese de trabalho, o contato entre línguas teria influenciado o português do Brasil a partir da aquisição do português por escravos e seus descendentes. Essa aquisição se difundiu para todos os segmentos da sociedade, porque os filhos dos senhores eram criados pelas amas, que eram escravas, e influenciavam a fala das crianças até da elite. Houve uma miscigenação muito grande no Brasil. Você tem muitos nomes da elite brasileira que eram oriundos da miscigenação racial, como, por exemplo, o nosso grande romancista, Machado de Assis, que era pardo. No final do século XIX, vieram para cá os imigrantes, que entravam na base da pirâmide social e tinham contato com os trabalhadores negros, mestiços, que falavam o português popular. Esses imigrantes europeus e asiáticos ascenderam rapidamente na estrutura social brasileira, por causa de seu background cultural, e levaram para os padrões lingüísticos da classe média e alta esses padrões oriundos do português popular e do contato entre línguas. Para a gente conseguir identificar exatamente que tipo de mudança aconteceu no português do Brasil por causa do contato entre línguas, nós tínhamos que procurar aquelas situações que mais pudessem refletir essas mudanças. Por isso o estudo das comunidades rurais afro-brasileiras. Muitas delas têm sua origem em antigos quilombos, e são comunidades que se isolaram, onde a influência do português padrão ficou sendo muito pequena. Essas comunidades preservaram mais, digamos, os efeitos do contato entre línguas na sua forma de falar. É, então uma espécie de laboratório, uma espécie de arqueologia lingüística. É como se você pudesse, através da observação da fala dessas comunidades, iluminar um pouco da história lingüística do Brasil.

FD – Levando em conta o contexto histórico da formação do português brasileiro e a questão do preconceito linguístico, de que forma a língua influencia outros aspectos culturais da sociedade brasileira?

Dante Lucchesi Historicamente, a elite brasileira procurou manter um modelo adventício de língua para excluir a maioria da população. No momento que você diz que uma pessoa fala errado, que aquilo é linguagem de uma pessoa ignorante, de uma pessoa sem cultura, ou que aquilo nem sequer é língua, você está incutindo nas pessoas um sentimento de inferioridade e de insegurança. Muito se fala “ninguém sabe falar português no Brasil”. Do ponto de vista científico, isso é um absurdo, porque todo mundo fala português. Nós estamos falando português, as pessoas numa feira livre estão falando português e se comunicando plenamente em português, só não estão falando aquela variedade que é a prestigiada. Então, esse preconceito é usado como uma forma de excluir da participação e da cidadania uma série de segmentos da população. Uma situação, por exemplo, que foi superada agora na medida em que houve toda uma campanha de marketing e toda uma ascensão do presidente Lula na última eleição. Mas durante muito tempo o presidente Lula foi discriminado nas eleições, porque se dizia que ele não falava adequadamente para um presidente da república, não poderia ser um estadista porque ele não sabia falar o português. Era uma maneira de se tentar cercear a participação política dos segmentos populares. Isso é um absurdo porque a capacidade comunicativa do presidente Lula, sua capacidade de passar suas idéias para o povo brasileiro mostra que ele fala muito bem. E isso é usado muito mais de uma forma preconceituosa e ideológica do que de uma forma coerente, porque hoje em dia ninguém fala como a gramática tradicional prega. Eu já vi muitos jornalistas, como Paulo Henrique Amorim, que é considerado um jornalista muito culto, sofisticado, falando “eu estive com o presidente e eu entrevistei ele”. Todo mundo usa isso, mas não corresponde ao padrão escrito. Ele deveria dizer “eu o entrevistei”, ou “eu entrevistei-o”, com a ênclise, que fica até pior. Então, uma coisa que é importante que se pense é que o padrão de fala é diferente do padrão da escrita. A escrita é mais conservadora, a fala, não, está mais livre para as mudanças. Na época, era muito interessante, porque as pessoas só viam erro na fala do Lula, os outros candidatos que falavam esse tipo de coisa, que não corresponde ao padrão, ninguém reclamava. Isso é uma forma de utilizar a língua como instrumento de dominação. Isso nada mais é do que uma forma de se veicular o preconceito, o estigma, e de se marginalizar uma parte da população.

FD – Entendendo a língua, então, como um instrumento de dominação, pode-se querer que o estudo contextualizado do português brasileiro e a valorização da fala do povo sejam instrumentos de resgate ao respeito de culturas marginalizadas, em outras palavras, pode-se utilizar a língua como um instrumento de ação afirmativa?

Dante Lucchesi – Talvez a língua seja a última cidadela a ser tomada nessa campanha contra o preconceito, porque hoje em dia já existe uma sensibilidade muito grande para se combater o preconceito cultural, o preconceito racial, mas não há uma conscientização das pessoas em relação ao preconceito lingüístico. Hoje se ridiculariza impunemente as pessoas pela sua maneira de falar. Espero que um dia isso seja modificado, e da mesma forma como as pessoas não podem ser mais marginalizadas pela cor da sua pele ou pelo seu comportamento e suas tradições culturais, elas não possam ser também ridicularizadas pela sua forma de falar. E que haja um respeito pela forma como as pessoas falam, porque a língua é o maior reflexo da cultura de uma comunidade. Então, uma modalidade lingüística não pode ser considerada inferior ou pior do que outra, ela é simplesmente diferente. Que haja, como eu disse, aquele dialeto padrão que oriente o comportamento lingüístico das pessoas nos meios oficiais, institucionais, na escola, na mídia, é correto. Mas isso não pode vir em detrimento da pluralidade lingüística da comunidade. Eu acho que um ensino que contemple a diversidade vai contribuir para o desenvolvimento dessa consciência cidadã. Eu acho que essa seria a grande contribuição que um ensino mais plural da língua daria. Esse é um dos objetivos do nosso projeto de pesquisa. Na medida em que as pessoas passem a conhecer e respeitar a diversidade lingüística do Brasil, eu acho que isso vai melhorar muito as relações sociais e ampliar o espaço da cidadania.

