Governo adia obrigatoriedade de acordo ortográfico para 2016

Com o adiamento, as novas regras, que se tornariam obrigatórias em 1º de janeiro de 2013, só poderão ser cobradas a partir de 1º de janeiro de 2016

Alex Rodrigues, da

Caneta sobre testamento

Caneta e papel: em Portugal, a reforma foi ratificada e promulgada em 2008 e as novas regras entraram em vigor em maio de 2009

Brasília – O governo brasileiro adiou por mais três anos o início da obrigatoriedade do uso do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O acordo que visa padronizar as regras ortográficas foi assinado em 1990 com outros países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Com o adiamento, as novas regras, que se tornariam obrigatórias daqui a quatro dias, só poderão ser cobradas a partir de 1º de janeiro de 2016. O novo prazo consta em decreto presidencial publicado hoje (28), no Diário Oficial da União.

No início do mês, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO) já havia antecipado que o governo federal adiaria a entrada em vigor do acordo. Na ocasião, o senador, membro da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, disse acreditar que o ideal seria elaborar um outro acordo, com maior participação da sociedade, e que só passasse a valer a partir de 2018.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram o acordo ortográfico em 1990. Na época, o Timor-Leste, que hoje faz parte da CPLP, ainda não era uma nação independente. O país só aderiu ao acordo em 2004, após tornar-se independente.

Cada país deve ratificar o documento assinado e definir os prazos para a entrada em vigor do novo acordo.

Em Portugal, a reforma foi ratificada e promulgada em 2008 e as novas regras entraram em vigor em maio de 2009, com a previsão de se tornarem obrigatórias em seis anos a partir dessa data. No Brasil, o acordo foi ratificado em setembro de 2008 e as novas regras já estão em uso, embora em caráter não obrigatório, desde 1º de janeiro de 2009.

O acordo também já foi ratificado por Cabo Verde (2006), São Tomé e Príncipe (2006), Guiné-Bissau (2009) e Timor Leste (2009). Moçambique e Angola ainda não ratificaram o documento.

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Uma gramática para professores

Por Sírio Possenti*

Há diversas gramáticas novas no mercado. Elas são, de certo modo, fruto do desenvolvimento das pesquisas sobre a língua, especialmente nos últimos 50 anos. Tais pesquisas permitiram uma visão mais clara da natureza e das diversas funções das línguas. Por outro lado, os estudos se aproximaram da escola, mais claramente das questões relativas ao ensino de Português.

Esse ramo da pesquisa linguística desenvolveu-se como decorrência de fatores como o de o conhecimento mais detalhado da língua permitir que se afirme com clareza que o domínio de uma forma “clássica” não é necessário para o desenvolvimento cultural e profissional dos brasileiros. Sem qualquer desprezo pela tradição, os estudos demonstram que o real português culto brasileiro se separa, em diversos aspectos, do português de Portugal, por um lado, e de um português imaginário que a escola supostamente persegue.

As novas gramáticas acompanham outra linha importante de trabalho que se verifica tanto nas ciências humanas quanto nas exatas e biológicas. Elas estão produzindo um conhecimento mais sofisticado de nossa história e realidade. Assim como os estudos de História permitem construir outra visão do passado, os da língua permitem:

a) Um conhecimento mais sofisticado de nossa realidade linguística, tanto no que se refere a como se fala quanto a como se escreve – e, por extensão, um conhecimento de nossa língua culta real.

b) A construção de metodologias de ensino mais realistas e eficazes – aspecto que decorre da associação de pesquisas em sociolinguística e psicolinguística, por um lado, das pesquisas sobre as práticas de escrita, escolares ou não, que fornecem um guia mais seguro para o aprendizado.

A Gramática Pedagógica do Português Brasileiro, de Marcos Bagno, colunista de Carta Fundamental (São Paulo: Parábola Editorial, 2011), é um volume de mais de mil páginas que se insere nesse quadro de pesquisas.
De seu estudo, o professor brasileiro (e não só o de português) poderá tirar diversas vantagens. Enumero algumas.

