Revista de Domingo: Renda do brasileiro cresce e engorda a Classe B

O Globo Online
RIO – Quase 20 milhões de brasileiros ascenderam socialmente em razão do crescimento da renda no país, mostra reportagem de Bruno Rosa publicada no jornal “O Globo” deste domingo. Eles subiram para a Classe B, cujo ganho médio mensal é de R$ 3.040. O número de lares nesta classe aumentou 80% em cinco anos. Leia a reportagem completa no Globo Digital (só para assinantes).

Por conta disso, as empresas aumentaram o ritmo de lançamentos sofisticados no varejo. O consultor de varejo Eduardo Cherto revela que, além de as empresas acelerarem seu planejamento, reforçaram o processo de fusão. Ele cita o exemplo da Schincariol, que, nos últimos 12 meses, comprou diversas marcas premium, voltadas para o público de maior renda, como a paulista Baden Baden, a carioca Devassa e a gaúcha Eisenbahn.

Casal vendeu mais e passou a viajar mais

A alta no rendimento mensal do casal Arnaldo Rocha e Dulce Barbosa foi possível com o avanço das vendas de sua papelaria. Com o comércio aquecido, o casal passou a viajar mais e fazer pequenos “ajustes” em sua casa.

– O comércio é um dos setores que mais se beneficia com o incremento da renda dos brasileiros. Temos sentido um aumento significativo em nossas vendas. E a nossa expectativa para o segundo semestre é ainda mais positiva. Assim, conseguimos ter mais renda para nosso gastos – acredita Dulce, dona da papelaria Empório das Cores, em Niterói.

Público exigente, que sabe quanto custou subir de classe

De acordo com Tatiana Ponce, gerente nacional de Mercado e Consumidor do Boticário, o foco da empresa é a classe B. Segundo ela, esse é o público mais curioso e exigente, pois eles sabem “o quanto custou subir de classe”. A Seda, marca da Unilever líder no mercado de xampus e condicionadores, acabou de lançar produtos que inauguram sua entrada em novo segmento: a de finalizadores para cabelos. De olho nesse novo público, a empresa criou o Serum para Pentear. Para Fabrizio Haas, gerente de marketing da multinacional, as mulheres compram mais produtos, pois o cabelo é uma prioridade. Quanto maior a renda, maior a preocupação, diz.

Especialistas também destacam que redes de supermercado estão atentas às mudanças. Após lançar a marca Taeq, a CBD pôs na prateleira o selo Casino, do grupo francês que tem participação no capital da empresa. A linha inclui produtos como pratos prontos, alimentos orgânicos, vinhos e alimentos em conserva franceses.
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Estrangeiros tratam Aids de graça no Brasil

Vinícius Queiroz Galvão, da Folha de São Paulo

Estimativa é que 1.209 doentes venham ao país em busca de atendimento e do coquetel anti-retroviral distribuído na rede pública. O custo de cada paciente tratado no Brasil é de cerca de US$ 2.500 (R$ 4.075) ao sistema de saúde; São Paulo é o destino mais procurado

Num consultório de Assunção, uma infectologista dá nome e endereço de uma colega brasileira a um paciente soropositivo doente de tuberculose e desacreditado de que fosse sobreviver no Paraguai. “Procure a doutora Denise Lotufo em São Paulo”, disse.

Depois de 20 e poucas horas de uma viagem de ônibus, ele desembarca no CRT (Centro de Referência e Treinamento), um ambulatório da rede pública especializado em HIV/Aids.
Lá, recebe tratamento gratuito e todos os medicamentos anti-retrovirais, o chamado coquetel, que não é fornecido pelo sistema de saúde paraguaio.

Assim como esse paciente paraguaio, que por viver clandestinamente no Brasil pede anonimato, ao menos 1.209 estrangeiros vêm e voltam ou vieram e vivem no Brasil para receber tratamento gratuito contra a Aids, de acordo com o Ministério da Saúde.

Só em São Paulo, que registra o maior número de casos de HIV no país, são 503 deles. No Rio de Janeiro, há outros 242.

Os números, no entanto, estão subavaliados: nem todos os centros de distribuição de remédios estão integrados ao sistema informatizado da pasta.

Segundo Eliana Gutierrez, diretora da Casa da Aids, no ambulatório do Hospital das Clínicas há dois cenários: enquanto alguns estrangeiros migram para receber tratamento gratuito, outros, que descobriram ser portadores do HIV por aqui, não deixam o país para não perder o benefício.
“Isso desperta paixões nos pacientes brasileiros, que sentem que a pátria e eles são lesados”, afirma Gutierrez.

“Se esses estrangeiros estão no Brasil legalmente ou ilegalmente, essa não é uma questão que vamos atrás”, diz Mariângela Simões, diretora do programa de Aids do ministério.

Liderança
Na lista das nacionalidades atendidas, Portugal e Argentina aparecem na liderança, com 181 e 158 pacientes, respectivamente, que recebem o coquetel anti-Aids no país.

Além disso, revela Simões, o Brasil trata 3.500 bolivianos na Bolívia e 1.100 paraguaios no Paraguai, ao doar medicamentos a esses países.

Por ano, cada paciente tratado no Brasil custa, em média, US$ 2.500 (ou R$ 4.075) ao sistema público de saúde.

Infectologista do CRT, Denise Lotufo, que virou referência no Paraguai por dar treinamento a profissionais de lá, começou a estudar espanhol para atender pacientes daquele país.

Hoje, ela acompanha o tratamento de dez paraguaios. “Dois deles passaram a morar no Brasil.” Os outros vêm e voltam entre três e quatro vezes ao ano para retirar remédios e fazer exames de rotina, como a contagem da carga viral e das células do sistema imunológico.

Alguns países como EUA, China e Colômbia, que estão entre as nacionalidades atendidas gratuitamente no Brasil, proíbem a entrada de portadores do HIV, mesmo que seja a turismo e por curto tempo.

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