“Bunda”, “carimbo”, “cochilar”: a influência africana na língua portuguesa

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O português moderno incorporou muitas palavras de origem africana no seu léxico – exemplos são “bunda”, “carimbo” ou “moleque” na língua brasileira. Algo que nem nos próprios países africanos é muito conhecido.

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Menino   morador do Quilombo do Kalunga e descendente dos escravos africanos no   Brasil - parte da herança cultural deles é a palavra portuguesa

 Menino morador do Quilombo
do Kalunga e  descendente dos
escravos africanos no Brasil -
parte da herança cultural deles
é a palavra "moleque" (menino)

Almofada, alface, alcatifa – três exemplos da influência árabe no português. Depois de vários séculos de domínio muçulmano em Portugal, os mouros deixaram muitas palavras na língua portuguesa. Isto é bem conhecido, como também a origem latina do português que remonta ao Império Romano. Ao contrário pouco se sabe sobre as influências africanas na língua portuguesa.

Rosa  Cunha-Henckel ensina português nas universidades de Jena e de Berlim (FU  - Freie Universität Berlin)

Rosa  Cunha-Henckel ensina
português nas universidades
 de Jena e de Berlim
(FU - Freie Universität Berlin)

Quem estudou a influência africana no português é a investigadora brasileira Rosa Alice Cunha-Henckel. Ela trabalha na Universidade Livre de Berlim (FU Berlin) e na Universidade de Jena, ambas no Leste da Alemanha, e escreveu o seu doutoramento sobre a influência das línguas bantu de Angola no português do Brasil.

Johannes Beck conversou com ela à margem do encontro anual da DASP Sociedade Alemã para os Países Africanos de Língua Portuguesa (Deutsche Gesellschaft für die Afrikanischen Staaten Portugiesischer Sprache), em Berlim.

Deixem-se surpreender com as influências africanas na língua portuguesa!

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2 Respostas

  1. Sobre bunda (não a própria, mas a palavra)

    Recebi de uma amiga este texto por email:
    “Os responsáveis pela bunda como é conhecida na atualidade, e aí me refiro ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja, a bunda como ela é, são os africanos. Mais especificamente os angolanos e os cabo-verdianos. Para ser ainda mais preciso, as angolanas e as cabo-verdianas. Foram elas, que, ao chegarem aqui durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda até então.
    Foi assim: naquela época, a palavra bunda não existia. Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma cachopa, diziam, exatamente isso, nádegas. Ou região glútea, tanto faz. Aí, os escravos angolanos e cabo-verdianos chegaram ao Brasil. Só que eles não eram conhecidos como angolanos nem cabo-verdianos. Eram os bantos chamados bundos, que falavam o idioma Ambundo ou Quimbundo. A língua bunda, enfim.Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa. Os portugueses, que, aocontrário do que se acredita, não são bobos, logo encompridaram os olhares para as nádegas das bundas. Quando uma delas passava diante de uma turma de portugueses, eles já comentavam: – “Que bunda!”Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinônimo de nádegas.Assim nasceu a bunda.”

    Numa rápida pesquisa verifiquei que isso não é bem verdade, mas é quase: de acordo com a etimologia da palavra bunda, em quimbundo — língua africana à qual o texto se refere —, mbunda significa “quadris, nádegas”.
    Data de 1836 a origem da palavra bunda no Brasil.

    Abraço

  2. Achei muito legal…………

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