A obra trata de questões filosóficas que estão na base das gramáticas tradicionais e que diversos estudos mais recentes põem em questão, caso de alguns critérios de classificação (dicotomias do tipo emoção/razão, abstrato/concreto). Esses critérios produzem efeitos, por exemplo, na classificação “tradicional” das palavras, que fatos mostram não funcionar bem. Por isso, Bagno, entre outras coisas, adota posições mais claras e realistas, propondo novas classificações e mostrando que algumas são relativas.

Outro aspecto relevante da obra é apresentar de forma inovadora aspectos da história da Língua Portuguesa, mostrando que sua “origem” é mais complexa do que diz o refrão de sua descendência do latim vulgar. Ainda mais relevante é a análise de numerosos casos de mudança e, mais que isso, a demonstração, com base em fatos, de que a mudança linguística continua e, ainda mais importante, que muitas regras que comandarammudanças do passado continuam funcionando.

Se esta gramática só mostrasse esses fatos, já poderia ser considerada revolucionária porque a implicação é que a noção de erro deve ser profundamente revista.

Tocar nessa questão pode fazer o leitor pensar que Bagno deixa de se preocupar com a norma culta, que seria adepto de teses equivocadamente atribuídas aos linguistas resumidas no bordão “não há mais erros”.

Bagno sabe que, do ponto de vista científico (histórico, estrutural), tal noção é discutível, mas também sabe que a escola tem função específica: permitir que o aluno venha a dominar a norma culta (a distinção entre norma culta e padrão é importante, porque aquela tem valor social, esta, só ideológico).

E também sabe – e prova – que a norma culta nem é a antiga nem é a de Portugal. De posse dessas informações, Bagno propõe trabalhar em duas direções que só podem ser simultâneas:

a) Acabar com o preconceito contra a fala popular (deve-se vê-la como uma das formas da língua e, talvez, como a futura forma culta); para acabar com o preconceito, só há uma saída: estudar os fatos – de fatos a gramática está cheia;

b) Selecionar adequadamente os “problemas” sobre os quais a escola deve centrar fogo, ou seja, aqueles que funcionam como marcadores sociais, as formas de falar e escrever que a sociedade efetivamente rejeita (e que, empregados, podem prejudicar o cidadão); feita esta seleção – tarefa em que a gramática funciona como guia –, atividades de ensino adequadas são sugeridas.

É onde entram as pesquisas relativas à aquisição da linguagem e, especialmente, o que se conhece sobre as práticas que levam aprendizes ao domínio da escrita. No capítulo final, Bagno dá uma lista de formas “duplas”: os empregos correntes e os desejáveis em textos que exigem maior monitoramento, uso mais rigoroso da norma padrão. Por isso, é um excelente guia curricular.

Não se trata de guia com uma lista de erros a evitar. É uma obra que homenageia o professor porque o considera inteligente e capaz de estudar. Esta é, aliás, a saída em que se deve investir. As receitas já provaram seu fracasso, especialmente para a nova população de alunos e, fato que Bagno destaca, para a nova população de professores.

*Sirio Possenti é professor da Unicamp e autor de Por Que (não) Ensinar Gramática na Escola e Os Humores da Língua

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/cultura/uma-gramatica-para-professores/

Evolução do português…. de Portugal!

(Texto para quem acredita na lenda que Portugal preserva o português castiço!)

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Na segunda metade do século 18, no período em que Portugal era governado pelo marquês de Pombal e seus cofres enriquecidos por grandes quantidades de ouro embarcadas no Brasil, ocorreu uma sensível mudança na prosódia, ou seja, na maneira como as palavras são pronunciadas, no português falado na Europa. Ainda não se sabe como e por que isso aconteceu. Mas o fato de se seguirem no tempo sugere uma relação de causa e efeito entre as mudanças prosódicas do século 18 e as sintáticas do século 19.