[Nesta página, reproduzimos o texto da entrevista concedida pelo Coordenador do Projeto Vertentes à jornalista Clarissa Borges, e publicado no Jornal Folha Dirigida, na sua edição de 15 a 21 de outubro de 2004]

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37 Respostas

  1. Uma pergunta interessante do yahoo:

    Mesmo ou mermo?
    Fui para o Rio de Janeiro duas vezes em 2007. Eu começei a estudar o maravilhoso idioma portugues falado no Brasil e tenho alguma duvidas. Mesmo e “mermo” querem dizer a mesma coisa? Assinei a’ Rede Globo Internacional e ouço alguns atores pronunciar “des” no começo das palavras dum jeito diferente do que as pessoas no Rio (des como “dis” our “des” e nao “giish”). E’ melhor aprender a falar com o sotaque carioca ou paulistano? Na Italia por exemplo falar com o sotaque de Roma ou do Sul seria muito “brega” o “cafona”. Obrigado br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=AqMi_K0RO5jTztIDrF22ZdXJ6gt.;_ylv=3?qid=20080731021833AA4HFnB&show=7#profile-info-pATQkCQNaa</

    Algumas respostas típicas de preconceituosos lingüísticos:

    “a palavra certa eh MESMO, e nao mermo.. quem fala mermo eh favelado sem estudo.
    😉
    ciao belo!”
    —-
    “mesmo esta sérto. mermo é coiza di quem num sabi iscreve. cuntinua pur aqui que voçe vai aprende a iscreve diretinho.”

    Minha resposta lá:

    No Brasil não existe uma variedade padrão.

    “Impossível, portanto, escolher uma variedade regional e considerá-la o padrão do ‘Português’ Brasileiro. Que cada região descreva sua variedade culta e a recomende para uso em suas escolas, sem preconceitos calcados na velha história de que “a galinha do vizinho é mais gorda que a minha”. brasiliano.wordpress.com/2008/07/14/o-problema-do-idioma-brasileiro-padrao/

    Talvez a linguagem que mais se aproxime desse “padrão” seja a usada nos telejornais.

    Quanto ao ‘mermo’, essa é uma peculiaridade do Rio e pouco usada no resto do país, que prefere o mesmo (sem aquele ‘s’ chiado, tbm restrito ao Rio a a algumas cidades do país)

    Falar mermo não é errado, seria um ‘não-padrão’, mas não é errado ou coisa de favelado, como disseram acima, e mesmo que fosse, qual o problema?

    “O problema é que as pessoas acreditam no mito há apenas uma única forma de português falado no Brasil. Dessa forma, qualquer variação do português é considerada errônea e sofre imenso preconceito, sendo ridicularizadas e motivo de piadas. Muitas vezes, o preconceito não existe contra as variações da língua usadas pelas pessoas marginalizadas da sociedade (carentes, pobres, “sem instrução”) por si só, mas sim contra as próprias pessoas e, por extensão, contra a “língua” por elas utilizadas.” [Preconceito Lingüístico- Marcos Bagno]

    Leia esta trecho da entrevista do professor e lingüista Dante Lucchesi.

    “Historicamente, a classe dominante brasileira procurou manter um modelo adventício de língua para excluir a maioria da população. No momento que você diz que uma pessoa fala errado, que aquilo é linguagem de uma pessoa ignorante, de uma pessoa sem cultura, ou que aquilo nem sequer é língua, você está incutindo nas pessoas um sentimento de inferioridade e de insegurança. (…) Então, esse preconceito é usado como uma forma de excluir da participação e da cidadania uma série de segmentos da população. Uma situação, por exemplo, que foi superada agora na medida em que houve toda uma campanha de marketing e toda uma ascensão do presidente Lula na última eleição. Mas durante muito tempo o presidente Lula foi discriminado nas eleições, porque se dizia que ele não falava adequadamente para um presidente da república, não poderia ser um estadista porque ele não sabia falar o português. Era uma maneira de se tentar cercear a participação política dos segmentos populares. Isso é um absurdo porque a capacidade comunicativa do presidente Lula, sua capacidade de passar suas idéias para o povo brasileiro mostra que ele fala muito bem. E isso é usado muito mais de uma forma preconceituosa e ideológica do que de uma forma coerente, porque hoje em dia ninguém fala como a gramática tradicional prega.(…) Na época, era muito interessante, porque as pessoas só viam erro na fala do Lula, os outros candidatos que falavam esse tipo de coisa, que não corresponde ao padrão, ninguém reclamava.

    (…) uma modalidade lingüística não pode ser considerada inferior ou pior do que outra, ela é simplesmente diferente.”

