Cultura chinesa

Em Cotia, Templo Zu Lai recebe aproximadamente 7 mil pessoas por mês. Entre elas, poucas são da China; a maioria é mesmo do Brasil.
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Leandro Canônico Do Globoesporte.com, em Cotia
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O templo budista Zu Lai, em Cotia, na zona metropolitana de São Paulo, está praticamente “dominado” por brasileiros. Diferentemente do que muitos imaginam, é raro encontrar um imigrante chinês no local, à exceção de alguns monges e mestras. Nem mesmo os descendentes costumam ir até lá.

Segundo a mestra Miao Shang, nos dias de meditação ainda é possível encontrar 10% de chineses nos cultos. Já nos cursos oferecidos, somente brasileiros.

“São poucos os chineses que procuram o templo. A maioria mesmo é de brasileiros, sem nenhuma descendência. Seja nos cursos, na universidade ou na meditação”, diz a mestra, que também é nascida no Brasil, mas é filha de chineses.

Maior templo budista chinês de São Paulo, o Zu Lai é aberto para visitação de terça a sexta-feira, das 12h às 17h, e sábados, domingos e feriados, das 9h30m às 17h. Os cursos oferecidos no local são: Tai Chi Chuan, meditação, língua chinesa, filosofia budista, artesanato, transcrição de sutras, culinária chinesa vegetariana e Kung Fu.

“As pessoas procuram o templo em busca de paz. Às vezes nem é budista, mas gosta de relaxar aqui. Estamos abertos a receber todos os tipos de pessoa. Com os Jogos Olímpicos de Pequim, a curiosidade sobre a China aumentou, mas ainda não senti diferença no número de visitantes”, acrescenta Miao Shang.

Já o acesso à Universidade Livre Budista Zu Lai não é tão democrático. O processo seletivo é exigente. São abertas apenas 20 vagas por ano e a pessoa tem que atender a uma série de requisitos para iniciar o estudo, como abrir mão do convívio da família, por exemplo. Isso porque são dois anos reclusos no templo.

“Eu saí de Cascavel, no Paraná, à procura de uma filosofia budista. Já tinha namorado o Templo Zu Lai pela internet. Vim pra cá, passei no processo seletivo da universidade, me formei e agora sou um dos colaboradores”, destaca o jovem Cleumar Silva, de 25 anos, que ajuda na administração do local.

Além da unidade em Cotia, que fica na Estrada Municipal Fernando Nobre, 1.461, há um centro de meditação na Rua São Joaquim, 460, na Liberdade, em São Paulo.

Leia a matéria original:
http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL717110-15913,00-BRASILEIROS+INVADEM+TEMPLO+BUDISTA+E+MERGULHAM+NA+CULTURA+CHINESA.html

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Juiz ‘Indiana Jones’ exporta eleições brasileiras para o mundo

Juiz brasileiro é o único do país enviado pela ONU para regiões de conflito. Como ‘arma’, ele carrega camisas do Brasil para evitar apuros.

Dani Blaschkauer Do G1, em São Paulo

Apelidado de ‘Indiana Jones’, ele nunca viu a arca perdida, não usa chicote e nem revólver, mas já foi perseguido por multidões, atravessou lugares no lombo de camelos e elefantes, e viu o avião em que viajava ter que pousar em um campo de futebol. E tudo isso para mostrar como funcionam as eleições no Brasil e ajudar na organização do pleito de uma dezena de países.

O juiz auxiliar Paulo de Tarso Tamburini Souza é um dos enviados das Organizações das Nações Unidas (ONU) e também do Tribunal Superior Eleitoral para colaborar em forças-tarefas nas eleições de dezenas de países pelo mundo.

“A intenção é mostrar como funcionam as eleições no Brasil e explicar melhor como é feito o cadastro eleitoral aqui”, afirma ele.

“Essa força-tarefa tem como principal objetivo prestar assistência eleitoral onde for solicitado. Seja nos países onde tiveram conflito ou mesmo durante o conflito”, diz.

Em suas viagens, que já preencheram mais de seis passaportes, passou por República Democrática do Congo, Ruanda, Moçambique, Palestina, Burundi, México, Uganda, Guiné-Bissau, Zâmbia, entre outros. A próxima parada pode ser Nigéria, mas ele torce mesmo para ser o Iraque.