“Trabalhamos com a hipótese de que o português brasileiro seja muito próximo do português clássico em termos rítmicos”, explica a professora Galves, referindo-se como português clássico ao falado nos séculos 16 a 18. “Assim, os padrões prosódicos dos dois serão contrastados, como se fosse uma comparação entre o português clássico e o português europeu moderno”, acrescenta.

Comendo sílabas

Sabemos que ocorreu a grande mudança prosódica do fim do século 18 principalmente por meio dos comentários sobre apresentações teatrais e representações de sotaques que saíam nos jornais da época. Gonçalves Viana, um foneticista português do século 19, por exemplo, queixava-se de que os atores da época pronunciavam apenas sete ou oito sílabas das dez dos decassílabos de Camões. Eles simplesmente “comiam” as sílabas que vinham antes da tônica, as pré-tônicas.

Isso ocorre até hoje. Em Portugal, muitas vezes, as vogais pré-tônicas desaparecem por completo na fala. No Brasil, porém, elas são mantidas. “Esse é o aspecto mais saliente da mudança fonológica”, diz a professora Galves. “Nós o interpretamos como uma mudança rítmica, ou seja, uma mudança na maneira como as sílabas átonas se reagrupam com as sílabas tônicas”, prossegue.

Qual é a relação entre a pronúncia das vogais pré-tônicas e a sintaxe dos pronomes clíticos e por que a redução das primeiras afeta a colocação dos segundos? Isso é uma das grandes questões do projeto. Do ponto de vista do lingüista norte-americano Noam Chomsky, a gramática muda na aquisição quando, por por algum motivo, uma geração de crianças fixa um ou mais parâmetros de maneira diferente dos pais. Galves explica que muitos lingüistas hoje defendem que, na aquisição de sua língua materna, as crianças usam “pistas” prosódicas indicativas das estruturas subjacentes aos enunciados. Se a prosódia dos adultos muda, as “pistas” também mudarão, levando, eventualmente, as crianças a uma gramática diferente.

Entretanto, é difícil saber por que a prosódia mudou e, em decorrência, a gramática. Nos Sermões , por exemplo, o padre Antônio Vieira usa basicamente a ênclise na colocação dos pronomes. Outros autores da época e mesmo Vieira, em suas cartas, davam preferência à próclise. A lingüista portuguesa Ana Maria Martins, da Universidade de Lisboa, participante do projeto, considera Vieira, por isso, um pioneiro do português moderno. Para a professora Galves, não é bem assim. Vieira, em vez de olhar para o futuro, estaria voltando ao passado.

Ele seria, assim, um purista, talvez como maneira de se contrapor ao uso do castelhano, que ganhou terreno enquanto Portugal esteve sob o domínio da Espanha, de 1580 a 1640. [Na origem da fase documentada da língua portuguesa, no século 12, o normal eraPedro viu-me . No século 15, houve uma mudança ePedro me viu tornou-se a preferida. No decorrer do século 19, porém, houve na Europa outra troca e a ênclise tornou-se a única opção.]

“Na segunda metade do século 18, uma razão do mesmo tipo pode ter levado à adoção de uma maneira de falar que reforçou a tendência, já existente na língua portuguesa, a reduzir as vogais átonas”, diz a pesquisadora da Unicamp. “Mas essa discussão é extralingüística e não há nenhuma evidência que possa indicar o porquê da mudança prosódica”, acrescenta.

Fonte: Revista Pesquisa Fapesp – http://revistapesquisa.fapesp.br/

A formação do POVO BRASILEIRO!

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Língua portuguesa?

Por Antonio Noberto

Um amigo europeu que sempre passa férias no Brasil, não faz muitos meses, trouxe-nos uma questão que não é nova. Queria saber o porquê do nosso idioma ainda se chamar português. Ele resumiu que, para os europeus mais inteirados da cultura brasileira, em razão da maiúscula participação de termos indígenas, africanos e estrangeiros na língua brasileira, é incompreensível o país ainda manter algo que não interessa à cultura, a política e, muito menos, à economia nacional. Finalizou dizendo que nossa língua é O BRASILEIRO, e não o português. “É uma questão de justiça e independência”, arrematou.

