Pérolas angolanas: Novelas brasileiras causam danos na língua portuguesa

AGORA A influência da globalização de telenovelas pouco sugestivas e educativas, aliada a falta de incentivos, não só nas crianças como também em adultos e o hábito pela leitura, são factores que contribuem na debilidade do processo de expressão e aprendizagem nas diferentes faixas etárias em Angola.

Segundo o Jornal Agora num breve contacto com populares, constatou-se que a sua correcção passa necessariamente por uma formação rigorosa dos professores, pela intervenção dos agentes de comunicação e pelo acompanhamento dos pais.

Vera Matos, professora de metodologia e investigação do curso de pedagogia no Instituto Superior de Educação (ISCED), disse existir no português brasileiro uma influencia muito negativa na aprendizagem da língua portuguesa, motivado por novelas em certos ambientes sociais, uma vez que as crianças e não só, vêm-nas nos canais de televisão locais e brasileiros.

“Existe muita gente que não fala a língua materna e como o português não é a língua materna, há, de facto, uma grande vontade de se aprender uma língua que não é sua. É melhor aprender mesmo à maneira brasileira, do que não falar ou expressar mal”, notou a docente.

Uma outra questão referida prende-se com a diferença gramatical entre o português brasileiro e o “padrão”. Estes podem ter uma influência negativa e possuir características brasileiras que não se enquadram no português genuíno, devendo os professores cuidarem do bom português nas instituições de ensino.

Por outro lado, a docente caracterizou o português angolano como uma fusão do seu próprio desenvolvimento, com introdução de palavras não brasileiras nem portuguesas, mas de origens das próprias línguas.

Para ela, a introdução de programas e novelas de produção nacional na grelha de programas da TPA seria um passo importante para se inverter o quadro actual, devendo este processo ser reforçado com a aprendizagem da língua portuguesa a todos os níveis de ensino, por se constatar ainda uma grande deficiência em termos de expressão e de escrita por parte dos estudantes universitários.

A par dessa situação, o músico e professor universitário Carlos Lopes, afirmou que muito se pode aprender das novelas brasileiras quer ao nível da formação, mas elas não são propícias para os angolanos aprenderem a falar correctamente o português. No seu entender, deve-se educar e incentivar o público a uma boa leitura literária e outras publicações como livros e jornais.

Não obstante os factores já referenciados, Carlos Lopes adiantou que tem encontrado sérias dificuldades em dialogar com os estudantes do terceiro curso de engenharia na Universidade onde lecciona, sobre tudo nos exames orais, pelo facto de os mesmos não conseguirem explicar nem interpretar, notando-se logo a partida que não dominam o português.

Já o responsável da biblioteca Camões da Embaixada de Portugal e professor de português da Universidade Lusíadas de Angola, as novelas podem não apenas influenciar na aprendizagem da língua portuguesa, como também na aquisição da hábitos e costumes, o que leva muitos jovens a tomarem atitudes comportamentais negativas pelas quais são influenciados.

Para Jomo Fortunato, Director do Instituto do Livro e Disco, os angolanos falam a vertente da língua portuguesa que está próximo da “norma”, europeia, sendo esta de Coimbra, o que pressupõe dizer que eventualmente se tenha adoptado uma língua portuguesa que decorre do contacto directo com a colonização portuguesa, mas que a sua “norma” nada tem haver com a vertente brasileira.

O interlocutor acredita que caso não sejam tomadas as medidas urgentes, registaremos nos próximos tempos resultados negativos, ao que se poderá chamar de “salada”, quer do ponto de vista da linguagem escrita, como da oral.


[Publicado pela Angonoticias – Dezembro de 2005]
Leia o artigo original:
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=8200%3Cb

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9 Respostas

  1. hahahahah

    O artigo é hilário.

    Eles só confirmam que o idioma do Brasil é o brasileiro, mas usaram uma argumentação que achei bem engraçada, diga-se de passagem.

    Se eu quero aprender o italiano correto não faz sentido eu ficar ouvindo o francês. Da mesma forma, se eu quero aprender o português correto não faz sentido eu ficar ouvindo o Brasileiro.

    Agora: [As novelar influenciam na] “aquisição da hábitos e costumes, o que leva muitos jovens a tomarem atitudes comportamentais negativas pelas quais são influenciados.”

    Desde quando novela é responsável por problemas sociais ou de aprendizado da língua? Ah, fala sério. Se fosse assim os sotaques do idioma brasileiro tinham se nivelado para o padrão globo, o que nunca aconteceu. E outra, desde quando comportamentos violentos são moldados através de novelas? Esses argumentos desse artigo são patéticos e não encontram base nenhuma na realidade.

  2. Por mim eles podem comer com polenta o português correto de Portugal.

    O idioma padrão, correto e culto no Brasil é o BRASILEIRO. Que, aliás, é a variante mais aprendida pelos estrangeiros e a mais divulgada no mundo. Além disso, o brasileiro é a 6ªlíngua mais falada no mundo com 185 milhões de falantes.