  2. TAMBÉM DEI UMAS RESPOSTAS LINDAS NO YAHOO.

    A PATY E A JU SÃO MINNHAS FONTES DE INSPIRAÇÃO, EU NEM DISFARÇO 😀
    …TÁ BOM, VAI, PLAGIEI ALGUUUMAS COISINHAS QUE DISSERAM, MAS MINHAS RESPOSTAS FICARAM TÃO LINDAS, LEIAM MEUS ORGULHOS:

    “O Brasil não valoriza nossa língua, um país que usa a gramática de um idioma estrangeiro que é o português, que faz com que as particularidades de nossa língua sejam consideradas erros e só prevê como correto o que é usado em Portugal. Por que – Me dê um beijo é errado enquanto a forma horrível – Dá-me um beijo é certo???? O brasil precisa valorizar nosso jeito de falar, nosso jeito de construir o brasileiro e declarar nosso idioma, o BRASILIANO.

    E sítio pra mim é uma chácara, seria melhor saite, se bem que prefiro site,, além disso palavras estrangeiras enriquecem muito nosso idioma brasileiro. As línguas evoluem, se fossem pra ficar paradas no tempo hoje falaríamos latim. Viva o Brasiliano!”

    OUTRO LINDO:

    “Se vc gosta tanto do português “correto”, mude pra Portugal.

    O Brasil não fala português mas sim o Brasiliano e tem que lutar contra uma gramática que impõe conceitos que nunca fizeram parte de nossa língua ou são ultrapassados, violentando a forma do brasileiro falar simplesmente dizendo que está errado, ora “Eu vou ‘no’ banheiro” é falado desde a época do descobrimento porque é uma formação frasal corretíssima tirada do Latim que nós preservamos, mas que os macacos da sintaxe lusitana não admitem porque em Portugal (que é o único lugar que se fala certo) não se usa, apesar de 99% dos brasileiros falarem assim desde sempre, aliás, os portugueses tbm falavam assim mas mudaram as regras no meio do jogo, assim como falavam “me deixa” ou “Eu vi ele”, que eram formações corriqueiras no português arcaico preservado no Brasil. Mas isso não importa, os macacos da gramática lusitana não querem saber, querem imitar a todo custo a fala deles, pois bem, falem sozinhos porque o Brasil já acordou pra essa dicotomia lingüistica, esta distância abismal entre o nossa língua materna a e a língua virtual estrangeira escrita (escrita que é odiada pelos alunos pois não corresponde ao nosso idioma), é como se falássemos inglês mas só pudessemos escrever usando a gramática italiana. Chega! Pela normatização da língua brasileira. Fora a gramática estrangeira portuguesa!”

    NÃO FICARAM EXCEPCIONAIS?
    PALMAS PRA MIM!!!! 😀 ÊÊÊÊÊ

  3. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Ai Malu, vc é bastante combativa. Me reconheci em algumas passagens suas, eu não me importo, pode plagiar à vontade, tbm sou influenciável.

  4. Um pouquinho só.. 😀

    veja essa pergunta do yahoo:

    Qual é o principal desejo de um professor de Língua Portuguesa?

    Aí eu disse:

    O desejo é traumatizar seus alunos ensinando uma gramática que não corresponde a língua materna dos brasileiros. O desejo é encucar nas cabeças das crianças o preconceito de que só em Portugal se fala o verdadeiro e correto idioma enquanto nós brasileiros somos uns idiotas que não sabem a própria língua. Língua brasileira que chamam de inculta, assassina e pior por ser diferente.

    Quem no Brasil chega em uma padaria e diz: ‘Dê-me’ cinco pães? (considerada a única forma correta na gramática mas que nunca, em qualquer tempo, foi falada pelos brasileiros)

    Me dá dinheiro aí!
    Me vê dez pães!
    Me…
    Me…
    e Me…

    Quem diz ‘dê-me’ ou ‘passe-me o sal’ é tão cretino e colonizado quanto essa gramática que não corresponde de nenhuma forma à língua materna dos brasileiros.
    Fora lusismos de nosso idioma!!!!

  5. Malu,
    Eu queria saber como você percebe o distanciamento de Brasil e Portugal.

    Eu fiz este comentário neste post:
    brasiliano.wordpress.com/2008/07/31/a-lingua-portuguesa-no-brasil/
    “Será que foi com a imigração que Brasil e Portugal começaram a perder as afinidades? Hoje os laços são mais históricos, alguns culturais- dependendo da região-, também mais ou menos lingüístico; mas creio que não é nada relevante ou muito forte tipo os EUA e Inglaterra, meio que se extingüiu este parentesco, não sei.”

    Queria saber sua opinião “combativa”. É que eu vejo que você tem uma perpectiva bem diferente da minha. Estou curiosa.

  6. É daí que a gente vê como a língua é instrumento de exclusão. O entrevistado cita o exemplo do Lula, eu lembro também que na época do Dirceu as pessoas ironizavam muito o sotaque dele.

    Eu achei pertinentes as respostas da Maria Luiza, não as vi como combativas. O preconceito lingüístico é uma das coisas que a escola deveria ficar mais atenta.

  7. Lessa,
    falando em DiRRRRceu, eu me lembrei de um vídeo muito divertido do youtube em que Sabrina Sato dá aulas de Porrrtuguês Caipira; e adivinha quem eles pegam para exemplo? É, é ele mesmo.

    O link:
    http://br.youtube.com/watch?v=9lPbAqnii9Q

  8. kkkkkkkkkkkkkkkk

    irrrrrb
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Mas eu não posso caçoar muito do sotaque dele não, sou carioca e todo mundo tira a maior onda com nosso m’ush’quito. kkkkkkkkkkkkkk

  9. Sacanagem com o Dirrrceu. Pior que essa só a Veja colocando a Sabrina Sato como um dos “100 legados japoneses” em comemoração à imigração.