As palavras do nosso amigo, entre outras coisas, nos fizeram refletir também sobre a recente adequação ou revisão ortográfica da língua portuguesa. Em Portugal a resistência à alteração na gramática é assaz acentuada. Tem gente chiando barbaridade, como uma portuguesa que, em um site, sobre a reforma, postou o seguinte: “Mais uma vez Portugal rebaixa-se, porque razão é que temos que ser nós a mudar e não os brasileiros, eles é que não tiveram inteligência suficiente para aprender a língua correctamente, e agora por causa disso somos nós que temos que aprender nossa língua novamente? Como é que vamos pôr nas cabecinhas das nossas crianças que a maneira como aprenderam a escrever agora já não é a correcta. Quanto a mim vou continuar a escrever como sempre escrevi, sou portuguesa não sou brasileira”. Ela chega a nos chamar de “burros brasileiros”. Mas, como toda moeda tem dois lados, perguntamos: será que ela não tem lá suas razões? O seu sagrado direito de, no mínimo, espernear? Portugal errou quando fez sua primeira grande reforma a um século e – como era de se esperar – não consultou o Brasil, aumentando, com isto, a distância lingüística entre o dois países. O certo é que o Brasil tem quase duzentos milhões de habitantes e Portugal apenas dez. Ou este se adéqua a mudança ou “não sabemos” o que lhe poderá acontecer. A adequação é questão de sobrevivência para o país do Velho Mundo, que, mesmo com a irrelevante e frágil economia, nunca perdeu o hábito de querer ser colonizador.

Mas não percamos o foco… Até meados do século XVIII vigorava no Brasil o escambo, vez que, pela escassez de cédulas e de moedas de metal, a moeda corrente era o pano ou rolo de algodão. O famoso escritor Laurentino Gomes, repetindo as palavras de um viajante francês, disse: “Antes da chegada da Corte ao Rio de Janeiro, o Brasil era um amontoado de regiões com pouco contato, isoladas umas das outras, sem comércio ou qualquer outra forma de relacionamento”. E a língua mais falada até aquela época era o tupi-guarani. Isso mesmo, a língua indígena foi a língua mais falada no Brasil até a metade daquele século. Nessa época a população branca era consideravelmente pequena. Em 1600, por exemplo, era de apenas 30.000 e em 1766 a população livre girava em torno de 800.000 (Cronologia de história do Brasil Colonial – 1500 – 1831 / Andrea Slemian… et al. São Paulo; FFLCH-USP. 1994). Em 1756 o Marquês de Pombal proibiu a utilização de qualquer outra língua, inclusive a língua geral, de base tupi.

Os africanos foram escravizados e os indígenas dizimados, o mesmo, felizmente, não conseguiram fazer totalmente com a língua destes povos que, incorporada ao idioma oficial do país, atravessou séculos e permanece viva através dos milhares de termos que usamos no dia a dia.

O legado da cultura negra é bastante presente no Brasil, percebemos isto na religião, na comida, música, no modo de ver a vida, nos mitos e lendas, e também na própria língua. Para cá vieram negros de quase toda a África, sendo o destaque por conta de dois grandes grupos: o guineano-sudanês e o banto – que habitava o litoral africano. Provenientes em sua maioria do Benin, Angola, Nigéria e Congo, falavam diversas línguas e dialetos como o quimbundo, quicongo e o umbundo, dos quais herdamos inúmeros termos, sendo: vatapá, quitute, farofa, acarajé, canjica, mandinga, oxalá, iemanjá, ogum, senzala, Bangu, quilombo, miçanga, tanga, samba, berimbau, maxixe, maribondo, camundongo, mangangá, mutamba, dendê, quiabo, moleque, bagunça, cachimbo, coringa, dengo, quitanda, fubá, bunda, calombo, banguela, e incontáveis outros. Algumas se misturaram com o português: pé-de-moleque, angu-de-caroço, mini-tanga, molecagem, etc. Um maiúsculo legado para nossa língua que não cabe em um simples texto, mas em um volumoso dicionário.

