O inventor da pizza

A expressão “tudo acabou em pizza” parece já ter nascido nos primeiros dicionários. Não é bem assim. O autor se chama Milton Peruzzi e a frase tem tudo a ver com o Palmeiras

O valerioduto delubiano ligou fortemente Belo Horizonte à Brasília, liberou geral todo o sistema de esgotos das duas capitais, mas agora está exalando forte cheiro de orégano. Pizzas de todos os tamanhos são montadas, tentadas, sonhadas, preparadas e lobizadas. Mesmo com Roberto Jefferson defenestrado e dezoito cassações pedidas, será que todo esse imbróglio vai de novo terminar em pizza? Terminar em pizza? Mas por que essa expressão, já tão enraizada na boca do povo, na literatura brasileira e em todas as editorias do jornalismo de nosso país? Por que quando uma punição tão esperada tem resultado frustrante logo dizem que “assaram uma pizza” ou que “tudo terminou em pizza”?

Quem inventou isso e por quê? Eu explico, informo, faço justiça e peço que também trombeteiem em suas tribunas. Foi Milton Peruzzi, o saudoso Milton Primo Pierini Pieruzzi, morto no Guarujá (SP), no dia 21 de fevereiro de 2001, o inventor involuntário desse bordão que passou a ser de domínio público a partir de 1960. Peruzzi, à época, era setorista da também saudosa A Gazeta Esportiva lá no seu querido Palmeiras, quando estourou violenta crise política envolvendo os cartolas alviverdes Delfino Facchina, Ferruccio Sandoli, Nicola Raccioppi, Arnaldo Tirone, Pascoal Walter Byron Giuliano, Nelson Duque, Brício Pompeu de Toledo, Francisco Hipólito, dentre outros.

O pau quebrou dentro e fora do Parque Antártica enquanto os cardeais se engalfinhavam nas dependências do COF, o Conselho de Orientação e Fiscalização do clube. Cartolas graduados, baixo clero, aspones e sapos verdes, todos irados, falavam até em “Terceira Guerra Mundial” a partir da rua Turiassu. Depois de 14 horas de brigas e bravatas, com a fome apertando, alguém sugeriu que a reunião fosse transferida para a cantina Genovese, então na avenida Pompéia. Ali, bastaram duas rodadas de chopp Brahma, quinze garrafas de vinho Valpolicella, dez brotinhos e dezoito pizzas gigantes para que a paz fosse selada na então nitroglicerinica política do Palmeiras. Enquanto o batalhão de repórteres e fotógrafos se acotovelava à porta da pizzaria, Peruzzi ligou para a redação e ditou a manchete que seria capa do jornal no outro dia: “Crise do Palmeiras terminou em pizza”.

Daí em diante, deu no que deu. E num domingo pela manhã, dia 2 de maio de 1999, no Plantão de Domingo da Rádio Jovem Pan, Milton Peruzzi deu-me uma emocionante entrevista por telefone e pediu: “Milton Neves, estou com um câncer violento, vou morrer primeiro do que o governador Mário Covas, que tem o mesmo tipo de câncer, mas tratamento de primeiro mundo. Eu te faço apenas um pedido. Faça com que sempre lembrem de mim toda vez que escreverem que tal situação terminou em pizza. Não foi muito, mas fui eu quem inventou isso”, frisou. Tá bom, Peruzzi, você falou tá falado, não precisa agradecer, porque não há de quê. Eu estarei sempre lembrando, viu?

Milton Neves – Revista Placar (01/10/2005 EDIÇÃO: 1287 PÁG.: 28)

Leia o artigo original:
http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/placar/Conteudo.aspx?ID=66790
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Uma resposta

  1. Complementando

    A expressão “tudo acabou em pizza” surgiu nos anos 60. Era um momento conturbado na Sociedade Desportiva Palmeiras. Divergências políticas entre dirigentes promoveram um discussão com trocas de acusações para todos os lados. Quando o repórter Milton Peruzzi, da “Gazeta Esportiva” foi para o clube fazer a cobertura de uma tentativa de acordo, deparou-se com uma situação surpreendente. Todos fizeram as pazes e foram a uma pizzaria comemorar. No dia seguinte, o jornal publicou “Briga no palmeiras termina em pizza”.

    Contudo, a conotação “tudo acaba em pizza” se popularizou a partir de 1992. Na CPI instaurada contra o esquema PC Farias, a autora foi a secretária Sandra Fernandes de Oliveira, da empresa ADS: “Se isso acabar em pizza, como eles querem, será o fim do país.” . Essa frase, dita durante sua exposição sobre os motivos que a levaram a denunciar a Operação Uruguai, expunha seu receio da CPI não promover (…).

    http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=3716

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