    Podem conferir aqui:
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/06/01/de-a-a-z-100-legados-japoneses/

  10. Listinha maneira, as ancestrais das havaianas são uma novidade pra mim.

    Uma vez vi ou li em algum lugar que esse r caipira é herança dos confederados americanos que se estabeleceram naquela região. Alguém já ouviu isso?

  11. Essa é uma das hipóteses, porém não acho que ela explique de forma satisfatória e geral o fenômeno:

    “Existem algumas hipóteses por trás disso. “Por exemplo, a presença do `r´ retroflexo em cidades como Americana e Piracicaba é resultado da colonização americana. Porém, você vê que o `r´ retroflexo não é característica apenas dessas regiões, também marca presença em Goiás ou em alguns dialetos da região Sul, que não tem influência nenhuma do americano.”
    universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=8512

    Esta é a mais provável

    “O que chamou a atenção de Borba é que aquele povo, como alguns povos jê, possuía sons que os grupos de língua tupi não tinham, como o /r/ forte, Borba afirma que “é muito gutural”, e é o que se chama de /r/ retroflexo. Esta observação é de suma importância, pois vem mostrar uma das origens do famoso /r/ paulista, classificado também como /r/ caipira. Este mesmo som encontramos na língua kaingang e provavelmente deve haver o mesmo em outras línguas de grupos da família jê, mostrando uma influência de línguas do tronco macro-jê na fonética brasileira atual.”
    brasiliano.wordpress.com/2008/06/09/oti-%e2%80%93-o-exterminio-de-um-povo-a-origem-do-r-caipira/

    Talvez os americanos tenham aprofundado o “R” já existente nestas cidades que colonizaram, veja:

    “Mesmo entre os diversos municípios do interior paulista existem diferenças no dialeto. São Carlos, Piracicaba, Tatuí, Bauru, Itu. Todas essas cidades fazem parte do interior, porém, algumas maneiras de falar distintas são sentidas. “Piracicaba também é interior paulista e lá, por exemplo, esse `r´ retroflexo é muito mais puxado. Na região de São José do Rio Preto usa-se `r´ retroflexo em final de sílaba, como em ´porrrta`. Agora, em Piracicaba isso acontece no começo de sílaba. Eles dizem, por exemplo, ´Pirrr-acicaba`. Em Tatuí as pessoas dizem tia, leite (deve-se ler `tía´ e `leitê´) que é diferente dos outros lugares”, aponta Gonçalves.”
    universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=8512

    Percebe como também há diferenças entre os diversos sotaques caipiras

    Uma curiosidade: Segundo Câmara Cascudo, caipira seria uma corruptela de “caapora”, palavra de origem tupi que significa “morador do mato”.
    educacao.uol.com.br/cultura-brasileira/ult1687u2.jhtm

    Um pouco da história dos colonos confederados no Brasil: pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_estadunidense_no_Brasil

    Eu li em algum lugar que a ministra do Supremo Ellen Gracie Northfleet é descendente desse povo.

  12. Mas o preconceito lingüístico não é exclusividade nossa, na pergunta que postei acima o italiano diz:

    Na Italia por exemplo falar com o sotaque de Roma ou do Sul seria muito “brega” o “cafona”.

  13. O engraçado dessas variedades de sotaque é que a gente não dá nada pra esses países pequenos, mas eles têm diversidade. Uma vez conversando com um colega de trabalho português ele falava alguma coisa sobre as diferenças do norte e do sul do país dele. Ele contava que o norte é uma região bem pobre e que o povo fala de um jeito bem arcaico, o sul, como ele dizia, parece ser outra coisa. Cá pra nós, acho que ele não ia muito com a cara do povo do norte português não; acho que é tipo o que acontece no Brasil com o sudeste e nordeste, vai saber o que as pessoas pensam…

  14. Ou era o sul que é pobre e o norte rico…?
    …tanto faz!

  15. Uruguai – La República

    Maestros brasileños enseñarán portugués en escuelas uruguayas
    Data: 11/08/2008

    Educación bilingüe. Docentes de nuestro país irán al vecino del norte para enseñar español en plan de intercambio

    Maestros brasileños enseñarán portugués en escuelas uruguayas. Educación bilingüe. Docentes de nuestro país irán al vecino del norte para enseñar español en plan de intercambio

    Brasil aplicará un plan que lleva adelante con Argentina también en Uruguay. Este se basa en el intercambio de maestros de la frontera para que enseñen su idioma en las escuelas del país anfitrión. Este plan se suma al ciclo de educación de lengua portuguesa que se instrumenta en la frontera.

    El lenguaje es el instrumento por el cual los seres humanos nos comunicamos. En algunos casos, la lengua, instrumento esencial, contiene sus matices, modismos y normas, incluso dentro de un mismo idioma.

    Un plan exitoso
    Esto es lo que ocurre a medida que uno avanza hacia el norte del Uruguay. En la frontera con el vecino Brasil se comienzan a confundir los idiomas y la lengua se transforma en el conocido “portuñol”.

    En los departamentos limítrofes, los hablantes usan tanto el portugués (lengua oficial de Brasil) como el español (lengua oficial de Uruguay). Esto también ocurre en la frontera del país norteño con Argentina, así como con la que lo une y separa de Paraguay.

    El Estado de Brasil comenzó un plan con Argentina denominado “Escuela Bilingüe”, que permite el intercambio de maestros entre ambos países para enseñar la lengua oficial de cada uno de ellos.

    Este plan ahora también se extenderá a Paraguay y Uruguay, según informaron la semana pasada las agencias internacional de noticias.