Do tupi-guarani são milhares as palavras herdadas dos primeiros habitantes do Brasil. “Do Oiapoque ao Chuí!” a língua inicial tira de letra. São nomes de lugares – a maioria dos nomes dos estados brasileiros são de origem indígena –, acidentes geográficos, nomes de pessoas, etc. A culinária brasileira típica é profundamente indígena. Mas a gente pode começar por uma palavra que pipocou na rede mundial, ao menos aos usuários do Facebook: cutucar – tocar alguém com algo em forma de ponta. Não menos lembradas: cuia, embiocar, espocar, canoa, igapó, abacaxi, capenga, aipim, jacá, araçá, Aracaju, taquara, beiju, bocó, boitatá, buriti, bruaca, iara, Ipanema, Itaipava, Itamaracá, Itapemirim, tororó, jiqui, jirimum, jururu, piracema, pirão, pitada, pixaim, Piauí, Ceará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Pará, Goiás, Acre, perereca, peteca, pipoca, pindorama, mandioca, maniçoba, maruim, mingau, mirim, moqueca, mussum, mutirão, mutuca, paçoca, socar, pamonha… E tantas e tantas outras.

Os termos indígenas e africanos não raro sofreram um doloroso processo de depreciação, como parte de uma política de dominação do vencedor luso. Vemos isto, por exemplo, em mulher (cunhã), menino (curumim), interiorano (caipira), garoto (guri), morada (tapera), piolho / sovina (muquirana), vadia (piranha), pobre (pindaíba), bruxaria / ritual (pajelança), lerdo / tonto (pamonha), pereba, etc.

A influência estrangeira na nossa língua e cultura também é muito presente. Temos então, a título de exemplo. Do francês: abajur, ateliê, baguete, baton, bege, bistrô, bijuteria, boate, carrossel, capô, cassetete, etc. Catalã: beldade, baixela, capacete, convite, disfarçar, esmalte, faixa, nau, moscatel, etc. Do inglês: bife, blecaute, blefe, club, coquetel, craque, dólar, drinque, futebol, gol, etc., quase todos os termos utilizados na informática. E tantas outras participações alógenas.

A mudança da nomenclatura da língua – de português para O BRASILEIRO – será um enorme ganho, principalmente através da atividade turística, uma ótima oportunidade de divulgação da cultura nacional genuína, uma forma de emergir a cultura local gerando riquezas e empregos aos nacionais, pois o estrangeiro ainda tem muita curiosidade com relação à cultura brasileira. Outro ganho imensurável é que as incursões governamentais que tentam diminuir a desigualdade entre ricos e pobres ganhariam reforço, vez que o resgate de tão valoroso legado afro-indígena traria para a pauta as duas culturas secularmente marginalizadas pelo privilégio branco.

Para um país que vem galgando enormes passos e vencendo degraus na economia é importante atentar também ao campo cultural sob pena deste não acompanhar a contento o avanço do nosso mercado e não fincarmos marcos mais profundos, quando todos sabem que o poder não prescinde de uma forte produção cultural (existe exemplo mais flagrante do que a produção Hollyhoodiana?). Os galhos do poder constituído são uma tentação, é verdade, mas não devemos ter receio das idéias alternativas, pois, neste caso, a justa adoção dO BRASILEIRO, ainda que não nos leve ao Jardim do Éden, aumentará a estima dos brasileiros e poderá ser um vetor a mais na atração de fluxos estrangeiros a este paraíso para conhecerem esta terra ainda tida por muitos como sem males. Sonho do imaginário estrangeiro que perdura, sem, no entanto, ser devidamente explorado através da nossa atividade turística.

Viva o idioma BRASILEIRO!

*Turismólogo, escritor e Sócio-efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.

Reproduzido de http://www.netoferreira.com.br/politica/2012/03/lingua-portuguesa/