Brasileiros vencem o Oscar dos quadrinhos

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Vitória de brasileiros no Eisner Awards é feito inédito
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‘Fazer HQ no Brasil é para quem persevera’, disse Fabio Moon após cerimônia. Junto com o irmão Gabriel Bá e Rafael Grampá, eles levaram ao todo três prêmios.

Diego Assis – Do G1, em San Diego

Revista de Gabriel Bá, Fábio Moon e Rafael Grampá venceu Eisner Awards na categoria melhor antologia

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Doze anos depois de colocarem os pés na San Diego Comic-Con, maior convenção de profissionais e fãs de histórias em quadrinhos do mundo, os paulistanos Gabriel Bá e Fabio Moon finalmente tiveram seu trabalho reconhecido na noite desta sexta (25) durante a cerimônia de entrega dos Eisner Awards, considerado o ‘Oscar’ dos quadrinhos do mercado norte-americano.

Confira a lista dos vencedores do Eisner Awards 2008

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A dupla de artistas – aliás, irmãos gêmeos – venceu ao todo em três categorias: melhor série limitada (“The Umbrella Academy”, parceria de Bá com Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance), melhor história em quadrinhos digital (“Sugar shock”, de Moon com Joss Whedon) e melhor antologia, por “5”, da qual, além da dupla, participam o também brasileiro Rafael Grampá e os americanos Becky Cloonan e Vasilis Lolos.

A consagração com os Eisners para Bá, Moon e mesmo do estreante Rafael Grampá, que veio a San Diego para divulgar o lançamento de sua primeira graphic novel, “Mesmo delivery”, é um feito inédito na história brasileira das HQs.

“Vencer esse prêmio significa que não faz diferença de onde você vem. Não faz sentido achar que não dá certo porque a gente vive no Brasil e porque lá o mercado é pequeno. Só depende do artista, só depende de fazer”, afirmou Fabio Moon ao G1 na sexta, logo após o encerramento da cerimônia. “Fazer quadrinhos no Brasil é só para quem persevera. É uma lição que só depende de você. Ganhar um prêmio desses é o reconhecimento dessa dedicação de quem faz quadrinhos no Brasil precisa”, concluiu.

‘Os meninos do Brasil’

Desbancando artistas do quilate de Chris Ware e arrancando aplausos entusiasmados dos profissionais presentes à entrega dos Eisners, os brasileiros acabaram se tornando o assunto da noite, citados no palco por nomes como Jerry Robinson, escritor veterano de “Batman”, que se disse “feliz de ver os meninos do Brasil aqui”, e o escritor da DC Comics Brad Meltzer, que dedicou seu prêmio “não aos heróis, mas àqueles que tentam; a todos os nerds, geeks e loosers, e a caras como os autores do Brasil, que continuaram tentando”.

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Os gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá (em primeiro plano) em auto-retrato. .
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Gerard Way, cantor do My Chemical Romance e agora também escritor de quadrinhos premiado, creditou a vitória de “The Umbrella Academy” como melhor série limitada a Bá. “Agradeço ao Gabriel, esse cara que realmente fez o trabalho duro da HQ”, declarou o roqueiro. Publicada pela editora Dark Horse, “The Umbrella Academy” levou ainda os prêmios de melhor capista (James Jean) e colorista (Dave Stewart).

Nós na Vertigo

Mais conhecidos no Brasil como autores do fanzine “10 pãezinhos” e das graphic novels “Meu coração não sei por que” e “O girassol e a lua”, Bá e Moon começaram a publicar seus trabalhos de forma independente nos Estados Unidos ainda no final dos anos 1990. Nos últimos anos, seu reconhecimento vem crescendo (a dupla já havia sido indicada ao Eisner Awards antes pela antologia “Autobiographix”) e o número de trabalhos, aumentando.

Os próximos passos de Gabriel Bá e Fabio Moon incluem a participação em uma minissérie de Mike Mignola, situada no universo do personagem Hellboy, e o lançamento de “Day tripper”, nova série do selo adulto da DC Comics, o Vertigo, que foi anunciada entre as novidades da editora nesta Comic-Con. Sobre o enredo, Bá ainda faz mistério: “Só posso dizer que a história gira em torno de um sujeito que escreve obituários em um jornal, e também que ela se passa no Brasil.”

Rafael Grampá, Gabriel Bá, Fabio Moon, Becky Cloonan e Vasilis Lolos posam com as estatuetas do Eisner Awards 2008 (Foto: Diego Assis/G1)

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