    Intercambio que da frutos
    En el caso de nuestro país, la Administración Nacional de Educación Pública (ANEP) es la que viene llevando adelante la organización. La consejera de la ANEP Laura Motta, confirmó ayer la noticia a LA REPUBLICA.

    Motta, que lleva adelante la coordinación en materia de políticas de lenguas extranjeras en la enseñanza, explicó que el plan consiste en que los maestros uruguayos vayan a Brasil para enseñar nuestro idioma, “mientras los maestros brasileños vendrán a nuestro país a enseñar portugués”.

    El exitoso plan brasileño aplicado en Argentina ya lleva su quinto año de instrumentación.

    Con la inclusión de Paraguay y Uruguay a esta iniciativa, el gobierno del país norteño intenta un nuevo acercamiento entre los países del Mercosur. Dados los resultados obtenidos en la vecina orilla, la experiencia promete con creces.

    FUTURO CON ANTECEDENTES

    Según el proyecto de Ley de Educación en actual estudio parlamentario, se promueve la aplicación del portugués como segunda lengua. La secretaria general de la Federación Uruguaya de Magisterio (FUM), Teresita Capurro, saludó con agrado el proyecto, teniendo en cuenta “que en la frontera con Brasil ya se aplica un plan de educación bilingüe, debido a que el portugués es el idioma que se habla en las ciudades fronterizas”.

    Por su parte, la consejera Laura Motta explicó que el proyecto impulsado por el gobierno de Brasil permitirá sumar esfuerzos a los planes de políticas de lengua que lleva adelante Uruguay. Dijo que las políticas de lengua extranjera en la frontera están pensadas para abarcar desde la educación inicial a otros niveles superiores. Añadió que el convenio con Brasil incluye que “los maestros uruguayos cumplan con parte de su carga horaria en una escuela de Brasil y viceversa”. Destacó que la enseñanza se puede dar tanto desde el punto de vista del aprendizaje de la lengua como desde los programas educativos incluidos en el currículum de Primaria.

  16. Vejam que interessante este texto:

    “Por que o brasileiro deprecia tanto o seu modo de falar? Vou propor algumas explicações, que depois a gente pode discutir aqui em conjunto. Uma delas é o que chamo de “fantasma colonial”. Passados mais de 170 anos de independência política, a sociedade brasileira ainda conserva muito de sua estrutura colonial. Em outras ex-colônias européias, houve uma grande movimentação popular a favor da independência, uma revolução que implicou não somente no corte dos vínculos políticos e econômicos com a metrópole, mas também na transformação das relações sociais e econômicas que estruturavam a sociedade colonial. No Brasil, porém, nada disso aconteceu. Nossa independência foi tramada de cima para baixo, num movimento que tem caracterizado todos os grandes momentos políticos da nossa história. Basta lembrar que o mesmo homem que até então era o regente da coroa portuguesa, da metrópole colonial, foi quem proclamou a independência e se autonomeou em seguida imperador do Brasil. Esse mesmo homem, mais tarde, voltaria para Portugal para defender o trono português contra um suposto usurpador. Que independência então foi essa? O império brasileiro, do ponto de vista social, político e econômico, não era muito diferente do Brasil colonial: a economia permaneceu essencialmente agrária, o trabalho escravo continuou em vigor por mais meio século, a estrutura latifundiária não sofreu alteração, a economia e os negócios permaneceram nas mãos de uma pequena elite, não houve nenhum tipo de democratização das relações de poder e exploração. O mesmo se pode dizer da passagem do regime monárquico para o regime republicano. A proclamação da República foi pura e simplesmente um golpe militar praticado pela alta cúpula do exército, e não um movimento social a favor da democratização da sociedade. Talvez possamos ver nisso tudo algumas das explicações para as três grandes características da sociedade brasileira, praticamente inalteradas desde a época colonial: autoritarismo, oligarquismo e elitismo – politicamente autoritária, economicamente oligárquica e culturalmente elitista. A ausência da participação popular nesses momentos históricos revela o grande abismo que sempre separou a imensa maioria do povo da pequena elite dominante. Em nenhum outro lugar do mundo os ricos são tão ricos e os pobres são tão pobres: nosso país é campeão mundial de concentração de renda e de injustiça social. Sem se identificar com o povo, querendo o tempo todo manter e aumentar esse abismo, as nossas elites sempre se comportaram como uma força colonial, como um grupo alheio aos interesses do povo, e por isso mesmo sempre buscou se identificar com algo que está fora daqui, em algum paraíso exterior e superior, que mais recentemente se transferiu de uma Europa idealizada para um nebuloso “primeiro mundo”, lugar onde tudo é bom, bonito e certo. Essa pesada herança colonial, evidentemente, também tem seus efeitos sobre a língua que falamos. Para começo de conversa, essa língua tem um nome que denuncia sua exterioridade, seu não-pertencimento a este lugar chamado Brasil: a língua se chama “português”. Eu não sou português, e se essa língua tem esse nome é porque ela pertence a um outro, não pertence a mim. Ora, quem mais poderia falar bem e certo uma língua chamada “português” se não um povo também chamado “português”? Não é óbvio e evidente? Assim se cristalizou essa certeza, tão impregnada na nossa mentalidade, no nosso imaginário: brasileiro não sabe português, e nunca vai poder saber, porque somente os portugueses conhecem bem a língua, que é deles. Por mais que a gente insista e se esforce, só conseguiremos falar um arremedo de língua, um português estropiado, cheio de erros, de barbarismos e de solecismos, sobretudo por causa da influência de povos menos civilizados na nossa cultura, como os negros africanos e os índios nativos. Sim, porque não devemos esquecer que, além de autoritária, oligárquica e elitista, a sociedade brasileira é entranhadamente racista. É assim que procuro explicar essa auto-aversão lingüística dos brasileiros, inclusive dos brasileiros cultos, das camadas sociais escolarizadas e de maior poder econômico. Para a grande maioria das pessoas, só em Portugal se fala bem o português, e poucos são os brasileiros que conseguiram atingir esse ideal lingüístico, esse paraíso do bem falar: alguns poucos escritores, os autores das gramáticas e dos dicionários, os professores de língua. É fácil encontrar provas do que estou dizendo. Basta abrir os jornais, ouvir o rádio ou ver a televisão. A mídia costuma ser um bom espelho do senso comum. Aqui vão alguns poucos exemplos:

    Folha de S. Paulo, 4/1/2000, Marilene Felinto: “Basta pensar que a língua brasileira é outra. Uma pequena mostra de erros de redação coletados na imprensa revela que o português aqui transformou-se num vernáculo sem lógica nem regras”.O Dia, 28/2/1999, Arnaldo Niskier: “A língua portuguesa propriamente dita é bastante difícil”.Revista Época, 14/6/1999: “O uso do gerúndio empobrece o texto. Lembre que não existe gerúndio no português falado em Portugal”.Jornal do Brasil, coluna Língua Viva: “Sempre me perguntam onde se fala o melhor português. Só pode ser em Portugal”.Programa de TV, Nossa Língua Portuguesa: “O que acontece é que a língua portuguesa “oficial”, isto é, o português de Portugal, não aceita o pronome no início da frase.””

    (ENSINAR PORTUGUÊS OU ESTUDAR BRASILEIRO? Marcos Bagno)
    marcosbagno.com.br/art_ensinar_portugues.htm

  17. Texto bacana, Ju!

    Mas tenho a impressão que estamos deixando pra trás esse elitismo, viu? o Lula está aí pra todo mundo ver. Inclusive este pedaço da entrevista do Lucchesi fala disso:

    “Uma situação, por exemplo, que foi superada agora na medida em que houve toda uma campanha de marketing e toda uma ascensão do presidente Lula na última eleição. Mas durante muito tempo o presidente Lula foi discriminado nas eleições, porque se dizia que ele não falava adequadamente para um presidente da república, não poderia ser um estadista porque ele não sabia falar o português. Era uma maneira de se tentar cercear a participação política dos segmentos populares. Isso é um absurdo porque a capacidade comunicativa do presidente Lula, sua capacidade de passar suas idéias para o povo brasileiro mostra que ele fala muito bem. E isso é usado muito mais de uma forma preconceituosa e ideológica do que de uma forma coerente, porque hoje em dia ninguém fala como a gramática tradicional prega. […] Na época, era muito interessante, porque as pessoas só viam erro na fala do Lula, os outros candidatos que falavam esse tipo de coisa, que não corresponde ao padrão, ninguém reclamava. Isso é uma forma de utilizar a língua como instrumento de dominação. Isso nada mais é do que uma forma de se veicular o preconceito, o estigma, e de se marginalizar uma parte da população.”

    Desde a era FHC e até agora com o Lula, vivemos sob a égide socialista, apesar do PSDB ter aquela aura de Direita, eles são de esquerda; o PT é um partido totalmente vermelho e não nega sua origem popular. Estamos há um bom tempo fora do campo de ação elitista, pelo menos vejo assim. Talvez esse papo de “elites” já não faça tanto sentido quanto no passado, mesmo fazendo – a concentração de renda no Brasil, não negando com avanços para dirimí-la, é vergonhosa-.
    Desde que acabou a Ditadura os movimentos, os partidos, a política social ganhou força, tanto que não existe um partido de direita clássico no país.

    E, voltando ao texto de Bagno, mesmo com o imenso complexo de inferioridade dos brasileiros (necessidade quase patológica de se denegrir perante o mundo), vejo que existe um grande orgulho por nosso jeito de falar, por nosso idioma. É paradoxal, mas enxergo assim.

  18. Queria comentar essa parte da citação que a Ju fez do texto do Bagno.

    “Para começo de conversa, essa língua tem um nome que denuncia sua exterioridade, seu não-pertencimento a este lugar chamado Brasil: a língua se chama “português”. Eu não sou português, e se essa língua tem esse nome é porque ela pertence a um outro, não pertence a mim. Ora, quem mais poderia falar bem e certo uma língua chamada “português” se não um povo também chamado “português”? Não é óbvio e evidente? Assim se cristalizou essa certeza, tão impregnada na nossa mentalidade, no nosso imaginário: brasileiro não sabe português, e nunca vai poder saber, porque somente os portugueses conhecem bem a língua, que é deles.”

    Acrescento esta aulinha:

    GOSTARIA OU GOSTAVA?

    O uso do verbo no pretérito imperfeito do indicativo (= gostava) em vez do futuro do pretérito do indicativo (=gostaria) é muito comum em Portugal. É uma característica do português falado em Portugal. Não podemos considerar erro. Esse fato lingüístico é abonado por muitos autores da nossa literatura.

    É, portanto, uma questão de adequação.

    No Brasil, o mais freqüente é usarmos o verbo no futuro do pretérito do indicativo: “Eu gostaria muito de conhecer o Brasil”, “Eu gostaria muito de ir, mas não posso”.

    Usamos o pretérito imperfeito do indicativo para indicar fatos habituais no passado: “Na minha infância, eu gostava de visitar meus avós”.