“No Iraque, tem o desafio do trabalho. Quando se faz algo que já funciona, é só apertar um botão. Agora quando tem o desafio de instalar, criar, enfrentar uma realidade nova, é preciso exercer toda a sua diversidade cultural para atender a necessidade peculiar do país e do povo”, diz.

“Ainda mais o Iraque, que tem tantas nações lá dentro, e enfrenta uma crise. Eu acredito que uma saída para a crise não deve vir a curto prazo. Lá, é preciso fazer esforços para ajudar a democracia, e ajudar a população na criação do estado é um privilégio, é uma honra”, completa.

Medo

Nem mesmo ter ficado na Palestina nas últimas eleições presidenciais foram suficientes para causar uma grande apreensão no brasileiro. Aliás, medo, ele diz que só tem um.

“Tomar tiro e morrer faz parte do trabalho. Você já vai com esse risco, da mesma forma que um médico entra no hospital para pegar doenças. Eu tenho medo é de não conseguir realizar o trabalho. Já sofri atentados de quase todos os tipos, passei por campos e regiões em elefantes e camelos e até corri sérios riscos de doença, mas o meu medo é o de não conseguir realizar o meu trabalho”, diz.

O trabalho no caso vai desde fazer palestras na ONU como demonstrar o sistema eleitoral brasileiro. Apesar de nenhum país utilizar a mesma urna eletrônica do Brasil, o juiz pode ajudar com exemplos. E um deles, utilizado por Souza, é justamente a urna feita no país.

“Cada país tem que se adaptar com a sua realidade. Mas, no caso do Congo, por exemplo, eles estão na mesma linha que o Brasil. E também tem floresta e áreas de difícil acesso”, fala.

“Mas as pessoas às vezes não se tocam do trabalho que nós tivemos em desenvolver uma urna que pudesse resistir à umidade da Amazônia, ao clima seco do sul do país, aos baques e barrancos, ao lombo de burro, avião, e também o conhecimento de transmissão via satélite”, exemplifica.

Souza revela que já viu em eleições pelo mundo afora cédulas gigantes no Congo, onde havia mais de 200 candidatos no papel, e todos com fotos. “Tem muita gente analfabeta e isto era necessária”, revela. Já no México, viu uma caneta que deixa marca no dedo, tudo para evitar que uma pessoa consiga votar duas vezes.

Apelido

Único representante brasileiro na força-tarefa da ONU, Souza não esconde a ponta de orgulho em ser apelidado de ‘Indiana Jones’, alcunha que recebeu de companheiros de profissão.

“O apelido é porque foram vários lugares onde fui que têm problemas. O apelido foi dado informalmente pelos ministros do TSE e também por colegas”, diz. Mas incomoda? “Meu problema não é o apelido, é fazer o trabalho. O Indiana Jones está ficando velho, e eu também”, afirma ele, aos 42 anos.

Camisa da seleção

Diferentemente do personagem interpretado por Harrison Ford, a arma do juiz não é um chicote ou um revólver. Para vencer momentos críticos, o uniforme é o seu grande trunfo.

“Ando ou com uma camisa do Brasil, ou com um boné com a bandeira do país. A paixão pelo Brasil é muito grande e ajuda muito o trabalho. Já cheguei a usar a camisa da seleção de futebol também, porque há lugares com uma grande resistência a estrangeiros e uma desconfiança com relação à ONU. No Congo, por exemplo, há um grande ressentimento com a ONU”, revela ele, que já chegou a distribuir roupas com o nome do Brasil costurado no país africano e também em Jericó.

O fato de o Brasil ser bem visto, segundo ele, transformou-o em uma espécie de ‘diplomata do voto’.

“Este trabalho que faço é muito bom para o Brasil porque a Justiça Eleitoral abre portas importantes, como ocorreu no Congo. Abriram-se portas comerciais, financeiras, de exportação e contatos variados. O Brasil concedeu mais de 200 bolsas de estudos. Aumentou consideralvelmente a relação bilateral”, diz.

“Eu chamaria, informalmente, esse trabalho de diplomacia judicial”, afirma Souza, que agora deixará a função no Tribunal Regional Eleitoral de Minas para trabalhar como juiz auxiliar no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. “Mas espero conseguir autorização para continuar com este trabalho com a ONU”, disse.

Leia a matéria na íntegra:
http://g1.globo.com/Eleicoes2008/0,,MUL716690-15693,00-JUIZ+INDIANA+JONES+EXPORTA+ELEICOES+BRASILEIRAS+PARA+O+MUNDO.html
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