    Vejam que legal:

    “Português-Brasileiro*

    Pedro Lomba

    Hoje em dia as livrarias por essa Europa fora já não têm só dicionários bilingues de português. Em vez do francês-português ou do italiano-português, a tendência recente é para o francês-brasileiro ou para o italiano-brasileiro. (…) Tenho uma amiga italiana que me diz que não está nem quer aprender português; está a aprender brasileiro. E o seu dicionário de bolso confirma-o. Há com certeza muitas razões para que isto se passe, para que muitos europeus prefiram mentalmente o brasileiro ao português, ao ponto de pensarem que têm de escolher entre um e outro.”

    http://www.ciberduvidas.pt/controversias.php?rid=1541

  3. E vem cá, não sou especialista no idioma português, pois esta língua estrangeira nunca foi a minha preferida, mas, este título do artigo não estaria errado? Não seria:
    “Novelas brasileiras causam danos à língua portuguesa”

    ai ai…

  4. O Brasil desperdiçando nosso dinheiro:

    “…o recente caso do Brasil ter doado a Angola dez mil livros infantis – para a faixa dos 7 a 10 anos – que não puderam ser aproveitados, porque responsaveis do Ministério da Educação consideraram inaceitavel entregar ás crianças livros cuja ortografia – a brasileira – lhes iria criar perplexidades…”

    http://jorsoubrito.multiply.com/journal/item/494

    Deviam ter doado pra nossos vizinhos que passarão a ensinar o brasileiro nas escolas, assim como o Brasil fará e está fazendo com o espanhol.

  5. Pelo link do post entrei nessa tal de angonotícias e, na primeira notícia citando o Brasil, encontro isso:
    http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=20394

    —————
    “MATUBA

    Gostaria que o nosso ministro assinasse também o envio das putas brasileiraspara Angola para ser bem remadas na nossa de luanda. Já há muitas delas por aqui,mais mqueremos mais putinhas por cá!!”

    ————-

    “Cuidado com os brazucaz!

    Não prestam! Basta ver que o brasil é a terra do Mundo onde há mais crime! Outro péssimo exemplo é a Wikipédia . pt, assaltada por brazucas que se promoveram sozinhos a “administradores” e apesar de de a tal “wikimérdia” dizer que é livre e que se pode Editar, clicando no botão, não deixam que a nossa opinião lá fique! Experimentem! Não sabia que aquilo era tão pouco credível! Está cheio de erros e de abusadores…brazucas, como um tal “Fabianopires”, “OS2Wg..”, etc. Não presta, já vários escriores e eruditos disseram memso que aquilo é uma Wikimérdia sem qualidade, e que é aproveitada por esses tais “administradores” de brincadeira para se autopromoverem e usarem a página para protagonismo!”

    ——————
    ——————

    Portugueses e angolanos se merecem, não somos dessa laia.

    O que esperar de um povo que joga fora livros doados por brasileiros?

    E eu que tinha acabado de ler esta notícia lindíssima sobre os Agudás em Benim:

    https://brasiliano.wordpress.com/2008/07/24/um-brasil-alem-mar-com-feijoada-e-jeitinho-sociologico/

  6. Nossa Richard, que nojo dessa gente.
    O que fizemos para sermos tão odiados assim? A maioria dos brasileiros nem sabem que esses países lusófonos existem, eu hein, povo mais doido.
    Eles se acham, não? ainda bem que estamos no continente americano, beeeemmm longe. Quanto mais eu leio sobre essa gente menos eu gosto.

  7. Meus amigos
    O português/brasileiro, português/angolano, português/cabo-verdiano, português/guineense, etc. etc. é um autêntico disparate. Se quisermos que a geração dos povos da matriz da língua portuguesa se entendam e tenham peso cultural, económico e político a nível mundial daqui a 500 anos, então, a língua terá que ser o mais unificada possível. É por isso que há os acordos ortográficos entre os dirigentes políticos responsáveis e sensatos dos diversos países da comunidade da língua portuguesa, pois uma língua é uma entidade viva. Tudo o resto é bobagem, ignorância de pessoas de idéias curtas que pensam “pequeno”. As gerações actuais têm responsabilidade com as gerações futuras…

  8. João Alves, seu comentário tem alguns equívocos porque há tempos as gerações brasileiras deixaram de compreender a matriz portuguesa. Também vou discordar da relação que faz entre o idioma português ao peso político, econômico e cultural de um país, cito a China, a Rússia, o Japão como exemplos de países lingüisticamente independentes e pesos pesados em todas as áreas que citou.

    Este assunto já foi abordado neste post:
    https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/01/ensinar-portugues-ou-estudar-o-brasileiro/

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