Remessa de estrangeiros que vivem no Brasil cresceu 78,4% em 12 meses

Mesmo com salários baixos e condições, às vezes, pouco favoráveis trabalhadores já enviaram R$ 1 bi no período

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA

ESTADO DE S. PAULO O crescimento da economia tem trazido um novo tipo de estrangeiro para o Brasil: o trabalhador. De países mais pobres, geralmente dos vizinhos latinos, milhares desses imigrantes têm cruzado a fronteira em busca de emprego, reais e uma vida melhor.

Ainda que tenham salários baixos e condições, às vezes, pouco favoráveis, eles têm conseguido prosperar: em 12 meses, encerrados em maio, o volume de remessas feitas às famílias nos países de origem cresceu 78,4% e já soma US$ 638,8 milhões, ou pouco mais de R$ 1 bilhão no período.

Aos olhos da maioria dos brasileiros, apesar do crescimento econômico dos últimos anos, as reclamações continuam e persistem as dificuldades em encontrar bons empregos e salários. Mas o quadro é encarado de forma totalmente diferente por quem olha a situação de fora: trabalhadores de países mais pobres vêem o Brasil como uma alternativa de vida.

Enquanto brasileiros acham que a saída está em países da Europa, Estados Unidos ou Japão, milhares de bolivianos, colombianos, paraguaios e peruanos escolheram o Brasil como a terra dos sonhos. Coreanos e chineses completam a lista dos novos imigrantes.

Rodrigo Pena, oficial de projetos da Organização Mundial do Trabalho (OIT), estima que entre 1,5 milhão e 2 milhões de trabalhadores estrangeiros vivem atualmente no Brasil.

Segundo o site oficial da OIT, muitos desses estrangeiros estão em situação ilegal. Para Pena, não é surpresa ver o aumento das remessas feitas por esses trabalhadores. “A estabilidade econômica atrai pessoas de países que não conseguiram atingir o mesmo grau de prosperidade.”

Tantos imigrantes têm conseguido até mexer nas contas externas brasileiras.

OBJETIVO

Números do Banco Central (BC) mostram que parte desses trabalhadores tem atingido o objetivo de guardar dinheiro e ajudar a família. Durante uma década – entre 1995 e 2004 -, estrangeiros remetiam, em média, US$ 12,8 milhões por mês aos seus países de origem.

Desde então, as remessas não param de crescer. Em 2005, a cifra aumentou para US$ 21,8 milhões e no ano seguinte, para US$ 25,7 milhões.

Em 2007, o valor saltou para US$ 42,8 milhões e nos cinco primeiros meses de 2008, bateu novo recorde: US$ 58,4 milhões mensais. De 2005 para 2008, as transferências saltaram impressionantes 167,3%.

O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Campinas (Facamp), Daví Nardy Antunes, diz que esse forte desempenho das transferências é reflexo da imigração recente. “Muitos que vêm para o Brasil, deixam família, mas continuam responsáveis por sustentar a casa. Nessas situações, o envio de dinheiro freqüente é essencial”, explica.

Antunes, que é especialista em mercado de trabalho, acredita ser muito provável que o fluxo de trabalhadores vindo de países vizinhos continue nos próximos anos ou enquanto a economia brasileira estiver crescendo. “Se a atividade está bem e a produção precisa crescer, um imigrante que trabalha em uma confecção vai chamar um familiar ou conhecido para a nova vaga. Assim, a entrada de estrangeiros tende a continuar.”

AVANÇO

1,5 e 2 milhões
é a estimativa de trabalhadores estrangeiros que vivem atualmente no Brasil, muitos deles em situação ilegal, segundo a OIT

US$ 12,8 milhões
foi o total enviado entre 1995 e 2004. Desde então, as remessas não pararam de crescer

US$ 42,8 mi
foi o salto que deram as remessas para o exterior feita pelos trabalhadores em 2007

US$ 58,4 mi
foi o total enviado só nos cinco primeiros meses deste ano

167,%
foi o aumento das transferências de 2005 para 2008

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Crise nos EUA atinge brasileiros

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA

ESTADO DE S. PAULO Enquanto as remessas do Brasil para o exterior batem recordes, as transferências do exterior para o Brasil seguem rumo contrário. Em 12 meses, terminados em maio, o ingresso de dólares enviados por brasileiros que moram em países como EUA e Japão diminuiu 4,3% e somou US$ 2,785 bilhões. A redução reflete as condições menos favoráveis nas economias maduras. Ainda assim, a entrada de dólares é muito maior que a saída.

O professor da Unicamp, Daví Nardy Antunes, lembra que os países preferidos por brasileiros, como EUA, Espanha, Inglaterra e Japão, têm enfrentado períodos econômicos irregulares nos últimos anos. “Se a situação para os brasileiros que vivem fora já era difícil, piorou ainda mais com a crise imobiliária nos EUA.”

Especialistas dizem que a possibilidade de crescimento das remessas para o Brasil nos próximos anos é pequena. Além da crise internacional, os países que mais crescem atualmente no mundo – como China e Índia – são destinos com poucas possibilidades para os trabalhadores brasileiros de baixa qualificação, geralmente aquele que remete dólares para a família.

Leia a matéria origina:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080721/not_imp209254,0.php

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