    Espera aí, usar gostava em vez de gostaria, uma forma tão anormal para qualquer brasileiro, é abonada por gramáticos por ser falada em Portugal??? Então por que construções absolutamente naturais como: Vende-se casas, Eu vi ele, Te amo etc, são consideradas erradas por “todos” os gramáticos? É por que são faladas por brasileiros? Se fosse em Portugal seriam formas abonadas pela gramática?

    Somos DISCRIMINADOS ACINTOSAMENTE! Eu fico tão indignada ao ler estas coisas…
    Eu… eu fiquei com muita raiva quando li isso hoje.

    Até quando vamos permitir essa violência ao Idioma Brasileiro? ATÉ QUANDO? ISSO É UM ABUSO INADMISSÍVEL!!!

  19. A gente podia fazer umas camisetas assim:

    PORTUGUÊS, FORA!

    (\_(\
    (=’ :’)
    (,(”)(”)

  20. Também destaco esta parte da entrevista:

    “Hoje se ridiculariza impunemente as pessoas pela sua maneira de falar. Espero que um dia isso seja modificado […]. E que haja um respeito pela forma como as pessoas falam, porque a língua é o maior reflexo da cultura de uma comunidade. Então, uma modalidade lingüística não pode ser considerada inferior ou pior do que outra, ela é simplesmente diferente. Que haja, como eu disse, aquele dialeto padrão que oriente o comportamento lingüístico das pessoas nos meios oficiais, institucionais, na escola, na mídia, é correto. Mas isso não pode vir em detrimento da pluralidade lingüística da comunidade.”

  21. E Agualusa não entendeu nada…
    Mas é claro, ele fala português!

    Programa “Sempre um Papo”
    http://br.youtube.com/watch?v=dQkrcnzUN_I&feature=related

    [Pergunta do jornalista Afonso Borges]
    José, nesse contexto, a gente, o escritor brasileiro, se sente aprisionado, de uma certa forma aprisionado, ao escrever em português, mas nós vivemos esta realidade aqui no Brasil. Queria sua opinião, seu depoimento, sobre escrever em língua portuguesa mas em outro contexto, por exemplo, os livros publicados na Europa, qual é a sua reflexão sobre os outros países as outras línguas?

    [Resposta de Agualusa]
    Você disse-me uma coisa que até me deixou um pouco assustado, nunca ouvi tal coisa. Eu nunca me senti prisioneiro dentro da língua portuguesa, muito pelo contrário. Eu sinto-me incomodado quando tenho que falar inglês, é como se vestisse um casaco, um terno, uma coisa que me prenda os movimentos. Eu sinto-me aprisionado em uma outra língua, na língua portuguesa realmente não sinto.

    Vi esse vídeo e fiz uma transcrição mais ou menos da parte que achei interessante. Podem perceber que ele fala diferente mas de uma forma compreensível, vejam também que ele não entende nosso “aprisionamento” ao português. Ele não enxerga o abismo que separa o português escrito da língua brasileira.

  22. O estranho é que ele fala: “pAIssimista” em vez de “pEssimista”

    Eu tbm já percebi que os luso-africanos não pronunciam o r final como nós fazemos, ex:

    marrr – eles dizem maRE
    dorrr – doRE
    andarrr – andaRE

    É tão diferente.

    Pois é Ju, ele não enxerga nosso abismo, no mínimo deve pensar que falamos um português deturpado, como todos os luso-africanos dizem (na tentativa de diminuir os brasileiros).

  23. Paty, veja que achado, soma ao que vc disse:

    “penso que a base da língua Portuguesa esta mesmo em Portugal e como tal o “original “ é o Português de Portugal seja ele complicado ou em demasia baseado no Latim e nunca o Português que foi sendo lentamente deturpado pelos povos lusófonos em especial pelos Brasileiros.”

    comnexoesemsexo.blogspot.com/2008/04/minha-ptria-lngua-portuguesa.html

    Lógico que a “tolice” acima só poderia ter saído da cabeça de um português.

  24. O que o português de Portugal tem a ver com a Língua Brasileira? O cara viaja!

    Se alguém deturpou o idioma português foram os próprios portugueses, a língua do Brasil não tem nada com isso. Que babaca!

  25. Percebo que muitos portugueses acreditam no mito de que sua língua é a “original” e que o Brasileiro é uma derivação dela. Não há nada mais falso que isso. Tanto o português quanto o brasileiro partiram do português antigo e daí seguiram evoluções próprias, se distanciando um do outro. O português moderno é tão “deturpado” quanto o brasileiro, ninguém fala como em 1500 ou como Camões. O português do Brasil é conservador por causa do isolamento da colônia, o idioma de Portugal, em comparação ao brasileiro, mudou muito mais.

    Eu posso estar errada, mas acredito que a tendência é dos dois idiomas se afastarem. A globalização se mostrou uma grande fraude, nunca vi o sentimento “bairrista” tão forte quanto agora. Eu não consigo ver uma convergência entre as duas línguas.

  26. Bom dia!

    Patrícia, você tocou num ponto chave: A globalização se mostrou uma fraude. Concordo. Eu não sou de esquerda mas acho que ocorreu uma “globocolonização de mercadorias”. Enquanto os países pobres foram invadidos por produtos de países ricos, eles, à base de bilhões em subsídios e medidas fitossanitárias sem cabimento, se fecharam aos produtos de países pobres.

  27. Da última vez que fui para os Estados Unidos encontrei muitas coisas brasileiras, foi uma surpresa pra mim, não esperava. Fiz conexão em um avião da Embraer (que nunca voei no Brasil), vi propagandas das havaianas e muita gente usando (quem diria), vi produtos da Tramontina em um a grande rede de supermercados e ainda dei de cara com uma loja da H.Stern linda em NY. Esses poucos exemplos, claro, nem se comparam às zilhões de mercadorias que temos dos EUA aqui. Mas o que mais me impressionou foi que maioria dos produtos “deles” vêm diretamente da China, é quase uma invasão.

  28. Passeando pelo yahoo, olhem o que achei: (Pra desmascarar de vez)
    br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=Ah1tdjPar0ZJ_Ei6L.bjLMwGFBV.;_ylv=3?qid=20080816140443AAkyf6W

    O link do site que a pessoa do yahoo indica é uma festa de preconceito e insultos aos brasileiros:
    forumnacional.net/showthread.php?t=30027&page=12

    Vejam esta coluna em um jornal deles:

    “A operação policial foi uma excelente surpresa para os indígenas [brasileiros] que andam cada vez mais inseguros e desconfiados com a eficácia de certas polícias e com o funcionamento da Justiça em geral. Finalmente aconteceu uma coisa boa neste sítio cada vez mais perigoso, cada vez mais hipócrita, cada vez mais manhoso e obviamente cada vez mais mal frequentado.

    correiomanha.pt/noticia.aspx?channelID=00000093-0000-0000-0000-000000000093&contentID=D2278CA3-1A4D-4B13-9D29-4C095E257724

    Resta alguma dúvida sobre esta gente?
    Argh! Abre o olho Brasil!

  29. Malu, que triste.
    Os links que passou são verdadeiros shows de horrores.
    Lamentável! 😦

  30. O interessante do comentário acima da Malu é que ele confirma que a globalização é uma grande farsa. O bairrismo e o desprezo imperam.

  31. quasee neem li vou ter uma prova com esse conteúdoo tedopoiis vouu rever mass se tem muito conteúdoo éert pqee éer boom “

  32. nnuss manw too mô nervosaa com a provaa e tenhhooo mô preguiçaa paaaraaa leer isoo tudoo mas vou me esforçar o máximoo possiveeel :DD

  33. tomaraa qee eu ganhee uma boaa notaaa

  34. Acho um bocado estupido virmo em pleno sec.XXI falar em nacionalismos contra portugal ,eu adoro o brasil ,o portugues que se fala no brasil ,tudo… e temos de saber ser tolerantes e não exagerar .
    Não estou aqui para defender portugal mas não nos podemos queixar com as suas politicas .Eles foram o povo que mais sorte tivemos em relacionar ,olhamos para os espanhois na america e analizamos bem as brutalidades que fizeram aos maias aos incas e muitos outros da maior violencia,cobardia e brutalidade ,que destruiram tudo e todos das suas colonias ,os engleses com a mania que são mais que os outros não pouparam meios para atingir os fins na america do norte ,na india,etc…
    Os portugueses não são nehuns santos mas atendendo á epoca consideram-se bastante moderados.Trouseram o conhecimento ,a organização ,os edificios ,uma lingua ,a religião e trasformaram o brasil num imenso pais graças a um brilhante rei á frente do tempo.Mais tarde um proprio rei portugues defendeu a independencia do brsil lutando contra tudo e todos e depois de o conseguir democratizou o pais como nenhum outro até á data .
    E por fim cria uma comunidade que volta a estar á frente no tempo com uma presidencia rotativa pelos paises da comunidade ,não fasendo como os ingleses em que os reizinhos do pais mandam e representam totalmente a comunidade.
    Para terminar gostaria de dizer que acho uma vergonha andarem a falar que um pais é mais ou menos digno de ser respeitado porque neste momento esta em crescimento economico alto.Isto virou nazismo?Todos temos defeitos e qualidades ,umas vezes estives-mos melhor nuns aspetos outras vezes é ao contrario .TODOS SOMOS DIFRENTES ,RESPEITO.
    VIVA O BRASIL!

  35. “Trouseram o conhecimento ,a organização ,os edificios ,uma lingua ,a religião e trasformaram o brasil num imenso pais graças a um brilhante rei á frente do tempo.”

    O portuga aí de cima viajou legal na maionese.
    Querido, Portugal só trouxe atraso, exploração, escravidão, desordem, bandidos e religião pro Brasil. Ou seja, só fez m*!

    E vir falar da colonização espanhola?! Tipo: “O sujo falando do mal lavado”.

    Criticar a violência, covardia e brutalidade espanhola? Qual a diferença entre um e outro? Que eu saiba , em um território que contava com 10 MILHÕES DE ÍNDIOS, restam apenas 600 MIL no Brasil.

    E será que o habitante da tugalÂndia já ouviu falar em Argentina, Uruguai, Chile? Vê se o urbanismo espanhol se compara ao caos do urbanístico português. E o IDH deles com as das antigas colônias portuguesas?!(Vejam: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=664188 ) Preciso citar a Inglaterra com suas colônias: a Austrália, EUA, Canadá etc? Ô Portuga, vai chupar parafuso pra ver se vira prego, vai!

    Ah, e se devemos alguma coisa, agradecemos sim aos imigrantes que chegaram aqui e a todos os brasileiros natos que lutam por esse país.
    Cito: http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Neeleman
    http://economia.ig.com.br/empresas/comercioservicos/conheca+os+brasileiros+que+compraram+o+burger+king/n1237768252822.html

    E dá pra ver o nível do Portuga pela forma como ele assassina a própria língua. Eu mesma que tenho o Brasiliano como língua materna, escrevo melhor português (idioma estrangeiro) que esse daí.

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